Marianna Armellini fala sobre o desafio de viver a primeira vilã na TV: “Quero muito ser xingada”

Publicado há 8 meses
Por Guilherme Rodrigues
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Longe das novelas desde Malhação – Vidas Brasileiras (2018), Marianna Armellini está de volta ao ar como a vilã Verônica de Salve-se Quem Puder, enredo das 19h de Daniel Ortiz. Em entrevista ao Observatório da TV, a famosa falou sobre o novo desafio profissional e do retorno do público.

Você já está tendo retorno?

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Da novela sim, mas da minha personagem ainda não. Comecei a engatinhar ainda agora. A novela está tendo um retorno bacana, as pessoas estão assistindo, estão entendendo a história. É uma novela muito diferente da anterior, tem muita ação, comédia, a coisa do furacão no começo. Mas como eu ainda não estou na novela, ninguém relaciona uma coisa com a outra. Então não estou tendo esse retorno de cara. Algumas pessoas me pararam na rua e falaram ‘ah, eu vi que você vai estar na novela’. Já está fazendo um barulhinho.

Como você está se sentindo com o cabelo novo?

Eu adoro os meus cachos, eles existem embaixo disso tudo, mas para a personagem a gente quis fazer uma coisa bem diferente, já que é uma coisa diferente do que as pessoas estão costumadas a ver de mim, então o autor e o diretor quiseram que eu tivesse bem diferente, com o cabelo escuro e liso. Está sendo bacana, ainda estou começando a mexer. Os cachos eu domino, mas o liso é diferente. Acho que as pessoas vão demorar até para me reconhecer.

Qual é o motivo da sua personagem ser uma vilã?

Do que eu li, ainda não sei. É um acontecimento do passado da vida dela, que tem a ver com o pai, que faleceu. Ainda não chegou na parte que eu sei o que exatamente foi, mas algo aconteceu com o pai que ela ficou muito amarga. A vilania dela não é de dinheiro, roubar, nada disso, ela quer uma vingança porque cresceu com essa amargura. Ela também tem muita inveja da Micaela (Sabrina Petraglia), por ela ser tão protegida pelos pais, eu estou indo por esse caminho, mas ainda não sei a razão. É um ranço.

Será que ela não vai se render? Vai levar esse ranço para o resto da vida?

Eu gostaria. Gosto de vilão que não tem redenção, mas como é uma novela das 19h, a gente tem que ir por aí. Eu não tenho ideia de como vai terminar, e nem como vai desenvolver. Tá muito no começo, mas já comecei a gravar cenas dela.

Fale sobre uma cena que você já fez e gostou.

Tem uma cena que eu odiei, que foi descer uma escada igual uma pata. Foi no primeiro dia. Eu estava com um salto, o Leopoldo [Pacheco] tinha que descer rápido e eu atrás dele. Parecia que eu estava botando um ovo. Uma coisa horrorosa. Não era pra ser cômico e ficou.

Eu fiz uma cena que é um clássico da vilania, que é falar sozinha, olhando para o horizonte e dizendo palavras de ódio. Eu fiz e fiquei feliz. Falar sozinha é muito bom. Você faz com uma vontade porque cresce vendo. Novela tem isso porque tem que explicar algumas coisas. Se ficar no subtexto fica difícil.

Tem espaço para a comédia na sua personagem?

Eu acho que vai ser um outro tipo, não vai ser comédia da palhaçada como eu faço. Vai ter uma ironia. Eu estou colocando e o texto apresenta uma certa falta de paciência. Não dá para fazer uma coisa super dark pelo horário. Não será engraçada, mas tem um certo humor, um sarcasmo ali por trás.

Eu estou fazendo praticamente três personas: ela é uma pessoa com o chefe dela, ela tem que ser submissa, ela precisa daquele trabalho, não está ali só para se vingar. Precisa do dinheiro e também se manter no emprego para ficar perto da Micaela.

Ela é uma pessoa com o Hugo (Leopoldo Pacheco), uma secretária eficiente e fiel, uma com a Micaela, que é amiga, prestativa, atenciosa, e ela é ela se vingando. Eu faço três personas. E na dela vilã tem esse espaço que ela não tem paciência.

Tá sentindo muita diferença dessa personagem com as que já fez?

Muita. Até o figurino. Nas outras vezes era personagens não só cômicas. Na Malhação eu era muito orelha da personagem da Camila [Morgado], de ser amiga, escutar, dar conselhos. A personagem era muito parecida comigo, até no figuro.

Agora tá muito diferente. A postura é diferente, o cabelo é diferente. Eu tenho que segurar a onda das expressões, jeito de falar. Tá sendo muito diferente. O texto vem e tem cenas de ódio, que ela fala com muita raiva. É diferente de tudo que eu fiz na TV. Tá sendo difícil dosar. Agora que estou começando a ver. Um pouco mais, um pouco menos. Agora que a novela começa a entrar no eixo nesse sentido. Tá sendo bem difícil segurar as expressões.

O público vai saber logo o motivo da vingança?

Eu acho que sim. Eu meio que sei de orelha. No texto já começaram os flashbacks. O público logo vai saber. Não é uma coisa que vai demorar muito.

Os telespectadores estão acostumados a te ver com personagens mais doces. Acha que vai dar um nó na cabeça das pessoas?

Acho que já está acontecendo. Quando eu falo que é uma vilã, as pessoas perguntam se é cômica e quando digo que não, reagem meio que ‘não vai dar certo, você não vai conseguir’. Eu acho que vai dar um nó e espero que as pessoas achem legal. Eu estou achando e meu grande objetivo nessa novela, além de contar essa história, é me provar, ver que na televisão consigo fazer algo assim. Na TV é uma coisa rápida, uma cena atrás da outra, não tem tempo do pensamento, da pesquisa. No cinema é um dia para fazer uma cena, no teatro você ensaia três meses ensaiando uma hora a mesma coisa, e na TV é ensaiou, gravou, ‘obrigada, vai pra casa’. Essa rapidez de colocar essa personagem viva é uma coisa nova, mas pra mim está sendo muito legal.

Está preparada para ser xingada?

Tô, quero muito. Tem uma coisa que estou tentando trazer para ela que é carisma. Acho que um bom vilão tem que ser carismático. A gente lembra de algumas vilãs pelo carisma. Quando não tem, a gente deseja que morra logo. Queria muito conseguir. Que tenha carisma, que as pessoas xinguem, mas que entendam a razão dela. Existe um motivo.

É um sonho fazer uma vilã?

Sim, acho que pra todo mundo. Um dos maiores desafios é fazer um mocinho bem feito, que não fica chato. A Juliana acho uma maravilha, tem um doce, mas não é melado. Acho um talento incrível. Não sei se pra mocinho em tenho, mas vilão é sempre legal. E também tem o negócio de você deixar vivo uma frases. A gente não quer ser ruim na vida, vai se botando, e de repente a gente pode.

Tem bordão?

Acho que não. Tenho essa liberdade, vou anotar. Tem uma coisa que ela vai repetindo, pode pegar.

Existe um limite?

Sim. Não chega a ser uma psicopata. Acho que não vai chegar a matar e tal, a vingança dela é fazer sofrer. Fazer sofrer é mais honesto que matar [risos].

*entrevista feita pelo jornalista André Romano

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