Mariana Santos comenta que sente amor de mãe por filhos da ficção: “Eu fico preocupada com a Dora e o Danilo”

Publicado há um ano
Por Greicehelen Santana
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Em Malhação: Toda Forma de Amar, Carla está passando por uma situação confusa e divertida. Interpretada por Mariana Santos, a moça está vendo seu coração bater mais rápido pelo major da polícia Marco Rodrigo (Julio Machado) e pelo professor de muay thai Madureira (Henri Castelli).

Namorada do esportista, a mãe dos
adolescentes Raíssa (Dora de Assis) e Thiago (Danilo Maia) tem
protagonizado reações inusitadas ao interagir com os rapazes. Em entrevista ao Observatório
da Televisão
, Mariana Santos admitiu que a vida amorosa de sua personagem
não está fácil.

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Eu vejo que quando a Carla está com os dois, ela fica meio infantil e tem umas reações muito estranhas: agride o major, é grossa, chora”, destacou a atriz.

Ao longo da conversa, a atriz também comentou sobre a relação de Carla com os filhos, que idealiza Raíssa fazendo faculdade de Direito e prestando concurso para juíza. “O marido foi morto por violência, ela imagina que a filha seja juíza. Ela transferiu essa questão”, explicou.

A artista também falou sobre o musical Só de Amor, além de síndrome de pânico e ansiedade, transtornos que enfrenta desde a infância. “Estou livre da medicação. De vez em quando, eu recorro a ela, sim, porque tem altos e baixos. Não tem cura. Não tem que ter vergonha e medo de medicação”, revelou Mariana.

Confira a seguir a entrevista na íntegra:

Como vai ficar a sua personagem com esse triângulo amoroso?

“Uma confusão, né? Acho que nem a Carla sabe o que ela sente, ela virou uma adolescente, está muito confusa. Ela não está sabendo lidar com esse sentimento, que ainda não sabe o que é. É uma coisa meio estranha porque ela tem um namoro com o Madureira (Henri Castelli) há um tempo. Eu vejo que quando a Carla está com os dois, ela fica meio infantil e tem umas reações muito estranhas: agride o major Marco Rodrigo (Julio Machado), é grossa, chora. Acho que ela ainda não entendeu o que ela sente.”

E agora a Neide começou a namorar
a Neide, não é?

“A Neide (Quitéria Kelly) é uma amiga dela, ela cuida da Neide. Foi ao ar até uma cena em que ela fala: ‘Ele (major) não pode fazer você sofrer’. Ela ainda não entendeu que está com ciúmes e vai sentir, realmente, bastante ciúmes da Neide. A Neide veio para movimentar. Mas é interessante falar que eu fico vendo a Carla no ar com essas cenas e quando vem os textos, eu falo que quando fala de coração e entra alguém na história, você fica imaturo. Não sabendo lidar com suas próprias emoções.”

Marco (Julio Machado) e (Mariana Santos) em Malhação (Divulgação/TV Globo).

Amores reais

Você já passou por uma
situação amorosa semelhante à da Carla?

“Já, quando era novinha já passei muito por isso: namorar um cara e se apaixonar pelo o outro, e ficar numa duvida cruel. Eu falava que amava os dois, porque é possível isso. Eu perguntava: ‘mãe, é possível amar duas pessoas ao mesmo tempo?’. Ela falava que não e eu respondia: ‘mas eu estou amando’. Eu tinha certeza! Era uma confusão horrorosa.”

Você acha que a Carla deve escolher
com quem vai namorar? Para quem o público está torcendo?

“Tem gente que quer a Carla sozinha ou com a Neide (risos). Está muito dividido. No começo era muito o major. Agora eles estão se enfrentando tanto (Carla e Major), que vai para o Madureira (a torcida). Ela também tem papo serio com o dois.”

Madureira (Henri Castelli), Marco Rodrigo (Julio Machado) e Carla (Mariana Santos) em Malhação (Divulgação/TV Globo).

Mãe na ficção

Como está sendo interpretar
uma mãe de dois adolescentes?

“É muito bom fazer mãe! Isso é maravilhoso, é a coisa que eu mais estou amando fazer porque eu não tenho filho. Toda a minha maternidade, eu estou transferindo aqui. Eu fico preocupada com a Dora (de Assis – Raíssa) e o Danilo (Maia – Thiago). Primeiro porque os admiro como atores, eles são ótimos! E eles têm uma troca, são muito bons de trabalhar e vão ser grandes atores, sem dúvida nenhuma. Quando eu contraceno com eles, realmente, sinto um amor… é incrível! Eu me identifico como pessoa com os dois.É muito bom isso, né?”

A Dora de Assis já confessou
que era sua fã antes dessa parceria em Malhação. Como você reagiu a essa
revelação?

“Ela me falou isso. Ela lembra de um quadro que viu no Zorra Total, quando era criança, com o Aderbal. Olha quanto tempo! Ela falou que gostava de mim nesse quadro. Olha como é o universo nas vidas das pessoas, agora estamos mãe e filha aqui (em Malhação).”

Raissa (Dora de Assis), Carla (Mariana Santos) e Thiago (Danilo Maia) de Malhação – Toda Forma de Amar (Divulgação/TV Globo)

Implicância com o Thiago

Por que a personagem pega
tanto no pé do Thiago?

“Pega no pé com amor. Aí que já vem a comédia da Carla, é com muito amor isso. Vem no texto do Jacobina (autor): ‘briga com o Thiago’. E eu foi fazendo, acho muito divertido. A relação dela com a Raíssa é de proteção e de um futuro que ela idealizou para a filha. Essa é uma questão muito séria para ela. Com o filho, eles estão meio que trabalhando juntos. Eu vejo vários pais que trabalham com os filhos e a relação fica um pouco mais atribulada, porque convivem demais. Ele não quis estudar muito, quis ficar trabalhar mais com a mãe. Então eu acho que criou uma intimidade, uma pequena grosseria, mas ela ama e se preocupa muito com ele. Ela ama muito os filhos, o amor é igual. No tratamento, ela fica pegando no pé porque ele está convivendo mais com ele.”

Mãe na vida real

Essa experiência na ficção está
te despertando a vontade de ser mãe na vida real?

“Não! Eu acho que estou resolvida com isso. Já falei em outras entrevistas que quero adotar. A maternidade está muito dentro de mim, mas não para gerar. Isso é muito resolvido. Já vou fazer 43 anos, agora, não dá. Vai ser arriscado eu engravidar agora. Não acho que os meus hormônios estão bons para engravidar. Então não é uma coisa que vai se fazer sofrer se eu não engravidar. Esse peso que colocam na mulher, eu nunca me preocupei porque já exerci a maternidade em outros aspectos da minha vida. Isso não foi uma questão no meu casamento. Se eu tiver que ser (mãe), eu vou adotar, e é igual (o amor). O amor vem do coração.”

Como surgiu esse desejo pela
adoção?

“Quando eu era pequena sempre me imaginava adotando. Eu ia muito em lugares de adoção. Eu me reunia com as minhas amigas de escola, duas ou três vezes no ano, e ia em lares adotivos, passávamos dois dias com as crianças. Eu tenho muitas recordações, chegava em casa muito encantada com as crianças. Eu passava o dia inteiro lá, vivia lá.”

Carla (Mariana Santos) em Malhação: Toda Forma de Amar (Divulgação/ TV Globo)

 Você planeja a adoção no momento?

“Não. Eu sei que demora. Eu e o meu marido ainda nem começamos a conversar sobre isso. Eu deixo as coisas acontecerem, vamos ver.”

Idealizando sonhos

Sobre o sonho que a Carla
nutre de ver a Raíssa formada em Direito: você passou por isso na vida real?
Você acha que será uma mãe que planeja o futuro do filho?

“Eu acho tão ruim quando os pais idealizam o futuro. No caso dessa mãe: mora em Caxias, é viúva e cuida de tudo sozinha. A chance de ela dar um futuro melhor para os filhos é com o estudo. Então ela imaginou tudo isso e a filha estava dando respostas de que estava indo nesse caminho: é a melhor aluna, estuda. É o orgulho dela! O Thiago também, mas a Raíssa é nessa questão do estudo. E como o marido foi morto por violência, ela imagina que a filha seja juíza. Ela transferiu essa questão. Acontece com muitos pais isso de quererem o melhor para os filhos, e acabarem atrapalhando a própria decisão dos filhos. Comigo, graças a Deus, a minha vocação sempre foi muito clara. Então os meus pais sempre apoiaram, então não foi uma questão. Quando eu falei para o meu pai que iria fazer faculdade um pouco mais tarde porque queria fazer os cursos de teatro, ele falou: ‘tá bom’. Quando a criança nasce vocacionada é mais fácil. Agora, é difícil para o adolescente que não está com a vocação, porque ninguém é obrigado a ter uma profissão. É muito cedo a cobrança dos pais e da sociedade.”

Esse marido da Carla morreu
mesmo?

“Morreu mesmo! Já pensou se ele volta? Que coisa louca agora! É uma boa pergunta. Mas ele morreu sim. Ele já morreu tem um tempão, ela cria os filhos sozinha desde pequenos.”

Público

Você acredita que essa
personagem está projetando para o grande público uma outra vertente sua como
atriz?

“A Carla tem comédia romântica, drama familiar, maternidade, culpa, alegria, firmeza. Ela tem várias coisas legais para trabalhar. Então o público pode ver mais de mim. Cada trabalho me dá a chance de mostrar. Tomara que eu tenha mais e mais chances de mostrar outras coisas também.”

Como está a repercussão do seu
trabalho em Malhação?

“As pessoas gostam muito. Eu vejo na internet, estou acompanhando, leio.”

José Loreto, Mariana Santos, Eduardo Sterblitch no palco do Amor & Sexo (Foto: Globo/Raquel Cunha)

Como foi a transição de
público para o universo teen de Malhação?

“Tranquilo. As pessoas que tinham me visto na novela, já conheciam o meu trabalho um pouco. Muita gente me conhece do Zorra Total, porque eu fiquei muitos anos. Tem gente que via o Amor & Sexo e agora está me vendo na novela. Então com os trabalhos que você vai fazendo, você vai conquistando outras partes do público. Natural essa passagem.”

Novo projeto no teatro

Fala sobre a peça Só de Amor.
Você produziu com o seu marido Rodrigo Velloni, né?

“É uma peça que eu escrevi. Foi feita a quatro mãos, porque trabalhamos nisso juntos. Quando eu vi, era uma história que contava a minha história. É uma cantora que está num show muito importante e especial da vida dela, e algo sai errado. O público vai descobrir que, na verdade, ela está em outro lugar, em uma crise de pânico e ansiedade. Tudo que se passa na cabeça dessa personagem é para entrar no grande voo da vida dela. É uma comédia musical. Eu interajo muito com o público, ela encontra pessoas muitos conhecidas na plateia, pessoas que ela rever. Ela volta para a adolescência, para a infância, resolve questões com pais e mães, que eu acho muito importante para vermos quem somos hoje. Eu fui escrevendo fazendo uma ficção, mas é também muita coisa da minha vida. É um solo, tem a parte que eu canto no espetáculo e tem a parte profunda. Eu acho muito bonito esse espetáculo. Eu me sinto muito feliz fazendo ele.”

Tem a possibilidade dessa peça
virar um produto do canal GNT?

“Não sei. Eu estou com um projeto novo de dramaturgia para o GNT, mas quando terminar Malhação. Agora não dá para gravar tudo e fazer a peça.”

Lidando com a ansiedade

Como você lida com essa
questão da ansiedade? Faz terapia?

“Com leveza. Eu comecei a fazer terapia com sete anos, porque já tinha indícios de ansiedade no carro. Os trajetos são complicados para mim, chegar nos lugares é muito difícil.”

Carla (Mariana Santos) em Malhação: Toda Forma de Amar (Reprodução/TV Globo).

Você entendia que estava
fazendo terapia quando criança?

“Entendia porque terapia infantil é aquela coisa: você desenha, faz argila. Eu fazia muito muita coisa com argila, várias caras. Eu falo até sobre isso na peça. Você vai demonstrando com desenhos até conseguir falar. Fui trabalhando isso, depois com psiquiatra porque é importantíssimo. O que me salvou é que eu nunca me deprimia, lógico que tem momentos. Você fala: ‘não consegui chegar na esquina hoje’, ‘hoje andei até aqui e passei mal’. Chegava frustradíssima! Mas eu nunca me cobrei ser perfeita e boicotei muitos anos da minha vida, até na carreira. Me boicotei porque era muito mais fácil ficar quieta em casa. Mas a vontade de trabalhar era muito grande, então eu conseguia fazer. Várias vezes eu chegava triste, mas pisava aqui (na Globo) e melhorava. No teatro a minha mãe me acompanhava porque eu não conseguia andar sozinha na rua. Eu sempre dava uma desculpa quando perguntavam se minha mãe tinha ido comigo: ‘A gente adora andar juntas’. Só que tadinha da minha mãe, ela ia porque eu não conseguia dar um passo sozinha.”

Barreiras

Você consegue ficar em locais
fechados?

“Eu tenho pânico de túnel, elevador fiquei sem pegar um tempão. Eu moro em São Paulo, pensa como é a minha vida. Eu venci! Odeio ônibus, estrada. Tudo o que não vê a rua.”

Alguém duvidou dessas suas
crises? Chegaram a minimizar a situação?

“Lógico! Só sabe quem tem. E ninguém é anormal por ter isso, eu estou aqui trabalhando. Se a minha ansiedade vier, eu vou trabalhando com ela e com as minhas questões. Eu sou muito positiva, graças a Deus.”

A profissão de atriz te ajudar
a lidar com a ansiedade?

“Muito! Isso me levava a sair de casa. Eu gostava tanto de estar no palco que eu ia passando mal, mas eu ia. Minha mãe ia comigo no metrô, não tinha dinheiro para pegar táxi, e eu ia desenhando círculos nos cadernos, apertando coisas.”

Mariana Santos (Divulgação/ TV Globo)

Quando você começou a fazer realizar
atividades do dia a dia sem a sua mãe?

“Depois dos 30 anos, que eu comecei a me cuidar melhor. Eu estava num período muito periclitante, procurei minha psiquiatra e ela me tratou. Estou livre da medicação. De vez em quando, eu recorro a ela, sim, porque tem altos e baixos. Não tem cura. Não tem que ter vergonha e medo de medicação.”

Além da terapia, você buscou
ajuda na fé para se tratar?

“Busquei com certeza. Acho que a fé é muito importante, mantras. Busquei me espiritualizar. Já fui de várias religiões, mas me encontrei no Kardecismo. Enfim, é isso, a gente busca tudo.”

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano.

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