Maria Fernanda Cândido adianta próximas emoções de Joyce em A Força do Querer: “O casamento vai ruir”

Publicado há 4 anos
Por João Paulo Reis
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No ar atualmente como Joyce, na novela A Força do Querer, Maria Fernanda Cândido, está curtindo as reviravoltas na vida da personagem, que ainda vai ver sua vida se tornar muito mais bagunçada. No centro da principal família da trama, Joyce é a matriarca tradicionalista que faz de tudo para que os filhos e o marido permaneçam da forma como ela os idealizou. A atriz conversou com nossa reportagem onde contou sua visão sobre Joyce, e suas próximas descobertas:

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Como está sendo a reação do público em relação à Joyce?

Eu percebo que as pessoas entendem que a Joyce é uma mulher que tem muitas limitações, mas também percebem que ela é uma pessoa do bem, que não sente prazer em fazer o mal. As pessoas não conseguem ter muita raiva dela e se divertem com as cenas da Joyce com a Ritinha (Isis Valverde).

Alguém te alerta sobre a Irene?

Muita gente (risos). Eu me divirto muito, porque existe essa agonia em relação à Irene (Débora Falabella), e as pessoas querem que a Joyce perceba e me cobram muito. Me cobravam também a questão da Ritinha, pedindo para que eu a tratasse melhor. Depois comecei a escutar as pessoas falarem: “Verdade, a Ritinha não se esforça pra te agradar”, então são fases, e os comentários se modificam de acordo com o que está no ar.

E o que você acha sobre esse jeito da Joyce?

A Joyce é uma mulher conservadora que valoriza demais e educação e a etiqueta. As regras de etiqueta são as europeias, tem toda essa vertente porque ela provavelmente foi criada com essa educação, e ela quis criar os filhos dela assim. Ela só consegue entender que os bons modos são os dela, e não que outra cultura também possa ter bons modos. Ela não é aberta para a diversidade, que é uma coisa que o mundo contemporâneo pede. Hoje em dia queremos conviver com a diversidade, porque ela enriquece, amplia os horizontes. Eu pelo menos penso assim, mas a Joyce não. Ela não entende as coisas dessa maneira, então para ela o que é de outra cultura não é bem-vindo. Esses conceitos são muito arraigados e muito fixos nela. Ela não entende a cultura da Ritinha como algo bom, e elas são parecidas em essência. São mulheres vaidosas, femininas ao extremo, que têm sua feminilidade muito aflorada, isso tudo são características que você percebe nas duas. Elas são muito parecidas, mas com culturas muito distantes sendo que uma é muito lapidada, e a Ritinha preserva mais seu lado mais natural, das suas raízes, o contato com a terra, com os elementos da natureza. A Joyce é toda a natureza, lapidada, colocada dentro de uma fôrma. É uma diferença que você pode ampliar para muitas questões dentro da novela. Você tem aí um mundo que valoriza muito o natural, as culturas, o étnico, o regional e você vai ter o mundo mais conservador, que antecede a cultura contemporânea, que vai valorizar a educação mais rígida. Cada uma das personagens defende um conjunto de valores na qual está inserida, e você não vai entender como sendo um duelo entre certo e errado. É simplesmente o conflito entre o diferente.

Em conversa com a Gretchen, ela disse que tem assistido à novela e se identificado muito com sua personagem que foi exatamente o que aconteceu com ela em relação ao Thammy. Ela disse que se vê em você.

É mesmo? Que interessante! Às vezes é difícil como mãe enxergar. A Gloria Perez fez um trabalho muito delicado, teve o cuidado do público primeiro conhecer a Ivana (Carol Duarte) e os conflitos pelos quais ela passa, para depois começar a entrar na questão da transexualidade. A Joyce não é uma mulher que tem um conhecimento sobre a questão do transgênero, assim como nós como sociedade, estamos entendendo melhor essa questão não tem muito tempo. Há alguns anos se você parasse para conversar com alguém sobre isso, muita gente não iria entender, hoje as pessoas conhecem melhor e a Joyce representa essa parcela da população que não conhece sobre esse tema, então a grande preocupação até onde gravamos da Joyce era a filha ser lésbica, porque era até onde o conhecimento dela avançava. A Joyce ainda vai ter que passar por um processo de entender o que é isso. Ontem eu estava assistindo ao programa do Bial, e tinha o Toninho Cerezo com a Lea T, e ele contou que assim que recebeu a notícia ele levou alguns dias para entender o que era exatamente, porque na cabeça dele desde criança, ele tinha uma sensibilidade, um olhar atento para a filha, mas ele imaginava que ela seria lésbica, e quando chegou essa notícia ele demorou a entender o que era. Com a Joyce não será diferente, ela vai precisar entender do que se trata e acho que vai ser muito difícil. Nem a Ivana entendeu isso ainda, claro que mais pra frente ela vai trazer isso para os pais mas ainda não estamos lá.

Existe um futuro onde todo o castelo da Joyce vai cair, e tudo aquilo o que ela sempre idealizou, será uma decepção…

A do Eugênio (Dan Stulbach) vai vir antes. Se pararmos para analisar a novela, esse castelo da Joyce começou a desmoronar já no primeiro capítulo quando o Eugênio diz ao Ruy que ele deve assumir a empresa, enquanto o próprio se arrisca no sonho de abrir um escritório de advocacia. Então já começa Joyce meio chocada tentando manter as aparências, até aquele dia tudo estava muito bem, então começa esse desmoronamento. Nesse primeiro terço da novela tivemos a questão do Ruy (Fiuk) que não se casou com a Cibele (Bruna Linzmeyer), que era a nora ideal, se casou com a Ritinha, que é sereia, filha do boto e que tem um linguajar e modos diferentes. Aí vamos ter uma segunda etapa do desmoronamento que é o Eugênio, que vai se apaixonar. O duelo entre a paixão e a razão é algo muito presente nessa novela, porque você vai ter sempre esse dilema entre a emoção e a razão. O Eugênio vive o dilema porque tem a família, a empresa que é uma empresa familiar. Tudo o que é muito estrutural, que são estruturas fixas conflita com a paixão que ele sente pela Irene, e nessa história temos uma Irene que é maldosa, que tem elementos de vilania, diferente da Joyce, já a Irene tem esse requinte, é manipuladora, e manipula tanto o Eugênio como a Joyce, que são peças de um jogo de xadrez que só ela está manipulando. O casamento vai ruir. Será que a Joyce vai perdoar o Eugênio? Não sei, mas pode ser que exista chance porque um dia Joyce vai saber que a Irene armou tudo.


Existe possibilidade da Joyce trair o Eugênio?

Ela não vai ter nem oportunidade, porque este casamento já está se desfazendo. Se ela tiver algo com alguém não será mais dentro do casamento. Não sei se esse traço de ter um relacionamento para dar o troco esteja na personalidade dela.

As pessoas estavam esperando que ela batesse na Irene numa surra no estilo Maria Clara e Laura em Celebridade, mas pelo jeito ela vai ser tão elegante que vai precisar até da Ritinha pra ajudar não é?

A cena é interessante porque a Ritinha vai começar a se pegar com a Irene, porque ela vai lá buscar o sapato da Joyce que a Irene não quer devolver. E começa a briga, e a Joyce vai em cima da irene e vai usar o salto do sapato dela, o que é bastante emblemático, porque é uma personagem que todos os dias está em cima do salto, então é interessante ela usar esse elemento que é tão constitutivo da personalidade dela para dar uma surra na Irene. E as pessoas me cobram muito, e nem acho que a Joyce vai ser tão fina assim durante a briga. Claro que ela não vai dar um barraco, mas não será tão elegante, porque acontecerá em um lugar público. Ainda não gravamos esta cena.

Tem cenas de brigas entre mulheres que ficaram marcadas como a de Celebridade, ou de Caminho das Índias, talvez por isso as pessoas esperem uma cena tão grande.

Apesar de ser num lugar público… Ah não posso contar tudo. Vai ser uma cena legal.

É interessante que Joyce e Ritinha não se dão bem, mas a Ritinha é quem vai defender a Joyce da Irene.

Ritinha e Joyce tinham tudo para se dar bem, elas têm personalidades fortes, e no fundo não se detestam. É mais uma coisa de hábitos diferentes. Uma anda descalça, a outra de salto. Uma anda com roupa totalmente formal, a outra com roupa esvoaçante. A Joyce cheia de problemas, entra em casa e a nora está dançando o carimbó em cima da mesinha de centro da sala dela. São problemas do convívio.

Ela sempre diz que tem algo errado com a Ritinha.

Ela tem um pressentimento, e diz “ela é fluida”. Eu acho genial a Gloria Perez ter usado esse termo “fluida” para descrever a Ritinha, porque o mundo contemporâneo é o mundo líquido, onde existe o amor liquido, onde as coisas são fluidas, nada dura, e a Ritinha é assim, não se apega a nada. A Joyce diz que ela não cria laços, então a Ritinha é um retrato do mundo contemporâneo. A Joyce é o mundo pré, que cria laços, raízes, a pessoa tem etiquetas, modos e formalidades. Ela enxerga na Ritinha um perigo, que ela não sabe explicar, mas ela não sente segurança, que é o que ela mais gosta. Risco, aventura, ela não gosta. O Fluido você não segura. A novela é muito bem escrita, e a Gloria merece todos os elogios porque realmente ela conseguiu fazer esse conflito de duas épocas sendo que hoje estamos justamente nessa transição, porque conseguimos ver esses dois mundos, e reconhecer pessoas que tem esses valores, e coexistem. Esse conflito é bonito e as pessoas entendem isso quando assistem.

Você fez laboratório com as mães de jovens transexuais?

Já conversei bastante com algumas mães e foi muito enriquecedor, foi muito bom ter tido esse contato e experiência.

Teve alguma fala que te marcou?

Teve uma fala de uma das mães que ela disse que sofria muito, procurava não demonstrar esse sofrimento, mas em determinado momento ela resolveu assumir isso para as pessoas, e contou para todos, publicou nas redes sociais, e quando ela fez isso de se fortificar, e as pessoas que estavam criticando e cochichando, passaram a respeitá-la e admirá-la de certa maneira. Quando a família assume e se fortifica, o entorno tem uma relação muito mais tranquila, de conviver com isso.

Sua família assiste à novela e tem curiosidade em saber?

Os meus pais acompanham e gostam muito. Meus filhos são pequenos e dormem muito cedo. Eu não adianto nada pra eles, deixo que eles assistam.

Você não é muito adepta de redes sociais…

Eu gosto, mas não posto tanto, poderia até postar mais. Eu queria me dedicar um pouco mais até.

Você se parece com a Joyce?

Nem um pouco.

Qual final você daria para a Joyce?

Gostaria que a família terminasse feliz. A Ivana poderia se encontrar, Joyce aceitando-a da maneira como ela é e amando da forma que ela ama, inteiramente, aceitar a Ritinha e quem sabe, se der para perdoar o Eugênio, ah, e perdoar a Ritinha também porque ela já se apegou ao neto, aceitar o carimbó. Queria que a Joyce fosse pra estudantina.

*Entrevista realizada pelo jornalista André Romano.

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