Marcelo Adnet comenta sobre clima de despedida nos bastidores do Tá no Ar: “Evito a todo custo”

Publicado há 2 anos
Por Greicehelen Santana
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Em janeiro, Marcelo Adnet retorna à TV para a última temporada do Tá no Ar: A TV na TV. Após seis edições, o humorístico sairá de cena em uma ótima fase, dando oportunidade para o elenco investir em novos projetos.

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“A gente vai se dar esse luxo de terminar ele num momento muito legal”, afirmou Adnet ao Observatório da Televisão. No bate-papo, o ator conversou sobre as novidades do programa e destacou seus personagens preferidos.

O artista também comentou sobre o legado do Tá no Ar para o humor da televisão brasileira e muito mais. Confira a entrevista na íntegra a seguir:

Como foi a decisão de encerrar o programa?

“Era uma coisa que vinha de algum tempo. A gente tinha pensando nisso há um, dois anos. Mas o programa ainda tinha um fôlego e tínhamos ainda uma grande vontade. Então foi um término calculado. Acho que existe essa coisa da gente estar preso em um projeto o ano inteiro, ou quase inteiro, e ter essa dificuldade de poder sair e fazer outras coisas. E também por ele ter um carinho pelo projeto, não querer que ele desmorone antes.

Às vezes, é um pouco triste também quando a gente acaba um projeto quando ele está caindo ou quando ele está se desmanchando. E o Tá no Ar está muito bem. A gente vai se dar esse luxo de terminar ele num momento muito legal. Acho que é um gesto de carinho também com o programa, terminar ele num momento legal. Eu também estou precisando dar um descansadinha”.

“Foi um término calculado”

Como o fica o clima de despedida nas gravações?

“O clima de despedida eu evito a todo custo. Não quero nem pensar nisso. Outro dia gravamos a última cena do Militante e do índio Obirajara Dominique. E o pessoal: ‘despedida, último dia’. E eu falei: ‘despedida o quê? Sai fora! Vai ter mais alguma coisa. Sei lá, participação no Vídeo Show, um remake, um retrô participação especial em 2020, 2025, 2024. Dez anos de Militante. Sei lá!’. Eu acredito que os personagens, de certa forma, vivem ainda. Então eu evito esse clima de despedida. Não fico pensando nisso”.

O Tá no Ar pode ir para outras plataformas?

“Eu acho que o Tá no Ar, como trabalho em várias temporadas, eu teria essa caixa de DVDs. Particularmente, eu acho que ele tem esse fôlego. Mas agora, realmente, eu encaro como um projeto que terminou. Não estamos pensando em nenhum alargamento do projeto, em esticar ele para lugar nenhum. Realmente descansar ele. Ele é um projeto bom, como todos os outros, e que deixa um legado, personagens e uma memória”.

Carinho pelo o programa

O que Tá no Ar significa para você?

“Eu amo o programa. Tenho o maior orgulho de criar esse programa com o Marcius e o Marcelo Farias. Acho que junto com o Quinze Minutos, que criei com a Lilian Amarante na MTV, é a criação que eu mais tenho orgulho e que mais deu certo. É um projeto que toma um grande tempo da gente porque escrevemos durante cinco, seis meses e gravamos durante três meses e meio.

Então não sobra muito tempo no ano. O ano fica apertado. Qualquer coisa que a gente fazia além do Tá No Ar, já era num esquema mais apertado e corrido. Até por isso eu não consegui fazer o Adnight por muito tempo e da maneira que queria. Porque, realmente, era uma escolha: ou você faz uma coisa ou você faz outra”.

Há uma possibilidade do Adnight voltar?

“Eu acho que não. Nesse momento aconteceu um movimento importante e interessante do Marcius Melhem, que foi de assumir a pasta de humor da emissora. Acho que isso traz uma nova dinâmica para os projetos. Acho muito legal e positivo porque o Marcius tem essa visão geral que ninguém tem de enxergar, no sentido amplo, os projetos de humor. Então eu acho que agora é uma nova fase também. Acho que a gente vai ter coisas novas no futuro”.

Parceria com o Marcius

Você estará junto com o Marcius Melhem nessa nova fase?

“Vou participar com ideias, atuando também. Não de uma maneira executiva, com cargo e com trabalho nesse núcleo. Mais sim, eu gosto muito, inclusive, de ver projetos, dar opiniões e ideias. Até para projetos que não necessariamente eu estou. Acho um maior barato poder olhar as coisas em um plano geral.

O lado de terminar projetos, como o Tá no Ar, é poder partir do zero, poder criar novas coisas. Ter novas ideias e poder também enxergar as coisas nos dias de hoje. O Tá no Ar eu acho um projeto super contemporâneo ainda, mas é um programa que foi criando há seis, sete anos. E em seis, sete anos, acontecem muitas coisas. Cada vez mais. Então é legal também ter esse olhar mais atual”.

O legado do humorístico

O Tá no Ar marcou uma época?

“Eu acho marcou sim. Acho que é difícil também para eu dizer porque estou muito dentro dele. Mas eu amo ver o programa. Eu fico louco com o programa. Tem poucas coisas na TV que eu faço questão de ver, e o Tá no Ar é uma delas. Nem tudo que eu faço, inclusive, eu faço questão de ver. A gente reúne o elenco e a redação durante a temporada umas quatro, cinco vezes para ver o programa.

Eu adoro o programa! Acho que ele trouxe, sim, uma coisa da autocrítica. Mais que autocrítica, auto brincadeira. Brincar consigo, com a emissora, com as teorias da conspiração. Porque quando você brinca com uma fantasia ou um delírio, ele fica muito mais leve. Tem o legado também da linguagem, dessa coisa de zapear. E acho que ele muda alguma coisa porque eu vejo nossos colegas de emissora, o pessoal que faz dramaturgia, muitíssimos renomadas, querendo brincar e participar”.

Você pode citar um nome?

“Um dos maiores símbolos e imagens disso é o Fagundes de collant fazendo coreografia de Não Se Reprimida, em uma pequena folga que ele teve. Então isso é um absurdo, um absurdo maravilhoso ter ele brincando com a gente nisso. Fátima Bernardes quis várias vezes participar. Teve o Miele, um pouco antes de ele morrer, a Rogéria também. O Montagner também fez com a gente. Foram mais de 100 participações”.

Personagens

Os personagens veteranos do programa vão chegar com força total na nova temporada?

“Sim, sim. Os personagens antigos e fixos estão aí de novo. A gente tem alguns novos também como sempre. O Tá no Ar faz essa renovação”.

Qual o seu personagem favorito?

“Eu gosto muito do Militante pelo que ele trouxe de falar absurdos e falar das teorias de conspiração. Jogar tudo na cara no meio da programação. Claro que eu também gosto muito do índio Obirajara porque ele é o não óbvio. A gente pensa: ‘ah, o índio é assim’. Não, o índio não é assim. Existem índios no plural.

Então ele é um cara que não se encaixa naquela tribo. Ao mesmo tempo, ele é bastante urbano também. Acho que a grande brincadeira é a nossa ignorância em relação aos estereótipos. Também gosto muito do Jorge Bevilácqua. Acho que ele construiu um tom muito legal entre o infantil e o policial da tarde. (Personagem) feito pelo Welder Rodrigues. Acho que esses são os meus personagens favoritos”.

Convidados

Vai ter homenagem na última temporada do Tá no Ar?

“A gente sempre tem um episódio final temático. A gente sempre elege um universo para focar a programação do último episódio toda nisso. E tem uma coisa incrível que acontece que é quando a gente começa a gravar, a redação continua trabalhando. Agora a gente está fechando esse último programa temático especial. Mas durante a temporada sempre tem convidados em quase todos os episódios”.

Quais são os convidados especiais?

“O Thiago Lacerda gravou outro dia, Fê Paes Leme. O Bial vai gravar. Karol Conká gravou”.

Qual artista a equipe do programa torceu para conseguir confirmar participação? Teve algum que não conseguiu gravar?

“Eu acho que a gente mais conseguiu do que não conseguiu. Carlos Alberto de Nóbrega foi um convidado histórico porque a gente reproduziu um pedaço da praça”.

Humor nas eleições

No período das eleições você fez uma série de vídeo para o jornal O Globo imitando os presidenciáveis. Como surgiu esse projeto?

“Foi um convite do jornal O Globo. Eles falaram: ‘nesta eleição a gente queria ter alguém de fora da política tradicional, da ciência política. Escreve uma coluna para a gente? ’. Eu respondi: ‘legal! Escrevo sim’. Eles continuaram: ‘Estamos lançando nosso canal no YouTube. Estamos fazendo um projeto para o digital. Será que você toparia fazer alguma coisa? ’. Eu respondi que toparia e que tinha uma ideia de imitar os presidenciáveis fazendo um tutorial. Ensinando as pessoas como fazer aquela imitação. Eles acharam interessante”.

Você já imitava os candidatos?

“Eu falei que não sabia imitar os presidenciáveis, que teria que descobrir. Não era uma imitação que eu tinha na manga. Daí fizemos um piloto. O único que eu sabia fazer era o Eduardo Paes. Fiz a imitação do Eduardo Paes, vimos no piloto, gostamos e fechamos. A única diferença é que não era mais um minuto e meio. Eram três ou quatro, porque foi o tamanho que pediram. Eu fazia uma investigação jornalística de ouvir os candidatos falando. Sabatinas, entrevistas. Tudo para pegar não só a voz e o timbre, mas os vícios de linguagens, de pensamentos e ideias”.

“Eu fazia uma investigação jornalística de ouvir os candidatos”

O que você achou do projeto?

“Foi bem legal esse trabalho porque foi um trabalho de humor, mas investigativo e jornalístico também. Pude chamar algumas pessoas que não gostam de política para discutir política através do humor. Então foi um projeto que deu super certo. Ficamos bem orgulhosos. Imaginávamos que ia dar certo porque a eleição seria um assunto que uniria o país inteiro em torno da discussão. Mas deu mais certo do que a gente esperava”.

E como foi a repercussão das imitações para você?

“Ficamos muito felizes com a repercussão. Algumas repercussões violentas. Eu ganhei o prêmio da Isto É, da APCA e dividi com o Marcius o do UOL. Então junto com a agressão vem o reconhecimento também. Acho que está tudo dentro do mesmo pacote. Fiz esse projeto na sala da minha casa. O pessoal do jornal O Globo ia lá e estendia o pano preto. Eu botava as minhas próprias roupas, que eu tinha na época do VMB”.

Além desse projeto, você também participou de Malhação: Vidas Brasileiras, né?

“Sim, fiz uma participação com um personagem produtor. Eu acho muito legal fazer coisas diferentes. Acho que a profissão de ator permite isso. Um dia a gente está dançando, outro dia cantando, outro dia chorando, outro dia está fazendo personagem, outro dia está imitando. Então tudo isso é um privilégio”.

Humor no Brasil

Como você acha que o humor deve ser trabalhado no Brasil?

“Na minha visão, o humor tem que ser sempre plural. Você tem que ter muita diversidade. Não é uma coisa só, um estilo só. A gente diversos tipos e estilos de humor. Eu sou a favor dessa diversificação na grade (de programação da Globo) para que o telespectador tenha essa riqueza também de escolha.

Num Brasil que tem um discurso mais extremado, que tem ataques constantes a classe artística. Ataques aos comediantes também, eu acho que é natural a gente se alimentar disso e transformar isso em um tema, em uma potência. Então, aquilo que é jogado na nossa direção como alvo negativo, venenoso, a gente transforma em combustível. A função do humor é essa: é observar, reagir, satirizar”.

“O humor tem que ser sempre plural”

O Tá no Ar se encaixa nesse exemplo?

Aqui no Tá no Ar a gente sempre teve essa medida. Que era fazer graça do opressor, graça de quem oprime, graça de quem está por cima. E esse pensamento e muito legal, eu acho muito interessante isso. Porque a gente fica quase que como fiscalizador. A gente fica atento aos movimentos sociais para que a temática do nosso programa e do nosso humor tenham uma conexão com a nossa vida real. Então estamos sempre correndo atrás dos fatos.

Quais acontecimentos reais foram adaptados para o programa?

“Eu lembro que quando a Glória Pires comentou o Oscar era um domingo. E a gente tinha que estar no ar na terça, e tinha uma cena de Oscar que não fazia nenhuma menção a ela. Eu falei com o Marcius e vimos que era impossível não comentar. Daí de domingo à noite até terça de tarde, quando o programa estava finalizado, a gente conseguiu correr atrás dela (Glória Pires), da autorização da casa também.

Eu fui ao estúdio na própria terça-feira, gravei lá no Jardim Botânico, no Fantástico, um áudio novo para poder incluir a brincadeira com ela. Então a gente está sempre atento. O Marcius é jornalista, eu também sou formado em Jornalismo. Então a gente tem essa vocação de se alimentar do fato, de se informar e de querer está mais acima do lance. E de ter o prazer de fazer um humor que seja jornalístico também, conectado com a realidade”.

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano.

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