Malvino Salvador define relação de Agno e Fabiana em A Dona do Pedaço: “É uma teia de safados”

Publicado há um ano
Por Greicehelen Santana
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Nas próximas cenas de A Dona do Pedaço, Agno irá se revelar um homem manipulador e sedutor. Pelo menos é o que garante Malvino Salvador, seu intérprete. Preso em um casamento fracassado, o personagem encontrará na ardilosa Fabiana (Nathalia Dill) a oportunidade de revelar sua verdadeira identidade.

O empresário esconde a sete chaves sua atração por homens. No entanto, ao lado da ambiciosa ex-noviça, ele colocará em ação um plano para conseguir se separar de Lyris (Deborah Evelyn), sem perder sua fortuna. Também é através da parceria com a moça, que Agno conhecerá Rock (Caio Castro).

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Demonstrando totalmente interesse, ele oferecerá patrocínio só para conseguir ficar próximo do boxeador. Em conversa com o Observatório da Televisão, Malvino Salvador fala como será a relação de Agno com esses personagens.

O ator também revela como construiu a personalidade de Agno, se está preparado para um possível beijo gay com Caio Castro e muito mais.

Confira a seguir:

Como está a repercussão da novela nas ruas?

“A novela já começou com tudo. Uma história incrível na primeira incrível, com uma narrativa diferenciada, muito bem feita, quase uma série. Eu ficava comparando com séries de fora, que levam um ano para serem produzidas. Eu fiquei muito empolgado com a história. Depois que teve a virada, que entra São Paulo, muda a luz e as cores, eu acho que foi uma virada incrível também. Aparece outros personagens, começa a entrar mais humor. Então eu acho que é uma novela muito bem realizada. As histórias são muito bem estruturadas, os atores estão afinados e é uma novela popular, acima de tudo. Ela está conseguindo conversar com o público e isso se reflete no ibope. Quando eu saio sinto as pessoas comentando, falando sobre os personagens, comentando sobre as histórias e com curiosidade, querendo saber o que o vai acontecer. E eu não dou spoiler! [risos]. Para mim é um privilégio um Walcyr, novamente, me presenteando com um personagem incrível. Eu estou muito, muito, muito feliz.”

Relação do Agno com a Lyris

O Agno e a Lyris estão protagonizando momentos engraçados na trama. Como está sendo gravar essas cenas?

Ela é uma
tarada! Pula para cima do Agno e, realmente, ele não está correspondendo. São
cenas bem-humoradas, mas elas estão dentro de um contexto real, possível de
acontecer. Eu acho que uma hora essas tramas vão aparecer também. Vai haver uma
virada logo mais, em relação ao personagem. Ele vai mostrar quem ele é, porque
ele ainda está transitando no espaço familiar, mostrando a rotina e fugindo da
esposa. De repente, aparece uma Fabiana, que é uma menina invejosa que quer
enriquecer, é ávida por isso. Ele vai encontrar nela uma oportunidade. Não
posso dizer muito o que é, mas ele vai tentar se aliar a ela ou tentar
manipula-la para conseguir o que quer
.”

Qual seria essa oportunidade?

Ele vê a
oportunidade de dar uma grande virada na vida dele. O fato é que ele não
aguenta mais viver aquela mentira. Ele não quer mais sustentar a família. A única
pessoa que ele tem amor é a filha e o resto ele quer que se dane. Ele quer uma hora
encontrar um motivo e uma oportunidade para se separar. Ele tem uma preocupação
de como dividir a fortuna que tem, porque sabe que quando se separar terá a
divisão de bens. Então ele vai armar uma coisa aí. Esse é o máximo que eu posso
falar
.”

Como foi a repercussão da cena dos 18 segundos, onde a Lyris se decepciona com o desempenho do Agno na cama?

Teve as mais variadas reações. É uma coisa que pode acontecer também, vai saber. Acho que ela tem essa pitada de humor, irreverência, que acaba fazendo com que as pessoas brinquem e façam piadas. Eu acho gostoso, faz parte do jogo.”

Lyris (Debora Evelyn) e Agno (Malvino Salvador) em A Dona do Pedaço (Reprodução)

Segredos do Agno

O Agno vive grudado no celular. O que será que ele tanto ver no aparelho? Ele esconde algo?

Tem muita
coisa. Muito WhatsApp, muito nudes [risos]. O Agno é um homem de negócios. A
vida, hoje, é com todo mundo conectado. Isso leva tanto para um lado quanto
para um lado ruim. Eu acho que como empresário, homem de negócios, ele usa o
celular para isso. Mas também usa para o seu deleite
.”

Agno nunca curtiu o dinheiro que tem, a família que vive torrando o dinheiro dele. Com as mudanças que virão, o personagem vai se permitir a aproveitar a vida de uma forma mais leve?

Já tem essa mudança quando ele encontra a Fabiana, isso é um aspecto que vai mostrar um outro lado do Agno. Então já começa uma outra maneira de falar, porque lá [com a família] ele está se escondendo. Quando você esconde muito uma coisa e depois vai começar a tramar, pode ser que você supere até a própria essência. Então tem que haver realmente uma mudança.”

Agno (Malvino Salvador) e Fabiana (Nathalia Dill), de A Dona do Pedaço (Reprodução)

Romance com o Rock

O seu personagem vai se interessar pelo Rock, que é namorado da Fabiana. Inclusive, ele dirá para ela que vai conquistar o rapaz. Como será essa trama?

É uma teia de safados. Ela quer dar um golpe nele, o Agno percebe que tem alguma coisa. Ele é um cara meio sedutor. Eu acho que ele se diverte um pouco com essa possibilidade de estar com ela. Ela apresenta o namorado e ele se interessa. Vamos ver no que isso vai dar. Na verdade, o Agno se mostra um belo manipulador, essa que é verdade. Eu não sei onde vai parar esse jogo, se ele vai se dar bem ou não, essa que é a questão. Por enquanto, ele está conseguindo conduzir a situação como quer. A Fabiana também é manipuladora. É um jogo de manipuladores com esse menino, que é o Rock. Porque ele tem uma vontade na vida, que é ser campeão de boxe. Isso vai até aproximar o Rock do Agno, que no passado foi competidor de boxe. Daí ele começa: ‘você quer patrocínio? Então vou te dar aula de boxe’. Ele vai começar a dar em cima, o Rock a princípio começa a fugir. Tem umas cenas engraçadas também.

Beijo gay

Você está preparado para uma possível cena de beijo com o Caio Castro?

Se tiver, não tem problema nenhum. Isso é o que menos importa. O que mais importa é o que esse personagem pode levar de questionamento. Uma coisa que o Caio falou, e eu concordo com ele, é que tem que ser gratuito. Não é só beijo de homem com homem, tem que ser gratuito um beijo heterossexual também. Eu acho que tem que ter um motivo concreto. Nem sei se vai acontecer [o beijo] porque, a princípio, o Rock não está dando bola para ele e fica fugindo. Tem umas cenas engraçadas onde o Rock fica querendo fugir de qualquer maneira, e o Agno está ali ‘vou te pegar’ [risos].”

Como você acha que será a reação do público quando o Agno revelar é homossexual?

Tem gente que vai se surpreender, se incomodar e achar o máximo. A vida é assim [risos]. Tem gente que acompanha a impressa e tem gente que não quer saber de spoiler. Tem que vai pescar uma coisa ou outra e via ficar naquela dúvida.

Malvino Salvador e Caio Castro terão caso em A Dona do Pedaço (Divulgação/TV Globo)

Inspiração

Qual foi a sua fonte de inspiração para compor o personagem?

A sinopse diz
muito, o perfil do personagem está ali, ele é apresentado para a gente. O autor
e a direção conversam com a gente. Dali, começamos a criar o jeito dele ser e
como se comporta. Eu não quis buscar nenhum estereótipo. Eu quis tentar encontrar
nas relações, dentro da roupagem dele de empresário como é que ele lhe lidaria
diante da sociedade de um jeito, e como ele lhe daria em casa de outro. E como
ele seria de maneira real como ele é, a parte que esconde. Então eu comecei a
traçar esses momentos e poder aproveitar esses momentos aonde pudesse ser
possível. E tem uma coisa: novela é um produto aberto. Claro que existem personagens
que têm uma caracterização, composição gestual às vezes mais carregada. Eu quis
tirar tudo isso porque o principal desse personagem são as motivações dele.
Agora, eu não pude deixar de criar um jeito um pouco mais acelerado para ele.
Um cara que é empresário e tem que ser líder, comandar uma empresa, é um cara ágil,
não é tranquilão e fica o dia inteiro relaxado…”

“Eu não quis buscar nenhum estereótipo”

“…Ele está o tempo inteiro em movimento. Então eu quis trazer essa coisa de estar me movimentando o tempo inteiro. Eu estou falando o texto, mas estou mexendo numa pasta, assinando um documento, olhando o celular, tirando um café para tomar, fazendo outras coisas ao mesmo tempo. É um cara que quer aproveitar ao máximo o dia dele com o pouco tempo que tem. Quando eu quis fazer isso, já me deparei com a direção me encaminhando para isso também. Foi uma sinergia que aconteceu logo de cara. Agora, vão ter momentos em que ele se dá conta das questões pessoais e íntimas, e será um outro estado de energia. Então eu me deixei muito livre para ficar atento ao que a cena está pedindo, e não criar um jeito preponderante em todas as cenas. Essa foi a minha busca.”

Personagem complexo

Como está sendo o cuidado para não deixar o Agno cair na caricatura de um homem, visto como um macho alfa, que esconde a homossexualidade?

“Eu não quis
colocar nenhum componente externo. Todo mundo tem um lado masculino e feminino,
mesmo um cara considerado macho alfa. Em alguns momentos, cada um desses lado
vai aparecer. Acho que o Agno mostra esse lado feminino na hora que começa a
entrar no jogo de manipulação e sedução. Agora, na família, ele está mostrando só
o lado masculino. Quando ele assume a postura de manipulação e sedução, aflora
um pouco mais o lado feminino dele. O lado feminino não quer dizer que seja
afeminado, porque eu não quis fazer um ‘tipo’.”

Como você encara a missão de interpretar um personagem tão complexo como o Agno?

Eu encaro cada personagem que aparece para mim como uma grande oportunidade. Eu tento encontrar qual é a essência de cada um deles. Recentemente, me fizeram uma pergunta parecida em uma entrevista e eu dei um exemplo: para mim é tão importante fazer e exige tanta dedicação que, às vezes, é tão difícil fazer um mocinho numa novela com linguagem realista, quanto fazer uma peça de teatro, por exemplo. Como foi o ‘Boca de Ouro’, que a linguagem era completamente diferente de uma realista. Precisa de muita dedicação, eu preciso encontrar o cerne daquele personagem, o eixo dele e como posso dar brilho. Para mim isso é o mais importante. Então eu estou encarando como uma grande oportunidade, como encarei na última novela como uma grande oportunidade e todos os outros que passaram pela minha trajetória.”

O passado de Agno

Como você analisa essa vida, digamos que falsa, que o Agno construiu? Ele escondeu sua verdadeira identidade, casou e construiu uma família com uma mulher.

Todo mundo
tem um passado, presente e futuro. Aqui estamos vivendo o presente, não é mostrado
o passado. Eu entendo que o Agno é um cara que na juventude, com certeza, sofria
com o preconceito e não queria se mostrar. Tinha medo e receio, como tem até
hoje. Aquilo, de uma certa forma, fez com que ele ficasse sempre travado. Não
sei se ele algum dia teve interesse pela mulher, não quis fechar essa questão. Também
não tem importância isso agora para a cena. Possa ser que lá atrás ele tenha
tido. Tem uma parte no texto até que ela fala, na cena em que eles estão no
carro do cachorro-quente: ‘Agno, quando éramos jovens tínhamos uma vida sexual
ativa, agora você não quer mais’…”

“Não sei se ele algum dia teve interesse pela mulher”

“…Então possa ser que lá atrás ele tivesse um interesse por ela. Para a novela, eu costumo pensar no aqui e agora. Colocar uma certa dose de intuição e trabalhar no que tem na minha mão. Essa função de abrir ou fechar certas questões é do autor. O ator Malvino não pode fechar porque eu posso, inclusive, me frustrar lá na frente. O fato agora é: o Agno não suporta mais! Isso tem que estar latente na pele, no que ele diz, no sentimento que ele exprime, na angústia. Eu fiz uma cena com o Caio [Castro] que mostra mais esse lado humano do Agno, onde ele revela uma coisa para o Rock. Eu acho que são esses momentos que vão dar tempero para o personagem. Que mostra ele agindo, tentando manipular e depois mostra o lado dele mais fraco, quando abaixa a guarda. Assim você mostra para o público um personagem mais real.”

Análise do trabalho

Como é um crítico do seu próprio trabalho?

Eu sou crítico e, ao mesmo tempo, tento toda hora encontrar aonde posso melhorar. Hoje, eu já não sofro muito com os erros. Eu assumo o erro como uma oportunidade para tentar melhorar. Eu acredito que ninguém é perfeito. Então eu penso assim: preciso de dedicar ao máximo para chegar aqui [na Globo] da maneira mais tranquila e consciente possível da cena. Estando disposto a entrar no jogo e tentar extrair o melhor do que eu tenho na mão. Lidando com intempéries se for uma cena na rua e tiver que interromper a cena toda hora. Num momento de emoção, por exemplo, como se retoma isso? Às vezes acontece e vai ter que lidar com essas coisas. Eu brinco que fazer novela é a arte de sair de enrascada, porque tem a todo momento. Quando você está fazendo o melhor take, dá um problema na luz. Aí volta e repete. E é assim, não tem que se culpar e nem se incomodar com isso. Acho que isso se reflete em tudo da minha vida. Quando busco as minhas coisas, eu quero crescimento. Mas eu quero crescimento sabendo e entendendo quais são as minhas limitações. Quando tiver, saber que é possível supera-las. Se eu entender que é possível, vou correr atrás para tentar melhorar e alcançar os meus objetivos.”

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano

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