Mãe de Gagliasso na ficção, Deborah Evelyn revela: “Titi é minha neta”

Publicado há 3 anos
Por Greicehelen Santana
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Na novela Tempo de Amar, Alzira não aceita por nada perder seu status social, menos ainda a herança da irmã, Celeste Hermínia (Marisa Orth) que tende a cair direto nas mãos da protagonista da trama, Maria Vitória (Vitória Strada). Deborah Evelyn, intérprete da personagem, conversou com nossa reportagem e falou sobre sua sensação em interpretar uma mulher tão ambiciosa. Diferente de Alzira, a atriz afirmou que repudia qualquer preconceito, e que se sente avó de Titi, filha de Bruno Gagliasso, já que interpretou a mãe dele em Celebridade. Confira:

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A sua personagem, a ambiciosa Alzira, é uma vilã daquelas, né? 

“A Alzira é um personagem delicioso de fazer. Ela é uma vilã, mas não no sentido característico da palavra. Ela é uma pessoa com muitos defeitos, e eu acho que ela se torna uma vilã quando esses defeitos acontecem na área moral. Agora a Elvira está entrando numa questão que está esbarrando um pouco nisso, que é o reencontro dela com a Maria Vitória (Vitória Strada), a maneira como ela tenta escamotear a situação para ela continuar sendo a herdeira da Celeste Hermínia (Marisa Orth). Então, ela está começando a parecer, realmente, uma vilã, mas eu não sei exatamente se é esse caminho que vai acontecer com a Elvira. Talvez, esse caminho da vilania seja mais rico. Uma das coisas interessantes da novela é que ela é uma obra como a vida, a gente não sabe direito como vai acontecer, depende um pouco da química que está acontecendo entre os personagens, da história com o público, essas coisas realmente influenciam. Eu pego cada capítulo para ler e fico curiosa porque eu não sei o que vai acontecer, não é muito óbvio o caminho da Alzira, e eu acho isso interessante e desafiador.

Como você está sentindo a temperatura da sua personagem nas ruas e na internet?

As pessoas adoram a Alzira, morrem de rir com a Alzira. No começo tinham uma certa pena porque achavam que o Bernardo (Nelson Freitas) era um marido de quinta, o que ele é mesmo, mas aí, ela começou a mostrar as garras e não sentem mais pena. E é interessante porque vira uma crítica, através do riso é tão brutal o que ela faz, o racismo e a maneira dela falar com as outras pessoas que se torna engraçado e, obviamente, se torna uma crítica. Não é que as pessoas estão concordando, mas as pessoas têm um certo carinho por ela, e eu acho interessante porque é um carinho crítico, isso é bom.

Ainda tem uma história entre o marido e a empregada, a Balbina (Walkiria Ribeiro). O que irá acontecer quando a Alzira descobrir?

Eu sei lá o que vai acontecer quando ela souber, vai cair aquela casa. Nas gravações eu estava me perguntando, mas eu acho que ela ainda não sabe. Eu acho que ela não suportaria essa situação de que o Pepito (Maicon Rodrigues) é filho do marido dela.

O Pepito também sempre desafia, se impõe para a Alzira, né?

É ótimo o personagem do Pepito, e agora nesse bloco que chegou vai acontecer mais coisa ainda. A relação dos dois é bem boa. Agora, com o Pepito ela não tem essa relação de falar que ele é preto, mas eu acho que não tem exatamente porque ela sente que ele é inferior, filho da empregada. Ela teve com o Edgar (Marcello Melo Jr.) porque é um preto que poderia competir com ela, digamos assim, porque é de uma alta classe social. Ela tem todos esses preconceitos, tadinha, ela é péssima. O triste é ver que isso é muito atual, por exemplo: teve essa mulher maluca que falou o que falou da filhinha do Bruno e da Gio. Como é que em 2017, falam uma coisa dessa? O interessante de fazer um personagem assim, é que a gente está denunciando esse tipo de pensamento, o público vê que isso acontecia em 1920, e que nós estamos em 2017, quase 100 anos depois, e que ainda tem gente que pensa assim.

E é uma criança que saiu da pobreza e está tendo uma vida melhor, né?

Eu achei muito interessante quando o Bruno falou que ela tem a sorte de ter os pais que podem, querem e que vão lutar por ela e defendê-la. Mas, a grande maioria das pessoas que passam por essa situação, qualquer tipo de preconceito, não tem essa oportunidade. Então, é muito importante o que o Bruno está fazendo, porque abre um precedente para todo mundo. Essa história de preconceito tem que acabar.

A Titi é quase sua neta, né? Você assumiu o papel de ser mãe do Bruno Gagliasso em  Celebridade que, inclusive, está sendo reprisada no Vale a Pena Ver de Novo

Totalmente, eu fiz a mãe do Bruno. Ela é quase minha neta. Quase não, ela é a minha neta total. É verdade. Tem que defender minha neta.

Como está sendo gravar com o Nelson Freitas?

O Nelson é adorável. Eu nunca tinha gravado com ele, não o conhecia profissionalmente, e ele é um ótimo profissional, um ator maravilhoso, adorável de se conviver. E isso é tão importante quanto estudar, ter talento, ser um bom ator. Esse clima passa para as cenas, para o telespectador, o nosso núcleo é muito feliz. Eu estou amando o Nelson, estamos quase casando na vida real (risos). A Bárbara, que faz a nossa filha, é ótima, a Walkiria, o Maicon, realmente, o nosso núcleo é delicioso. Depois de muito tempo, eu estou em um núcleo onde todo mundo é novo para mim, porque sempre tem os reencontros.

Como foi o ano de 2017 para você? Você curte comemorar Natal e o Ano Novo? E o que você espera de 2018?

O meu ano particularmente foi bom. Eu fiz duas peças, fiz essa novela, minha filha voltou a morar no Brasil. Eu festejo o Natal sim, apesar de ser de uma família judaica de um lado e católica do outro. Eu acho importante, muito mais que a questão comercial e religiosa, porque eu também não sou, o encontro das pessoas e conseguir passar um tempo bom conversando, rindo. Agora, para o Brasil e para o mundo, foi um ano muito difícil, e, eu espero, realmente, que para o ano que vem isso comece a melhorar em todos os sentidos: no preconceito, no radicalismo, na falta de aceitação das diferenças. A gente vê muito isso no Brasil e no mundo, vemos nazistas ressurgindo na Alemanha, Trump sendo eleito, que é um presidente que fala que tem que colocar muro, que fala que os estrangeiros não podem mais entrar. Enfim, coisas que você olha e fala: “Meu Deus, como o ser humano não aprende com essa história toda que já passou?; Vai voltar a repetir os mesmos erros?”. A gente já teve isso na história, a gente já teve duas guerras mundiais, onde milhares de pessoas foram mortas por razões absurdas. A gente tem guerras ainda pelo mundo, onde pessoas morrem por razões econômicas, religiosas, sociais. Pessoas sendo expulsas de seus países porque não têm mais condições de morar ali e não têm para onde ir, porque não tem país que aceite, e o único país que aceita, agora, talvez, não aceite mais porque foram eleitas pessoas que são contra isso. Somos todos seres humanos, como você não vai ajudar uma pessoa igual a você? A única coisa é que ela nasceu em outro lugar, mas ela é igual a você. Eu queria que ano que vem, que todo mundo se voltasse para esse tipo de pensamento, que é tão simples. Agora, é um movimento que precisaria ser da maioria, começa no pequenininho, mas precisa ser de todo mundo, porque, infelizmente, está tendo um movimento grande no sentido contrário.

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano

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