Luciana Vendramini relembra primeiro beijo lésbico na TV: “Tínhamos química”

Publicado há 4 anos
Por Leandro Lel Lima
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O sonho de toda adolescente nos anos 80? Ser paquita da Xuxa. A carreira de Luciana Vendramini começa aí e por acaso. No meio de um turbilhão ao lado da rainha dos baixinhos. Em uma passagem breve por essa nave, a moça posa nua para a Playboy, se casa com um dos homens mais desejados do momento, o músico e jurado do SuperStar, Paulo Ricardo, investe na carreira de atriz e protagoniza o primeiro beijo entre duas mulheres da TV brasileira na trama Amor e Revolução, exibida em 2011 pelo SBT.

Em entrevista ao Observatório da Televisão, Vendramini fala de novos projetos para o teatro, do atual momento careta da TV – afinal, ela entende muito bem o que é causar quando o tema sexualidade é abordado de forma clara em um dos meios mais acessados pelos brasileiros, a TV – e da fama de ser um simbolo sexual para muitos homens há pelos menos vinte anos: Não acho que encaretou não, acho que são fases, normal até. Um país que faz tão bem novelas, faz parte experimentar e ver novos formatos, afirma.

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Luciana segue em cartaz com dois espetáculos em SP e pode ser vista também em uma participação especial em Escrava Mãe, da Record.

Confira:

Você estava há 13 anos sem atuar no teatro. Por quê? Falta de vontade, dificuldade de produzir, outros projetos prioritários ou não se identificava com os textos que lia?

Fazer teatro é um processo muito pessoal pra mim, primeiro eu gosto de buscar um texto, a busca, às vezes leva tempo, eu gosto de histórias boas pra contar, e de preferência textos novos, ou que foram pouco montados. Lembro da primeira vez que entrei numa livraria, eu devia ter uns 11 anos, aí cheguei e perguntei que queria ler um livro, a vendedora perguntou: “Qual livro?”. Eu disse que não sabia ainda, mas queria ler uma boa história. Teatro é assim também, precisa ter uma boa história. E no meu processo, escolho a peça, monto uma equipe e produzimos juntos. Mas nos últimos anos, fiz novelas, séries pra TV, meu programa sobre as Divas do Cinema Brasileiro, e abri minha produtora, onde fazemos conteúdo pra TV. Fiquei mais focada nisso. Mas a vontade de voltar ao palcos me deixa inquieta sempre. E agora chegou a hora, tenho quatro textos inéditos, e vou montar um deles, se eu pudesse faria os quatro de uma vez… (risos).

O que a atraiu nesses dois textos que você montará em 2017, Minha Vida de Plástico, e Meu Nome é Célia, Estou Morta? Quem assina as produções?

Primeiro, a boa história das duas, e a diferença em atuar com duas personagens completamente diferentes. Minha Vida de Plástico me atraiu pela oportunidade de dar voz a um sentimento, um amor, um desejo, uma vontade e humanizar o ser humano, que está se desumanizando, na voz de um objeto. A direção da leitura será de Fransergio Araújo, com produção de Simone Galiano.

A outra, Meu nome é Célia, Estou Morta?, conta a história sem estragar a surpresa, de uma adolescente e os motivos de sua morte, o amparo que só encontrou em Nossa Senhora das Dores e a difícil relação com sua mãe. O texto questiona a morte, amor, sexo, religião, temas que amo e que movem a vida. Com direção de Fabio Mazzoni e produção de Amália Tarallo.

Pela sinopse, as duas peças são muito feministas. A primeira, ao que me parece, uma metáfora sobre a situação da mulher, a cultura do estupro e o patriarcado sexual. A segunda, sobre assédio e, novamente, mexe com a mulher, estupro e patriarcado. Esses temas são urgentes para você?

Gosto de fazer teatro quando tem um tema importante a ser abordado, e também gosto de fazer um debate depois das apresentações, isso ajuda muito o público a entender melhor a peça, e também de ficar mais próximo dos atores. Mas temas femininos me interessam sempre.

É mais difícil ser mulher hoje que antes?

Acho que no geral, não importa a época, ser mulher é difícil. Não sei porque nos colocam como seres diferentes dos homens, digo na questão intelectual e de direitos, não no fato físico, que isso sim, somos mais frágeis, ou melhor, somos femininas.

Você foi símbolo sexual, e ainda é, para muitos homens. De certa maneira, essas peças são uma resposta enviesada para muitos deles. Ou não?

Não, nenhuma resposta pra eles não, aliás se tivesse que dar alguma resposta pros homens não seriam essas, comigo sempre foram educados.

Você tem lidado muito com essas questões da sexualidade. Tem um site, Pau Pra Qualquer Obra, e apresenta um programa de rádio, Muito Prazer. Quando você estreará o programa?

Acho importantíssimo falar sobre comportamento, não é só o look do dia que interessa né, as pessoas precisam conhecer o corpo que habitam, e não é algo simples, por isso eu e o jornalista João Luiz Vieira, criamos esse site, pra discutir e dialogar sobre todos os temas ligados a comportamento e sexo, sem tabus e com esclarecimento, digo que são textos bem humorados e esclarecedores sempre. E o programa tem essa dinâmica também, eu funciono como se fosse o público, faço as perguntas que qualquer um faria, e o João, que apresenta comigo, responde como sexólogo. Tiramos as dúvidas e conversamos com humor sobre tudo ligado a sexo, que é vida!

Lucina foi capa da revista Playboy de dezembro de 1987 aos 17 anos

Você está namorando?

Estou apaixonada, no comecinho de um relacionamento…(risos) Muito cedo ainda pra falar mais.

O teatro a alimenta mais que a TV ou o cinema?

São diferentes. Adoro fazer TV, pela rapidez, e também por fazer o público participar com a gente da trama. Cinema é como esculpir uma pedra, ensaia-se muito e filma poucos takes, com muita precisão. E teatro, meu Deus, é o prazer absoluto, é fazer cada dia uma peça diferente, é se conhecer, é praticar, exercitar as técnicas, ou experimentar outras, e com o público na nossa frente, adrenalina pura. Não vivo sem os três.

De que forma ter feito Amor e Revolução agregou ao seu currículo? Como foi realizar a cena do beijo? 

Televisão tem dessas surpresas, não sabemos muito bem como a personagem vai evoluir. Foi uma grata surpresa mesmo, não imaginávamos que faríamos o primeiro beijo, dei sorte por ter uma amiga e parceira em cena, como a Gisele Tigre, tínhamos uma química…(risos), e claro, com um diretor maravilhoso, Reinaldo Boury, que nos dirigiu com muita delicadeza e talento.

Confira o beijo protagonizado pelas atrizes Luciana Vendramini e Gisele Tigre na trama Amor e Revolução, do SBT:

A TV encaretou, por conta da novela Babilônia e outros. Por que?

Não acho que encaretou não, acho que são fases, normal até. Um país que faz tão bem novelas, faz parte experimentar e ver novos formatos.

O que passa na sua TV atualmente?

Fiquei muito tempo sem assistir TV porque precisava ler muitas coisas, e TV vicia, né? Aí desliguei geral. Mas agora tenho visto algumas séries, meu sobrinho de treze anos me deu umas dicas e eu adorei, assisti Stranger Things, American Horror History e muitos filmes, muitos…

Tem visto a Xuxa na Record? Que avaliação faz?

Ainda não consegui assistir, mas torço muito pra ela. Foi uma fada madrinha pra mim, no começo da minha carreira.

Serviço: 

Minha Vida de Plástico com Luciana Vendramini

Domingo (13/11), às 22h30

Drama Mix Satyrianas 2016 – Sala R8 – Consolação/Praça Roosevelt – SP

Texto: João Luiz Vieira e Direção Fransérgio Araújo

 

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