Lilia Cabral nega insatisfação com personagem “Jamais. Juro pela minha vida!”

Publicado há 4 anos
Por João Paulo Reis
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Lilia Cabral está divertindo o público com sua personagem, Silvana na novela A Força do Querer. A trama da mulher bem sucedida e viciada em jogos é um importante tema explorado por Gloria Perez. Em entrevista coletiva, Lilia contou para o Observatório da Televisão sobre os desafios da personagem. Veja:

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Como é para você fazer esse personagem de uma mulher viciada em jogo?

Acho que estou descobrindo a cada dia que passa com os blocos de capítulos que chegam como é essa mulher. Entendo a Silvana porque ela não se sente viciada, ela acredita que aquilo o que ela faz é uma válvula de escape, um prazer. Creio que ela vai demorar ainda a se descobrir como viciada. Dizem que quando a pessoa percebe que está viciada, ela já perdeu quase tudo. Vou deixando para descobrir passo a passo como administrar o sentimento dela.

Conheci um caso real de uma pessoa como a Silvana. O rapaz foi morto devido ao jogo e a família dele disse que você está interpretando exatamente como acontecia com ele. Haverá maiores consequências para a Silvana?

Com certeza. No ar estamos no capítulo 34, mas recebemos até o 60 e essas consequências vão acontecer sim. Quando se coloca um trabalho como esse no ar, não se pretende levantar bandeira alguma, é para que o público entenda a situação e consiga identificar pessoas como parentes e amigos que passem por aquilo. O primeiro passo é entender, pois entendendo se chega a alguma solução.

E você conhece pessoas que passam por situações parecidas com as da personagem?

Ontem quando fui ao cabeleireiro duas pessoas me pararam e falaram se identificar com o caso da Silvana. Uma delas disse que a mãe jogava gastando a própria aposentadoria e isso é muito sério porque a pessoa joga o que tem, e a outra disse que não era viciada em jogar mas sim que tinha uma compulsão por compras. E perguntei se ela havia conseguido se livrar daquilo e ela toda vestida com roupas de grife respondeu “consegui” (risos). A compulsão em compras é interessante porque a pessoa não percebe o quanto ela já tem, e acredita que precisa ter aquilo.

Assim como os acumuladores.

A situação dos acumuladores é muito deprimente. Em todo vício existe uma dor, mas a pessoa nessa situação acaba acumulando sujeira. Eu não gostaria de fazer uma personagem assim pois a sensação que dá é que a pessoa não tem passado, futuro ou presente, só aquilo que ela junta porque necessita daquilo para viver.

Você acha que o consumo tem a ver com a condição financeira?

O vício não tem classe social, ele vai da classe A a E. Não convivi mas tive testemunhos de pessoas que tiram do pouco que tem mesmo arriscando-se a ficar sem nada para saciar esse prazer. Compulsão por compras é diferente porque você precisa ter dinheiro, uma hora o cartão de crédito estoura.

Você já teve alguma compulsão?

Não. Nunca me peguei desesperada por alguma coisa graças a Deus. Na minha criação eu fui ensinada a me satisfazer com as coisas que eu tinha. Creio que a insatisfação não resolvida gera ansiedade, que é o mal do século 21.

Existe nos jovens essa compulsão pelo celular. Você lida bem com isso em relação à sua filha?

Lido sim. Já dei várias broncas quando ela era adolescente com cerca 15 anos que foi quando começou essa neura com celular mas agora existe a compreensão por parte dela e a falta de tempo pois ela faz duas faculdades. Celular é algo sério, ele impede a pessoa de criar, se elas acordam e leem algo que não gostam, aquilo já estraga o restante do dia e a geração jovem tem isso de ficar irritada com qualquer coisa. Eu não gosto, assim como não gosto de grupos de Whatsapp, participo de um ou dois mas nunca mando nada, as vezes mando um coração para verem que estou viva. (risos). Celular é importante mas não sou escrava.

Pelo seu carisma, você acha que tem muita gente que torce pela Silvana?

Quando li os capítulos, notei que a Glória Perez apresentou a personagem de forma leve, e percebi que eu poderia tratar aquilo com um pouco de humor, e fomos fazendo algumas tentativas. Pensei que eu poderia levar a personagem “na pluma”. Acredito que dessa forma as pessoas vão gostando da personagem, e quando as coisas começarem a pesar elas vão entender melhor do que se começasse já de forma dura, porque afinal estamos tratando de um problema social e eu não gostaria de mostrar um lado duro, queria um universo humanizado. A Glória acompanhava as leituras e me deu aval para deixa-la assim. Eu não queria que as pessoas tivessem pena dela, porque quando se tem pena de alguém, você se distancia dela.

Lilia, a personagem é cheia de possibilidades e parece que vão ter viradas drásticas. Você está preparada para essas viradas?

Estou me preparando. A Silvana vai chegar ao fundo do poço e vai ser um desafio pra mim e eu espero conseguir. Se eu fizer maravilhosamente bem vocês me dizem, mas se eu não fizer não falem nada (risos).

Você lê as coisas que falam sobre você?

Algumas coisas sim, a gente acaba vendo algumas coisas que chegam pra gente, aparecem no meu Google Alert também e eu leio. A maioria das coisas que as pessoas têm falado sobre a personagem é com respeito e eu admiro muito quem escreve com respeito. É uma novela que o público gosta de ver. O povo tava com saudade de sentar e se entreter com uma novela, e essa é muito bem escrita pela Gloria. Então quando no dia seguinte existe o comentário é porque as pessoas estão gostando.

Lilia, você trabalha com amor então para você não existe papel pequeno. Saiu na imprensa há algumas semanas que você estaria insatisfeita com o seu papel. O que você pode falar sobre isso?

Jamais. Eu juro pela minha vida e pela minha família. Eu adorei essa personagem desde o início. Existem personagens que o autor não desenvolve mas aqui não tem isso. Quando eu pego um personagem eu me pergunto qual a minha função e o que tenho que trabalhar nele. Fui criada assim, demorei muito tempo para ser protagonista, e se cheguei a ser é porque fui provando a cada trabalho que eu tinha condições para isso, o que não quer dizer que eu vá ser protagonista em todas as novelas, mas eu tenho ali uma função muito importante, então desde o início sempre estive e vou continuar muito feliz. Insatisfeita eu não estou mesmo, eu estou muito satisfeita com a novela, com meus amigos, de trabalhar com pessoas com quem nunca trabalhei e de estar próxima a pessoas que há muito tempo eu não estava perto. Essas coisas saem na imprensa, mas já está esclarecido, a pessoa também já sabe que estou satisfeita, e que não tem nada a ver e vai checar qualquer coisa antes de publicar.

Na última semana você recebeu um presente do Manoel Carlos, onde ele disse que nunca te deu uma Helena porque ele queria que você tivesse papéis desafiadores.

Ele sempre me dizia “Lilia, eles querem que eu te dê a Helena mas quem vai ser minha antagonista?”, mas sinceramente eu nunca cobrei uma Helena. Fui tão feliz com todos os personagens que ele me deu, tanto Páginas da Vida como Viver a Vida fui indicada ao Emmy. Eu não posso reclamar de jeito nenhum. Eu saboreava aqueles textos dele. Me dava um trabalho desgraçado porque vinham um dia antes de gravar mas são oportunidades que você não pode perder. Fiz 4 novelas dele, uma melhor que a outra, com textos incríveis que guardo na minha memória. Tenho uma cota de realização e felicidade maior que todos os percalços.

Você também estará na próxima novela do Aguinaldo Silva, O Sétimo Guardião não é?

Sim, estarei mas eu não sei nada ainda. Sei que minha personagem será uma vilã chamada Valentina, inclusive adorei o nome, mas a história da novela não sei como será. O Aguinaldo vai voltar para as raízes dele que é o realismo fantástico.

Como você tem administrado o tempo com as gravações da novela e o Maria do Caritó?

A gente dá um jeito. Meu tempo é o meu trabalho. Para mim essa coisa de ano sabático não funciona, graças a Deus nunca fiquei muito tempo longe da TV, e se depender de mim as pessoas vão enjoar de me ver (risos).

*Entrevista realizada pelo jornalista André Romano.

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