Lilia Cabral faz um balanço da carreira “Demorei a ter um papel de destaque mas não deixei escapar nenhuma oportunidade”

Publicado há 4 anos
Por João Paulo Reis
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A próxima novela das 21 horas, A Força do Querer, escrita por Glória Perez só vai estrear na tela da Globo no dia 03 de abril, mas o Observatório da Televisão pôde acompanhar de perto as gravações e bater um papo com Lilia Cabral, que viverá a arquiteta Silvana. Confira:

Nos conte um pouco sobre sua personagem na novela A Força do Querer.

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Minha personagem se chama Silvana, e quando começa a história ela é uma arquiteta casada com o Eurico (Humberto Martins), bem sucedida, e todos a valorizam pelo trabalho e como mulher, mas ela gosta de jogar e isso fica claro. Passa-se um tempo na trama, as crianças crescem, ela continua bem sucedida mas viciada em pôquer. E ela joga muito bem, mas tem um marido controlador que odeia jogos, e com o passar do tempo as pessoas começam a perceber que aquilo não é apenas diversão e sim compulsão. Com isso ela começa a mostrar seu lado fraco ao perder. Ela vive dentro de uma mentira, e provoca as mentiras por não contar que joga. O dinheiro dela vai desaparecendo, o do marido também, e isso acarreta uma série de situações.

No seu laboratório para compor a personagem você se inspirou em alguém?

Na verdade não. As pessoas que jogam escondem isso por anos e às vezes elas nem sabem que possuem um vício. Eu conversei com várias pessoas mas eu quis colocar isso bem longe da minha realidade e das pessoas que conheço. Fui até o JA (Jogadores Anônimos) e deixei para fazer essa pesquisa mais adiante quando a personagem tiver num momento de perdas maiores.

Você se surpreendeu com alguma das histórias que ouviu no JA?

Com todas as histórias. O que me surpreendeu é que o semblante das pessoas é muito tranquilo, porque eles tem a consciência do vício diferente de um alcoólatra que tem a parte física alterada. É um universo da mentira, e eles (os viciados em jogos) fazem isso, mentem tanto que poderiam ganhar o Oscar segundo disseram as pessoas que convivem com esses jogadores.

A Juliana Paiva disse em entrevista que foi você quem a indicou para o papel de Simone. Como surgiu essa admiração?

Eu vi um pouco dela em Malhação, e em Totalmente Demais. Eu a acho muito boa atriz, logo logo ela vai estar protagonizando porque ela é boa, tem credibilidade, carisma, empatia, tem tudo. Quando perguntaram quem seria a atriz que faria a filha da minha personagem aí não tive dúvida “É a Juliana Paiva”. O Papinha (diretor Rogério Gomes) contou pra todo mundo, inclusive pra Juliana, não era pra falar.

Você se tornou a queridinha dos autores. A maturidade te ajudou a ter grandes papéis?

Eu acho que tem autores com os quais me dei muito bem, e muito mais pelo olhar deles em relação à mim do que eu querer mostrar serviço. Então onde eu via que havia uma oportunidade eu não deixava escapar, tanto que demorei bastante a ter um papel significativo que veio com a Sheila de História de Amor, porque todos me enxergavam de forma divertida antes. E eu tinha necessidade de mostrar um lado meu diferente, e depois disso as coisas foram vindo. Me dei muito bem com o Maneco, com o Aguinaldo, estou adorando a Glória. Outros que não repeti tanto como Ricardo Linhares, Gilberto Braga, foram autores que fizeram a minha história também.

Você fez uma mulher simples em Liberdade, Liberdade mas geralmente os autores acabam te entregando papéis de mulheres elegantes. De onde veio isso?

Quando eu comecei eu fazia muitos personagens bem histriônicos. Meu primeiro papel elegante foi em Viver a Vida, e foi uma surpresa pra todo mundo. Eu havia feito Páginas da Vida, onde a Martha não tinha nada de elegante, Laços de Família que era uma gaúcha com aquele casaquinho de frio também nada elegante, em A Favorita eu usava uma roupa horrorosa, mas eu amava aquele figurino porque ele me passava muita credibilidade, e quando fui fazer Viver a Vida em que a personagem era uma ex-modelo eles me colocaram aquele figurino e partir daí todo mundo me vê como elegante. Aproveito a situação claro.

Você mudou o visual, seu cabelo está mais curto, o que você achou?

Eu gostei muito Ela é uma arquiteta, sai de manhã para trabalhar e só volta à noite. A primeira coisa que pensei foi “Se eu tiver um cabelo maior sempre que eu for fazer cena externa ele vai ficar armado”. Eu não consigo visualizar ela de outra forma senão com este cabelo, eu gosto de vestir o personagem e não somente o figurino dele.

Você gosta de opinar sobre o figurino?

Eu adoro esse bate-bola. É importante ouvir a pessoa que está te vestindo e ela te ouvir também. A figurinista apresenta algo, e o ator está com algo na cabeça também e aí se chega a um acordo. A roupa me faz entrar em cena com mais confiança.

A Fernanda Montenegro deu uma entrevista dizendo que ficava incomodada com os rótulos. Você se incomoda com o título de Grande Dama da Televisão?

Mas eu não sou dama de nada, nem dama da noite (risos). Tenho o maior orgulho ao ouvir elogios, fico feliz pelo reconhecimento do meu trabalho, mas pelo rótulo não.


A Juliana Paiva que vai interpretar a Simone contou que ela ajudará a personagem trans a se descobrir. A Silvana, sua personagem também tem envolvimento com esta trama?

Sim. Eu acho que ela participará em algum momento, e isso mostra como o nosso núcleo é interessante. É uma família com várias situações, e é extremamente importante tratar isso porque não é uma questão de sexualidade e sim de identidade. A pessoa não se vê naquele gênero.

Qual a opinião da Lilia Cabral em relação à isso?

Eu assisti a alguns episódios do programa Liberdade de Gênero, do GNT e ali você consegue entender completamente essa particularidade de como a pessoa se vê em relação à questão da identidade. E eu gosto de ver esse lado humano da família, porque a família tem a dificuldade, mas não abandona. Se fosse comigo mesmo não sendo fácil, eu jamais abandonaria.

E seu outro trabalho como produtora continua?

Continua. Vou fazer Maria do Caritó no cinema, baseado no livro do Newton Moreno, e adaptar o livro do Marcelo Rubens Paiva, Eu Ainda Estou Aqui para o teatro mas isso tudo vou começar a preparar durante a novela.

Entrevista realizada pelo jornalista André Romano

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