Juliana Paes se inspira na Baronesa do Pó para sua personagem em A Força do Querer: “Ela tem fascínio pelo poder”

Publicado há 4 anos
Por João Paulo Reis
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Juliana Paes está pronta para encarnar Bibi, sua personagem em A Força do Querer, próxima novela das nove escrita por Gloria Perez. A personagem foi inspirada em Bibi Perigosa, apelido dado a Fabiana Escobar, que foi casada por 14 anos com Saulo de Sá Silva, considerado o “Barão do Pó” na comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro. Em conversa com Observatório da Televisão durante a coletiva de imprensa para o lançamento da novela Juliana contou detalhes sobre a personagem e seu processo de preparação para vivê-la:

Como é viver uma personagem baseada numa pessoal real?

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É uma responsabilidade! Poder fazer essa transferência de características é uma responsabilidade grande quando você já tem alguém da vida real que está representado naquela história. A trama da Bibi começa a pegar fogo no meio da novela, mas acho que vai chegar um momento que ela vai estar no desvio mesmo, cometendo crimes, e creio que ela faz isso por amor, pra manter a família porque ela acredita que se ela mantiver aquela família tudo vai dar certo.

Ela tem essa preocupação de justificar o crime?

Ela é o tipo de mulher que ama demais, é aquela que se o marido pensou  algo, ela já está lá fazendo e pronta para servir, é muito apaixonada, ciumenta mesmo. Se tiver que fazer barraco ela faz barraco sem a menor preocupação, é extremamente  passional e não pensa muito antes de fazer e falar.

Até onde você conhece dela? Ela chega a questionar as próprias atitudes?

Vão haver momentos em que ela vai questionar a própria conduta e se perguntar “Que homem é esse que está comigo?” sem nunca pensar que o marido dela possa colocá-la em confusões tão pesadas como as que vão acontecer.

A Bibi terá uma relação com o Caio, personagem do Rodrigo Lombardi também?

Ela termina com o Caio no primeiro capítulo. Ele é um cara racional e está batalhando pra ter uma estabilidade financeira para viver com ela mas ela não se preocupa com isso, e só pensa que ele não dá à ela a atenção que ela deseja. Ela é estudante de direito, classe média, estudiosa, e tem afinidade com ele nesse sentido pois está batalhando pra viver  assim como todo mundo mas ela acha que o amor dele não é suficiente. Ela só acredita no amor em temperatura elevada e ela não quer a calma que ele propõe. Depois de 15 anos ele volta ao Brasil, e aquilo mexe com ela porque é um caso mal resolvido, terminaram de forma abrupta.

A Gloria Perez escreveu a personagem sendo uma mulher culta inicialmente. Como é pra ela esse fascínio pelo mundo do crime que surge depois?

Ela larga a faculdade, e inicialmente ela não tem nem aquele fascínio de poder segurar uma arma nem nada, mas ela vai ser ver encantada pelo mundo do crime, por aquele universo em que ela do nada pode comprar pra ela e para o filho tudo o que ela antes não podia. Claro que ela justifica que está fazendo aquilo por amor, mas existe um fascínio pelo poder, pela fama de ser a mulher do dono do trafico, a primeira dama.

No quesito amor a Bibi fica dividida entre o racional que é o Caio, e o emocional que é o Rubinho. Como é a Juliana neste aspecto?

Difícil dizer isso! Sou um pouco de cada. De maneira geral sou 60% emoção e 40% razão. Sou ariana, é ruim ter que pedir desculpa mas já trabalhei muito isso, conforme a gente vai amadurecendo. As vezes a gente chega estressada, dá um passa fora em alguém, depois fica mal com aquilo e pede desculpa, sou mais ou menos assim, um pouquinho mais emocional que racional.

Em que aspectos você se identificou com a personagem?

A parte que estamos gravando foi parte fácil porque é parte que já vivi e não precisei inventar muita coisa, de ter que sair de casa, tirar as coisas às pressas, passar dificuldades. Essa ainda é apenas é a cama que estamos forrando para contar a história. Mas existe uma história natural dessas mulheres que tem uma estrutura financeira classe média e que se envolvem no crime porque elas não vão só pela grana que o grande combustível mas é muitas vezes pelo status de poder dentro das comunidades.

Como você se preparou para essa fase da personagem?

Eu bebi de várias fontes: li o livro da Fabiana onde ela conta toda a história dela, dei uma pesquisada nos grupos de mulheres que amam demais e também nos arquétipos das deusas do amor que colocam a vida sentimental em primeiro plano acima do trabalho e de outras questões.

Juliana Paes grava cenas como Bibi em A Força do Querer (Divulgação/ TV Globo)

Você usou como referência algum outro personagem do cinema ou de alguma outra novela?

De filme eu tenho inspiração de Apenas um Sonho com a Kate Winslet, onde ela tem um desejo que chama o homem do tipo “vamos lá, a gente vai conseguir”. A Bibi não é uma mulher de arrastar corrente, quando reclama, ela reclama pra cima empunhando uma espada, com força. Estamos falando do querer, e de como o querer de um afeta o outro. Então essa é a principal característica da Bibi, de ser uma mulher forte que tem seus desejos e não importa quem ela vai derrubar pra manter a família e aquele homem ao lado dela. A Fabiana disse em entrevista “Não sou criminosa, mas meu marido é. O que posso fazer?” A pergunta é: É possível ficar junto com quem você não concorde eticamente?

Você já conheceu a Bibi Perigosa?

Eu ainda não conheci a Bibi, nós batemos um papo via Skype.

Sobre sua participação em Dois Irmãos. Você já tinha gravado há muito tempo, mas só foi ao ar recentemente. O que você sentiu ao ver este trabalho finalizado?

Foi muito prazeroso, fiquei muito orgulhosa do resultado todo. Tivemos uma adesão nas mídias sociais, as pessoas comentaram muito, e fiquei muito feliz com tudo o que foi falado sobre meu trabalho. Colhi frutos suculentos de Dois Irmãos.

Como vai ser a mudança de visual da Bibi?

Bibi aparece meio descabeladinha no início, mas quando ela sentir que está podendo, ela vai usar e abusar de todas as armas de sedução porque a sedução faz parte desse universo, a intimidação. “Eu tenho poder porque também sou bonita, não só porque sou a mulher do cara” e ela vai usar isso como arma também, pra poder dialogar com traficantes onde ela vai ter que ir. Não recebi nada disso no texto, mas sei pelas conversas que tive com a Gloria Perez.

E você se considera uma mulher bonita?

Eu me considero uma mulher como outa qualquer. Talvez eu tenha mais acesso à ferramentas de beleza porque o meu trabalho me pede que eu esteja antenada mas não me acho diferente de nenhuma outra mulher. Tenho dias de acordar com olho inchado, horroroso, tenho dias de me sentir feia como outra qualquer.

Você se acha mais bonita hoje do que quando você fez a Ritinha de Laços de Família por exemplo?

Acho, muito mais. Eu era bochechuda e tinha a sobrancelha muito fina. Cadê as amigas naquela hora pra falarem que aquilo não combinava? (Risos).

Você ficou mais antenada com a moda dos últimos anos pra cá?

Eu acho que sim. Sempre gostei de acompanhar a moda, mas nunca me considerei vítima da moda. Pinço uma coisa ou outra que me favorece. Hoje em dia a moda é democrática não só no sentido financeiro, mas acho que não existe nada mais que digam “isso está fora de moda”. Existe um movimento hoje fomentado pelas redes sociais, e virou uma grande brincadeira o look do dia. Há 15 anos atrás, a gente estava menos preocupado com a roupa que iria colocar, eu sempre aparecia nas coletivas de imprensa com calça jeans e camiseta, mas hoje as pessoas gostam de ver a gente arrumado, de ver nossas fotos em redes sociais e marcar as amigas dizendo “Olha, isso ficaria bom em você”.

A Bibi gosta do Caio mas ela abre mão dele por não sentir mais a paixão avassaladora do início do relacionamento. Você já viveu isso?

Eu lembro que quando eu tinha meus 20 e poucos anos, eu tinha um namorado e uma vez falei com minha mãe “Mãe, não sei, não to mais sentindo aquele frissom de querer me arrumar toda quando ele vem me buscar, acho que não gosto mais dele” e minha mãe disse “Não é que você não gosta mais, mas vocês vão fazer 3 anos juntos. Pensa se você ainda gosta de estar ao lado dele”, e eu demorei a entender isso. A Bibi é assim, ela só entende o amor em ebulição, tem um sentimento meio adolescente, ela precisa de demonstração de carinho o tempo todo por isso ela fica louca com esse homem que estoura fogos pra ela, que esconde bilhetinho na bolsa pra ela achar.

E você está num casamento que é o ponto máximo de uma relação não é?

Eu acredito que os relacionamento se alimentam do que foi o começo. As vezes a gente está num relacionamento por muito tempo mas lembramos do primeiro beijo, do primeiro encontro, e isso vira combustível para continuar. Digo isso por mim que estou com o Dudu há 13 anos morando na mesma casa, e até hoje tenho a lembrança do nosso primeiro beijo. Claro que hoje em dia não recebo flores mais toda semana, mas tem tantas outras coisas que vão compensando.

E como é a sua relação com o marido?

A gente faz muitos programas em família. Eu assim como todas as mulheres sempre arrumo um motivo pra reclamar do bofe, mas se tem uma coisa que não posso dizer é que ele não é companheiro, amigo, e bom pai.  É isso o que entra no lugar desse fogo da paixão:  intimidade e cumplicidade. Tem coisa melhor do que a pessoa olhar pra você e já saber como você está naquele dia e perguntar “Poxa estou te sentindo diferente”? Isso você só consegue com o passar dos anos.

Entrevista realizada pelo jornalista André Romano

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