Judia, Betty Gofman interpreta ‘conterrânea’ em Órfãos da Terra: “Um presente”

Publicado há 2 anos
Por Felipe Brandão
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Ser ator é se reinventar constantemente. Um constante distanciar e encontrar-se consigo mesmo. Betty Gofman sabe disso muito bem. Prestes a retornar à faixa das 18h da Globo no elenco de Órfãos da Terra, ela se prepara para interpretar pela primeira vez uma personagem de sua mesma ascendência: a judia Eva.

Em um encontro promovido pela Globo nesta quinta (28), entre o elenco do próximo folhetim das 18h e a imprensa, Betty falou um pouco a respeito do desafio de interpretar um personagem leve, mas essencialmente cômico, e também do imenso prazer de trabalhar com as autoras Duca Rachid e Thelma Guedes, de quem é fã declarada.

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Convite

Qual foi sua reação quando recebeu o convite para a novela?

Eu queria muito trabalhar com a Thelma e com a Duca. Tive a sorte de estar amamentando minhas filhas – que agora estão fazendo 8 anos – quando passou Cordel Encantado. Foi um presente! Eu dava ‘mamá’ assistindo a Cordel. Por isso, quando elas me convidaram, foi uma grande alegria. Quando a Telma falou que eu ia ser uma judia chamada Eva, eu amei! Pra mim é divertido, porque eu sou de fato judia, e não me lembro nunca de ter vivido uma judia em outra novela. Sou de uma família judia.

Não sou muito praticante [da religião], mas ser judia mesmo assim é algo muito forte. Eu ‘me sinto’ muito judia. Conheço muito desse ‘humor judaico’, conheço muitas mães judias… Eu mesma sou uma mãe judia! O meu núcleo é um núcleo de humor, que dá uma leveza a essa história toda, que é bastante triste… Estou adorando o texto da novela! É leve, gostoso de ler… Não tem coisa melhor para o ator do que gostar de ler o que vai encenar. Contracenar com Osmar Prado, Nicette Bruno, Marcelo Médici… Com a minha ‘filha’ [na ficção], Verônica Debom, uma comediante maravilhosa… É um presente. Não poderia querer mais que isso.

Humor da personagem

Conte um pouco sobre a Eva. O humor da personagem, sua relação com a família, com a filha…

Eu fico muito feliz por ser uma atriz que, mesmo tendo uma veia cômica muito forte, não faz só comédia. Acabei de fazer Deus Salve o Rei, numa personagem [Naná] que, mesmo tendo humor, era por outro lado trágica, naquela obsessão de que a filha [Glória, de Monique Alfradique] emagrecesse, se casasse com alguém rico… Era um ‘humor dramático’. Agora, estou fazendo uma personagem mais leve. Estou buscando a graça pela graça. É um desafio pra mim. Eva é uma mãe muito tradicional, mas ao mesmo tempo muito moderna também. Ela dá força para a filha, para os sonhos dela. Eu tenho esse ‘recheio’ bacana para a minha personagem, que no começo da novela está mais a serviço da família, mas aos poucos vai evoluindo com a história. Mais pro meio da novela, ela deixa de ser só aquela mãe bacana, aquela filha amorosa, para ter a sua própria história.

Em quem você se inspirou para compor a personagem?

Acho que me inspirei na minha família, nas mães judias… Nas coisas que eu mesma vivo. Ninguém na minha família é praticante [do judaísmo] – à exceção de uma irmã, que recentemente e inesperadamente se encontrou muito dentro da religião. Mas, por outro lado, a gente adora comida judaica, de vez em quando fazemos algumas festas típicas. Então conheço bem esse universo.

Bagagem Teatral

Nós estamos vivendo uma era de intolerância terrível. E as autoras de Órfãos da Terra enfatizam muito em suas histórias o amor. Como é pra você, uma atriz de forte bagagem teatral, emanar o amor num momento como esse?

Todos estamos muito doloridos. Eu sou pisciana e, graças a Deus, não sou o tipo da pessoa que coloca o próprio umbigo na frente de tudo. Me preocupo muito com quem está à minha volta, sempre tento ajudar as pessoas, tenho o hábito de tirar cachorros das ruas para cuidar e doar. Acredito que a vida só faz sentido se você for capaz de olhar em volta, de sentir esse amor e de entender que não tem nada mais importante do que isso na vida.

A Thelma, inclusive, adotou um cachorro que eu tirei da rua – o Chico. Isso fez nascer em nós um link muito forte entre nós duas, um link que é puro amor. Me sinto presenteada de estar em uma novela tão boa, que fala de um assunto tão importante, cujo norte é o amor, com essas autoras maravilhosas. Esse trabalho é um trabalho muito especial pra mim, por todos esses motivos, mas principalmente por esse: porque é um trabalho que está olhando em volta de um assunto que dói muito para todos nós e que é escrito por duas autoras muito generosas e muito amorosas.

Amor pelos animais

Você comentou um pouco sobre o seu amor pelos animais, em especial os cachorros. No seu núcleo na novela, você também convive e ‘contracena’ com animais. Como é essa experiência para você?

É incrível! É engraçado porque a Salomé é uma dog alemã enorme, e o Sultão é um ‘micro’, um chiuaua. E eles se amam! Serão esses cachorros o link entre as duas famílias, judia e palestina, que vão ‘rivalizar’ na novela. O link que vai fazer as duas famílias de algum forma se aproximarem.

*Entrevista realizada pelo jornalista André Romano

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