Juca de Oliveira explica atitudes vilanescas de Natanael em O Outro Lado do Paraíso: “Todo pai tem paixão pelo filho”

Publicado há 3 anos
Por João Paulo Reis
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Juca de Oliveira esteve presente na festa de lançamento da nova novela das 21h, O Outro Lado do Paraíso. Seu personagem na trama escrita por Walcyr Carrasco é Natanael, um advogado que acredita que a nora, Elizabeth (Gloria Pires) não seja a mulher ideal para seu filho Henrique (Emílio de Mello), e arma um plano para tirá-la da vida do filho. O ator conversou com nossa reportagem e contou detalhes sobre o personagem, e como enxerga suas atitudes.

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Aparentemente seu personagem é um vilão. O que o senhor acha que o leva a tomar tais atitudes?

O que o leva a tomar atitudes é o grande amor que ele tem pelo seu filho, e ansiedade de vê-lo progredir profissionalmente e intelectualmente. Ele se torna um embaixador importante do Brasil. A preocupação dele é justamente a manutenção dessa ascensão profissional do filho.

Mas nenhum pai direito de interferir dessa forma na vida do filho…

Na verdade as pessoas vão se identificar, porque todos têm alguma coisa de Natanael. Todo pai tem uma paixão especial pelo filho. Ele tem uma nora, que nem sempre corresponde às expectativas dele, o que é natural que aconteça com alguns pais.

O senhor gravou no Rio mesmo?

Sim. Eu não fui para o Tocantins. Gravei no Rio de Janeiro, e em Angra. Não tenho a menor ideia se ainda irei gravar lá. A Sophia, personagem da Marieta Severo é minha cunhada na trama, e mora lá. O personagem do Guizé é meu sobrinho, e eu ficaria muito feliz se o Natanael pudesse ir para lá porque os atores falaram tantas maravilhas a respeito do lugar.

Essa novela fala sobre a lei do retorno. O senhor acredita?

A lei do retorno é uma característica literária dos grandes autores de novela do passado e que se tornou um modelo do ponto de vista do enredo das histórias. A Visita da Velha Senhora tem um enredo parecido, e acho que aquilo o que você faz aqui, você deve pagar aqui. Acho que devemos ser afetivos, generosos e solidários sempre. Se não somos assim, é ótimo que soframos as consequências.

Como está sendo reencontrar os atores veteranos como Lima Duarte, Nathália, Laura?

Não se trata de reencontrar porque estamos juntos sempre. Trabalhei com Nathália Timberg no teatro brasileiro de comédia, numa das primeiras peças que fiz. O Lima Duarte é um amigo excepcional, já fiz teatro com ele, e estou na expectativa de atuar novamente junto. Então não é um reencontro, somos uma quadrilha (risos). Os atores são uma família que se gosta, e se solidariza. Como atores de teatro, inicialmente fomos expulsos das igrejas, porque o teatro nasceu da religiosidade. O primeiro ator era um sacerdote, no quinto século antes de Cristo, e resolveram nos expulsar da Igreja, e nos encontramos na encruzilhada junto com batedores de carteira, prostitutas, homossexuais, marginalizados. Esse caráter de marginais ainda nos atribuem às vezes, mas só nos interessa a evolução da sociedade e ascensão do homem, para torná-lo mais generoso, afetivo e solidário. Essa é a função do ator, que exercemos apaixonadamente.

O senhor está com 82 anos. Pensa em parar de trabalhar?

Imagina. Eu sinto que ainda estou no começo (risos). Continuo trabalhando muito, e talvez hoje eu trabalhe muito mais do que eu trabalhava quando tinha 20 e além disso escrevo teatro, tenho várias peças, que por atenção e por imposição das musas do teatro se constituíram excepcionais sucessos. As deusas do teatro estão permanentemente conosco, e creio que elas me ajudaram a escrever, porque elas amam o teatro e são muito gentis com aqueles que as amam também.

Você acha que a maturidade te fez ter mais êxito na sua profissão?

Claro que a idade ajuda. Você vai acrescentando e vai assistindo o que se passa na sociedade que se soma à sua experiência e te torna mais sensível às coisas. Por exemplo, eu só conheci uma sociedade em que todo o governo é absolutamente corrupto agora, nunca houve uma situação em que praticamente não houvesse uma oposição política correta. Hoje são todos corruptos. Eu como escritor estou exatamente nesse momento tentando resolver esta equação. Como fazer uma peça em que todos os lados são corruptos? Sempre existiu um lado bom, e hoje temos a dificuldade de encontrar esse lado bom.

Como seria isso? Uma peça só de vilões?

Sim, mas não pode. No teatro e na televisão devem existir o protagonista e o antagonista. O bom, e o mau. Quando se desencadeia uma situação, existe um outro que se opõe. Mas se todos são corruptos, quem é que vai se opor? Falta o conflito, que é fundamental. Se todos são iguais, não existe a contra vontade.

Dizem que quase todo ator defende seu personagem. Como você defende o Natanael?

Eu defendo uma vida excepcionalmente boa para minha família, a do personagem no caso, quero que meu filho avance profissionalmente, seja um embaixador maravilhoso, que eu continue tendo a casa maravilhosa que tenho, e ganhando rios de dinheiro exercendo minha profissão de advogado, e eventualmente trocar de nora.

Você já passou por esse tipo de situação acreditando que algum parente seria mais feliz se relacionando uma pessoa diferente da que ele estava?

Eu acho que cada um escolhe ser feliz como quiser. Você não pode ser condenado à convivência. As pessoas se apaixonam por outras, e quando acontece não há razão para ficarem juntos, nem razão para conflito. A eclosão do amor é impossível de parar.

* Entrevista feita pela jornalista Núcia Ferreira

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