Ivete Sangalo aconselha novos participantes do The Voice Brasil: “A palavra é responsabilidade”

Publicado há 3 anos
Por Greicehelen Santana
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O retorno de Ivete Sangalo à TV já tem data marcada. No próximo dia 17 de julho, a baiana estreia como uma das técnicas da sétima temporada do The Voice Brasil, juntamente com Lulu Santos, Michel Teló e Carlinhos Brown. Na nova edição, o reality musical da Globo, apresentado por Tiago Leifert e Mariana Rios, será exibido todas as terça e quintas, após a novela Segundo Sol.

O The Voice Brasil é um dos primeiros compromissos profissionais que Ivete retoma após o nascimento das gêmeas Marina e Helena, em fevereiro. Para o Observatório da Televisão, a cantora contou como tem cuidado para conciliar a vida familiar com a artística. “Quando você encontra uma pessoa que ama, você começa a compartilhar com essa pessoa semelhanças de sonhos”, afirmou sobre o companheirismo do marido Daniel Cady.

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Prestes a completar 25 anos de carreira, Veveta, como carinhosamente é chamada pelo público, também contou um pouquinho sobre o seu próximo DVD, intitulado Live Experience, que será gravado em dezembro na cidade de São Paulo. “Eu só quero chamar as participações depois que os ingressos estiverem todos concluídos”, garantiu. Confira detalhes da entrevista a seguir:

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Ivete Sangalo fala sobre administração de seu tempo

Agora com as gêmeas Marina e Helena, como você está administrando seus compromissos profissionais?

Eu fiz um planejamento. As minhas nenês têm cinco meses e agora eu retomo aos pouquinhos ao meu trabalho. Como o meu trabalho é um trabalho de deslocamento, eu fiz um planejamento de vida onde eu só me desloco “xis” dias do mês. Eu consegui organizar a minha agenda. No The Voice a gente já sabia que ia fazer essa edição, e todas as mudanças feitas foram ditas muito antecipadamente. Então eu vou e volto, vou e volto, e irei esperar mais um pouquinho para trazer também comigo.

Qual o segredo para ter um casamento de dez anos, três filhos lindos e uma carreira de sucesso?

Não sei se pode falar (risos). Primeiro, a gente tem que ter uma comunhão do que a gente quer. Quando você encontra uma pessoa que ama, você começa a compartilhar com essa pessoa semelhanças de sonhos, das expectativas sobre a vida. E quando tem amor, o tempo passa que você nem percebe e aí vem os frutos, que são os filhos, os consolidadores da relação. Não é um segredo. Em toda casa, casamento ou relacionamento que quer ser duradouro é preciso haver discussão, diálogo, um pouco de estresse, discordâncias, rotina. Honestamente, a rotina não me incomoda. Sou uma mulher muito caseira. Eu acho que respeito é duradouro para qualquer relacionamento. O respeito gera a admiração, que gera um convívio bom. Apesar de vivermos juntos, cada um tem a sua vida, a sua rotina, seus interesses muito particulares e, no meio dessa caminhada, os pontos de interseção.

Divisão de tarefas

E como é a divisão das tarefas dentro de casa? Quem melhor troca a fralda?

Eu tinha um filho único, o Marcelo, com oito anos e meio. E de repente, veio mais duas. Daí é aquele amor. Você quer fazer tudo o que está rolando com as duas ao mesmo tempo, e não é possível. Você fica querendo segurar as duas, trocar as duas juntas, botar para dormir. Aí você precisa fazer um planejamento, e o pai entrou com tudo e o Marcelo também foi muito maravilhoso. A casa ficou uma loucura.

Em algum momento o Marcelo ficou com ciúmes?

O Marcelo sempre teve uma vida de muito amor, de muita atenção. Ele não é uma criança carente. Quando as irmãs chegaram, ele viu aquilo como um presente, como um plus. Agora, ele se impõe, tipo assim: ‘mãe, eu queria jogar futebol com você agora’. Ele não envolve elas na discussão da minha atenção para ele. Ele fala: ‘minha mãe, eu quero fazer tal coisa com você’. Ele não fala: ‘as meninas…’. Aí eu entendo a mensagem e, como todas as mães de muitos filhos, tenho que dividir a atenção.

Futuro musical do filho

O Marcelo já apareceu em vários vídeos tocando instrumentos. Como fica o coração de mãe e artista sabendo que o filho tem esse dom?

O pai toca também e ele vê a rotina dentro de casa, onde entra músicos incríveis. Quando ele era pequeninho, o Carlinhos Brown foi almoçar lá em casa, na Praia do Forte, e ele pegou um bombonzinho e começou a tirar som. Daí o Carlinhos disse: ‘pelo amor de Deus, o que é esse menino tocando? ’. E quando vimos esse potencial nele não alarmamos. Eu falei: ‘olha que legal, Brown. Olha como ele toca lindo o bombom’. Daí do bombom ele larga e vai jogar futebol, entra na piscina, vai pescar. Eu não fico: ‘vai para a bateria. Quero que você toque’.

Meus pais não fizeram isso comigo. Eu tinha uma liberdade de escolha muito grande e eu só fui entender que queria ser cantora já grandona, quase mulher. No final da adolescência que eu tomei o tino de que eu poderia ser uma cantora. Não é uma preocupação, é mais prazeroso. E no meio disso ele gosta de velejar, de pescar, de jogar futebol e de tantas outras coisas. Seria muito louco da minha parte ser tendenciosa. Isso não é educação, isso é pressão. Tudo que ele se dispõe a fazer eu estimulo, eu e o pai participamos.

Projetos além do The Voice Brasil

Em O Tempo não Para, nova novela das sete da Globo, terá sua música na abertura. Em 2012, você brilhou como Maria Machadão, em Gabriela. Você tem planos de ressurgir como atriz em 2018?

Só se eu escrever a novela (risos). É a única relação que eu vou poder ter. Agora não dá.

Em dezembro grava o DVD Ivete Sangalo Live Experience para comemorar seus 25 anos de carreira. Conta estão os preparativos

São 25 anos de uma carreira maravilhosa, vitoriosa. Eu posso falar de boca cheia, não é nem uma análise de quem está de fora, é uma análise minha, eu tenho muita sorte na minha carreira, no desempenho dessa minha vida musical. E é massa porque é uma coisa que eu gosto de fazer, não é um trabalho. O trabalho é o deslocamento, o desfaz mala, pegar voo, mas o contato com a música, com o público, isso tudo é uma sorte. Eu quero comemorar esses 25 anos de carreira em dezembro. Vai ser no Allianz Parque. E para eu fazer isso com a excelência e o amor que eu tenho sobre as coisas, eu não posso ter tantas coisas entrelaças porque eu tenho os meus filhos agora, e muito. Eu não posso cobrir a cabeça e descobrir os pés. Tenho que ter equilíbrio.

Novo DVD

Você pode falar um pouquinho mais sobre esse DVD?

Chama Experience porque vão ser muitos momentos. Coisas que precedem a gravação do DVD e pós DVD. Então é uma experiência que vai englobar esses 25 anos de carreira. É uma tentativa de a gente trazer os fãs e para o meu público uma coisa nova, embora a gente já se conheça muito. Digamos que será uma roupa nova, mas quem veste é a mesma pessoa.

Por que São Paulo foi escolhida como palco desse DVD?

Essa gravação é em São Paulo porque lá é um centro de encontro. O país inteiro pode estar ali. Na Bahia eu tenho o Carnaval que é uma experiência, uma presença exclusiva na minha terra. Só que eu tenho fãs no Brasil inteiro e eu tenho que pensar neles. E uma coisa muito legal é que nesses 25 anos de carreira eles (fãs) ficaram amigos entre si. Então tem uma mobilização de cuidar, de um ir no casamento do outro, na formatura. É muito massa isso! A experiência vai ser esse encontro, onde todo mundo vai poder estar junto.

Relação profissional com candidatos do The Voice

As crianças do The Voice Kids participaram do seu último DVD, gravando em Trancoso-BA. Há chances dos adultos dessa sétima temporada do The Voice serem levados para o Experience em dezembro?

Tudo nessas experiências têm que vir de uma espontaneidade, de uma emoção. Calhou de eu não conseguir me desvencilhar das crianças. É muito difícil nos Kids, é uma loucura aquilo. Eu chegava em casa e não dormia, eu chorava pensando nas crianças que sairão e nas que irão sair. O adulto já tem um preparo, embora as crianças tenham me ensinado muito. A gente cristaliza a negativa, eles não. Eles perdiam uma batalha, choravam, mas meia hora já estavam correndo pelos corredores. E eu dizia: ‘meu Deus do céu, será que eu estou subestimando eles? ’. Foi uma vontade de ter eles comigo para eternizar aquele encontro, de eu ter feito parte daquilo. Então não é uma carta marcada. Eu não gosto de nada premeditado como um joguete. Eu tenho um pouco de medo disso.

Mas vai ter participação especial no novo DVD?

Vai ter! Mas eu só quero chamar as participações depois que os ingressos estiverem todos concluídos. Porque os convidados vão para cantar, não vão para movimentar qualquer outra coisa. Eles vão para dividir comigo a emoção.

The Voice na indústria fonográfica

Um participante falou que o The Voice não é uma fábrica de carreiras meteóricas. Como você analisa essa relação do vencedor se talentoso e a fama?

Até na carreira de um artista que já está consagrado, gravando os discos, não existe nada meteórico. São pequenas etapas que a gente tem que fazer. Você não atropela senão você vira uma máquina, vira um produtão mesmo. Quando ele falou aquilo, ele foi muito honesto. O sucesso não pode ser pelo olhar do outro e, sim, por um olhar íntimo. O que eu mais ouço é: ‘Ivete, e quando você não era ninguém e depois…’. A gente é alguém. E nessa vida de alguém tem uma carreira, uma música, tem a família, o filho. Enfim, tem outros planos que nada tem a ver com a música. O sucesso de um artista é, primeiramente, muito íntimo. Essa coisa de determinar o sucesso a partir de muitos números ou poucos números, preconceitos ou preceitos, isso só atrapalha.

Às vezes, um cara tem um público de ‘xis’ pessoas, vende ‘xis’ discos, a música dele faz download tantas vezes, e aquilo para ele já é uma grande vitória, já o alimenta, já está bom para ele. Então qual o grande equívoco? Com arte a gente não padroniza absolutamente nada. Um carro se faz em série, um artista não. Você não vai fazer uma outra Ivete, um outro Carlinhos Brown, assim como não existir uma outra você. As diferenças são o que incrementa a vida da gente. Só porque fez o The Voice o cara tem que gravar com fulano? Fazer tal coisa? Aparecer? Será que é isso? Será que o sucesso daquele artista já não é pisar naquele palco se realizando?

25 anos de carreira

O que passa pela sua cabeça ao perceber que vai completar 25 anos de carreira sendo um nome de referência na música brasileira?

Eu nunca imaginei. Isso é maravilhoso! Às vezes eu passo uma semana dentro de casa fazendo as coisas da casa. Aí eu saio na rua, busco meu filho na escola, entro no carro e começo a ouvir umas buzinas e fico: ‘meu Deus, será que passei no sinal vermelho? Estacionei no lugar errado? ’. Daí eu ouço: ‘E aí, cantora? ’. Aí eu lembro. Muitas vezes acontece isso comigo. Às vezes eu encontro umas pessoas na rua que falam coisas e têm enxurradas de amor, e eu chego em casa falando: ‘rapaz, com é isso? Eu nunca pensei, nunca planejei isso’.

Entre outras coisas que vão acontecendo fora do meu controle. O que eu penso é que eu sou uma mulher de muita sorte porque muitas boas cantoras esse país tem, pessoas muito talentosas. Então o fator sorte e privilegio eu estou sempre contemplando na minha vida. Às vezes eu dou risada, me divirto, fico muitas vezes emocionada porque ouço muita coisa de pessoas que transformam momentos através de uma música ou de uma frase que a gente diz.

Alimentação

Recentemente, saiu em um veículo que você não estava ligando para dieta. É verdade?

Tem tantas opiniões mais esclarecidas do que as minhas e que podem até mudar o meu conceito sobre isso, mas na minha opinião, a dieta não pode ser um impedidor de felicidade. Tem que ser uma coisa natural, necessária.

A alimentação está muito restrita por conta da amamentação?

Eu acho que o leite está muito mais ligado ao emocional. Óbvio que você não pode ser uma mãe desnutrida, isso vai ser ruim em vários aspectos. Você não vai dar o leite, nem a atenção, nem o amor, vai estar sob um estresse absurdo. Eu acredito em saúde porque eu já me deparei em situações de a estética estar impecável, e os resultados serem terríveis. E como eu já me deparei com gente muito sem saúde na estética deplorável. O que eu assumo? Eu assumo a minha condição de lucidez sobre a minha vida. Eu sou uma mulher saudável, sou uma mulher vaidosa, dentro de um limite, eu quero estar linda, sem barriga e tal. Mas se isso não é possível no meu tempo, a barriga vai ficar e vai esperar até a hora dela sair, ou não. Porque isso é um casulo, o tempo vai dar conta disso.

Não adianta eu tomar isso como a minha verdade absoluta, não vai me levar a lugar nenhum. E nós mulheres sabendo que enquanto uma tem um cabelo lindo, do joelho já não gosta, a outra não gosta do braço. Cada uma de nós tem a melhor parte, ninguém vai ter todas as partes. Não existe isso. Até quem a gente acha que está perfeito, quando conversa vê que não é nada disso. Eu acho que a gente fica buscando essas coisas meio que para sair de uma monotonia, do problema, da rotina. Eu sou uma mulher completamente da saúde.

Conselho aos participantes do The Voice

Qual conselho você daria para os participantes do The Voice em relação a administração de carreira?

Burocraticamente a palavra é responsabilidade. Especialmente quando você está no seu melhor momento, aí que a responsabilidade tem que ser ainda maior. Porque a gente tende a achar que quando estamos numa boa deve jogar para cima. Quando você está no seu melhor momento é que o bicho tem que pegar. Eu não gosto nunca de pensar que todo o meu trabalho na música é favor. É um pensamento muito equivocado, o artista achar que chegou ali para fazer um favor. Não, é uma troca. Comercialmente falando, ele recebe um cachê, ele está assumindo um acordo, assumindo um contrato.

Ele determinará as bases desse contrato e a partir daí tem responsabilidades sobre esse acordo. Pode ser de graça, pode ser a dinheiro, pode ser o horário, pode ser que roupa veste, com quem fala, como faz. Tudo em torno da responsabilidade. Isso é um conselho, não fugir nunca da responsabilidade do seu trabalho. Porque tem essa confusão de que por ser artista pode chegar na hora que quiser, de querer tantas coisas. Não é assim. Você não tem um inimigo do lado de lá, você tem alguém que está fazendo a coisa acontecer junto com você.

Mais sobre o The Voice

E o que você aconselharia no sentido artista vs público?

Do ponto de vista emocional é: por mais talento que você tenha, você tem que ter carinho com o público e buscar no público uma coisa que lhe alimenta. É muito contraditório, por exemplo: você quer que o show esteja cheio e as pessoas cantando a sua música, mas você não quer dar nada? Sendo que naquela troca você já se abasteceu para uma outra empreitada. Se começar a desdenhar daquilo, uma hora você vai sentir falta. A troca com as pessoas é tão boa. Não tem coisa mais gostosa para um artista do que o público cantando a música dele, olhando para ele.

Não sei se é porque eu sou muito exibida, gosto dessa coisa de olhar, de retribuir, de saber que está olhando para mim e de dizer: ‘vou cantar para você’. A pessoa tomou banho, comprou ingresso, estacionou o carro pensando em você. Aí chega na hora e você é fuleiro. Esse é o conselho que eu dou, que é o mesmo que sigo para virar a cadeira. Não sei quem está cantando, de onde vem, como está vestido. Não sei a história dessa pessoa, mas como está me tocando eu vou virar.

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano

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