Isis Valverde revela entusiasmo de público específico com Ritinha: “Me agarram”

Publicado há 4 anos
Por Guilherme Rodrigues
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Responsável por viver a Ritinha de A Força do Querer, Isis Valverde falou com o Observatório da Televisão sobre a dubiedade da personagem e como está sendo a reação do público com a envolvente personagem de Glória Perez.

Você acha a sua personagem vilã?

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É uma personagem que desde o início me despertou o interesse por não ter esse rótulo da mocinha ou da vilã. A decisão que você tomar eu tô aceitando [risos]. Realmente, a Ritinha tem essa incógnita, esse mistério, essa coisa que as sereias têm. Esse fascínio, esse mistério que ‘é boazinha e não é’. Aquele ser lindo que vem cantando e de repente a morte vem em seguida. É meio complicado falar sobre isso, só resta deixar a Glória Perez [autora da trama] mostrar as vertentes da personagem ao longo da produção. Tem muita coisa pra acontecer ainda.

Como está a repercussão da personagem?

O que eu gosto muito é da reação das crianças e das senhoras. A galera da minha idade debate muito se ela é mocinha ou se é vilã. As crianças não falam nada, só correm e me agarram. E não soltam. E eu amo, o carinho das crianças é muito verdadeiro, puro, eu acho que criança tem atração por luz e eu queria construir um personagem luminoso, um sol. E eu acho que a Rita tem essa leveza, esse brilho, essa vida dentro dela que a criança percebe. E as senhoras têm o lado daquela coisa doce que a Rita tem. Por mais que ela brigue, por mais que seja tinhosa, ela é doce, encanta, e as senhorinhas me param na rua pra falar: ‘Minha Ritinha!”. Já ‘virou minha Ritinha’, muito bom [risos].

A Ritinha quer ficar com o Ruy (Fiuk) e o Zeca (Marco Pigossi)?

É muito engraçado que ela não fala que quer ficar com os dois. Ela só fala que gosta dos dois. Quem quer ficar com ela são os dois. Ela gosta dos dois, mas isso não significa querer. Tanto que ela fala: ‘Eu gosto de ver o Zeca louco por mim, mas eu não faço nada pra ele me querer, só estou gostando’. Ela fica ali, quieta, igual uma isca. Eu vejo a Rita como uma isca, e sereia é isso: ela senta na pedra, canta, quem se mata são os caras, não é ela que vai lá, eles se jogam na água, se afogam e morrem. É uma coisa que é quase uma indução à morte. Isso é muito interessante, o jeito como a Glória escreve a trama e o jeito como transita e envolve as pessoas. Acaba que você não culpa a Ritinha, culpa os outros. A Glória é gênia.

Como é a sua relação com o bebê (Lorenzo) que vive o seu filho? Você tem vontade de ser mãe?

Ah, o reloginho [biológico] bate. Eu já fiz 30 anos. Tenho muita vontade de ser mãe. E eu acho que o Lorenzo é uma criança meio anormal, porque ele reage a tudo, ele é um bebê muito pequeno. O Fiuk chorou esses dias porque o bebê começou a ficar com uma ligação em cena que ele nunca tinha tido com bebê nenhum. Ele é muito quietinho, acende 15 holofotes em cima dele e ele continua quietinho. Não tem como não se apaixonar.

Muita gente analisa a Ritinha como uma pessoa egoísta.

Eu não compactuo com muita coisa que ela faz. É um personagem que desde o início da novela eu venho falando que é a força da natureza. Se sente fome, ela come. Se sente sede, ela bebe. Se quer sair, ela sai. Igual o leão, se ele vai sair pra caçar, ele não fala pra leoa. Não existe essa conversa. É um personagem construído em cima dessa natureza animal, porque ela é uma sereia, ela não é humana. E eu fui obrigada, entre aspas, a acreditar no que ela acredita. O ator tem obrigação de acreditar no que o personagem dele acredita, senão ele não se entrega. Então em cima do ‘ser sereia’, é totalmente normal ela ser egocêntrica, egoísta às vezes. Quando ela tem aquelas atitudes, ela não pensa muito na sua reação. Ela não se trai, não trai o desejo, o querer dela. O que você vê na tela sempre fica com a dúvida no ar porque você não sabe qual é o próximo passo dela. É um personagem que você pode esperar de tudo. O querer dela que guia o personagem. E as coisas das águas, o índio, o mistério, de onde essa menina veio, a mãe com o pai, o envolvimento com os dois homens. A gente tem um mistério que a Glória está deixando na gaveta. Ela tem muitas cartas na manga. Ela me contou algumas ideias que ela tem, mas eu deixo pra ela decidir. O que ela decidir vai ser a melhor escolha para a personagem.

As últimas novelas da Glória Perez não tiveram bons resultados de audiência e A Força do Querer está levantando os índices do horário. Você acha que o lúdico que despertou o interesse do público?

Acho que não, acho que a história inteira tem que ser interessante. Uma novela que não tem outros núcleos interessantes, outras riquezas, dá um pouco de preguiça. O que eu achei interessante é o novo método da novela que a Glória trouxe: são três protagonistas e a brincadeira da roda. Ela começou com a Ritinha, depois foi pra Jeiza (Paolla Oliveira), depois Bibi (Juliana Paes). Então ela tá intercalando a história para que o público não canse. O que a gente estava percebendo é que o brasileiro quer novidade a cada dia. A tal da ‘barriga’ da novela não funciona mais. Eu vejo amigos meus não querendo sair por causa da novela. Você não cansa dela e eu acho que esse é o sucesso da novela. Essa história que cada dia te encanta de uma forma diferente. Eu tô muito feliz com todos os personagens, você vê que está tudo bem amarrado, bem ligado, e todo mundo tem uma história pra contar.

O público não rejeita a personagem. Você se surpreendeu com isso?

Isso foi muito lido, relido, conversado, como essa personagem iria existir pelo fato dela ter essa incógnita, pergunta ao longo da trama. A gente construiu e colocou ali na tela. Sempre me perguntaram se eu esperava sucesso. Se eu querer alguma coisa em relação ao que eu não controlo, eu vou me frustrar. Então eu prefiro querer fazer bem, trabalhar bem, pra depois colher o fruto. Eu tô feliz com o resultado que eu vejo porque eu trabalho pra isso. Eu trabalhei três meses pra fazer essa personagem. Um personagem que mergulha sete metros, que usa uma cauda, dança carimbó, corre igual uma maluca, escala árvore, fala de outro jeito. Era um personagem todo construído e eu tive muito estudo e eu sou muito perfeccionista. Eu tenho muitos defeitos, e um deles é ser muito exigente comigo mesma.

Como funciona esse seu perfeccionismo?

Eu me analiso, mas não sozinha, tenho pessoas comigo, preparadores que eu ligo, converso. Por exemplo, agora ela tem uma nova volta ao aquário, ao Ruy, reaproximação com Zeca, e eu sempre converso com quem trabalha comigo desde o início. Eu sempre estou atenta à personagem.

Isis Valverde nada em aquário com tubarões para cenas de A Força do Querer

A Fernanda Montenegro diz que a pessoa descobre que é do ramo quando tá sofrendo, se sentindo mal, e tem que ir pra arte. Quando você descobriu que é do ramo?

Eu já passei por muita coisa. Ficar longe da família, da cidade, estar gravando com um monte de coisa pessoal para estar presente, gravar com dedo quebrado, com febre, tudo isso com relação a estar mal e falar: ‘Dá pra ir’. Na Amazônia agora, por exemplo, que a gente gravou a novela, foi tenso. Muitas coisas externas selvagens a gente teve que enfrentar. Sol, chuva, correr num lugar selvagem, nadar no rio, se envolver com o boto, que não é um animal adestrado. Meu namorado [o empresário e modelo André Resende], que não é do ramo, um dia falou: ‘Você é muito guerreira. Você ama o que você faz, né?’ E eu me emocionei. Eu não percebo que eu amo tanto, mas eu amo.

*Entrevista realizada pelo jornalista André Romano.

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