Isis Valverde abre jogo sobre sua personagem em A Força do Querer: “Ela acredita que é uma sereia, filha de um boto”

Publicado há 4 anos
Por João Paulo Reis
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Isis Valverde está reforçando o time das atrizes que foram protagonistas em novelas escritas por Gloria Perez. Em Abril, ela será vista diariamente na pele de Ritinha, uma moça simples que acredita ser uma sereia em A Força do Querer, próxima novela das nove. Ísis conversou com o Observatório da Televisão durante a coletiva de imprensa para o lançamento da trama e contou alguns detalhes de sua personagem.

Isis você sabe que as tramas da Gloria Perez fazem um tremendo sucesso. Você já está imaginando o sucesso com as crianças?

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Meu segundo Emmy foi com a Gloria, digo meu porque eu participei da novela que foi Caminho das Índias, o primeiro foi em Sinhá Moça do Benedito Rui Barbosa. Cara, eu tento não imaginar isso do sucesso, porque já está acontecendo com a minha prima de 2 anos e 8 meses que ficou enlouquecida quando me viu de sereia. A Débora (Falabella) veio me falar que a filha dela também, ela disse “As mães vão querer te matar, ninguém vai aguentar mais ver rabo de sereia, nem sereia, nem conchinha, todo mundo vai querer uma cauda dessa.”

A cauda te incomoda?

É muito pesada, mas dentro da água você viu como eu tenho mobilidade? No mar foi mais difícil porque a água estava muito gelada, e quando você está com o corpo frio seu tempo de apneia é mais curto. Fiz uma cena com uma água viva, e não tive medo. No início eu quase morri mas depois até coloquei a mão nela.

Nas cenas que vimos você ficou bastante tempo embaixo da água, você fez algum trabalho para conseguir isso?

Fiz. Eu fico 2 minutos em apneia em movimento hoje que era o tempo que eu queria atingir e 4 minutos estática. No início do treinamento eu comecei ficando 12 segundos.

Quanto tempo de treino?

Duas horas de treino por dia durante 3 meses e mais a dança do carimbó. Imagina eu saía da aula de mergulho e ia pra aula de carimbó, aí terminava e o pessoal falava comigo “E agora?” “E agora vou pra casa!” eu dizia. As pessoas falavam comigo e eu dormindo de cansaço.

É muito difícil?

Sim. Eram 12 segundos no início, eu olhava pra instrutora e dizia “não vou conseguir”, porque precisava descer 4 metros. E a agonia é olhar pra cima e não ver a superfície, e pior, aprender com a água entrando no seu nariz. Depois do lado de fora da água tem que ficar com a cabeça pra baixo aí sai uma enxurrada de água no nariz.

E como foi sua relação com essas meninas que fazem sereísmo assim como sua personagem?

Botei dentro da minha casa (risos). “Querida vem pra cá tomar um café! Aqui tem um quarto, a gente toma um café, bate um papo” e ali eu fiquei sugando tudo o que eu podia tadinha, sugando a alma dela de canudo.

Isis Valverde e Marco Pigossi gravaram cenas para A Força do Querer (Reprodução)

Mas a Ritinha quer conhecer o mundo ou ela vai ficar sempre dividida entre Pigossi e Fiuk?

A Ritinha é uma sereia, pelo menos ela acredita que é uma sereia e a mãe também fala que ela é filha de um boto. Ah, e sereias não se apaixonam, elas amam até um ponto, um amor diferente, um amor de sereia que a gente vai aprender ao longo da novela como é, mas deve ser lindo porque os homens ficam enlouquecidos. Mas ela é sereia, tem conchinha pra ver, tem outro peixe ali, tem tubarão pra olhar,  ela passeia no mar da vida. Ela é uma menina de coração muito puro, muito verdadeira.

Você tem um quê de Ritinha, de desbravar?

O que eu acho que eu tenho é essa coisa com a natureza, é algo que sempre tive. Nadar com os botos foi incrível. Eu fiquei amiga deles! Eu fiz uma cena com o boto e saí da água, quando entrei na água de novo pra fazer outra cena mas dessa vez sem boto e em outro ponto do rio eu senti na minha perna algo me empurrando, era um boto chamado Estrela que me seguiu porque conheci todos eles por nome (risos). Então essa relação com bicho e natureza eu tenho muito em mim, a Ritinha sobre em árvore igual macaco, ela corre muito, é muito moleca. De resto não tenho nada, queria inclusive ser igual à ela. Eu vivo nas regras sociais, e ela desconhece todas, porque pra ela não existem regras, e as vezes ela se ferra e ferra todo mundo mas não é por querer, é porque ela não conhece as regras.

Você se considera feminista?

Eu acho que eu descobri isso muito cedo quando minha mãe soltou aquela pequena frase “Que pena que ela nasceu mulher”, aí eu falei “Uai por quê?”, a partir desse dia eu comecei a questionar essa coisa de gênero, e preconceito.

Sua mãe se justificou por ter dito isso?

Porque pela sociedade mesmo ser machista, inclusive os homens fazem isso por condicionamento porque se eles pararem pra pensar o feminismo é a luta pela igualdade e eles também vão se beneficiar disso. Tenho um monte de amigos que não se permitem chorar, que quando estão doentes ficam falando que estão bem, só porque é machão e tem que mostrar que está bem. E eles precisam enxergar que até eles mesmo serão ajudados. Por que não pode chorar? Por que não pode pedir ajuda? Não é uma luta para as mulheres odiarem os homens.

E o direito de se envolver com vários homens sem estar apegada? O que você acha disso?

As pessoas dizem “Nossa, outro namorado?” mas o cara vai pra balada e fala “comi 15” e as pessoas dizem “Que maneiro hein, legal, garanhão”. Não que a mulher vá fazer isso, mas a gente é mais romântica, gostamos do romance, o homem gosta mais da coisa física e visual.

Sua última novela foi Boogie Oogie com o Marco Pigossi também. Como é repetir isso?

Foi muito louco! Cheguei pra ele e falei “A gente de novo querido” e ele começou a rir. “Agora tem a Paolla (Oliveira) também né Marco senão ia ficar boring“, e ele “não, não”. Ah, eu amo ele, ele é muito bom ator.

Você volta agora à crista da onda como protagonista, todo mundo querendo saber sobre você, sobre seu namorado. Como é pra você?

Eu comecei com 17 anos de idade, muito ingênua sem saber o que eu não podia falar, porque tem isso das pessoas que querem puxar uma coisa de você só pra usar de outra forma e eu aprendi a lidar com isso, eu amadureci, hoje eu tenho 30 anos e eu acho que eu sei botar um limite. Por exemplo, aqui a gente falou de tanta coisa, de mergulho, de boto, de feminismo e em nenhum momento me senti aviltada então acho que é o modo como você conduz. E tirei férias de 2 anos da TV, mas fiz cinema nesse tempo.

Quais são os filmes?

Amor.com que é uma comédia, Pedro Malazarte e o Duelo com a Morte é uma fantasia e Wilson Simonal que é um drama.

Você acha que você faz melhor rir ou chorar?

Os dois. Eu gosto muito de fazer os dois. E não gosto da mesmice. Uma hora vou lá faço drama, outra hora faço comédia, aí vou lá e faço uma fantasia, que tem até personagem que voa.

Você é muito boa de sotaque. Você sempre pega o sotaque das pessoas?

Quando eu era pequena eu tinha mania de imitar os outros. Quando minha prima que é carioca chegava em Aiuruoca, eu falava com ela que ela parecia um rádio estragado por causa do S chiado e ficava a imitando. Quando entrei aqui na Globo conheci a Iris que sabe tudo de prosódia, sabe todos os sotaques e sabe explicar até o porque a gente fala assim. Todo sotaque que preciso fazer vou atrás dela mas acho que tenho o ouvido bom também.

Como foi gravar em Belém?

Eu agradeço a produção pelo pulso, pela logística de como conduziram aquilo, se fosse eu, não iria conseguir. Chama Mercado Ver-o-Peso o local que gravamos, passando do lado de caras que eram pescadores de verdade, e o pessoal gritando “Aê, joga a sereia pra cá”, “corta essa cauda”, e o povo enlouquecia, mas de uma forma que nós não atrapalhamos as pessoas locais, eles não atrapalharam a gente e interagiram.

Como você recebe esse amor?

Com o coração aberto. E eu amo crianças, e elas tem uma coisa comigo. E lá era assim: várias crianças no colo e eu com cabelão de sereia, cheia de concha e já de cara elas ficam encantadas. Esse carinho é muito bom e eu tinha esquecido, foi emocionante.

Você passou por alguma crise por chegar aos 30?

Não. Eu escrevi um texto gigante no Instagram. Eu acordei com 30 anos, olhei no espelho e foram vindo várias coisas. A principal sensação é que agora sou uma mulher e não uma garota, e várias coisas que eu tinha medo antes, eu fechei a porta pra elas. É uma sensação poderosa que eu senti, me emocionei e fiz esse texto.

E tem algo objetivo que você pensou “Isso não vou fazer mais”?

Eu escrevi um pouco no meu texto sobre isso. Por exemplo, eu não quero mais agradar todo mundo como eu fazia antes. Eu sempre fui filha única, eu chegava na casa da minha avó e eu queria agradar a todos os meus tios, e eu jogava baixo, fazia até cafuné. Eu descobri que a gente não vai agradar todo mundo nunca, que dizer “não” é maravilhoso, libertador. Você conhece seu corpo melhor, e sabe o que tem prioridade na sua vida. Até estava conversando com a Zezé Polessa hoje e foquei: Em primeiro lugar na minha vida vem a minha saúde, em segundo a minha família e em terceiro meu trabalho.

Entrevista realizada pelo jornalista André Romano

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