Génezio de Barros fala sobre viver um assassino em A Dona do Pedaço: “Um cara que mata por profissão não pode ser muito sensível”

Publicado há 2 anos
Por Henrique Carlos
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Vivendo um personagem diferente dos muitos que já interpretou em sua carreira, o ator Genézio de Barros se prepara para interpretar Ademir em A Dona do Pedaço, próxima novela das nove da TV Globo. Marido de Evelina (Nívea Maria), pai de Maria da Paz (Juliana Paes) e Zenaide (Maeve Jinkings), Ademir será um um perigoso assassino de aluguel.

Em
entrevista ao Observatório da Televisão, Genézio contou detalhes
da trama de seu personagem e ainda comentou como está sendo
trabalhar ao lado de Juliana Paes, Fernanda Montenegro e Nívea
Maria. Confira:

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Nos conte sobre esse trabalho novo?

“Pois é, eu faço o pai da dona do pedaço. O pai da Maria da Paz (Juliana Paes). Sou filho da Dulce (Fernanda Montenegro), casado com a Evelina (Nívea Maria). É uma família de agricultores, que por circunstâncias acabam trabalhando e sobrevivendo pela morte. Eles são contratados para matar e são inimigos da família dos Matheus. Não se sabe de onde vem essa desavença, essa luta, é anterior a eles. E é uma coisa quase secular. Um vem matando o outro e essa coisa não para, aí chega um certo momento em que um membro de uma família se apaixona por um membro da outra. É aí que deslancha a novela.”

Diferente

Esse é um trabalho diferente de tudo o que você já fez?

“Normalmente talvez pelo meu perfil mais suave, eu sempre faço personagens mais tranquilos. Esse além de ser pai, ele é um pouco mais duro. Um cara que mata por profissão não pode ser muito sensível. Eu acho que é um pouco isso, o personagem vai até um certo momento e depois ele fica na história, eu não sei o que o Walcyr vai arrumar para ele, estou esperando. Estamos recebendo os capítulos ainda, então não sabemos até quando vamos gravar.”

Como está sendo gravar com a Nívea Maria e Juliana Paes?

“Gravação é tudo igual, é claro que você vai trabalhar com essas pessoas e fica tudo mais fácil, porque a gente tem um jogo mais tranquilo. E tem o prazer de estar com pessoas que de uma certa forma não é a primeira vez que eu trabalho com a Juliana. Eu já tinha feito Gabriela com ela. A Fernanda eu nunca tinha trabalhado, tinha até feito a novela passada, mas não era do núcleo dela, então a gente não cruzava. Você fica orgulhoso, mas não tem diferença, trabalho é trabalho. Mas é sempre um prazer você falar que está trabalhando com a Fernanda, com a Nívea, com a Juliana e dá um estimulo a mais.”

Cenas

Qual a cena que mais te encantou até agora?

“Olha, são várias cenas. A região que a gente foi gravar é muito bonita, você tem aqueles horizontes sem fim, por do sol. Foi difícil porque o set ficava há uma hora e meia da cidade de onde a gente iria. Então era uma hora e meia para ir e uma hora e meia para voltar. Foram muitas cenas a cavalo, perseguições e foi bem agitado. Fez muito calor também, porque o sul é frio, mas quando faz calor é terrível. Mas é sempre excitante. Você chega na cidade é muito bem recebido, foi bem gostoso.”

Como é a relação dele com as filhas?

“Por ser um matriarcado, não se sabe direito quando ele perdeu o pai, mas provavelmente deve ter perdido novo. A mãe é quem decide tudo, então essa coisa do matriarcado imprimi uma certa sensibilidade. Mas apesar de ser duro ele ter que cumprir essa missão, ele é um bom pai, ele se preocupa muito com as filhas, elas são a paixão dele. Fora o respeito com a mãe, ela é aquela figura intocável. Afinal é ela quem ordena e organiza tudo. Eles tem um respeito muito grande pela mãe.”

Influência

Você foi criado em um ambiente de mais mulheres ou homens?

“Mais mulheres, a minha vida é completamente com mulheres. Eu fui o primeiro filho homem depois de três mulheres. Eu tenho duas filhas, então na minha casa são três mulheres e eu.”

Você acha que isso influencia na sua sensibilidade?

“Eu acredito que sim, é claro que você tem um patriarcado sempre te cobrando e as vezes você tem até que sair um pouco da sua sensibilidade para tentar conviver nesse universo masculino. Principalmente nos tempos passados, mas hoje em dia os homens são um pouco mais livres dessa coisa de ter que ser macho, mas eu venho de uma época assim. A grande preocupação do meu pai era essa, nascer o primeiro filho no meio de tanta melhor, só o fato de eu querer ser artista, para ele já era motivo de preocupação. Mas isso de certa forma imprimiu meu caráter, me fez respeitar mais as mulheres com iguais.”

Mulheres

Você acha que a gente está no momento certo para uma novela que representa tanto a força da mulher?

“Sem dúvidas. Eu acho que essa coisa do empoderamento da mulher, da compreensão do papel da mulher, inclusive pelos homens. Para a gente é um pouco difícil também. Porque a gente carrega também uma pressão. Às vezes eu me pego com algumas atitudes que depois eu vejo que não é bem assim, mas antes não me preocupava com isso. Hoje eu vejo meus companheiros com uma compreensão maior, com outro respeito, tratando a mulher como um ser que convive junto e não como uma opositora.

Eu acho que uma novela como essa veio na hora certa, principalmente porque vai atingir o pessoal mais simples. Onde querendo ou não esse tipo de informação é mais difícil de chagar. Porque a gente tem uma formação, todos aqui são jornalistas e eu sou ator, a gente teve uma educação um pouco mais adiantada. Então ela vai chegar em um nível de pessoas onde isso é um pouco mais difícil de chegar e é super bem vinda essa novela.”

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano.

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