Gabriella Mustafá comenta virada na trama de Nanda com síndrome do pânico: “Tem mexido comigo”

Publicado há um ano
Por Guilherme Rodrigues
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No ar como a Nanda de Malhação – Toda Forma de Amar, Gabriella Mustafá falou ao Observatório da Televisão sobre a virada da personagem, que passou a enfrentar uma síndrome do pânico. A artista também revelou como lidar com as redes sociais e o que espera para 2020.

Como foi acompanhar a mudança na personagem?

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Foi uma surpresa, não esperava que essa trama ia acontecer. Nessa altura do campeonato, que a Nanda finalmente teve sucesso, após o clipe, ter se tornado conhecida pelo grande público, a Anitta repostou o vídeo dela, e logo depois eu recebi o bloco de capítulos que ela estava desenvolvendo a síndrome do pânico.

Foi uma surpresa muito grande, pra mim como atriz está sendo muito especial, posso mostrar um outro lado artístico, testar outras coisas, ter outras experiências diferentes do que eu estava fazendo. Para a trama também trouxe uma riqueza tratar desse assunto. As pessoas se identificaram muito, recebi muitas mensagens. O público se sentiu representado. Acho que esse é o nosso trabalho, passar informação e fazer com que as pessoas se sintam representadas com a nossa história. Tem sido especial e emocionante, tem mexido comigo todas as cenas. Estou muito feliz com o retorno, as cenas, a equipe tem uma concentração especial para a gente gravar e levar essa história de uma maneira segura, honesta e verdadeira. Está sendo muito bom.

A doença está presente na realidade de muitas pessoas…

É mais comum do que eu imaginava. Eu graças a Deus nunca passei por isso, mas amigos próximos já passaram e recebi muitas mensagens. Eu estou chamando meu pai para assistir para saber como eu me sinto. As pessoas acabam tratando também terapia como algo para gente louca, tem o preconceito. A gente aborda e fala ‘você precisa sim de ajuda médica’. Isso não é vergonha para ninguém. Somos humanos e estamos suscetíveis a erros. A gente pode desenvolver ansiedade. Vivemos num mundo muito maluco, as coisas acontecem muito rápido, somos muito cobrados o tempo todo. Tem também esse recado, você se cuidar e se conhecer é essencial. E ter coragem de conhecer a realidade.

Por qual motivo a Nanda adquiriu a síndrome?

Acho que foi uma sequência de coisas. A pressão da mãe com relação à profissão, ela querer ser cantora, pesa com certeza, porque é um momento que a gente precisa de acolhimento, mas também ela provar para ela o tempo todo como ela é boa. Quem assiste tem a impressão que ela quer provar para as pessoas como ela é incrível e poderosa, mas ela está tentando provar para ela mesma. E isso acontece com as pessoas que a gente pensa que estão mais seguras. Isso é uma fragilidade humana, pode acontecer com todo mundo. A amizade com a Raissa, que ela também bateu muito de frente, a amiga sempre ali, presente, e a Nanda sempre tentando fazer uma maldade, tentando prejudicar, uma sequência de atitudes que uma hora a conta chega.

Sentiu uma mudança no público por causa do drama?

Está tendo uma identificação muito maior. Na outra fase da personagem, que ela agia mais impulsivamente e inconsequentemente, as pessoas se divertiam, porque a personagem tem um lado cômico muito forte, mas as pessoas não se identificavam, porque também é difícil, mesmo a gente tendo esse lado, e agora tem a identificação do carinho.

Eu recebo mensagens as vezes das pessoas dizendo ‘se você estiver precisando de ajuda, eu tenho um médico ótimo para indicar’. As pessoas acham que estamos passando por isso, também por toda a verdade que estamos trazendo na trama, mas mudou o público. Sinto que estão olhando a Nanda com outros lados.

Que bom viver essas duas experiências com o mesmo personagem.

Muito. O Adriano quando veio essa trama, falou ‘olha que presente’. É poder mostrar dois lados como atriz e testar coisas. Malhação é isso: aprender. A gente erra, acerta, então estou muito feliz.

Teve retorno de adolescentes?

Muito. A gente fala muito sobre a doença do século, que é a depressão. A gente não está abordando [na novela], mas é uma doença crônica desenvolvida pela nossa cabeça. Os adolescentes hoje em dia, com as redes sociais, fácil acesso à informação, esses padrões de vida que a gente vê nas redes sociais e são impostos na sociedade, isso tudo tem um peso maior, uma cobrança maior. Recebi mais mensagens de adolescentes e relatando, ‘eu não sabia que tinha isso’, ‘eu tinha vergonha de contar para os meus pais’. Eu sempre que respondo falo ‘procure ajuda médica’. É importante.

Você se cobra muito?

Estou aprendendo a lidar, mas eu me cobro muito, não em relação a carreira, aos planos futuros, porque tudo que faço hoje tenho plantado com muito amor e respeito a minha profissão, então de alguma forma eu sinto que eu vou colher isso no futuro, mas eu me cobro muito no trabalho, de sempre dar o meu melhor, poder fazer o meu melhor. Sempre a melhor cena, ser o meu momento, aproveitar a trama que estou tendo, a oportunidade. Eu sempre vou muito nos meus limites nessas cenas de emoção e saio muito mexida, emocionada, muito presente ainda, então acho que preciso me controlar, mas estou me conhecendo como atriz e artista.

Descobriu algo que faça você se desligar?

Então, minha família está aqui e acho importante nesse momento estar com os meus pais, é um respiro. Eu moro sozinha no Rio de Janeiro, então eu chego em casa, sozinha, e essa é a nossa realidade. A gente chega, decora o texto, no outro dia você acorda e está gravando. Então eu sinto que esse respiro de sair com amigos eu estou aprendendo a lidar, com essa vida fora daqui. É um ano e meio que ficamos atrelados a esse produto. Preciso respirar, sentir novos ares, deixar algumas coisas aqui, levar outras para casa, mas faz parte de um processo. Estou aprendendo.

Alguma vez caiu na cilada que a vida dos outros é perfeita através das redes sociais?

Acho que involuntariamente todos nós, e não só padrões de vida, são padrões físicos. Nós somos bombardeados de informações o tempo todo. Às vezes fica no Instagram, rola a barra e nem tá prestando atenção no que você viu. É a roupa que a fulana usou, o corpo que a fulana tem, a imagem que a gente quer ser, quer passar, o que quer defender, sendo que a gente pode só ser, e ter coragem de ser quem a gente é.

Eu acho que involuntariamente já tive vontade de ter o que alguém tem, viver o que alguém está vivendo, fazer uma viagem que alguém está fazendo, porque eu acho que é estrutural o que a gente está vivendo. A sociedade daqui pra frente vai ser isso. A gente ter esse ego inflado e mostrar para os outros o quanto a gente está vivendo.

Você passa muito tempo na internet?

Não sou a mais viciada. Gosto de postar, saber o que está acontecendo, ler o Twitter, mas não sou viciada. Tenho meu tempo de estudar, que fico longe do estudar, sei equilibrar bem. Eu mesma que posto.

Algum outro trabalho fechado para esse ano?

A novela ainda tem muito tempo, a gente vai até maio. Estou deixando as coisas acontecerem, esperar, agora estou vivendo uma parte importante da novela, focar 100%. Mas foi o que eu disse, acho que coisas boas virão. Espero que o meu trabalho esteja atingindo as pessoas.

Você fez outro trabalho antes de Malhação, diferente de muitos que estreiam na novela. Você sentiu alguma diferença?

Acho que estou onde deveria estar. Estou um pouco mais madura, mas aprendendo muita coisa. Então acho que consigo criar mais. Malhação tem isso, nós, atores novos, temos mais rotina, quantidade de texto para decorar. Se você às vezes não faz uma protagonista ou antagonista, você não tem essa quantidade para você estar em movimento. Estou vivendo um momento especial. Tenho certeza que em outras novelas vou estar mais madura para viver, falar sobre outros assuntos, mais confiante.

Como foi o réveillon e o que espera para 2020?

Foi uma virada de ano diferente. Passei longe da minha família pela primeira vez, viajei com uns amigos para o Ceará. 2019 foi um ano muito importante para a minha vida, pessoalmente e profissionalmente. Muito especial. Fechei com chave de ouro, num lugar especial e com amigos. Agora em 2020 eu espero muito trabalho.

*Entrevista realizada pelo jornalista André Romano

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