Gabriel Leone volta à TV com personagem dramático em Onde Nascem Os Fortes: “Sofrerá um bocado”

Publicado há 3 anos
Por João Paulo Reis
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Gabriel Leone está a todo vapor nas gravações de Onde Nascem Os Fortes, supersérie que estreia em abril na Globo. Com texto de George Moura, Sergio Goldenberg, e direção artística de José Luiz Villamarim, a trama terá histórias de amores impossíveis como a de Hermano, personagem de Leone. O rapaz se apaixonará por Maria (Alice Wegmann), moça que abrirá guerra contra o pai do rapaz, Pedro (Alexandre Nero), principal suspeito de ter matado seu irmão gêmeo Nonato (Marco Pigossi). Em conversa com o Observatório da Televisão, Gabriel Leone falou sobre o personagem, sua composição e mudança de visual para a trama, e sobre a parceria com Nero e Debora Bloch. Confira:

Vamos falar sobre o seu visual, que está completamente diferente. É para o seu novo personagem?

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“Sim, foi para o novo trabalho. Gosto muito de me caracterizar e re-caracterizar em cada trabalho. É um grande passo do processo de criação dos personagens, e acabo me enxergando fisicamente diferente, então, nos juntamos, e achamos que este seria um visual interessante para este personagem.”

Você tem atuado em produções sempre muito elogiadas. Se considera um ator de sorte?

“Sempre falo sobre a questão da sorte, que existe sim,  e eu tenho, mas não dá somente para atribuir à sorte. Tem uma questão de trabalho, dedicação, correr atrás e aproveitar as oportunidades que a gente tem. Estou super feliz porque é mais um trabalho voltando ao sertão como tinha sido Velho Chico, e trabalhando com o Zé Villamarin, diretor com o qual eu tinha o desejo de trabalhar, numa história densa, cujo título não poderia ser mais apropriado.”

Como é o seu personagem?

“É o Hermano. Ele foi adotado pelo Pedro (Alexandre Nero) e pela Rosinete (Debora Bloch) ainda muito pequeno, é paleontólogo, e ao mesmo tempo trabalha com o pai no comando da fábrica. No primeiro capítulo, ele cruza com a Maria (Alice Wegmann) e vai viver ou não, esse amor impossível. Imediatamente no início da trama, a vida dele vira de cabeça pra baixo e acredito que vai permanecer assim até o final da série. Um personagem muito forte, denso, e ao mesmo tempo passará por situações dramáticas, sofrerá um bocado, e lutará pelo amor e outras coisas que ele acredita, dentro da família dele.”

O Nonato, rapaz que morre no início da história, é irmão gêmeo de Maria. Em algum momento ela desconfia, que o seu pai possa estar envolvido na morte do irmão dela?

“É um momento que a vida dele se transforma, pois ele estará nessa balança entre o amor e o pai dele, mas ele acaba tendo um senso de justiça no sentido que ele não vai tomar nenhuma medida drástica sem que algo seja comprovado, afinal, um fala A e o outro fala B, e ele fica nesse lugar de conciliar e esperar que as provas apareçam.”

Nós lemos que no primeiro capítulo, você já terá uma cena de nudez. Como é isso?

“Os personagens transam, tomam banho, situações que todo mundo fica pelado. Eu acho que é normal, a maioria dos trabalhos que fiz na TV em algum momento teve alguma cena de nu, eu acho tranquilo, porque é sempre dentro da proposta do personagem.”

Lara Tremouroux, Alexandre Nero, Debora] Bloch e Gabriel Leone em Onde Nascem os Fortes (Divulgação/ TV Globo)

Ele acredita que o pai seja um herói ou ele enxerga esse lado dúbio do pai?

“Ele enxerga o pai, até porque convive com ele no dia a dia na fábrica e batem de frente em muitos pontos, e a única coisa em que ele não toma partido é justamente nessa acusação de assassinato. É uma acusação muito séria, o tipo de coisa que mudaria a vida dele, e o pai jura de pés juntos que não fez. Por mais que o Hermano considere que ele possa ter feito, ele acredita na inocência do pai.”

Você fez um trabalho seguido do outro na TV Globo. Se considera um ator abençoado por ter autores disputando seu trabalho?

“Eu fico muito feliz de chegar num ponto de conhecer profissionais dos quais sempre admirei, e saber que de certa forma eles tiveram interesse no meu trabalho. E isso vira uma relação profissional muito interessante, porque eu tenho vontade de trabalhar, e a recíproca é verdadeira. A questão de fazer um trabalho atrás do outro tem a ver com aproveitar as oportunidades, porque se eu tivesse fazendo esses papéis de qualquer jeito, talvez eu não estivesse fazendo um atrás do outro, ou em algum momento a coisa iria desandar.”

Como você faz para não ter a imagem desgastada depois de tantos trabalhos seguidos?

“De certa forma, entre cada um desses projetos, existe um período. Os Dias Eram Assim terminou em setembro, e vamos estrear Onde Nascem os Fortes em abril. Eu venho juntando trabalhos, mas se você for ver as datas de estreia, acaba tendo um espaçamento. Uma coisa que valorizo muito, e que tento ter no trabalho é ir para outros veículos, como fazer cinema, teatro, e não ficar vinculado somente à televisão. Para mim é importante me reciclar em outras linguagens.”

Você tem alguma preferência por veículo?

“Eu comecei fazendo teatro, sou de uma companhia de teatro, e infelizmente não tenho feito tanto pelos trabalhos legais que surgiram no audiovisual, mas não tenho nenhum tipo de preferência.”

Em conversa com o Alexandre Nero, ele disse que as gravações são descontínuas. Gravam cenas de um capítulo, depois voltam para gravar cenas de vários capítulos antes…

“Logicamente que o processo é absolutamente diferente. Numa peça de teatro, a gente fica dois meses ensaiando, depois quando acontece a estreia, passamos a temporada repetindo aquela mesma peça, aquele mesmo texto todos os dias.  Aqui exploramos outro lugar, e essa é a maior dificuldade, que é gravar uma cena em que não gravamos o antes, ou então já gravamos o que acontece depois, então eu preciso me achar emocionalmente para não me perder. No mesmo dia, às vezes gravamos o capítulo 15 e o capítulo 38, então, são semanas de distância na vida do personagem. Nesse trabalho, estamos tendo uma experiência nova, que é de gravar tudo e depois estrear. Em todos os meus trabalhos anteriores existia uma margem entre as gravações e a estreia, mas acho que tem um ponto legal dentro disso. Ao mesmo tempo que é bom se assistir no ar enquanto ainda rolam as gravações, para estudo e se criticar, aqui faremos como num filme, que só vamos ver pronto meses depois. Além da diferença da linguagem, eu acho os processos interessantes para a gente se exercitar e não ficar cristalizado em apenas um tipo.”

Você assiste às suas cenas depois de serem gravadas?

“A gente vê pouco.”

Você acha que isso facilita?

“Eu acho que isso é muito pessoal da equipe, e do diretor. Tem diretores que gostam que a gente assista, e tem diretores que não gostam, inclusive atores que gostam de se ver e outros que não gostam, chamamos de ‘revisar’. Particularmente gosto, mas não é um problema se eu não fizer, e aí trabalhamos mais a nossa confiança no diretor. Se o cara disse: ‘Está bom’, então está bom.”

Gabriel Leone e Carla Salle (Reprodução/ Instagram)

Gabriel, você vai trabalhar com a Carla Salle de novo e agora como um casal. Como foi isso?

“Foi mais uma alegria para a gente e dá a impressão que tem até alguma coisa a ver, porque é nosso segundo trabalho juntos e no mesmo núcleo. Os Dias Eram Assim, ela já estava no projeto antes de mim, eu iria fazer outra coisa e acabei caindo lá também. Neste aqui, eu já estava e ela foi convidada depois, então não foi nada do tipo: ‘Vamos convidar este casal’, foi uma coincidência feliz. Em Os Dias Eram Assim, por mais que fossemos irmãos, não contracenávamos tanto, tiveram momentos que a personagem dela ia para outro núcleo. Agora estamos gravando muito juntos, e, é uma delícia porque nos entendemos muito bem em cena, e está sendo muito gostoso.”

O que você mais admira nela como atriz?

“O que mais me impressiona é a sinceridade que ela tem, um compromisso de sinceridade com ela mesma. No momento que ela está ali fazendo uma cena de emoção, ela realmente está emocionada e aquilo está realmente tocando ela, o que acho muito bonito.”

Vocês gravaram no sertão, que tem uma paisagem muito diferente. Que sentimentos o lugar lhe trouxe?

“Eu adoro o sertão, me sinto muito bem lá. Eu costumava dizer que o tempo que passamos lá agora, ficamos num hotel que cada um tinha seu quarto e fiquei quase dois meses lá, sem voltar para a casa. Eu já tinha rodado um filme naquele lugar em 2014, então, já conhecia, e é um lugar impressionante. Chega a ser mágico, tem uma energia incrível, e o processo que ficamos lá foi de muita solidão de certa forma, às vezes angustiante, mas ao mesmo tempo uma solidão produtiva. Uma série de coisas que mexem com a gente e nos fazem ficar no canto refletindo, não só o trabalho, a carreira, mas a vida também.”

Gabriel Leone como Hermano em Onde Nascem os Fortes (Divulgação/ TV Globo)


Quais as reflexões que seu personagem te trouxe?

“Não sei se o personagem especificamente, digo mais a ambientação, até porque eu gostava muito de correr até o Lajedo e voltar, e você se sente no meio daquela imensidão sem fim. O horizonte é distante, tem uma natureza bruta, uma beleza bucólica do sertão, da terra seca. A reflexão foi mais um processo meu para dentro, de conhecimento como ser humano.”

Como é para você essa troca com o Alexandre Nero e Débora Bloch?

“Sempre admirei muito o trabalho dos dois e estou muito feliz por estar com eles. A cada trabalho que venho fazendo, vivencio situações como essa, de contracenar com atores que admiro, com uma carreira longa, o que para mim é proveitoso, pois existe uma questão de aprendizado por estar em cena com estes artistas. Todas as experiências foram muito bacanas, e todos os dinossauros com que trabalhei, foram muito importantes, e o fato de eu ser mais novo e menos experiente que eles, nunca importou.”

Todos os seus personagens tiveram problemas em seus relacionamentos. Será que algum dia você vai conseguir pegar um personagem que viva um romance tranquilo?

“Se for pensar, todos os romances de ficção são impossíveis, senão não tem conflito. Se o casal se conhece no primeiro capítulo, fica junto e fica tudo bem para sempre, quem é que vai comprar? Os meus são mais pesados, mas quanto mais pesado for, para a gente é mais divertido de fazer, pois nos dar mais matéria prima para trabalhar, como variações de emoção.”

Como é para você compor essas mentes meio complicadas?

“Procuro pensar que elas não são complicadas e sim humanas como todos nós somos. A ideia é sempre humanizar os personagens, para que as pessoas entendam que ninguém é 100% bom, nem 100% mau, nem 100% certo e nem 100% errado. Eu dizia isso muito em Os Dias Eram Assim, pela história dele ficar com a mulher do irmão, me perguntavam sempre como eu reagiria e eu não sabia responder porque tinha vivido aquilo. Se acontecer com qualquer um de nós, precisaremos viver para saber. Não podemos julgar o personagem, e sim, entender que ele é um ser humano. Acho que dessa forma eles ficam mais interessantes que rotular eles como mocinho, mocinha… Esses paradoxos são humanos, todos nós temos e acho que isso só fortalece a identificação com o público.”

Em Os Dias Eram Assim, você estava mais magrinho, agora você está mais forte. Você está malhando?

“Sim. Para Os Dias Eram Assim, eu dei uma secada por causa daquele início, em que ele passava por tortura. Dentro da construção do Hermano, meu atual personagem, entendemos que o corpo dele seria algo visualmente, e até em termos de energia, algo importante. Comecei a malhar, e está sendo muito bom para o personagem. Junto com o cabelo, é mais um ponto da caracterização, de me enxergar diferente.”

E como é a sua rotina de exercícios?

“Estamos gravando muito, o que não me favorece em relação à rotina. Tento fazer o máximo que posso, mas nunca é o ideal. Eu corro e malho, mas musculação é algo que não gosto nem um pouco, preferia assistir a um filme, ler um livro, namorar.”

Além da parte física, houve algum outro tipo de preparação para este personagem?

“Tem a questão do sotaque que dá um trabalhinho principalmente porque existe um ponto do sotaque que é representar cidadãos que falam daquela forma, de um jeito que não fique caricato ou falso. É algo que venho trabalhando desde Velho Chico. Talvez o Nordeste brasileiro seja o lugar com a maior variação de sotaques porque cada lugar, cada estado tem sua musicalidade e vocabulário. Lá acabamos chegando num lugar comum, criamos um sotaque para tentar neutralizar todo mundo até porque era uma cidade fictícia. Teve um filme que fiz ano passado, que passei um tempo em Recife, andando com o pessoal de lá, o que me ajudou bastante, tive uma imersão do sotaque real. Ainda assim, é algo que não podemos esquecer, que é representar pessoas que falam daquele jeito, então, é um exercício voltar a falar assim, já que em Os Dias Eram Assim, eu não tinha sotaque.”

Às vezes você se pega falando em casa com o sotaque?

“Completamente.”

Você fez um vilão em Malhação. Você pensa em fazer um grande vilão em uma dramaturgia adulta?

“Isso que eu estava falando sobre os rótulos. Penso em fazer grandes personagens, sem uma preferência específica. Tanto mocinho quanto vilão vão ter algo um do outro, mesmo que tenha um peso maior para um lado, mas eu não tenho nenhum tipo de preferência.”

Você acha que aquele seu vilão em Malhação foi o start para essa carreira e para essa visibilidade que você está tendo desde então?

“Na televisão talvez, porque foi meu primeiro trabalho, mas eu já fazia teatro sete anos antes, e musicais também. Começamos a ter visibilidade quando fazemos televisão, o que acho triste. Estava vindo para cá e o cara do Uber me perguntou o que eu fazia, falei que era ator, e ele perguntou: ‘Onde você trabalha?’, e eu respondi: ‘Sou ator’, e ele: ‘Mas o que você está fazendo agora?’, e eu disse: ‘Uma série na televisão’, e ele perguntou: ‘Você é o protagonista?’, e eu falei: ‘Não, estou no elenco’. Tudo bem, faz parte.”

Com esse seu novo corte de cabelo, muita gente não está te reconhecendo, não é?

“Inclusive muita gente daqui da Globo,  com qual eu já trabalhei (risos).”

Você é muito reservado. Como você lida com esse boom em cima de você por conta dos seus personagens?

“Eu lido sendo reservado (risos). Tem coisas que não temos como controlar, porque existe a ideia que você é uma pessoa pública, e os outros têm direito de inventar coisas sobre sua vida, e publicar fotos, como já aconteceu com todos nós. Acho triste, mas temos que entender que é assim que funciona, e falo muito para a Carla. Prefiro sorrir ao ver um paparazzi, pelo menos sai uma foto bonita, ao invés de sair uma foto comendo (risos).”

Você tem algo em comum com o seu personagem?

“Eu acho que sempre acaba tendo algo em comum, então, colocamos algo nosso ali, mas tem pontos que não, e que fazem parte dessa composição que é algo específico do personagem. Uma característica marcante do Hermano é que ele é um cara mais seco, sucinto, o que tem a ver com o corpo, cabelo, e o fato dele ser não tão doce, é uma divergência entre a gente, porque sou mais molinho. Não que ele não tenha doçura.”

Você parece bem sério. Como é você fora do trabalho?

“Difícil falar de mim mesmo. Eu sou um cara reservado, estudioso de certa forma, quando estou dentro de um trabalho gosto de imergir, embarcar e ficar dentro daquilo, mas ao mesmo tempo percebo como é importante me dividir entre a dedicação ao trabalho e ter uma vida, minha família, minha namorada, me distrair, e como uma coisa alimenta a outra. É um pouco disso. Acabamos gravando tanto que os momentos livres são para isso.”

Você gosta de redes sociais?

“A rede social que mais uso é o Instagram, tenho Facebook, mas é de uso pessoal com minha família e amigos, já no Instagram é onde tenho uma relação mais aberta com o público. Uma coisa que costumo fazer no Instagram é colocar coisas que acho legais, principalmente coisas artísticas. Gosto mais disso do que de tirar selfie (risos).”

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano

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