“Foi humilhante” diz Emilio Dantas sobre as cenas da prisão de Rubinho em A Força do Querer

Publicado há 4 anos
Por João Paulo Reis
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Emilio Dantas está dividindo a opinião do público com seu personagem, Rubinho, de A Força do Querer. O esforçado garçom na verdade é traficante de drogas, e seu intérprete conversou com nossa reportagem sobre a novela. Confira:

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Em relação ao momento que a família do Rubinho passa, ele acaba obrigando a Bibi a assumir os negócios dele. Como você enxerga isso?

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Eu vejo isso de várias formas. Existe a preocupação dele, e também é um tipo de prova de amor ele deixar os negócios dele nas mãos dela. Toda situação de risco envolve todas as possibilidades, e ali existe uma situação de explosão semelhante à que estamos vivendo em nosso país Uma desorganização para que as coisas mudem depois.

Perguntamos isso para a Juliana Paes também, mas como foi para você pegar os capítulos onde ele conta para a Bibi sobre o envolvimento dele com o tráfico?

Falei “Ih Caraca”! Eu sabia que uma hora isso iria acontecer, mas quando li no roteiro fiquei doido, porque era um final de capítulo, e não tinham mais capítulos e fiquei sem saber o que acontecia depois. Essa é a primeira novela que estou realmente devorando os capítulos como se fosse um livro de cabeceira. Todas as histórias são bacanas e elas estão se entrelaçando.

Como é para você lidar com essa nova fase do personagem?

Para mim está ótimo. A gente fica na fome de alguma coisa acontecer. É um momento de transformação para todo o meu núcleo porque até então ele era o bom moço, marido perfeito. Gravei há alguns dias com os atores que interpretam a quadrilha dele, e ele brincaram “Me dedura pro chefe da quadrilha pra gente ganhar mais cenas”.

Você acha que o Rubinho leva uma vida dupla?

Não existe uma vida dupla, ele tem um segredo em relação ao que estava fazendo, mas ele não é um cara mau. Eu estava louco para acontecer essa cena da revelação dele para a Bibi.

Você disse que ele não é um cara ruim, mas você torce para ele chegar a esse ponto, de agir com violência?

Todo ator gosta de desafios. Tudo o que puder acontecer dentro daquele universo, e de forma crível será melhor para mim, mesmo se ele chegar a matar alguém, inclusive liguei para a Gloria para conversar sobre isso.

Você pediu a ela para que escrevesse uma cena dele matando alguém?

Não! Só pedi a ela que se fosse acontecer para que me avisasse antes para que eu pudesse me preparar, porque até então é um cara de boa, e de repente mata alguém. Eu acredito que nada do que o Rubinho tem feito é justificável. Ele conseguiu um emprego, uma casa, um carro, uma viagem com a Bibi, uma festa de aniversário para ela, e ele continua tentando agradá-la.

Você se surpreende com as desculpas que ele inventa para ela?

Muito. Ele está o tempo inteiro com uma desculpa na ponta da língua, e isso é um dom, eu não conseguiria. Teve a mentira que ele contou para o delegado, mas ali ele soube defender a história muito bem, falando que tinha saído do ônibus. Os núcleos da novela têm tempos diferentes. O núcleo da Ritinha, Jeiza, Zeca vai a todo vapor, acontecem três viradas por semana, já o núcleo do Rubinho, Silvana, Ivana as coisas demoram um tempo maior para acontecer.

A Juliana disse que acompanha os acontecimentos através do livro da Fabiana. Qual seu material de trabalho?

Eu acompanho notícias sobre traficantes, e sobre esse universo. Ultimamente tenho sido aquele tipo de cara que para na banca de jornal e fica olhando todas as notícias mais sanguinolentas. O livro não é tão presente para mim.

Você acredita que dá para amar da forma como o Rubinho ama?

Acho que dá, mas não acho saudável. Não aconselho ninguém a ir por esse caminho que é quase obsessivo. A Aurora (Elizângela) fala que isso é uma doença, e também penso como ela.

O que mudou para você nesta novela por ser uma novela das 21 horas? O assédio aumentou?

A maior mudança é que agora consigo assistir à novela, saio das gravações correndo. Não tenho tido tempo nem de ir até a Globo. Quando vou é para gravar externa, ou quando a gente vai gravar na Tijuca, que é a fachada da casa da Bibi, que é quase do lado da minha casa, ouço as pessoas fazendo alguns comentários. Há quem chame ele de embuste, que é uma palavra que está na moda, outros de pilantra, outros acreditam que ele faz isso porque ama demais.

Como foi lidar com as cenas em que o Rubinho é preso dentro de casa?

Foi pesado. Todos os elementos estavam ali, e foi realmente humilhante. Olhar para o lado e ver uma vizinha, e parece que todos estão olhando para você. A algema também é uma coisa que tira o poder assim como estar dentro de um camburão. Gravamos uma cena em que eu estava dentro do camburão, e o diretor queria me falar algo do lado de fora e eu não conseguia ouvi-lo. Queria bater no vidro para avisar que eu não estava ouvindo mas estava algemado. É uma sensação de impotência muito grande.

Você consegue se liberar do personagem facilmente ao sair de cena?

Sim, sair é fácil. O problema é manter no personagem durante a gravação mas uso música para me ajudar.

Tem alguma música especial?

Para cada personagem meu vou fazendo uma playlist. Na playlist do Rubinho tem Rage Against The Machine, Beast Boys, Luiz Melodia. Não é a letra, mas a sensação que tenho ao ouvir aquela música que me leva a encarnar o personagem. Ator é uma raça de doidos e as pessoas pagam pra gente continuar sendo doidos.

*Entrevista realizada pelo jornalista André Romano.

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