Feliz com o trabalho em Novo Mundo, Jonas Bloch fala sobre a recepção do público

Publicado há 3 anos
Por João Paulo Reis
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Jonas Bloch está vivendo um momento importante em sua carreira. O ator veterano interpreta o personagem Wolfgang na novela Novo Mundo, e revelou em entrevista ao Observatório da Televisão características semelhantes a ele. Jonas contou suas expectativas para o desfecho da novela, e sobre sua relação com a filha, a atriz Débora Bloch. Confira:

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Como está sendo fazer a novela Novo Mundo?

A gente fala muito que o que acontece nos bastidores transparece na cena e é isso o que tem acontecido. Temos uma sintonia muito boa. Pelo que estamos sabemos isso é reconhecido pelo público. Essa novela tem uma característica inovadora porque em geral quando tem aqueles personagens com determinados problemas, em 200 capítulos chega uma hora que fica repetitivo, e esses autores conseguem misturar romance, drama e humor bem equilibrados, e estão sempre colocando novos personagens que mexem naquele universo, e isso cria um interesse maior que aquelas novelas tradicionais que o mesmo problema do começo se mantem a novela inteira. Acho isso muito importante, porque nunca fica a mesma coisa.

Seu personagem, o Wolfgang é apaixonado pela Diara. Como você trabalhou isso?

Tento fazer isso progressivamente, porque se ele começa a entregar o jogo logo de começo fica chato. Ele é um europeu que tem um nível de compreensão humana diferenciado de um latino. Ele pode entender que uma pessoa venha a se apaixonar, aí ele fica na duvida se aquilo é verdadeiro ou não. Às vezes as pessoas tentam sublinhar muito uma interpretação mas o público não é bobo e percebe isso. A situação leva o público a projetar em você, o que ele está sentindo. E a resposta que estou sentindo é muito positiva.

Como é a abordagem nas ruas?

As senhoras adoram, é uma coisa impressionante porque elas fazem questão de vir e conversar. Esse casal tem uma importância social muito grande, porque fica evidente o afeto entre eles, o que derruba dois preconceitos: o de que não pode existir a relação amorosa entre uma pessoa com uma cor de pele diferente, e também a diferença de idade, preconceitos que podem ser derrubados. Em geral existe uma coisa contra o homem nesse aspecto, que é chamado de tarado quando se apaixona por uma menina mais jovem. Eu tenho vivência pessoal nisso, minha mulher tem 25 a menos que eu.

E vocês sentiram algum tipo de preconceito quando começaram a ficar juntos?

Eu estava com ela em Portugal e fomos ao correio. Como estávamos com pressa, fui até a fila pedir pela minha prioridade e o atendente me deu um sorriso irônico. Voltei para a fila normal achando que não existia prioridade para idosos lá, e quando cheguei até a atendente, dessa vez uma mulher, eu percebi que existia sim prioridade, e questionei o rapaz anterior não ter me atendido, e a moça perguntou apontando para minha mulher: “O senhor namoras ela”? Respondi que sim e ela disse “Se tu aguentas ela, tu podes aguentar a fila. Quando voltares aqui de bengalinha e sem ela, eu te atendo primeiro”. Então tem esse tipo de coisa.

Como é a sua parceria com a Júlia Lemmertz?

Isso é uma coisa interessante. Eu já fui irmão da mãe dela no Hamlet. Então estamos repetindo uma história.

Como é reencontrar essa atriz que você conheceu novinha?

Ela é uma atriz especial, e chegou chegando. Tem um lado emocionante de contracenar com ela, afinal de contas ela tem uma história que eu vivi também. A mãe dela era uma atriz excepcional e ela está indo pelo mesmo caminho.

Sobre essa tua vitalidade. Você está com 78 anos…

Não espalha isso senão perco papéis (risos). As pessoas passam a te olhar de outro jeito. O segredo é todo dia de manhã tomar bastante guaraná em pó (risos). Eu fiz exercícios físicos minha vida toda, e faço o que gosto, acho que isso rejuvenesce. Sou formado em artes plásticas, então nunca paro de fazer arte, e cuido da alimentação. Ah, uma mulher jovem também ajuda a beça (risos).

Mas essa genética é muito boa, porque Débora Bloch está uma menina ainda.

Para mim ela é uma menina, ainda aperto as bochechas, e ela diz “Para pai”. Ela caminha às vezes e eu digo “o mesmo andar de menininha”. Tenho uma relação com ela que às vezes somos amigos, outras vezes colegas de trabalho. Já com as minhas netas, a mais nova, de 5 anos, faz de mim o que quer (risos).

Como você buscou referências para criar o Wolfgang?

Eu não conheci meu pai mas ele era austríaco, conheci apenas minha avó e venho de uma família judaica, então todas essas pessoas que eu conheci eu tentei lembrar do sotaque, mas tive que tomar cuidado para não cair no humor. Tentei usar um limite de sotaque para que as pessoas entendessem, mas com três elementos você consegue passar a ideia. Grande parte do trabalho do ator vem desse estudo, mas boa parte vem da intuição e da vivência que te dá muitas informações. Tive a sorte de cair nessa novela que tem um… Eu fico emocionado, desculpe. Tem uma equipe de primeiríssima, diretores, produção.

O que você acha dos atores jovens de Novo Mundo?

Muito especiais. O elenco é muito bem escolhido. Aqui a gente conseguiu uma coisa que acho muito linda. As pessoas confundiam muito ser desinibido com ser bom ator, então teve uma época que o pessoal falava rapidinho o texto com uma desenvoltura que as pessoas achavam bonito, aqui existe uma densidade, atores jovens fazendo trabalhos com carga humana. Essa é a diferença, então é uma qualidade que admiro nesse trabalho, e isso vem muito dos diretores e do conceito criado por eles.

Das características do Wolfgang, qual mais se parece com você?

Ideologicamente ele tem as mesmas coisas que eu tenho. Eu sou contra preconceitos, a compressão que o ser humano passa por ambiguidades. Grande parte dos problemas que temos é porque seguimos padrões de comportamento e moda, quando na verdade nossa individualidade não é representada nisso. Existem muitas pessoas com esse conflito, que não são representadas no padrão que recebem da sociedade. Absorvemos muitas coisas erradas consideradas como bom comportamento.

Como você enxerga o politicamente correto?

Tem uma coisa que por trás de determinado humor, se mantém vivo em banho maria um preconceito. O humor antigo se baseava muito nisso, o gay era ridicularizado quando não deveria ser, tudo era ridicularizado, sendo que acho que a única coisa que deveria continuar sendo ridicularizada é a classe política e que precisa ser criticada. É um nojo o que estamos vivendo. Temos que tomar cuidado para não desenvolvermos preconceitos. Na internet hoje em dia por exemplo, por qualquer coisinha, as pessoas estão descarregando ódio, e agredindo o outro. Chegamos ao ponto de uma pessoa matar a outra porque torce para o time adversário, porque se acha nesse direito. Muda-se este comportamento pela cultura, porque por ela as pessoas passam a pensar, e desenvolvem possibilidades, e lamentavelmente a cultura é vista como coisa de segunda categoria, mas quem vê isso é a classe politica que é inculta.

Tem mais artistas em sua família?

Tive um primo que foi autor de teatro, o autor de Dona Xepa, o Pedro Bloch, o irmão dele tocava violino, mas acho que iniciei um clã de arte. A minha neta, filha da Debora, se formou em cinema e ganhou prêmio pelo seu curta metragem.

*Entrevista realizada pelo jornalista André Romano.

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