Feliz com o crescimento de Narciso em Segundo Sol, Osmar Silveira diz: “Está sendo um grande presente”

Publicado há 2 anos
Por Greicehelen Santana
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Osmar Silveira está contente com o crescimento do seu personagem, Narciso, em Segundo Sol – atual novela das 21h da Globo. Nos próximos capítulos da trama de João Emanuel Carneiro, o traficante de drogas apresentará sua família aos telespectadores, formada pelo pai Juarez (Tuca Andrada), a mãe Fátima (Ingra Lyberato) e a irmã de 18 anos Berta (Raíssa Xavier).

Nada convencional, a família é barra pesada e mantém um forte comércio de venda de drogas. Em conversa com o Observatório da Televisão, Osmar contou como será o desenrolar dos seus parentes na novela, que irão sequestrar Manuela (Luisa Arraes) e exigir um resgaste no valor de R$ 1 milhão.

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“Se não tivesse a coisa das drogas seria uma família extremamente normal e que ninguém perceberia”, afirma. Natural do Mato Grosso, o ator também falou sobre sua chegada ao Rio de Janeiro e os perrengues que passou para poder se sustentar na cidade maravilhosa. Confira cada detalhe da entrevista a seguir:

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Crescimento do personagem

Como está sendo viver o Narciso? Você esperava esse crescimento do personagem?

Está sendo um grande presente para mim. Claro que no início eu estava cheio de expectativas. A gente não podia falar muitas coisas, até porque muitas coisas não sabíamos que iam acontecer. Muitas coisas foram acontecendo de acordo com que fomos recebendo os capítulos. Recebemos seis capítulos por semana, então não temos uma previsão muito longo do que vai acontecer na novela.

Mas existia uma expectativa e esperança, óbvio, de quem estava começando a fazer um grande trabalho de que o personagem acontecesse. E aconteceu. Está sendo um grande presente. Eu preciso agradecer ao João Emanuel, a Rede Globo e ao Dennis Carvalho por essa oportunidade que me foi dada. Sempre sonhei com essa oportunidade e estou muito feliz por estar fazendo esse personagem, e por ele está tendo tanto destaque na mídia.

Assédio

Como está sendo o assédio do público?

Uma loucura isso (risos). Mas é gostoso poder experimentar um pouquinho disso. Eu acho que sempre sonhei, desde muito pequeno. Outro dia, falei que quando pequeno eu assistia as novelas e me via no lugar daqueles atores. E como seria interpretar aqueles personagens, vivenciar aquela experiência de ser ator, de ser conhecido e tudo mais.

E hoje, eu vou nos lugares, nos supermercados, e a caixa do supermercado fala comigo. Recebo diversas mensagens no Instagram e no Facebook. Na rua, o menininho que vende bala fala: ‘Tio, você é o cara da novela’. Você vai gravar e um monte de criancinha fala: ‘tio, eu te assisto’. Todo mundo, todos os públicos e de todas as idades.

E apesar dele ser um personagem meio torto, ele não é um personagem mal visto. Ele tem um carisma que acaba conquistando as pessoas. Eu estou tendo um feedback muito legal das pessoas. Está sendo muito bacana receber isso.

Novos trabalhos

A novela já está te rendendo novos trabalhos?

Por enquanto, eu estou fazendo só a novela. Mas existem convites, especulações, propostas, pessoas querendo fazer parcerias. Eu acho que você começa a ser visto e acaba virando uma vitrine, um espelho. Enfim, todo mundo quer fazer parte disso com você, associar a sua imagem ao produto de alguma forma. Mas ainda é muito embrionário, não tem nada acontecendo de fato. Está tudo começando a acontecer. Eu acho que é tudo no seu tempo.

Osmar Silveira fala do amor de Narciso e Manuela

O Narciso está mesmo gostando da Manuela?

O menino Narciso está apaixonadíssimo. Ele gosta muito da Manuela. Acho que vocês já puderam ver nos capítulos que ele faz tudo por ela. Inclusive, cede algumas vontades que ela tem de saciar a vontade da droga e tudo mais. A gente está na expectativa do que vai acontecer. Tem muita coisa acontecendo. Vai entrar a família dele essa semana na trama. Era uma especulação de todo mundo se ele era filho de Laureta (Adriana Esteves), de quem ele era filho e qual era o segredo do Narciso.

No finalzinho da semana vocês vão começar a acompanhar um pouquinho mais dessa trama. Que era uma trama que não tinha a princípio na novela, que foi acontecendo e foi uma grande surpresa para a gente. Então vocês vão conhecer a mãe, o pai e a irmã do Narciso. Vão ver que ele não é filho de chocadeira, que ele tem uma família. Vão poder acompanhar de onde esse garoto veio, como surgiu, de onde vem essa coisa de vender droga.

Disputa por Manuela com Acácio

O Narciso é usuário dessas drogas ou só vende?

Ele já foi, mas não usa mais.

O Acácio (Dan Ferreira) também é um rapaz apaixonado pela Manu. Como vai ser a disputa pelo coração da moça?

Existe esse questionamento do público. A gente vê muito isso no Twitter: ‘Tem que ficar com o Acácio’ ou ‘Tem que ficar com o Narciso’. Essa coisa de shippar. A princípio a gente não tem esse desenrolar. Não sei responder exatamente o que vai acontecer porque não temos ainda a história dessa disputa de com quem ela vai ficar.

Mas com quem você gostaria que ela ficasse?

Eu torço para que ele fique com a Manu, porque acho que é verdadeiro o que ele sente. Acho que sentimentos verdadeiros precisam ser respeitados e se puderam ser correspondidos é melhor ainda.

Relação de Narciso com a família

Como você analisa a relação do Narciso com a família?

Primeiro, ele respeita muito o pai. Ele é temente ao pai, que é um homem que, de certa forma, exerce um poder na família. Eles se gostam muito, não é uma família problemática em sentido sentimental. É uma família diferente das outras. Uma família normal, mas que tem os seus segredos, como toda família tem. Os deles, talvez, sejam uns pouco mais criminosos e difíceis.

Se não tivesse a coisa das drogas seria uma família extremamente normal e que ninguém perceberia. Tanto é que ninguém percebe, eles fazem por debaixo dos panos. Os vizinhos e as outras pessoas não percebem.  Então, eles têm um relacionamento de família mesmo, de amor, afeto, carinho e respeito.

Ele vai enfrentar o pai para defender a Manuela?

Em algum momento, ele enfrenta os pais pelo o amor que sente.

Família de Narciso

O núcleo do Narciso foi uma completa surpresa ou você já está ciente de que o personagem teria um desenrolar na trama?

A gente soube um pouco antes, não foi de surpresa. Avisaram que o personagem ia ter uma família, um pai, uma mãe. Não sabíamos quem era porque ainda não tinha a escalação. Sabíamos que iam aumentar as cenas e tudo mais. Aí foram noites sem dormir até chegar os capítulos (risos).

Como está sendo contracenar com o elenco que forma a família do Narciso?

Está sendo um grande presente trabalhar com Ingra, Tuca e Raíssa. São pessoas incríveis. Para mim está sendo um grande aprendizado fazer essa novela porque é a minha primeira grande novela. Eu já fiz outras duas, mas está sendo uma grande escola. Sempre vejo como um grande exercício e poder aprender cada vez mais é extremamente importante.

Estar contracenando com pessoas que já trabalharam e estão no mercado fazendo vários produtos, para mim, é extremamente importante enquanto ator, artista e iniciante. Foi uma grata surpresa quando eu soube que o personagem ia crescer e ia ter uma família.

Complexidade do personagem

Faz muito tempo que você soube da história do personagem?

Tem um tempinho já. Começamos a gravar essa sequência na semana passada, mas acho que tem uns dois meses que estou sabendo que a gente ia ter família. Até porque tem que ter um tempo hábil para preparar cenário, construção de tudo. Então eu acho que quando as pessoas sabem dessas informações para poder construir essas coisas, nós sabemos também.

A princípio o Narciso não era um personagem complexo?

Ele era um personagem meio que avulso na história. Era um traficante, teria um envolvimento com a Manu e com a Rochelle (Giovanna Lancellotti), mas não era um personagem que tinha um enredo muito forte.

Nos momentos em que ele dá droga para Manuela, o Narciso também utiliza?

Já foram para o ar cenas de viagens dos dois e tudo mais. Eventualmente, ele acaba fazendo. Não é usuário e viciado como ela. Mas, em um evento ou outro, para ficar com um brilho melhor e mais contente junto com ela, ele acaba usando.

Narciso se posiciona contra a família para defender Manuela

Durante o sequestro, o Juarez vai tentar matar a Manuela. Nesse momento, qual será a reação do Narciso?

Estamos gravando isso ainda, na verdade. O Narciso vai criar um embate forte com o pai, porque o pai tem uma personalidade muito forte, é muito duro. E ele veio de uma educação da pancada. Então ele vai criar o embate para defender a Manu de qualquer forma e circunstância.

O seu carisma pode ter contribuído para o crescimento do personagem?

Eu não sei nem dizer. Eu só tenho gratidão. Não me preocupo muito com o que eu estou fazendo ali vai repercutir. Eu tento dar o meu melhor naquele momento que estou fazendo. O que vem depois é resultado o que eu fiz, do que eu entreguei.

Esse crescimento do personagem, esse presente de ter uma família, do personagem ter de fato uma história dentro da novela, é resultado do que a gente fez.  Eu estou colhendo o que entreguei naquele momento, sem pensar, só com o meu coração e minha emoção dentro do estúdio.

Carreira

Há quanto tempo você está na carreira de ator?

Eu estou há 20 anos, na verdade. Comecei com oito lá no Mato Grosso ainda, e eu estou no Rio há seis.

Você sente que demorou para ter um trabalho grande como o que está fazendo em Segundo Sol?

Eu acho que tudo tem o seu tempo. Ele chegou no momento certo. Enquanto pessoa física, ser humano, homem, eu estava mais preparado e maduro para receber um personagem com uma carga dramática dessa, um personagem de força, uma novela que tem um público tão grande. É uma responsabilidade maior, você se sente mais cobrado de alguma forma. Eu já me cobro muito porque gosto de fazer o meu melhor.

Às vezes, me frustro muito porque nem sempre o resultado que a gente tem é o que a gente espera e consegue, mas é o que a gente consegue e deu de melhor na hora.

Você passou por muitos perrengues?

Passei alguns. Não perrengues muito grandes, mas passei algumas dificuldades. Às vezes ter de vender algumas coisas para pagar o meu aluguel, por exemplo. Isso já no Rio para poder me manter porque não queria voltar para casa. Eu vendia o que tinha de valor. Era computador, TV, coisas que pudessem ter um valor maior para eu poder pagar as minhas despensas mensais.

Outras atividades

Você chegou a exercer outras atividades?

Não. Eu sempre tentei viver da arte. Acho que algumas vezes eu sobrevivi da arte. Hoje eu vivo dela com muito orgulho. Eu olho para traz, vejo meus passos e falo: ‘Caramba, olha onde eu cheguei. Que legal! ’. Sinto muito orgulho da minha trajetória enquanto artista.

Você foi stand-in do Emílio Dantas no musical Cazuza, e ele interpretando o Beto Falcão na novela. Vocês já contracenaram juntos?

A gente ainda não se encontrou. Eu não sei se a gente vai se encontrar na trama. Mas a gente se encontrou na vida de novo e foi muito legal. Em um outro momento de vida e de carreira, acho que os dois mais maduros. E foi muito legal poder encontrar ele de novo nesse momento. Ele sempre foi um grande espelho para mim, desde quando eu fazia Cazuza.

Acho ele um grande ator, um grande cantor. Eu me espelhava muito no Cazuza dele para fazer o meu. E eu tive que fazer muito porque ele acabou tendo um problema. Admiro muito ele pela generosidade, caráter e pela pessoa que ele é. Poder encontrar ele nesse trabalho foi um grande presente.

Assédio do público

As cantadas nas ruas aumentaram? Atrapalham ou ajudam?

Tem muitas, claro. Aumenta tudo, eu acho. Acho que nem atrapalha e nem ajuda, é uma coisa paralela. É um lado mais pessoal. Claro que, às vezes, algumas cantadas e falas que me mandam são um pouco mais inconveniente. Obrigo a falar alguma coisa, a me posicionar de alguma forma. Mas algumas outras não me importo. Quando mais você está exposto é mais natural que isso aconteça. Você acaba virando uma pessoa pública e todo mundo quer falar, quer ter acesso. Ainda mais quando você está dentro da casa das pessoas todos os dias, as pessoas se sentem um pouco donas de você.

Você já parou para pensar que pode estar sendo hoje um espelho para muitos garotos?

Assim como recebo mensagens um pouco mais de conotações sexuais, às vezes eu recebo esse tipo de mensagem de pessoas dizendo que se espelham muito em mim, que gostam e admiram muito o meu trabalho. Principalmente, pessoas da minha cidade que é bem pequenininha, tem 30 mil habitantes, no interior do Mato Grosso. Pessoas que falam para os seus filhos: ‘aquele menino lutou, batalhou pelo sonho dele. Hoje ele está lá. Então lute e não desista dos seus sonhos. Se você quer alguma coisa, lute por isso porque você vai conseguir e vai ter’.

Vira e mexe algumas pessoas me mandam esse tipo de depoimento e me toca muito. É uma responsabilidade grande e por isso eu luto tanto por esse sonho. Eu digo que não é um sonho só meu, é um sonho da minha família, da minha cidade, dos meus amigos. É um sonho que todo mundo me ajuda a sonhar todos os dias, diariamente. É um sonho que eu vou lutar por todos os dias da minha vida para continuar.

Sucesso

Como os seus pais estão acompanhando o seu sucesso?

Eu não tenho mais o meu pai. Ele faleceu há três anos. A minha mãe é extremamente orgulhosa. As revistas que eu mando para ela estão todas rasgadas de tanto que ela foleia para mostrar aos vizinhos, para todo mundo. E a minha mãe ainda está morando numa cidade do interior de Mato Grosso que não é a que eu cresci, que tem 2 mil habitantes.

Então assim, todo mundo conhece a minha mãe, é a mãe do ator da novela, todo mundo quer saber o que está acontecendo e como é. Ela esteve aqui recente no Rio para comemorarmos os meus 30 anos e foi muito legal. Ela voltou para casa com todo mundo babando, virou celebridade (risos). Já eu não voltei a Mato Grosso depois que comecei a novela.

Irmãos

Você tem irmãos? Como é a relação?

Tenho dois irmãos mais velhos. Inclusive, o nosso relacionamento mudou muito depois disso.  Acho que no começo eles não acreditavam muito nessa carreira, porque eu comecei muito cedo também. Ainda mais no interior do Mato Grosso que não tinha uma cena cultural tão forte. Com 10 anos de idade eu entrei num projeto pela Lei Rouanet, comecei a ganhar uns R$ 600, R$ 700, que na época era quase dois salários mínimos.

Acho que era mais do que os meus irmãos ganhavam trabalhando. Então ali eles começaram a falar: ‘isso pode dar um futuro para esse menino’. Aí eles começaram a incentivar, incentivar e depois que as coisas foram acontecendo fomos nos aproximando. A gente também foi ficando mais maduro. Eu deixei de ser criança, passei para a fase adulta. Aí a gente pôde linkar melhor os pensamentos. Eles têm uma diferença um pouco maior de idade do que eu.

Experiência no Rio de Janeiro

Por que você foi morar no Rio de Janeiro?

A minha história no Rio é muito engraçada. Eu vim para ficar seis meses, com uma grana super contadinha. Eu falei que ia fazer curso, oficina e se acontecesse alguma coisa ficava porque, pelo menos, não ia voltar com uma frustração de que não tinha tentado a carreira no Rio de Janeiro.

Quando cheguei aqui, na primeira semana, eu vi que estava tendo inscrição para um musical. Aí eu fiz a inscrição, me chamaram, eu fiz o teste e passei. Foi o Enlace, um espetáculo que fiz antes do Cazuza. Era com Claudia Ohana, Camila Camargo. A gente fez esse espetáculo durante três meses. Aí já melhorou a minha renda porque eu ainda tinha um restinho que tinha trago do Mato Grosso mais o salário do musical. Depois de três meses, eu fiz teste para o Cazuza e entrei, e foi o meu grande divisor de águas na carreira.

Opinião pessoal sobre o personagem

Como você enxerga caras como o Narciso?

Acho que é difícil julgar porque a gente não sabe da história de cada um. A gente não sabe quais foram as consequências que colocaram aquelas pessoas naqueles lugares. Todo mundo tem uma história por trás de tudo. Assim como, sei lá, o pai obrigou. O Narciso eu acho que tem um pouco disso também. Não parte exatamente dele essa coisa da droga. Eu acho que tem o pai por trás, que tem uma educação um pouco mais severa, que precisou entrar nisso também porque precisava alimentar a família, colocar comida dentro de casa e dar sustentação.

Então, eu acho que a família meio que se organizou para isso para que ninguém passasse fome. Acho que é até uma coisa de sobrevivência. Errado? É errado! Mas é difícil julgar porque não sabemos o contexto da história daquela pessoa. É natural a gente ver em qualquer lugar esse tipo de coisa. Interpretando esse personagem, eu me sinto no dever de quase defender um pouco essas pessoas porque não conhecemos o contexto. Gostaria até de ouvir um pouco mais essas histórias para poder me posicionar melhor.

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano

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