Fabiula Nascimento comenta relação entre Cacau e Ícaro e afirma que existe amor: “Só estão desconectados”

Publicado há 3 anos
Por André Romano
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Fabiula Nascimento é Cacau em Segundo Sol. De forte personalidade, e dona de um restaurante que configura a realização do seu sonho, é uma mulher dividida entre o amor de Edgar (Caco Ciocler) e Roberval (Fabrício Boliveira). Em conversa com o Observatório da Televisão, a atriz contou que interpreta a personagem sem julgá-la.

Fabiula contou ainda sobre a relação de Cacau, com o sobrinho Ícaro (Chay Suede), e sua parceria em cena com Emilio Dantas, seu namorado na vida real. Segundo a atriz, não existe a menor possibilidade de seus personagens se envolverem amorosamente. Confira o bate papo completo:

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Como está sendo o carinho do público em relação a personagem?

“Está maravilhoso! O público já aceitou super bem a novela, desde o começou. Está todo mundo muito ligado na história e os personagens são muito carismáticos. A gente fala de vinganças, mas é uma novela solar. Não é uma coisa tão radical. Acho que a gente fala mais de juntar os pedaços do que de espatifar as coisas. Isso é uma coisa bonita e que agrada rapidamente. Eu só tenho escutado elogios e brincadeiras a respeito do caráter do Roberval (Fabrício Boliveira).”

Fabiula Nascimento fala sobre o sentimento de Cacau por Roberval

Ela acredita que ele quer se vingar?

“Eu acho que ela desconfia, porque é uma mulher muito vivida, não é uma menina. É uma mulher de quase 40 anos, que passou por vários percalços na vida, então é uma pessoa escaldada. Eu acho que ela até desconfia, mas acredita no amor dele, porque eles tiveram uma história muito forte no passado. Ele era completamente apaixonado por ela e ela tem alguma culpa de ter causado alguma coisa a ele no passado. Mas, as coisas estão diferentes.”

A Cacau é guerreira, né?

“Eu acho que Cacau tinha tudo para dar certo. Ela é muito coerente com o pensamento dela. É uma mulher livre, dona do seu corpo e do seu pensamento, teve caso com os caras que queria. A história dos sobrinhos, aquela foi a melhor maneira que ela encontrou. A irmã fugiu. As coisas foram saindo do trilho. Porque, para ela, a irmã ia ficar 25 anos presa, as crianças iam ficar a vida inteira naquela casa, ninguém ia saber do caso dela e as coisas iam seguir. Só que a vida não é assim, né? Na vida, logo depois de uma curva, já tem uma ponte, uma pedra…e deu o que aconteceu.

 

E os meninos, querendo ou não, deram certo. Eles são problemáticos como qualquer jovem, que começa a dar trabalho, ter questões. Ela se deu super bem. Ela saiu de Boiporã dizendo que iria ter um restaurante em Salvador e conseguiu. Foram anos trabalhando. Logo que ela saiu da casa, ela já era conhecida como Cacau do Abará. Então, ela é uma mulher que não desistiu das suas coisas. Ela não desiste fácil, fica ligada. É dona do juízo dela. É uma personagem que é muito coerente.

Cacau e Ícaro

E essa relação complicada com o sobrinho?

Eles se amam! Só estão desconectados. Daqui a pouco, por algum motivo, eles vão se conectar. Você acha que eles viveram 18 anos em pé de guerra? É lógico que não. É agora que o negócio está desencontrado. E eles se amam pra caramba, são parceiros. Mas, a vida o levou para outro lugar, ele está todo errado: faz programa e namora uma menina que também faz programa. Ele está fazendo meninice. Com a Manu, elas são distantes, não conviveram. E eu não forcei a barra. Deixei no tempo dela. E eu acho que é assim que é. E vamos respeitar.”

Teve um julgamento em relação a personagem?

“Sem julgamento total, não dá para julgar, cada cabeça é uma sentença. Tem coisas que você não faria, mas se você fizesse como seria, né? Se você abrisse esse espaço.”

E esse sotaque baiano?

“Gosto muito. Adoro essa brincadeira da musicalidade do sotaque baiano e dos sotaques brasileiros. Tem tanto Brasil dentro do Brasil, né? E é legal mostrar. É uma dedicação também, porque os textos vêm de uma maneira, para você transformar no baianês. A construção da frase é outra. Então, o trabalho é dobrado, mas para quem gosta de trabalhar, é um prato cheio.”

Relação com Emilio Dantas em cena

Como está sendo participar de uma novela com o Emílio, seu companheiro?

“Isso é muito bacana. A gente faz poucas cenas juntos mas, querendo ou não, vamos acabar nos cruzando, porque ela é cunhada dele, né? E eu sou a única família de Luzia (Giovanna Antonelli). Então, com certeza, ainda vamos contracenar.

Discutem em casa?

Imagina! Estamos no mesmo trabalho! Conversamos sempre sobre a novela, sobre o nosso trabalho. Estamos juntos. Somos parceiraços!”

Tem alguma chance entre a Cacau e Beto Falcão?

“Não tem a menor condição!!! É muito homem na minha vida. Já está bom com os dois.”

Qual a importância da cenografia em sua composição?

“A cenografia dessa novela é fantástica! Porque a casa de Cacau é super simples. O restaurante é o sonho realizado, ele é o filho dela. É onde eu cheguei, é o meu lugar no mundo, é onde eu domino e entendo. Então, o restaurante compôs muito com o pensamento dela. Tudo dela está ali! A alma dela está ali mesmo.”

A expressão baiana no dia a dia foi algo que pesou?

“Eu já falava algumas. Eu tenho muitos amigos do peito que são baianos e sempre que estou com eles, acaba saindo uma expressão ou outra. O “massa” é uma expressão que a gente também usava em Curitiba, de onde eu venho. Mas, com a novela, eu e Emílio (Dantas, marido), ficamos direto em casa, falando meio baianês um com o outro e até com os cachorros. É divertido, a gente curte. E até para deixar quente, né? É legal, é bem gostoso colocar no dia a dia.”

Tem alguma especialidade na cozinha baiana?

“Não. Eu sou da cozinha. Mas, comida baiana não faço muito. Por exemplo, eu e Emílio somos alérgicos, não comemos. E a maioria dos pratos baianos leva camarão. Então, o que a gente faz é moqueca de peixe, de banana. Mas, não faço comida baiana em casa.”

Visual de Cacau

Está curtindo esse visual?

“Estou curtindo muito. Na realidade, esse é o mais natural do meu cabelo. E eu estou adorando. É mais prático. Eu gosto muito de cabelo cacheado.”

As mulheres estão assumindo os cachos, né?

“Eu acho que as pessoas assumiram os cachos por conta do movimento que vem rolando, do empoderamento feminino, de você ser quem é, mostrar as suas celulites. De parar com as pessoas julgando se você é bonita ou não. Isso tem que acabar. Não existe padrão de beleza. Que coisa cafona! Existe beleza, sem padrão. E acho que, cada vez mais que a gente se vir representada, melhor para todas. Eu quero me ver representada em uma novela e quero poder representar as pessoas.”

A sua personagem é retrato do empoderamento feminino, né?

“Eu acho! Ela tinha os seus desejos, de ser dona do corpo e das paixões. Ela não quis ter um filho, se dedicou a sua carreira e não se arrepende disso em nenhum momento. Eu acho que, principalmente hoje, em que a gente fala dessa coisa do feminismo, que hoje em dia está mais acesa, e ainda tem muita confusão sobre isso. Todo dia, eu tenho que explicar para alguém que feminismo não é o contrário de machismo, que tem várias vertentes: as mais radicais e as menos radicais.

Eu acho que a sociedade é enraizada de forma machista. Eu vejo muito isso em Cacau. Mesmo que ela tenha um comportamento feminista, às vezes, rola um preconceito machista. Mas, é porque isso está muito enraizado nela. Não é dissolvido do dia para a noite. Mas, acho que a gente tem que pensar cada vez mais nisso. Em dizer que feminismo é você querer uma sociedade igualitária, que todo mundo receba o mesmo, se faz o mesmo trabalho. E, para mim, o feminismo sempre me parte da violência contra a mulher. Esse, para mim, é o ponto de partida.”

Representatividade

Como é representar essas mulheres?

“Acho muito legal, mas espero sinceramente que as coisas mudem. Não dá mais só para representar essa mulher. Ela tem que estar na sociedade, nos representando. Mas isso é uma luta diária. Eu amo! Quando recebi a sinopse dessa personagem, fiquei muito feliz, porque é uma mulher real. Me interessa.”

O Caco Ciocler elogiou você para a gente. Falou que você o ajudou bastante na composição do personagem. Você sempre foi assim, amiga dos colegas de trabalho?

“Eu só sei trabalhar assim. A profissão da gente tem que ser recheada de generosidade, de troca. Acho que, se você tem uma dica, que pode passar adiante para ajudar um companheiro seu, não tem nem que pensar duas vezes. Eu só trabalho dessa forma. E tenho parceiros geniais nesse trabalho, pessoas que têm uma experiência muito grande, de cinema e de teatro. Principalmente de teatro, porque você está ali, sempre precisando do companheiro. Ninguém faz nada sozinho. E na arte, ainda mais. Mesmo um cara, pintando um quadro sozinho, ele tem uma musa inspiradora ou uma inspiração para joga ali. Não é do nada. Mas, eu tenho bons colegas e estou no céu com eles.”

Vida pessoal

Como é em casa com o Emílio?

“Nós dividimos tarefas. Ele não me ajuda, ele divide tarefas. Estou elogiando ele! É muito mais legal. Ele não me ajuda, é parceiro. É incrível.”

Você é criteriosa e autocrítica com você mesma?

“Eu sou mais criteriosa com a entrega, quero entregar um bom trabalho. No que isso vai reverberar, não depende mais de mim. Porque o trabalho de cinema passa por edição e cortes, então, eu tenho que entregar o meu melhor. A gente não fica contando com resultado, porque a gente nunca sabe. No teatro, é mais imediatista. Do começo ao fim, você tem o público na mão ou não. Então, eu me preocupo em entregar. O resto, aguardo o que vem.”

Chegou onde sempre sonhou?

“Cheguei onde sempre sonhei quando comecei a pagar as minhas contas com o meu trabalho. Eu tenho 22 anos de carreira e já faço isso há pelo menos 20. Eu acho que o sucesso na profissão é quando você vive bem dela, paga as suas contas e vive a sua vida. A televisão chegou na minha vida tem nove anos. É claro que é muito legal trabalhar em uma emissora como essa, é muito incrível. Mas, o meu trabalho todo eu continuo fazendo. Faço teatro, estou com quatro filmes para lançar, sempre estou plantando na minha carreira, independente do veículo. Estou muito feliz. Se eu pudesse levar a minha vida como ela está até o fim da vida, seria perfeito. Eu tenho tempo de fazer o que eu gosto e ainda tenho tempo de trabalhar.”

Cuidados com o corpo

E esse shape? Você está treinando muito?

“Não! É que vocês acham que as coisas acontecem da noite para o dia. E não é. É porque as pessoas estão há um ano e meio sem me ver na televisão. Eu fiquei um ano e meio de férias. Nesse tempo, deu para fazer tudo o que eu quis: viajei, filmei, fiquei em casa, tive o meu cachorro, fiz obra, fiz não sei o que, cuidei dali…fiz exercício…ah, que legal fazer exercício. Fui experimentando coisas e descobri com o Jung Igarashi, que é um cara que tem um método maravilhoso de treino.

Só que ele é na Zona Sul. Mas, nas férias, dá. Aí, a ansiedade diminui, minha tireoide baixou, diminuí a dosagem do remédio. São coisas que você tira para a vida. E as coisas vão entrando nos eixos. As pessoas estavam acostumadas a me ver emendando trabalhos e assim, não dá mesmo para mudar de corpo, a não ser que eu tome remédios e isso eu não faço.”Cuidados com o corpo

A mudança requer tempo, né?

“Estou me exercitando todos os dias, mas é por uma preferência minha. Acordo as sete da manhã, para fazer os meus exercícios. Treino e venho trabalhar. Preciso trabalhar, gastar a minha energia. Tudo se encaixa. Mas, eu acho que tempo é uma questão de preferência total. Você dá o seu tempo para o que te faz bem.

Musculação ou dieta?

Não! Eu faço um trabalho de levantamento de peso, mas não é musculação. Dieta eu não faço. É mudança mesmo, queda de ansiedade, tudo muda. E é um exercício que te acelera o metabolismo, que eu nunca tinha feito. Eu faço de tudo na vida: corro, faço yoga, ando de patins. Eu nunca paro, porque preciso me movimentar. E o meu endocrinologista disse para eu fazer um exercício de força, mas nunca gostei de musculação. Não consigo ficar em academia. Aí, eu fui no Jung, porque estava de férias e é realmente isso. Foi fantástico!”

Cuidados com a pele

E os cuidados com a pele?

“Eu tenho uma dermatologista maravilhosa desde Joia Rara. É uma mulher que me cuida de dentro para fora. E a gente sempre faz as coisas muito básicas. Todo ano, quando volta das férias, faz um laser para tirar manchas. Ela salvou a pele de muita gente. Mas isso não precisa fazer todo ano: faz de dois em dois anos. Eu não tomo sol no rosto, tomo muita água, me alimento bem. Cremes, eu só uso uma coisinha para o rosto, mas não é todo dia, porque eu esqueço. Não sou dessa galera. Já passo óleo no banho para não precisar passar creme nunca no corpo. E eu acho que inventam muita coisa para ganhar dinheiro. E eu não dou o meu dinheiro para essas coisas, meu dinheiro é muito suado.”

Outros cuidados

Come de tudo?

“Sim, mas como uma pessoa normal. Não tenho nenhuma restrição alimentar, não acredito nessas coisas. Acho isso uma bobagem. Até tenho intolerância a algumas coisas, mas não posso falar agora (risos). As pessoas falam do glúten, e começam a cortar de tudo. Coitado do glúten, virou um desgraçado. Tem gente que emagrece porque para de comer o pão e o doce, mesmo o sem glúten, vive de alface. Aí, vai dizer que o malvado da história é o glúten?”

E os cuidados com o cabelo?

“A mesma coisa. Eu cuido no banho, passo creme. Mas, não sou essa pessoa de viver em salão de beleza. Vou ao salão para retocar a minha raiz, porque tenho cabelos brancos. Mas, não vivo lá não.”

O pinta como ninguém. Você também se atreve na pintura?

“A gente brinca disso. Já pintamos alguns quadros a quatro mãos. Eu disse que não sabia pintar, mas ele arrasa. Faz coisas lindíssimas. Eu só brinco.”

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