“Eu sempre acreditei que fosse o Danilo”, Ana Lucia Torre fala sobre possível assassino de Julia em Espelho da Vida

Publicado há 2 anos
Por Henrique Carlos
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A novela Espelho da Vida, escrita por Elizabeth Jhin, está prestes a chegar ao fim na TV Globo, dando lugar a Órfãos da Terra. Na trama, a atriz Ana Lucia Torre vive a personagem Gentil, dona da principal pensão da cidade de Rosa Branca, onde se passam a maior parte dos acontecimentos centrais.

Em conversa com o Observatório da Televisão, Ana Lucia contou detalhes do que ainda pode acontecer com Gentil antes da novela acabar e também sua opinião sobre quem pode ter matado Julia Castelo no passado. Confira:

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As suas personagens tanto no passado como no presente são boazinhas. Como é interpretar duas personagens?

“As duas são boazinhas, só que uma é maluquinha e a outra é séria. É como quando a gente tá fazendo novela e teatro ao mesmo tempo. São duas personagens. Só que aqui com muito mais personagens pra você conviver. No passado, também aquela postura rígida da madre. Apesar de tudo, ela é uma madre muito legal porque ela é pra frente. É muito legal. Eu dizia assim ‘gente, eu acho que eu não vou para o passado, porque nada acontece para eu ir pro passado’ e quando fui, achei o máximo.”

A gente fica confuso com esses vários tempos diferentes dos personagens.

“E o pessoal que faz o filme da trama então? Eles fazem três personagens. Fazem o personagem da novela no presente, no passado, e o personagem do filme.”

A Gentil vai ter um namorado?

“Eu acho que ela vai investir no delegado (risos).”

Ele está paquerando ela?

“A gente já viu que ele gosta muito de cinema e eles têm uns papos interessantes. Acho que é capaz de dar um caldo para isso. De verdade, eu ainda não sei. Está se encaminhando para isso, mas não tivemos cena deles ainda.”

Vaidade

Você é uma pessoa vaidosa e a vaidade não tem idade, não é mesmo?

“De jeito nenhum! Tenho sido muito parada na rua porque eu, Ana Lucia nunca usei batom. As pessoas comentam exatamente isso. ‘Quando você apareceu com aquele batom, era completamente diferente de tudo que a gente já tinha visto e como ficou bom porque você é clarinha. Aquele batom dá uma vida’. Fiquei muito feliz. E mais feliz ainda porque a ideia foi minha e a nossa chefe de caracterização comprou a ideia. A minha ideia era também fazê-la com as unhas pintadas, mas aí a gente pensou ‘ela é dona de pensão, vai para a cozinha, faz tudo…’ Vai viver de unha lascada, né? Perfeição numa mulher que faz tudo também não ia combinar. Ficamos só no batom.”

Ter um feedback positivo do público sobre o batom da personagem te deu confiança para usá-lo na vida real?

“Não tenha dúvida. Não comprei ainda, mas eu estou me encaminhando. Tenho alguns mas não tão fortes. Acho que não usaria o dia todo, nem em qualquer dia. Sou uma pessoa que não usa maquiagem, estou sempre muito simples, faço mercado, vou pra feira. Então, é complicado manter isso. Mas eu que acho que alguma outra coisa virá, sem dúvida.”

Em qual momento a senhora se sente uma diva?

“Nunca (risos).”

Diva do teatro

Mas você é uma diva do teatro. Nem atuando se sente uma diva?

“Não. Eu tenho um pouco de preconceito com duas palavras: Diva e Celebridade. Me dá uma gastura (risos). Por exemplo, estou fazendo uma novela hoje, me param na rua de uma forma absurda, no aeroporto então é um desastre. ‘Vem cá, vamo tirar foto com a celebridade’. Aí a novela vai sair do ar daqui a dois meses e tudo se acalma. Tudo bem, as pessoas me reconhecem mas, sabe, um sorriso, me cumprimentam e vão embora. Cadê a celebridade? Agora diva… Não… Diva do teatro era a Bibi Ferreira.

Olha, agora eu acho até melhor, mas quando chegava o pessoal e dizia “Você me daria um autógrafo?” Lembra, a época do autógrafo? E às vezes chegava gente pra mim e dizia ‘Põe aqui na minha camiseta’. Eu dizia: ‘Pra quê? Pra botar na máquina de lavar? Cê num vai botar, guardar na gaveta pro resto da vida uma camisa tão linda’. Então é muito engraçado, mas eu acho que o público tem essa vontade, né. Com a foto do celular facilitou. Cê chega, tira a foto e aquilo eventualmente ele vai guardar. Eventualmente. Porque também vai chegar o dia que vai estar cheia a caixa…”

Pedestal

Você nunca foi de deixar ninguém colocar você em pedestal, né?

“Lógico… Pedestal nem pensar! Eu acho que é o mesmo pensamento que norteia as atrizes mais antigas. As mais novas têm essa cultura por que existe essa cultura e elas nasceram nela. Tava conversando com a Irene Ravache, que é da mesma turma, né. A gente ralou… Não tinha televisão. Não tinha rede social.

Era batalhar no teatro, construir cenário, ajudar na iluminação… Sabe… Fazer uma vida igual ao teatro. Eu cheguei a fazer nove sessões por semana. E era lotado porque era a diversão das pessoas. E era acessível às pessoas, né. Depois veio a televisão, graças a Deus, porque ampliou o campo de trabalho e eu acho uma maravilha que a gente tenha essa opções. Mas pra gente que foi lá mais de trás.”

Dá um saudosismo dessa época que as pessoas iam mais ao teatro?

“Bom, pensei que fosse da época. Não que as pessoas frequentavam o teatro dá pelo seguinte: Porque era uma época em que a cultura era dada às pessoas desde a escolas e a cultura era incentivada. Hoje em dia, nosso país acha que a única maneira de sobreviver é ganhar dinheiro. É a única forma, o único investimento que se faz é no ganhar dinheiro. Mas se você não tem uma base de educação e cultura, você não constrói um país legal, um país com base. Então como é que você vai estruturar uma economia, no lodo, sem ninguém ali na base pra sustentar?”

Público

Como é que você essa questão de estarem demonizando o artista? Querendo que vejam o artista de forma ruim?

“Eu acho que é medo. Por que é o seguinte… A gente tem um público muito maior do que qualquer pessoa que faz política ou que faz lei. O nosso público é muito maior. Eu não tô falando que não tenha gente que faça lei e que seja muito legal e políticos que sejam muito bons. Têm e a gente sabe, mas quando a gente consegue reunir um núcleo e levar uma ideia avante, essa ideia atinge muito fortemente o público. E isso é uma temeridade.

Por outro lado, as pessoas hoje em dia estão acostumadas a ler… As pessoas leem qualquer porcaria e no que começam a ler, já diz ‘nossa, isso é interessante’ não lê até o fim e passa para os quarenta da sua rede social. Então qualquer coisa que cai na rede social, as pessoas acreditam e passam pra frente. Existe um site que eu estou passando pra todo mundo, que me manda mensagem assim. Um site maravilhoso que se chama boatos.org você vai lá, digita e na hora é fácil verificar se aquilo é verdadeiro.”

Como que você e os seus amigos assim têm conversado sobre isso nos bastidores?

“Algumas vezes a gente faz esse tipo de coisa como eu fiz aqui um por um. Mas é muito pouco a nível nacional, né? O que a gente tenta é manter o trabalho mais digno possível, agradar as pessoas de uma forma e levar mensagem de que a gente é igual, que a gente trabalha, cozinha, faz mercado, tem filho, tem neto, tem que dar atenção pra família inteira. E o nosso trabalho ainda por cima cê tem que ter uma hora só pra você pra poder decorar.”

Passado

O que a senhora falaria para aquela Ana Lucia lá de trás como é viver nessa sociedade machista e preconceituosa?

“Eu diria o seguinte, a sociedade é machista… Agora é duro de falar isso. Quem cria os filhos são as mães e grande parte das mães criam filhos machistas. Eu acho que a mulher sempre se colocou num passo atrás num degrau abaixo, como postura social. Claro, é uma herança (cultural). Não é uma mulher por dia, são dezenas que ou morrem ou são espancadas, né? Então é óbvio que eu não vou dizer pra toda mulher ‘você é poderosa’. Porque ela não tem como sair de determinadas situações, mas eu posso dizer pra mulher ‘não crie o seu filho assim’, porque isso é fundamental.”

A novela é espírita, você é religiosa?

“Eu sou espírita.”

Religião

Então você é espírita e conta essa história, isso mexe muito com você?

“É uma coisa pra mim que ler aquilo tudo, é uma coisa de normalidade. Porque como eu sei que existe, não sei até que ponto uma coisa que foi se embora em 1920 agora estaria reencarnada. Mas eu acho que não vem ao caso aqui. Vem ao caso contar que isso existe pra quem acredita e quando a gente chega, a gente já chega com uma bagagem.

Eu não acredito na morte, para mim existe um espírito que é imortal e este corpo que eu estou aqui está dando vida momentaneamente, para que aquele espírito realize as coisas que quer realizar e precisa realizar. Por isso a gente tem que tomar muito cuidado com esse corpinho, porque senão a tarefa não vai ser cumprida. Então essa novela pra mim é uma delícia. Porque é aquilo em que eu acredito. Eu me sinto bem em casa.”

Quem matou Julia Castelo?

“Olha, eu não sei. Eu sempre acreditei que fosse o Danilo. Porque aparecia ele cavalgando. Mas já apareceu uma cena em que ele vem cavalgando e o Gustavo vem atrás. Então eu não sei quem matou quem. Quer dizer, eu acho que não foi o Danilo.”

Profissão

O que você aprendeu com nesse tempo todo de profissão?

“Ai meu Deus… Não tem um ensinamento. Mas têm duas coisas fundamentais que eu aprendi na profissão. Uma teoria e outra é prática. Uma delas é que cada pessoa é um mundo. Pode ser péssima, pode ser vilão… Aliás, é bom fazer vilão. Pode ser uma religiosa… Ela tem uma vida com um objetivo. Então, não adianta ter inveja da outra porque a vida dela é aquela e a minha é essa então eu tenho que viver essa vida que está aqui.”

Você acredita que essa novela ajuda as pessoas a entenderem melhor a diversidade religiosa?

“Antigamente era muito difícil você dizer ‘eu sou espírita’. Quando eu tinha 5 anos de idade as pessoas demoravam pra dizer e falavam escondido, porque achavam que a outra pessoa também eram. Hoje em dia tudo mundo diz. Tem um tabu com relação a isso, muito desse tabu veio da religião católica e depois veio dos evangélicos. Não estou dizendo daqueles antigos que a gente chamava de protestantes, que é a igreja batista, igreja adventista… As mais recentes têm um certo pânico. No entanto, o que os pastores fazem, para aqueles que estão com demônio no corpo, nada mais é do que uma sessão de desobsessão que se faz no espiritismo há milênios.”

Já fez regressão? Tem vontade?

“Não. Eu fiz uma vez terapia. O espiritismo não recomenda, porque não é bom que você saiba porque você tem um caminho para esta encarnação.”

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano.

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