Emilio Dantas fala sobre relação de Beto e Luzia em Segundo Sol: “Ele é relutante, ele acredita naquele amor”

Publicado há 3 anos
Por Cadu Safner
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Em Segundo Sol, Emilio Dantas interpreta o protagonista Beto Falcão, cantor de axé que se fingiu de morto para conseguir reerguer sua família financeiramente. Na atual fase da novela, o personagem após ser dispensado por Luzia (Giovanna Antonelli), renovará os votos de união com a vilã Karola (Deborah Secco).

Em bate papo com nossa reportagem, o ator que ficou famoso ao interpretar Cazuza nos palcos, falou sobre qual ídolo da música adoraria interpretar. Ele ainda falou sobre a construção de Beto Falcão, e como seu personagem anterior Rubinho, de A Força do Querer, ainda permanece no imaginário do público. Confira:

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Conta as novidades de seu personagem para a gente?

“Ah não vou contar para você, não posso dar spoilers (risos). Os ganchos do João Emanuel são muito precisos, tem muita coisa pra acontecer. A gente mesmo se surpreende com o roteiro que vai chegando. É tão surpreendente que nem dá vontade de contar.”

Emilio Dantas fala sobre nova identidade musical de Beto Falcão

O Beto está passando por uma mudança de identidade?

“Não é uma mudança de identidade. Ele está compondo e está querendo lançar essas músicas, está querendo botar isso pra jogo. Ele lembra que antes do Beto Falcão, ele já quis se chamar Marçal como nome artístico. Então Djalminha o rebatiza e ele assume essa nova identidade musical.”

Você ainda é lembrado pelo Rubinho de A Força do Querer? Como tem sido o retorno do público nas ruas?

“Eu não estou tendo tempo de ir até a rua não, a demanda está bem grande. O público ainda não enterrou o Rubinho. Uma vez eu estava saindo de uma gravação lá na Bahia vestido de Beto Falcão na primeira fase, e alguém gritou ‘Rubinho’. Muita gente ainda fala do Rubinho. Meu porteiro achava que meu nome era Rubens. Agora ele parou, ou vai ver ele está achando que meu nome agora é Roberto ou Miguel.”

Fraqueza do protagonista

Ele reencontrou Luzia, e voltou à vida com esse amor que o resgata, que faz ele ser aquele Beto de 18 anos atrás. E mesmo assim ele vai renovar os votos com Karola. Ele é um pouco fraco não é? 

“Você tem razão. Eu acho que é uma questão da família. O protagonismo da novela é da família, a família quebrada e todas as outras famílias. É a Maura com a aceitação da família em relação a orientação sexual dela. A reestruturação da família da Luzia. A família dos Athayde, que é conturbada, então, acho que sempre rola no âmbito familiar. E acontece o acidente de carro do Valentim.

Como é uma obra aberta a gente fica tentando desenhar. O Beto está numa desistência até acontecer este acidente, até pedimos para a equipe do figurino deixá-lo com a mesma roupa por vários dias. Acho que ele tem um start: ‘Pô, estou jogando minha vida fora’. A gente não viu, mas, esses dezoito anos ele passou ao lado de Karola. Ele se transformou em alguma coisa que nem ele sabe o que é, e nem eu. Estou buscando aos poucos quem ele é agora.”

Falhas humanas de Beto Falcão

Ele é um mocinho mas tem muitas falhas humanas, o que você acha de mais bacana nele?

“A trama toda dele eu falo: ‘O que você está fazendo aí? Sai daí’. Ele é relutante, ele acredita naquele amor. Então, eu acho que ele vai voltar para Karola sendo não tão sincero, mas, dentro dele, bem perdido em relação a tudo isso. Ele é fraco. Aliás, não fraco, ele é sensível. É um cara que virou um fantasma. Se você pensar, dezoito anos se passaram e você não poder ser mais você. São quase vinte anos não podendo fazer as coisas que ele gosta, não podendo viajar pra fora porque você não tem um passaporte, não pode dirigir nem dar as caras em qualquer lugar. O cara foi interrompido e obrigado a viver uma vida completamente diferente. O que sobra pra um cara desses? É uma válvula de escape esse negócio da riqueza, da aceitação com Karola. Mas, talvez agora ele surja com uma motivação real.”

Traços femininos no personagem

Ele tem algo peculiar de uma figura feminina, que é não largar o marido por causa da família. Você concorda?

“Eu acho que o João quis botar sim esse personagem nessa energia. Eu estava lendo uma crítica do Maurício Stycer, em que ele dizia que muitas vezes o mocinho da história, parecia a mocinha. Eu desde o início eu busquei este lugar também, que, eu acho que era pra fazer um mocinho mais fora da curva mesmo. E hoje em dia é muito importante trazer para esses debates, tudo o que está sendo mostrado do masculino no mundo. Eu acho mesmo é que falta essa energia feminina. Cuidado, afeto, carinho, sentimento. Quando a energia masculina é coragem, audácia, virilidade, o ímpeto.”

Você tem essa alma feminina dentro de si?

“Acho que todo mundo tem as duas, a questão é qual você está botando na frente naquele momento. Acho que o Beto é um cara guiado por esta energia feminina de cuidado e afeto.”

E essa questão dele de priorizar a família, no caso a Karola?

“Ele não está priorizando a Karola, ele está priorizando a criação do Valentim. Ele já é um cara criado mas é cheio de questões também voltadas para o sentimento. Talvez por ele ser um cara muito fraco, é o que ele tem a fazer. Ele se reaproximou da Luzia, contou toda a verdade para ela e mesmo assim ela sumiu. O que sobra para um cara que já contou toda a verdade e mesmo assim as pessoas somem? Não tem mais o que fazer. Com o acidente do Valentim ele percebe isso.”

Abordagem do machismo nas novelas

Como você administra seu tempo?

“A verdade é que o tempo que está me administrando. O tempo que está mandando em mim.”

Qual sua opinião sobre a abordagem do machismo nessas obras como as novelas?

“O masculino do mundo inteiro está neste lugar do machismo e está tendo uma interpretação errada do que é ser homem, e o que é ser macho. Está faltando essa energia do respeito, afeto, do cuidado e do carinho. É uma falta disso. É cultural! A cultura que eu digo é que tipo de coisas a gente cultuou na nossa pátria, na nossa vida, o que mantemos e o que jogamos fora. Agora estamos num momento de limpar muita coisa e que bom que está acontecendo.

No caso dos homens que foram punidos por expor uma torcedora russa na Copa por exemplo, pela primeira vez eu vejo os caras do humor, os cartunistas e a galera do Twitter fazendo piadas conscientes e contra essa situação. Porque muitas vezes a gente fala que o humor é a quebra de expectativas em relação àquilo, e, na verdade estamos encontrando um outro lugar, um lugar de conscientização e mesmo assim sem perder o humor. É um humor do bem. Estamos num outro lugar no mundo.”

Lado negativo da fama

Qual o lado negativo da fama e exposição? Você conseguiria viver da maneira que o Beto acaba vivendo?

“Não é que o artista queira o reconhecimento, ele depende do reconhecimento. Quem trabalha na TV, pelo menos. Quem tem a arte como uma forma de capitalizar e de se viver depende da exposição porque precisa ser visto para ser chamado para trabalhos. Eu como artista quando pinto na minha casa, não preciso deste reconhecimento. É uma arte que é minha.”

Quem é o autor da nova música do Beto?

“O autor é o Cassiano Andrade, um amigão meu, da Tijuca. Ele chegou na novela por outro caminho, já tem um trabalho de composição muito grande. Ele tocava na Tijuca e eu sou daquela área e sempre que passava por lá eu parava e dava uma canjinha com ele, a gente brincava. E quando foi agora, ele me mandou uma mensagem me parabenizando pela novela e eu cheguei para gravar e o nosso produtor musical me apresentou a música nova do Beto e quando eu vi, era a composição do Cassiano. Está sendo o maior barato. E o trabalho dele chegou ao nosso produtor por mérito dele mesmo. Ele faz muita coisa, mas, infelizmente nome de compositor não faz parte da nossa cultura, a gente não dá essa atenção pra quem escreve as músicas.”

Relação com a imprensa

Você tem uma relação muito legal com a imprensa, né?

“Eu fico feliz que vocês são pessoas de bom senso e sabem que realmente eu nunca fiz nada para machucar alguém, estão todos aqui trabalhando. É muito importante respeitar o trabalho do outro, e a imprensa sempre me aborda com a melhor das intenções. Sem ser invasiva, quando tem um time bom pra gente se comunicar, está tudo certo.”

Você ficou reconhecido nacionalmente após interpretar o Cazuza no musical. Qual outro ídolo você gostaria de interpretar?

“Raul Seixas, inclusive tenho uma tatuagem dele. Se me chamar pra fazer o primo de quinto grau dele, eu estarei lá. Tem muita gente boa surgindo agora também.”

Você toparia participar do Show dos Famosos?

“Eu não toparia. Eu não tenho talento para aquilo não. Eu bato palmas pro Ícaro Silva sempre que encontro com ele. Eu conheço o meu lugar e eu não sou pra isso não.”

Valorização da cultura

Você tem várias tatuagens pelo corpo. Em algum momento elas atrapalharam na sua carreira?

“Tenho 13 tatuagens. Na novela o personagem não poderia ter tatuagens antes porque isso seria irreconhecível, então a gente apagou tudo com maquiagem. Mas não poderíamos apagar tudo até o final da novela porque seria uma trabalheira. Então pensamos que, em 18 anos ele fez muitas coisas, e uma delas é que ele resolveu rabiscar o corpo. Todas as minhas tatuagens têm uma história. Agora, no Twitter algumas pessoas me zoam e falam que eu fiz essas tatuagens no presídio, tendo em vista a evolução dos tatuadores de hoje.”

No Brasil a cultura tem a sua devida valorização? Qual a sua opinião?

“Além de valorizado, sinto que tive muita sorte, mas tenho consciência de todo o meu esforço. Mas também tenho consciência da minha sorte. Vejo muita gente batalhando, tenho muitos amigos artistas com os quais as coisas não acontecem com tanta agilidade.”

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano

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