“Em todo folhetim, o vilão é um co-autor, escreve junto com a gente”, explica João Emanuel Carneiro sobre a trama de Segundo Sol

Publicado há 3 anos
Por Henrique Carlos
Publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

João Emanuel Carneiro é o responsável por escrever Segundo Sol, a atual novela das 21h da Globo. Autor de diversos sucessos como Da Cor do Pecado, A Favorita, e Avenida Brasil, ele conversou com o Observatório da Televisão durante a festa de lançamento da nova trama, e contou sobre sua rotina, sua inspiração para criar a história de Luzia (Giovanna Antonelli), e relatou ainda gostar bastante de A Regra do Jogo, sua novela exibida em 2015.

Leia também: Segundo Sol: Manuela descobre que Ícaro virou garoto de programa: “Tô com nojo de você”

Continua depois da publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio

Você escreve sobre seres humanos como ninguém. No filme Central do Brasil, sabemos que existe um dedo seu na criação da personagem da Fernanda Montenegro. Como é para você falar sobre o ser humano?

“Eu acho que meus personagens têm esses vários lados contrastantes. Aqui o Beto Falcão (Emilio Dantas) que é um cantor de axé, comete um erro humano, afinal para salvar a família, ele mente que morreu, porque a fama dele se dá com a morte. Eu gosto de lidar com essa zona cinza do nosso livre arbítrio. Até que ponto aquela mulher que escrevia cartas na Central do Brasil, gostava ou não e deu um deslize?”

Você se inspirou em alguma coisa especifica para escolher o tema da segunda chance?

“A ideia inicial é uma família que foi destruída, estilhaçada e aí essa mulher quer reconstruir essa família, pegar os caquinhos do que já foi uma família um dia. E quem é esse homem? Quem é essa mulher? Quem é esse cantor de axé? Ele vem com a história dele e aí você vai juntando. Essa novela é um novelo mesmo, você vai juntando vários pedaços.”

Mas teve alguma inspiração de alguma cena que você tenha visto, de alguma situação que você tenha passado ou alguma coisa assim?

“Para a história do Beto Falcão tem um pouco a ver com o que aconteceu com o Michael Jackson. Li que ele faturou mais na semana que morreu do que uns dez anos antes, mas também vários outros artistas passaram a ficar mais conhecidos com a morte.”

A gente observa no seu texto que você não subestima a inteligência do telespectador. Como é para você levar uma trama até o final?

“Eu sou muito inquieto, eu gosto de quebrar o meu próprio brinquedo e remontar ele.”

De onde vem essas inspirações?

“Da nossa vida, dos livros que você leu.”

Qual a fórmula do sucesso?

“Não existe. Ela não existe mesmo. Cada novela é como se fosse a primeira. Você tem um frio na barriga e não é uma coisa garantida de forma nenhuma.”

Mas que trunfos você busca ter para fazer sucesso?

“Eu acho que se você pensa em fazer sucesso só pelo sucesso, isso já é um fim e você não consegue fazer uma história. Tem que fazer uma coisa que você queira falar, que você goste.”

Na coletiva o Chay falou que ficou impressionado, porque você é o autor favorito dele e no primeiro encontro com você, você falou que era um só e nem sabia se escrevia como gostaria, para a galera ficar livre em fazer interferências no texto e também disse que além de tudo você é muito humilde.

“Eu acho que novela é muito texto, como se fosse uma enciclopédia britânica inteira distribuída para os atores. Naturalmente se você ensaia, se cabe mais na boca de alguém uma fala de um outro jeito, é melhor que fale do jeito dele.”

Você não tem ciúme do texto?

“Não, não tenho. Acho que é a novela um work in progress mesmo.”

E como é que é seu dia a dia escrevendo?

“Eu escrevo doze horas por dia de domingo a domingo. Trabalho muito, novela é uma vida de renúncia, da vida pessoal.”

Você concedeu uma entrevista em que falou que os vilões são os seus co-autores. Como é isso?

“Em todo folhetim, o vilão é um co-autor, escreve junto com a gente. O autor está na figura do vilão, porque ele é quem propõe a ação, propõe o tempo todo a história que vai adiante.”

Muita gente disse que essa será a novela da Deborah Secco. A Karola foi pensada para ela?

“Não, quando eu começo a escrever os personagens, eles não têm uma cara, vão tendo depois.”

João você teve um sucesso atrás do outro na sua carreira. Na coletiva você falou que seu medo maior é de ser chato. Você acha que em A Regra do Jogo, por exemplo, você foi um pouco chato?

“Não, eu não acho. O medo de ser chato me acompanha desde sempre.”

Todas as suas novelas foram um mega hit, mas A Regra do Jogo não foi o que você esperava?

“Foi. Eu gosto de A Regra do Jogo. Ela não foi uma novela tão popular e nem fez tanto sucesso, mas eu gosto dela, a acho uma novela interessante.”

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano

Publicidade

Carregando...

Não foi possível carregar anúncio