“Ele não tem saco para ser empresário”, diz Paulo Vilhena sobre seu personagem em Treze Dias Longe do Sol

Publicado há 3 anos
Por João Paulo Reis
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A minissérie Treze Dias Longe do Sol ainda nem estreou na Globo, mas já divide opiniões entre os que assistiram a atração pela plataforma de streaming Globo Play. Na história dirigida por Luciano Moura, Paulo Vilhena interpreta Vitor Baretti, filho do dono da construtora responsável pela obra do prédio que desaba. Em entrevista ao Observatório da Televisão, o ator fala sobre a apatia das pessoas diante das tragédias, e conta onde buscou inspiração para compor seu personagem.

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Paulinho, antes de começar, que sucesso em Pega Pega, hein?

Que legal né, cara, uma novela que ao meu ver é uma maneira muito pessoal, através da Cláudia de contar uma história sem ficar amarrada em atos, ela vai contando e resolvendo. Acho muito legal participar desse projeto, porque é um movimento muito novo, para uma autora que hoje tem essa propriedade. A Cláudia eu conheça há muitos anos.

É um novo formato para o horário, né?

É, sem pesar a mão no suspense. Em recurso de dramaturgia é quase que um suspense cômico.

Paulinho, você passou por quase todos os projetos, passou por Sandy e Júnior, por outras novelas, que tinham outro público  e agora, esse público da novela das 19h, você está se surpreendendo com o retorno? O público é mais infantil ou só de senhoras?

Eu não consigo determinar, é desde a molecada a senhoras no supermercado. Não tem público específico. A gente atinge uma galera que está aficionada pela história, que quer saber qual o próximo ladrão a ser descoberto; ou o próxima personagem a se envolver naquela trama do roubo.

Agora falando da série, como é o personagem em questão?

O personagem é filho do dono da construtora. Tem uma história, né? Meio corporativo, só que ele não é um cara proativo profissionalmente, ele não é um cara que está ali gerenciando, cuidando da empresa, e isso acaba caindo nas mãos do personagem do Selton e da Débora, eles são de fato as pessoas que se interessam em ter a empresa no nomes deles, fazer parte como acionistas ou sócios. Aí, eles começam um plano meio maquiavélico e egoísta de realizar uma obra, aí é que começa toda a tragédia. Meu personagem é um cara que está de fora. Ele não quer se envolver em nada disso. Ele só quer saber de viajar, curtir a vida, sabe?

Ele seria ingênuo em não tomar decisões na empresa dele?

Não, ele realmente não tem saco para ser um empresário, ele não quer, o cara não tem tesão no que ele teria que fazer, sabe?

Como é a relação dele? Ele quer vender a empresa e tem outro personagem que não quer, que quer assumir a empresa, que é o personagem do Selton. Como é a relação de vocês dois na trama?

A gente mal se vê, a gente tem um cena, mas que fica explícito. A gente fica nesse jogo de interesses, mas a história leva a gente pra lados opostos. O personagem do Selton, soterrado; e o meu tentando sobreviver no meio das acusações e tal.

Ele é aquele tipo filhinho de papai quer que gerir a empresa porque herdou, mas não gosta?

Não, ele não tem e nem quer. Ele não tem inteligência e prática para isso. Pinga um dinheiro na conta dele e ele fica feliz.

Você acha que isso é uma crítica, com esse jeito de ser do brasileiro, que dança conforme a música?

A gente está com um desdém em relação a tragédia. A tragédia acontece diariamente e a gente acha que é normal. Um prédio cai e a gente achar normal, isso é o fim da picada. A gente não está acostumado a pensar e agir a respeito. A gente já inverteu os valores. Como aconteceu há tempos atrás com o Palace 2, como aconteceu com o desabamento do metrô. Aí, a gente fala assim: ‘ah, beleza, virou ficção, mas matou uma porrada de gente’. É isso!

A gente vê como um número, nunca pensa que pode ser alguém próxima da gente, né?

A gente não tem uma atitude reativa.

A televisão tem essa função de trazer essa discussão para o público, né?

“Acho que é a discussão da arte.  A televisão pode ir de shows a entretenimento, mas a arte ela tem essa obrigação, de fazer você refletir sobre temas que estão aí, na sociedade.”

Hoje, muito se discute a questão da censura na arte, como é a sua posição a respeito disso?

A arte pra mim, tem essa função, de discutir, claro que tem pessoas que vão gostar de algumas coisas e tem pessoas que não gostam. A opção de você gostar ou não, é sempre sua. Mas a arte tem essa função, pra uma sociedade que talvez não tenha o preparo cultural. Eu me sinto ignorante perante a uma porrada de coisas. Vou na internet e vou pesquisar para saber, para ter conhecimento a respeito daquele tema, aí poder me posicionar. Eu não vou na internet para sair me colocando, para ser leviano. Eu vou me preocupar com aquela discussão.

É a mesma coisa que acontece na política, que a gente não conhece o passado do candidato, né?

A gente sempre foi um povo, uma sociedade que não tem esse histórico, de ter uma educação decente. Direcionada a você conhecer a história do seu país. A história dos seus políticos, e aí chega num momento que você fala assim: ‘O quê que tá acontecendo de fato?’; O que eu vou falar talvez não importe, mas o que vou pensar é. Eu não vou falar a respeito de uma coisa que eu não tenho conhecimento. Eu vou na internet pesquisar, para eu ter repertório, aí sim, poder  me posicionar.

Como você lida com essa fama de bad boy que algumas pessoas ainda atribuem a você?

O que é de verdade, é de verdade, o que é de mentira, é de mentira. Eu nunca pretendi mentir em relação a nada, nem na minha personalidade, nem nas minhas convicções. Eu acho que é o meu posicionamento. Não me faz melhor, ou pior que ninguém. Esse sou eu.

Como foi a preparação para esse personagem em questão? 

Acho que a preparação do personagem está muito no dia-a-dia. A gente está todo dia vivenciando essas tragédias.

Seu personagem é aquele tipo de playboy inconsequente, filhinho de papai, teve essa inspiração?

Senão tivesse inspiração, não teria personagem. Eu acho que está aí, não só aqui, como no mundo inteiro existem esses caras que tem essa falta de consciência sobre atitudes, não só atitudes, mas de comprometimentos profissionais. Agora onde que ele foi inspirado, tem um galera que você pode perguntar, que são os autores. Acho que está todo dia aí na nossa cara esse tipo de pessoa.

O Selton falou que cada personagem está soterrado dentro de si mesmo de alguma forma, de que forma o seu personagem está soterrado?

Ele tem uma vida, um dia a dia muito tranquilo, e de repente ele se vê soterrado em perder essa tranquilidade. Ele vai ter que criar outra história, ou vai ter que pegar uma pra continuar vivendo sua vida. Meu personagem faz de tudo para que aquela tragédia não atrapalhe a renda mensal dele, ele está pouco se importando com as pessoas.

O que você gostaria de viver no seu último dia?

Meu último dia eu não sei quando vai ser, por isso eu não tenho como saber o que eu faria, eu simplesmente vivo.

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano

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