“Dom Pedro é uma oportunidade de fazer o que eu nunca tinha feito na TV”, diz Caio Castro

Publicado há 4 anos
Por Redação
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Caio Castro retorna ao vídeo no papel de Dom Pedro em ‘Novo Mundo’, nova novela das seis da TV Globo.

Em uma entrevista sincera e extremamente emotiva, o profissional revelou que abandonou a carreira durante um ano para reavaliar sua trajetória profissional. “Não aguentava mais ser o Caio Castro”, relatou o ator.

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Confira o papo:

Como está sendo a sua rotina para interpretar um personagem tão enigmático como Dom Pedro?

“Está dando muito trabalho. Toda novela dá trabalho. Mas essa em especial está dando muito mais. Estou muito cansado. Muito mesmo! As semanas que antecedem a estreia são bem corridas. Grava todos os dias externas pela manhã e em seguida gravo no estúdio. Sempre chego em casa umas 21h, mas quando não tenho trabalho para fazer com a imprensa. Fotos, entrevistas e tudo mais. No caso, todos os dias está acontecendo isso. Tá bem puxado. Mas estou bem feliz com tudo que está acontecendo.”

Como está sendo interpretar Dom Pedro?

“Meu Dom Pedro… Então, o sotaque foi a primeira coisa que veio a minha cabeça em relação a construir esse personagem. Eu comentei com o Vinicius Coimbra (diretor) que eu queria fazer o sotaque português de Portugal. Isso foi um ponto importante para eu aceitar o papel. Que por um lado é muito difícil. É muito complicado. No começo, foi bem difícil. Continua sendo difícil. Mas o começo sempre é uma fase de dedicação. Eu não estou habituado ainda. Ele (o personagem) me dá muito trabalho. Mas ao mesmo tempo, ele me dá uma facilidade de composição muito grande. Então, é uma faca de dois gumes. Ele é muito fácil de fazer como personagem. Dá para eu brincar de uma maneira incrível. Ele é bem leve. Não tenho referência pessoal nenhuma. A minha voz muda, o meu corpo muda. Eu me sinto realmente diferente. Pra fazer isso está sendo muito difícil. Por ser muito distante. Mesmo sendo o mesmo idioma. Mas é muito diferente.”

O personagem é muito diferente de você. Isso ajudou na hora de aceitar o papel?

“Sem dúvida nenhuma. Foi crucial para a minha decisão. E digo mais. As minhas últimas escolhas na televisão têm sido dessa maneira. Desde quando eu mudei a minha relação com a emissora, para que eu pudesse ter essa liberdade artística, todas as minhas escolhas foram baseadas nessas diferenças, nessas possibilidades. Então, Dom Pedro nada mais é do que mais uma oportunidade de fazer o que eu nunca tinha feito na TV.”

Qual é a sua relação com a história, já que Dom Pedro é um personagem muito rico da biografia do país?

“Nunca fui muito bom em história. Não era uma das minhas matérias prediletas. Honestamente, não me lembrava de como era. E não lembro de ter me aprofundando na história de Dom Pedro – essa parte da Família Real. A gente escutava bastante a parte dos escravos. Não me lembrava mesmo. Mas tudo mudou. Eu cheguei aqui sabendo mais dele do que ele mesmo (risos). Exatamente detalhe por detalhe. Comportamento e tudo mais. Tudo baseado em fatos históricos. Foi tudo na base de relato de historiadores. Foi um trabalho de pesquisa. Enfim.”

Se Dom Pedro vivesse nesse século, ele seria um bom parceiro seu?

“Não! Ele era muito burguês. Mimado assim. Não seria um parceiro não. Mas se bem queele era bem da rua. Ele se dava muito bem com as pessoas. Ele passeava conversando com as pessoas. As pessoas na rua gostavam muito dele. Então, eu sou da rua.”

O sotaque foi bem trabalhoso para você. Como foi compor o sotaque do personagem?

“Na minha primeira aula de prosódia, eu encontrei a Leticia Colin passando o texto dela com o sotaque. Eu falei: ‘ferrou!’. Porque estava bom demais. Eu fiquei desesperado. Ela me instigou demais. Eu não poderia estar menos. Eu tinha que estar igual. Né? Ela foi um estimulo pra mim. Eu decidi ir para Portugal. Comprei umas passagens e segui. Consegui uma semana de folga para fazer isso. Foi incrível e me agregou muito. Fiquei nas ruas, falei com todo mundo. Foi incrível! Fiz um laboratório da minha maneira. Fui sozinho. Essa é a minha maneira de trabalhar, de construir. Eu acredito muito nisso. Foi bom pra caramba.”

Os fãs reconheceram você em Portugal?

“Muita gente. Eles gostam das novelas daqui. Eles têm um comportamento totalmente diferente. Ninguém pede foto. Apenas um aperto de mão. Eles elogiam sempre. Só! Aqui, às vezes nem sabem o meu nome. Brasileiro é mais caloroso.”

O personagem é bem mulherengo. Que tipo de mulherengo ele é pelo seu olhar?

“Ele é jovem! Ele tem hormônios demais. Ele gosta do jogo da conquista. Ele é um príncipe! Todo mundo bajula esse cara. Ele tem o que ele quer, na hora que ele quer. Ele gosta desse poder que ele tem. Ele casou por procuração, por uma questão de reinos. Isso é o instinto dele. Ele é um macho alfa.”

Qual é o balanço que você faz de sua carreira?

“Eu tive uma oportunidade muito diferenciada. Que poucas pessoas tiveram. Eu me dediquei muito. Muita gente aqui dentro, tem gente que acha que toma o lugar do outro, tirando o coleguinha. Entende? Todo mundo tem espaço. Mas só que eles se atrasam. Se você tentar tirar o meu lugar, você vai se atrasar e não me atrasar. Sabe? Eu vou fazer o meu e você tem que fazer o seu. Foi o que eu fiz. Eu trabalhei para estar aqui. Eu dei o sangue para estar aqui. Mesmo pessoas com inveja, ou perda de tempo, não sei dos outros, sei de mim. Eu passei anos trabalhando sete dias na semana. Eu saia do Projac, pegava um voo na sexta-feira, voltava para o Projac direto. Porque eu precisava fazer um dinheiro. Minha família não é rica. Entende? Eu estou aqui, porque eu trabalhei pra cacete. Dormi no chão em aeroporto porque não tinha voo. Eu fiz isso acontecer. Ninguém me deu de ‘mão beijada’. Você tem que construir, você tem que gostar de fazer isso. Eu amo o que eu faço.”

Em janeiro, teve um incidente seu com um fotografo. Hoje, qual é a sua relação com a imprensa?

“Como sempre aconteceu. Pra mim não mudou nada. Enfim, em relação a esse episodio, eu não quis falar com ninguém, exatamente porque existe imprensa que vai colocar o que vende mais. Eu peguei a minha rede social e coloquei lá o que aconteceu realmente. O que ninguém falou. Para as pessoas que me conhecem e chegam a mim, elas me tratam com muito respeito. Sabe? Quando base da relação é o respeito, qualquer coisa muda.”

O que mudou do Caio Castro do quadro do ‘Caldeirão’ para o Caio de hoje?

“Sem dúvida nenhuma foi a chama que acendeu pela profissão. Até 2011, quando eu fiz ‘Fina Estampa’, a minha primeira novela das 9, eu tinha pouco tempo pra mim, pra qualquer coisa. A não ser para o trabalho. Trabalhava toda semana. No fim de semana, viajava no máximo de cidades que eu podia. Para fazer renda extra para a minha família. Após esses 5 anos, eu percebi que eu não conseguia mais fazer. Não conseguia mais produzir. Foi o ano que eu chegava atrasado ao meu trabalho sempre. Foi o ano que eu não lembrava de ler o roteiro. Eu não sabia o que estava acontecendo. Então, algumas escolhas eu fiz por impulso mesmo. Pela corrente. Sabe? Eu preciso ver o que está acontecendo. Eu parei. Liguei para a minha família e informei que iria dar um tempo na carreira: ‘Não aguento mais fazer o que eu faço. Não aguento mais ser Caio Castro. Pelo amor de Deus, congela tudo’. Todo mundo falou: ‘você está louco, com contas para pagar’. Eu retruquei na época: ‘Então vende tudo. Eu não quero mais’. Foi uma crise de oxigênio cerebral. Foi algo seguro que eu fiz. Eu estava perdido. Depois de um ano fora, fui pra fora do Brasil, morei fora. Arrumei um trabalho em uma oficina de mecânico. Eu precisava disso. Poderia até ser Shishman. Fui para o Japão, eu viajei 20 e poucos países. Ninguém mais falava Caio Castro. Estava tudo ótimo. A bagagem ficou pesada na verdade. Na minha volta, a primeira atitude foi ver o cronograma de trabalhos e tudo mais. Procurar a minha liberdade artística. Minha volta foi em ‘Amor à Vida’. Foi um ano brilhante, com troca com a Maria Casadevall. Ela é uma atriz maravilhosa. Me ajudou a ver a profissão com outros olhos. Com mais poesia mesmo. Essa foi a mudança. Da minha carreira até. A responsabilidade veio com a paixão que eu tenho por minha profissão. Eu fiquei muito envolvido com tudo isso. Com amor as coisas andam. Tudo flui muito melhor. Eu tenho as rédeas do meu oficio. As coisas funcionam por isso. Quando o mundo acha que é para mim, eu simplesmente não faço. Eu vou sempre pelas minhas escolhas. Isso tem acontecido.”

ENTREVISTA REALIZADA PELO JORNALISTA ANDRÉ ROMANO

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