Deborah Evelyn comenta a volta de Celebridade no Vale a Pena Ver de Novo: “Amei fazer. Uma novela muito forte para mim”

Publicado há 3 anos
Por João Paulo Reis
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À partir desta segunda-feira (04), Deborah Evelyn será vista em dose dupla na tela da Globo, na reprise da novela Celebridade, atração do Vale a Pena Ver de Novo, e como Alzira, na atual novela das 18h, Tempo de Amar. Em bate papo com nossa reportagem, a atriz falou sobre a ambição desmedida de sua personagem, seus sentimentos em relação à Celebridade e como a trama de Gilberto Braga a marcou. 

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Como é para você interpretar essa mulher amarga e preconceituosa em ‘Tempo de Amar’? 

Verdadeiramente, gosto muito de interpretar personagens diferentes de mim. Acho que é onde o ator tem mais prazer, a gente cria e acha isso dentro da gente. Já fiz muitas mocinhas e quando comecei a fazer esse tipo de personagem, em ‘Celebridade’, que eu fazia a mãe do Bruno Gagliasso, eu maltratava ele de um jeito que eu saía de cena e chorava muito. Eu gosto de fazer personagens assim, fortes, briguentos, talvez porque eu brigo pouco na vida, e solto tudo ali (risos). O meu tempo de mocinhas já passou.

O que você acha que a Alzira é capaz de fazer por dinheiro?

Praticamente tudo. Mesmo sabendo de todo o sofrimento da Celeste por ter perdido a filha, ela vai descobrir a menina, e esconder da irmã, tudo por dinheiro, o que é horrível.  Ela não mataria, mas só essa atitude de não querer que a irmã reencontre a filha para ficar com a herança, é de uma maldade extrema, algo monstruoso.

Você saiu de uma personagem que foi tão intensa, no caso, a Kiki de A Regra do Jogo. Você pediu a casa um tempo para dar uma relaxada?

Eu amei fazer ‘A Regra do Jogo’, e diferente de muita gente, eu adorei a novela. Entendo as coisas que as pessoas falam, mas lendo os capítulos, era uma história que me interessava, tinham personagens muito bem feitos lá, e adorei a personagem, que tinha uma história forte. Quando terminei a novela, eu tinha organizado minha vida para fazer duas peças, que fiz, e agora vim para essa novela. Teve um tempo que eu emendava uma novela na outra, e naquele tempo era bom, hoje em dia eu acho bom ter um tempo para se reciclar, seja fazendo outro trabalho ou mesmo descansando, lendo, indo a museus, porque isso nos alimenta. Esse convite do Jayme Monjardim veio super em boa hora, porque as coisas foram se encaixando. A nossa vida é difícil de organizar no sentido de saber o que fazer depois, mas está dando certo.

E você já sabe o que vai fazer depois da novela?

Farei uma peça em março com a Ana Beatriz Nogueira, Julia Lemertz e Lorena da Silva, com texto argentino, versão do Miguel Falabella, que deu o nome de ‘Dentadas’. Através do riso e comédia,  vamos fazer uma crítica social imensa.

Sua filha voltou da Alemanha onde morou por alguns anos. O que você sentiu com esse retorno?

Make feelings total. Quando a Luísa disse que iria voltar, fiquei muito feliz porque ela estava há 5 anos fora, mas tenho muita aflição, não só da cidade, mas do país que vivemos. Ela estava trabalhando numa empresa lá, e eu tinha receio de ela não se adaptar ao mercado daqui, mas ela já está trabalhando e feliz da vida. Minha maior preocupação era mesmo a violência do Rio de Janeiro, e questão moral do Brasil. É tão pernicioso, viver num país onde as pessoas que foram eleitas por nós, e são pagas com o dinheiro dos nossos impostos, não trabalharem a nosso serviço. Essas pessoas roubam, mentem, não são confiáveis, então, fica difícil criar um filho dentro dos padrões morais que acho adequados. Minha filha não é mais criança, penso: ‘poxa, ela poderia ter uma vida mais fácil lá fora’, mas alegria de ela estar perto é imensa.

Ela ainda é seu bebê, não é?

Sempre! Filhos são impressionantes. Mesmo que ela tivesse 50 anos, e eu com 76, ela vai continuar sendo minha filha, e filho você sempre tem uma relação de adulto com criança. Eu arrumo a casa dela, mando coisas para ela. Temos uma relação ótima.

A partir desse mês, vamos te ver em dose dupla com a reprise de Celebridade. Como é para você se rever nesse projeto? 

O tempo passa muito rápido. Amei fazer Celebridade, foi uma novela muito forte para mim. Foi a primeira que tive filhos adultos e isso é um marco, porque é contracenar com dois colegas, e tive dois filhos maravilhosos, Bruno Gagliasso e Bruno Ferrari. Era uma novela muito forte. As novelas do Gilberto são muito intensas.

Era uma mãe vivendo um luto, né? 

Sim, graças a Deus nunca passei por isso, mas deve ser uma dor terrível. Vivi junto com o Dênis (Carvalho, ex marido) o luto dele. Quem iria dirigir ‘Celebridade’,  era o Roberto Talma, e não sei por qual motivo mudou para o Dênis, e o Gilberto me ligou e falou: ‘Não sei como será para o Dênis dirigir essa questão da perda do filho’, porque realmente é inominável. Quando eu estava fazendo uma matéria no ‘Vídeo Show’, com o Bruno Ferrari,  nos perguntaram qual a cena que mais nos lembrávamos e nós dois falamos da cena da morte do personagem dele, que era meu filho. Ele sem poder se mexer, e eu chorando em cima dele numa emoção muito grande. O dia da gravação dessa cena, eu me lembro como se fosse semana passada, de tão forte que foi para mim.

Você chegou a conversar com alguma mãe que tinha perdido um filho?

Não conversei, porque eu tinha muito próximo o Dênis e a Christiane (Torloni), e acho que é uma coisa que não passa pelo racional. Não é pela conversa, é só sentimento. Passei recentemente pela situação de um amigo que perdeu um filho, e cada um reage de um jeito. O que tentei fazer ali em ‘Celebridade’,  era a perda do que tem de mais importante para alguém. Ela infelizmente tinha aquela coisa horrível de diferenciar os dois filhos e o que morreu era o filho preferido, então, não dá para imaginar.

Sua filha mora no Rio, mas preferiu ter a casa dela, não é?

Engraçado essa coisa de filho, Luísa veio morar aqui depois de 5 anos fora, mas aí ela se mudou. Ela se mudar da minha casa para o Leblon, foi mais difícil do que ela ir para a Alemanha. Emocionalmente a gente pensa: ‘Ela podia estar morando comigo’, mas está tudo certo.

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano

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