David Junior brinca com o descongelamento de Menelau em O Tempo Não Para: “Vai levar susto a cada segundo”

Publicado há 2 anos
Por Greicehelen Santana
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Em o Tempo Não Para, nova novela das 19h da Globo, David Júnior dará vida a Menelau. Escravo de confiança da família Sabino Machado que não mede esforços para proteger o seu senhor, Dom Sabino (Edson Celulari). Na trama escrita por Mário Teixeira, Menelau será um dos 13 congelados que serão descobertos na praia do Guarujá, em São Paulo, no atual ano de 2018.

Essa história para lá de fria começa em 1886, século XIX, quando a poderosa família Sabino Machado deixa a cidade de São Paulo rumo a Europa no mais seguro navio da época, o Albatroz. Porém, a embarcação naufraga após se chocar com um iceberg e todos os passageiros são congelados devido à baixa temperatura da região da Patagônia.

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E é após 132 anos de evolução da sociedade que Menelau despertará à vida. “Ele vivia em uma monarquia e agora veio para uma república falida. Ele trabalhava como escravo e chega numa sociedade onde não existe mais escravidão”, afirma o ator. Saiba mais sobre o Menelau e a novela a seguir:

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Repercussão de Pega Pega

Deu para descansar do seu último trabalho até iniciar as gravações de O Tempo Não Para?

Na verdade, eu terminei Pega Pega em janeiro e soube da novela umas duas, três semanas depois. Eu tive férias de um mês e meio. Não emendei tanto (um trabalho no outro).

Você ainda sente a repercussão do seu trabalho em Pega Pega nas ruas?

Ah, tem gente que reconhece ainda. Mas a teledramaturgia, a novela, é tudo muito rápido. Logo vem outra novidade, as pessoas se apegam a outros personagens e a coisa vai se diluindo com o tempo. Não é aquele frisson de tipo: ‘aí, meu Deus, é aquele personagem’. Até porque a gente muda também. Com o Dom, era um corte de cabelo, eu não tinha barba. Eu estava de dread um tempo atrás também. Então a gente muda muito, as pessoas têm um pouco de dificuldade de reconhecer.

E como está sendo a adaptação desse novo visual para viver o Menelau?

Tranquilo! É muito fácil de manusear. A gente tem até uma técnica agora, que é uma esponjinha que usamos fazendo movimentos circulares e faz o que chamamos de twister. Eu tenho toque, então mexo muito com o medo. Eu tenho mania de ficar fazendo ele com o dedo.

David Junior fala sobre a trama de O Tempo Não Para

Como é O Tempo Não Para na sua visão?

A gente está tateando muito porque a novela está no começo. O personagem passa o início da novela congelado, então a gente não tem muito o que dizer sobre isso, mas o mote da dramaturgia dele em si eu acho muito interessante. Porque você pega uma pessoa que é um negro escravizado, coloca com uma cultura de 1886, desliga ele e o liga no século XXI com uma ética moral completamente diferente. Ele vivia em uma monarquia e agora veio para uma república falida.

Ele trabalhava como escravo e chega numa sociedade onde não existe mais escravidão, mas os negros continuam subjugados, continuam em subempregos. É um choque de realidade que eu acho que ele não sabe ainda lidar isso, não sabe o que fazer. Você pega uma pessoa que viveu a vida inteira como escravo e você solta ela. Fica tipo: ‘o que vou fazer agora da vida? ’. É um pouco do que os nossos antepassados viveram.

A liberdade é uma coisa que ele vai ter que saber lidar, saber o que ele vai querer com isso, saber se ele vai querer, porque tem isso também. A pessoa pode escolher continuar querendo ser escrava porque não sabe fazer outra coisa na vida.

Semelhanças com Menelau

Como é o perfil do Menelau?

Eu acredito que ele seja uma pessoa de bom coração, mas com traumas e bloqueios. Ele não deve ser uma pessoa de fácil se relacionar, ele não deve ser uma pessoa aberta para o mundo. Como está tudo muito cedo, não dá para a gente ficar falando muito sobre o personagem. Mas pelo o que eu já li, ele é uma pessoa fechada, recruza, fala pouco, mas por conta de traumas e não pode ser uma pessoa ruim.

Então esse jeito do Menelau não tem nada a ver com você, né?

Não! (risos). Definitivamente não. Eu sou expansivo, quero falar com todo mundo, olho todo mundo no olho, quero cumprimentar todo mundo. Ele já é o oposto de mim.

O seu personagem é um dos congelados da trama. Você gostaria por essa experiência na vida real? Congelaria alguém?

Eu não tenho interesse de ser congelado. Agora, quem eu congelaria é uma pergunta meio capciosa. Não sei, posso pensar em algumas pessoas. Eu pensei em congelar meu cachorro e, de repente, ele viver um pouco mais. Cachorro a gente ama tanto e vive tão pouco. É uma dor!

Choque do personagem ao ser descongelado

Você falou que o Menelau tem traumas. Quais seriam?

Ele tem muitas cicatrizes por tudo que apanhou. A pessoa ser privada da sua liberdade de ir e vir já deve ser um trauma. A acordar com a certeza que não pode ir aonde quiser ir. Então isso deve ser bem difícil. Fora a família. Os escravos eram de propósito separados das famílias, das próprias tribos para eles não poderem se relacionar. Eram dialetos diferentes, então você fica excluso. Eu acredito que ele devia ter uma família e perdeu por conta disso. Então, são vários traumas que a gente constrói automaticamente ao representar um escravo.

Qual será o susto do seu personagem ao acordar em um novo século?

Tudo! Asfalto, semáforo, carro. Vai levar susto a cada segundo. Qualquer coisa, qualquer luz é diferente daquela época que era luz da lua e luz do sol. Colocar uma pessoa num banner, num outdoor um ser humano de cinco metros na frente dele é um susto.

O que te choca na atual sociedade?

A hipocrisia. A gente é muito hipócrita, a gente enquanto sociedade mesmo. Acreditamos numas verdades que só funcionam para a gente. A partir do momento que a gente joga para o outro, ela deixa de funcionar e isso não faz sentido. Eu acredito na verdade que funciona para o coletivo. A verdade isolada é unilateral, não dá para considerar verdade quando excluí.

A cena em que o Menelau acorda já foi gravada?

Já gravei ele acordado. Acordando ainda não.

Reação de Menelau à sociedade atual

E como ele vai reagir a sociedade? A liberdade era um desejo do Menelau?

Eu não sei se ele tinha o interesse de ser livre ou se ele tinha medo disso. Eu acho que uma pessoa que viveu sendo escrava, ela desconfia de tudo e todo mundo porque não tem uma identidade que diga assim: eu posso ir, eu posso vim, eu posso fazer o que eu quiser. Então, qualquer um pode chegar e falar: ‘olha, você hoje é meu escravo e vai trabalhar para mim’ ou ‘você hoje pode fazer o que quiser’. Então, eu acho que é a desconfiança. Na verdade, ele está nascendo de novo. É uma pessoa que chega num lugar e que nada para ela faz sentido.

O Menelau viverá um amor na novela?

Não sei. Eu ainda não sei.

Figurino

Como será o figurino do personagem após o descongelamento?

Depois que eles tiram a gente do iceberg, eles nos colocam em cápsulas criogênicas.

Você disse que o Menelau tem marcas de machucados. O Dom Sabino, personagem do Edson Celulari, é o responsável por essas cicatrizes?

Não! O Dom Sabino não machucava ele. Ele já veio assim de uma outra fazenda e o Dom Sabino opta por não trabalhar dessa forma com os escravos. Eu acho que dessa maneira, ele acaba ganhando o Menelau que passa a ser um escravo de guarda, fiel escudeiro dele. A relação deles é essa. Ele está sempre disposto a ajudar, salvar e proteger o Dom Sabino porque viu uma pessoa que não estava disposta a machucá-lo.

Essa proteção continuará após o descongelamento?

É o extinto, então eu acho que ele vai continuar sendo. Quando ele acordar vai continuar sendo assim, o interesse dele vai continuar sendo guardar e proteger o Dom Sabino e a família dele.

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano

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