“Comecei a entender o lado deles” comenta Vanessa Giácomo sobre policiais civis

Publicado em 11/06/2017

Vanessa Giácomo estreou esta semana como protagonista de mais uma novela, dessa  uma trama das sete, Pega Pega, onde ela tem a missão de dar vida à Antônia, uma policial honesta que se envolve romanticamente com um dos bandidos responsáveis por um roubo de 40 milhões de reais. A atriz conversou com nossa reportagem e contou detalhes de sua personagem. Confira:

Vanessa Giácomo faz declaração para o marido em rede social

Pode adiantar um pouco da personagem?

A vida dela é muito agitada! Ela é diferente do irmão. Ele (Nelito – Rodrigo Fagundes) é caseiro, gosta de fazer comida e tudo mais. Ela sempre está na rua. Tem esse contraponto da vida dela com o irmão. Tem o lado dela policial que mostra-a na delegacia o tempo inteiro. Mostra mais essa batida da policial. Mas ao mesmo tempo tem o bastidor disso, que é bem interessante. Tem ainda o lado do romance dela, da personagem se envolver com um cara que está envolvido em um crime.

A personagem tem humor?

Ela tem humor sim. Claro que tem!

Ela usa a beleza para seduzir? Tem o fetiche em relação a mulheres fardadas, né?

Ela não usa a beleza para seduzir! Engraçado, apesar de já estar no contexto isso. A gente já acha que uma policial só de colocar uma roupa já tem o fetiche. No caso da Antônia, ela tem zero vaidade. Ela não é um personagem que usa beleza nem decote. Acho que ela vai aprender a usar essas coisas mais femininas depois de se apaixonar pelo personagem do Thiago Martins. Mas ela é muito pratica no dia a dia. Ela usa uma roupa muito parecida. Ela usa um jeans, uma blusa básica, uma jaqueta de couro e uma bota. E, é isso. Não uso uniforme. Só uso blusa escrito Policia Civil. Quando você vê uma figura delicada, a mulher é mais delicada. Fazendo uma coisa pesada e tal. Ela vira uma heroína nesses lugares, né? Acho que o fetiche é mais por isso.

Como você ver quando o amor coloca a gente em situações não tão éticas (a personagem se envolve com um bandido)?

Não sei se vale tudo no amor. Eu não sei. A questão ética dela, de valores dela, são muito certinhos. Sabe? Eu não sei como vai ser. Ela vai se envolver com ele mas não sabe que ele está envolvido no roubo do hotel. Eu não posso adiantar nada. Ainda não recebi esses capítulos (se ela vai se corromper).

Como está sendo essa parceria com o Thiago Martins?

A gente gravou muito pouco. O Thiago é um grande amigo e querido. Eu já o conheço há muito tempo. Eu acho que ele está arrasando como Júlio. A gente fez pouquíssimas cenas juntos. Acho que foram duas até agora. E, o inicio vai bem devagar. Esse romance acontece de uma forma bem gradativa. Eu estou amando fazer a novela. É um presente fazer uma trama tão leve, falar de coisas tão sérias ao mesmo tempo. O público vai gostar de ver porque tem um humor distração que é muito bacana, que a autora conseguiu colocar no texto, e, o diretor executa como ninguém.

No Rio de Janeiro, todo dia se mata um policial. Fazer uma policial nesse momento que estamos passando, não dá um certo receio?

É um assunto bem sério também. A gente está vivendo um momento muito grave. É grave! As pessoas colocam em risco a vida desses policiais que saem todos os dias e não sabem como vai ser. De uma outra abordagem a gente vai conseguir tocar as pessoas, e falar desse lado humano de cada um. A novela mostra esse lado humano dos personagens.

Depois do laboratório (pesquisa) em torno dessa personagem, você mudou sua opinião em relação aos policiais?

Eu sempre tive muito respeito. Essa é uma profissão que a pessoa sai para as ruas para defender a gente; eu tiro o chapéu para eles. Mas eu comecei a entender outro lado deles. Com o lado até que me interessa mais que é esse lado herói, de sair, de dar vida. A minha personagem é uma policial civil. Ela não vai muito para as ruas assim, ela vai quando acontece um crime, é outro tipo de abordagem. Eu tentei buscar mais esse lado humano deles.

Como foi essa preparação?

Aconteceu tudo nos Estúdios Globo (antigo Projac). Eu conversei com vários policiais.

Em relação à defesa pessoal. Você aprendeu técnicas novas?

Eu aprendi mais técnica de tiro. De luta muito pouco. Na verdade, eu já fiz muita coisa em todos os meus personagens, tem muitas coisas que eu ainda quero fazer. Não dispenso dublê para cenas que eu corro risco, óbvio afinal elas (dublês) têm muito mais técnicas. Mas eu gosto de fazer cena de ação. Então, estou me divertindo.

Como foi mexer com armas. Foi de boa?

Então, a principio, a gente atira com festim e tudo mais. A gente aprende com bala de festim, mas eu fiquei com muito receio do barulho, de me assustar (solta um gritinho). Mas eu falei comigo mesma que tinha que acostumar o meu ouvido pra isso. O resto fluiu!

Como você administra a sua vida: mãe, esposa, filha…?

Pra mim, isso aqui funciona como qualquer outra mulher. Hoje em dia a mulher trabalha muito, né? Hoje em dia a gente tem muitos exemplos de mulheres assim guerreiras que saem para trabalhar e voltam, têm que cuidar do filho, etc. Eu me considero uma pessoa absolutamente comum. Não sou uma super-heroína por isso. Mas o meu tempo livre com toda certeza eu dedico plenamente a eles (filhos) porque sinto muita saudade. A minha família é muito importante para mim. É importante estar perto deles, de viver e presenciar tudo o que eles passam no dia a dia.

Seus filhos sabem da importância do trabalho dos pais?

Eu já comentei! Eu acho importante que os filhos saibam. Eles têm que valorizar que os pais trabalham. A gente precisa trabalhar para ganhar dinheiro e conseguir um conforto melhor para eles. É importante valorizar isso.

Como foi deixar a pequena em casa para voltar aos holofotes?

Eu voltei em A Regra do Jogo e ela era bem pequena. Eu senti muita saudade nessa época. Eu acho que quando é muito pequenininho assim, que depende muito de você, aí que bate a saudade. Essa saudade é sempre. Mas nesses casos específicos a culpa vem.

Você pensa em aumentar a família?

Eu estou muito feliz com três! Já é um número que me deixa bem feliz (risos). Eu não digo que não vou ter filho nunca mais. Que eu fechei a fabrica. A gente não sabe do futuro. Eu estou feliz com a minha vida.

Como você vê o nosso momento em relação à politica?

Olha, é muito complicado de falar em politica. Mas estamos vivendo em um momento muito delicado no Brasil. Isso tudo depende também das ações de todos os brasileiros. Todo mundo tem que se conscientizar e não se corromper mais nada. E tentar mudar o nosso pensamento. Sobre tudo, sobre essas questões. A gente precisa trabalhar a tolerância, para poder conversar sobre politica. A gente precisa ouvir o que cada um tem a dizer e unir as forças para criar um Brasil melhor.

*Entrevista realizada pelo jornalista André Romano.