Com uma superprodução no Show dos Famosos, Paulo Ricardo afirma: “Isso aqui é a Broadway”

Publicado há 3 anos
Por Greicehelen Santana
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A segunda temporada do Show dos Famosos, quadro do programa Domingão do Faustão, da Globo, está com um elenco de peso. Entre os oito artistas selecionados para participar está o cantor Paulo Ricardo. A partir de 1º de abril, a voz da canção tema do reality Big Brother Brasil terá que homenagear personalidades que fizeram história na música nacional e internacional.

Relembrando momentos da sua carreira, como o período da explosão do rock brasileiro e o universo do programa do Chacrinha, Paulo Ricardo conversou com o Observatório da Televisãodetalhou um pouco sobre a expectativa de encarar os desafios propostos pelo quadro e a relação com o apresentador Fausto Silva. Paulo também comentou sobre a rejeição que a canção do BBB sofre por parte dos seus fãs. Confira.

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Bateu insegurança ao receber o convite para participar do Show dos Famosos?

“Sempre, sempre por vários aspectos. A gente que já tem algum tempo de carreira sempre tem um ou dois anos na frente planejados. Então, antes de qualquer coisa e reflexão, teria que abrir um espaço na agenda. Depois, teria que sair completamente da zona de conforto e se expor na pele de um outro personagem, por mais que tenha a liberdade de sugerir é um trabalho inédito para mim. É como se fosse o Michael Jordan, o fato dele ter jogado basquete muitos anos e ter sido campeão, não quer dizer que ele vai chegar no beisebol e vai arrasar. Então, a gente sempre fica preocupado se vai corresponder, se vai render tanto naquela outra função. Depois, vem esse desafio mesmo desse trabalho todo de corresponder as expectativas. Tem aquele risco de trabalhar com a comunicação de massa, você é sempre alvo de muitas críticas, principalmente o pessoal do rock que é muito xiita, muito cri cri. Eu estou acostumado a ouvir muitas críticas, há muitos anos. Estou há 18 anos a frente do tema do Big Brother Brasil, um programa que, apesar de ser um enorme e indiscutível campeão de audiência, todo ano sofre muitas críticas de todo lado. Muitos fãs ainda torcem o nariz para a canção, e eu adoro fazer parte disso. Eu adoro ter o tesão de fazer uma nova versão todo ano. A versão desse ano, particularmente, ficou incrível, estou muito feliz com ela.”

Desafios como o Show dos Famosos é enriquecedor para a carreira do artista?

“É esse tipo de desafio que motiva a gente. É muito fácil a carreira cair numa repetição de coisas depois de um certo tempo. Você grava um CD, faz um novo show, vai para a turnê, faz a divulgação, grava um clipe, grava um DVD, blá blá blá. Isso aí me dá a oportunidade de me repensar como artista, de ampliar meus horizontes. É uma coisa que comunica com o teatro musical. Eu tenho projetos para um musical, já tive convite para um musical. Me comunico com esse lado de ator, que é uma coisa que todo mundo que trabalho com o entretenimento tem dentro de si. Eu fiz só uma novela, Esperança, em 2003, e foi uma experiência incrível e inesquecível que eu adorei. Os desafios são muitos, mas, curiosamente, são os desafios que tornam o projeto rico, interessante e que me deu vontade de aceitar.”

Por falar em BBB, você gravou uma chamada para 18ª edição muito engraçada com o Tiago Leifert. O segredo do sucesso pode estar em não se levar tão a sério?

“Eu sempre fui o palhaço da classe. No meu histórico escolar, eu tenho muitas expulsões de sala e suspensões porque eu perdia a aula, mas não perdia a piada. Eu tenho um lado de humor muito forte, muito presente. Agora, o rock tem um personagem muito carrancudo, o roqueiro é muito sério, se leva muito a sério. Claro que no começo quando se tem vinte e poucos anos, principalmente a nossa geração que veio de um período de ditadura, a gente tinha uma mensagem séria para passar, uma mensagem profunda de comportamento que era importante para o nosso país naquele momento. A gente tinha um certo receio de pisar em alguns terrenos minados da comunicação de massa, de programa de auditório. A gente queria que a nossa mensagem fosse levada a sério, até para nos diferenciar de algumas outras bandas que eram bem leves e bem-humoradas. O nosso trabalho é muito sério e era muito sério, mas quando se tem alguns anos de carreira e vivendo isso, você abre um pouco o seu leque e não trabalha com o rock ou com mensagens, letras politizadas, você trabalha com entretenimento. Então, tudo é muito divertido, você tem que ter essa leveza mesmo que interprete um personagem no palco que seja você mesmo, você tem que ter essa leveza de não se levar a sério e brincar com isso porque a gente está ali fingindo, nós e o público: eu fingindo que sou um roqueiro e eles fingindo que acreditam. Estamos tentando fazer o melhor e se divertir. Para você se divertir tem que ter uma certa leveza, principalmente num momento difícil que a gente está vivendo, econômico, social, político. O entretenimento tem que levar essa leveza. Eu acho que muitas vezes a arte tem mesmo que pairar acima da política.”

É difícil para um artista manifestar uma opinião política?

“Acho muito difícil um artista ao mesmo tempo que não deve se posicionar porque, certamente, o apoio a um político vai trazer uma dor de cabeça no futuro, uma decepção, por outro lado, ele não poder deixar de se posicionar porque, afinal de contas, a gente olha para os nossos artistas como uma fonte de inspiração, de orientação. Então, essa mensagem não é só rock in roll, uma linha evolutiva da Música Popular Brasileira ou letras que sejam cheias de conteúdos. A gente tem que se divertir.”

Como é ter essa superprodução no Show dos Famosos?

“Quando você consegue estar numa equipe desse porte, numa produção desse porte, eu acho que é o sonho de todo artista. A gente quer estrear uma produção na Broadway, isso aqui é a Broadway, isso aqui é Hollywood. Se é para fazer uma coisa dessas que seja da melhor maneira possível, com o maior cuidado, o maior apuro, a maior sofisticação possível. É um desafio que, com certeza, vai ser um marco na carreira de todo mundo aqui. Muitas outras coisas imprevisíveis podem acontecer daqui para frente.”

Assim como o BBB, o Domingão do Faustão é um programa popular, dono de uma das melhores audiências da Globo e que sofre muitas críticas. Como é para você participar de um programa como esse?

“Eu adoro ser popular. Eu cresci assistindo programa de auditório, não cresci assistindo Youtube e nem MTV. Haviam três canais. A gente tinha a Globo, a Tupi, a TV Rio, a TV Excelsior, depois a TV Record. Era isso aí, quatro ou cinco canais, no máximo. Você teria muito sorte se na sua casa pegasse todos. O artista para mim era aquele cara que ia no programa do Chacrinha. Eu queria ser aquilo quando era pequeno, eu não queria escrever um livro ou uma coisa complexa, eu queria cantar para um auditório e depois o apresentar ia jogar um bacalhau para as pessoas, um saco de feijão. Eu tive esse privilégio de conviver com o Chacrinha, um gênio da comunicação, da estética. Os sociólogos têm matéria para o resto da vida para pesquisar e tentar entender o que foi esse poder de síntese, modernista, macunaímica do Chacrinha. Uma vez que você entrou ali, você consegue sacar a generosidade e grandiosidade da visão dele sobre o entretenimento, dessa visão popular, não consegue voltar atrás. A melhor coisa é ser popular. Eu acho que quem não consegue ser popular, em algum momento fica muito frustrado. Quando você faz uma manifestação, uma expressão artística e cultural, escreve um livro, faz uma peça, um filme, grava uma música, você quer que essa música chegue até as pessoas. Quanto maior a potência do megafone, melhor. Eu vi uma reflexão que me mandaram nesses grupos de WhatsApp que dizia assim: ‘11% das pessoas do mundo ainda passam fome. O capitalismo funcionou para quem?’. E outra pessoa respondeu: ‘para os outros 89%’. Então, tem 89% das pessoas que se divertem com esses programas populares, e entre estar neles e não estar, eu prefiro estar.”

Qual o seu sentimento e relação com o apresentador Fausto Silva?

“Eu comecei com o Faustão, eu adoro ele. Acho o Faustão um fenômeno de comunicação, um cara com uma força, carisma, credibilidade, e ele é um dos espaços mais nobres para a música na televisão, desde sempre. Estar no Faustão para um artista brasileiro não há nada melhor, é o topo, a cereja do bolo. Então, a gente vai estar aqui convivendo, trabalhando juntos cinco meses e eu estou nas nuvens.”

Se surgir um convite para uma nova novela na Globo, você aceita?

“Agora com essa experiência e convivendo com essas pessoas, eu aceito até fazer papel de mulher (risos).”

Por representar uma geração, você é um artista que desperta muita emoção e admiração no público. Você tem noção que algumas pessoas gostariam de te homenagear no quadro?

“Não. A gente trabalha com entretenimento, temos que levar o trabalho a sério, mas não fazer com que isso seja um empecilho para você. Eu quero andar para frente, descobrir novas coisas. Você vê aí hoje grandes estrelas, com grandes carreiras como o Adam Levine, do Maroon 5, os caras jurados de programas musicais. Eu fui chamado para ser jurado do Superstar e foi incrível. Fui jurado do Popstar, adorei, e serei novamente na próxima temporada, depois da Copa do Mundo. Quando eu fui chamado para ser ator foi uma experiência que me enriqueceu muito. Eu estou sempre olhando para frente, eu não tenho saudades dos anos 80. Eu fui protagonista daquele período incrível da explosão do rock brasileiro, realmente foi uma festa, uma grande euforia e um grande privilégio estar ali. A gente se encontrava no Chacrinha todos os sábados, todas as bandas do Rio e de São Paulo se encontravam, era uma loucura. É uma pena que não existam mais espaços como esse. Mas o fato é que passou, eu estou preocupado agora no meu próximo ensaio, e isso que faz com que eu esteja sempre achando que eu posso fazer mais e melhor.”

O elenco vai homenagear e interpretar outros artistas. Porém, tem espaço para você colocar um pouco da sua essência na performance?

“Eu costumo dizer que todo cantor, ou mesmo um ator que é até mais, é um cavalo, espiritualmente falando. Nós somos um intermediário entre o público e a canção. Como a canção precisa de uma manifestação física para chegar até as pessoas e emocionar, nós somos o intermediário. Sendo você o próprio compositor da música, você tem que filtrar a sua personalidade, emoção, maneirismos e todo o processo consciente nessa entrega da canção. Então, o que a gente percebe com os anos de carreira? Você vai enxugando, menos é mais. Você vai dando menos gritinhos, vai colocando menos afetação e vai procurando passar a canção até que não exista nenhuma interferência entre você, o público e a canção. É óbvio que vou chegar lá com a minha experiência, ela vai me ajudar na hora de me dar mais segurança, firmeza, tranquilidade e, claro, é a minha voz. Por mais que procure emular a voz do homenageado, no fim das contas vai ser a minha voz. Eu acho que o que a gente traz no fundo de toda a caracterização é a voz da gente, isso aí é muito forte e pessoal.”

Participar do Show dos Famosos é se arriscar e se expor. Por que aceitar esse desafio e mostrar um lado que o público ainda não conhece?

“Nem eu conheço, vou conhecer ainda. É muito estimulante, a vida é feita de desafios. A gente precisa sempre estar crescendo, saindo da zona de conforto, isso em tudo. O que te motiva levantar e ir para a academia? Você podia estar em casa deitadinha, vendo uma série. Mas, você tem que ir lá para ficar melhor, para ter uma saúde melhor. Todos nós começamos em algum momento quando éramos criança vendo um artista e dissemos: ‘caramba, que maneiro isso! Eu queria muito fazer isso quando crescer’. Eu vou fazer isso. Eu estou tendo a oportunidade de ter toda uma estrutura, o melhor da Rede Globo, a terceira maior emissora do mundo, para realizar alguns sonhos meus de infância. Isso é incrível e, claro, tem um risco. Mas, é o risco que faz ficar gostoso.”

* Entrevista feita pelo jornalista André Romano

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