Claudia Raia revela como surgiu o bordão de Lidiane em Verão 90: “Uma brincadeira minha e da Tatá Werneck”

Publicado há 2 anos
Por Greicehelen Santana
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Claudia Raia está caminhando para o término do seu trabalho como Lidiane em Verão 90. Uma mãe extremamente protetora, a personagem mostrou ao longo da trama que ver a felicidade de Manuzita (Isabelle Drummond) sempre foi o seu maior objetivo.

Atrapalhada, a moça também protagonizou momento inusitados
que divertiram os telespectadores. Em entrevista ao Observatório da
Televisão
, Claudia Raia revelou como surgiu o famoso bordão ‘Tudo bom?’ de
Lidiane e o seu crescimento na trama, escrita por Izabel de Oliveira e Paula
Amaral.

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Além disso, a atriz também comentou sobre a boa forma, momentos em família, sua participação no Show dos Famosos e muito mais. Confira a seguir:

Análise do trabalho em Verão 90

Qual o balanço você faz da Lidiane, de Verão 90?

Ela tem tantos coloridos, tantas emoções, tantas nuances, então é mesmo um presente como atriz receber um personagem desses. Sou uma comediante, e consigo só fazer engraçado aquilo o que acho engraçado. Tenho que ler e achar graça, e a acho engraçada. e ela é uma personagem muito bem escrita pelas autoras. Claro que tem a direção do Jorginho (Jorge Fernando), e de outros diretores dando essa finalização, e contribuo com boa parte disso. É desafiador depois de 36 anos de TV Globo, dentre tantos personagens de comédia que já fiz, me reinventar numa nova personagem que conta com algumas características de personagens que já fiz. Foi um trabalho árduo, mas acho que ela ficou bem diferente, engraçada. Saquei desde o começo que o coração da personagem era essa relação com a filha. É a construção de uma dupla, que não são apenas e mãe e filha. Tem mães e filhas que são simbióticas, e elas são, quase numa dependência emocional. Isso é interessante de mostrar, e construímos de verdade, Isabelle (Drummond) e eu, e até passou para a vida. Foi uma dupla que as pessoas vão se lembrar com carinho.”

Lidiane (Claudia Raia) em Verão 90 (Reprodução).

O bordão de Lidiane

Você comentou que colocou coisinhas de outras personagens na
Lidiane. Teve algo que você foi inserindo ao longo dos capítulos?

Eu inseri muita coisa. O ‘tudo bom’, foi uma brincadeira minha e da Tatá Werneck, e eu botei isso numa cena com o Rafa para fazer uma homenagem a ela. Quando falei, todo mundo caiu na gargalhada. É uma coisa tão minha e dela quando a gente se encontra que eu não sabia que isso ia funcionar tão bem. Isso virou um bordão, e nunca mais parei de falar ‘tudo bom’, e onde eu vou as pessoas falam. Incrível porque foi uma coisa super ingênua da minha parte. Não era minha intenção fazer um bordão e acabou acontecendo. Tem muita coisa que trago de outras pessoas, digo que o ator é um bom ladrão (risos). Fico com tudo armazenado, então tem horas que o texto vai vindo e a gente cria. O sotaque por exemplo, eu sou paulista, meu sotaque é paulista, e para fazer a carioca foi difícil, mas meus filhos são cariocas, e tenho muita gente que fala daquele jeito, fui pegando e virou esse retalho de homenagens que é a Lidiane.

O início de Lidiane

A primeira cena da Lidiane ainda com a Manu pequena deixou a
impressão que ela seria uma vilã, mas no decorrer da trama a gente viu que não
foi assim. Como foi para você representar as mulheres que criam as filhas
sozinhas, sem a presença de um homem?

São as duas ali, uma pela outra e isso dá a humanidade dela. Essa aparência de vilania vem na inadequação dela, porque é muito louca. Eu falo toda hora com a Isabelle ‘que absurdo isso que ela fez’, e ela defende a personagem. A Lidiane se mostra com um coração aberto, se ferra no caminho, mas sem dúvida é muito batalhadora, muito forte, e muito empoderada nos anos 90, uma mulher que nunca precisou de homem. Ela tocava a vida dela, tem orgulho dos filmes, da carreira de pornochanchada… A relação dela com o Patrick é algo bom de falar nesse momento de que uma mulher mais madura pode estar com um rapaz mais jovem e é amor de verdade, não é outra coisa, outro tipo de interesse.”

Manuzita (Isabelle Drummond) e Lidiane (Claudia Raia) de Verão 90 (Divulgação/TV Globo)

Seduzindo o Quinzão

Por que você acha que ela atraiu tanto o Quinzão (Alexandre Borges)?

Ela tem essa coisa quase infantil. Tem uma ingenuidade que justamente é o contraponto de uma sensualidade meio bagaceira por ter sido atriz de pornochanchada, então ela virou uma personagem que todo mundo quer levar para a casa. Acho que isso atrai o Quinzão. É a sétima vez que faço par com Alexandre, a gente já é PHD um no outro. É muito legal fazer par com quem você tem intimidade, com quem você é amigo, com quem você admira, então foi de novo um grande presente ter o Alexandre novamente, mesmo que tenha sido só no final.”

Boa forma

E esse corpão? Como foi para você fazer aquela cena do ensaio
fotográfico?

Eu acho que a personagem precisaria ter esse tipo de
coisa, ela tem essa relação com o corpo, afinal essa é a origem dela. E eu
teria que ter toda a disponibilidade para fazer isso, e acho que ficou bom,
porque tem coisa que não dá mais para fazer. Tem coisa que você olha e pensa
‘vai ficar ridículo se eu fizer’, então o resultado foi legal. Televisão é tudo
corrido, em foto a gente pode rebuscar mais
.”

Sobre as cenas sensuais, você está sendo muito elogiada na
internet. Você sente que as mulheres da sua faixa de idade te procuram para
falar sobre isso?

As pessoas falam nas minhas redes, elogiam muito, gostam, acham graça, porque só dá para fazer aquilo no horário das sete porque é comédia. É legal ver uma mulher de 50 e poucos anos, com esse fogo, essa vontade de viver. Na verdade, isso é real, as mulheres têm isso dentro delas, é que elas são abafadas por um formato de ‘você passou de 40, é velha’, e não existe isso. O mundo inteiro fala de outra coisa, e o Brasil continua machistamente tentando abafar essa mulher como se ela não existisse, e a gente tem que acabar com isso.”

Lidiane (Claudia Raia) em Verão 90 (Reprodução/TV Globo).

Unindo a comédia e o drama

Você falou sobre ser uma atriz de comédia, mas tiveram cenas
de drama também durante a novela, né?

Não é só porque é uma personagem de comédia que ela não tenha sua dor, suas lágrimas. A diferença é fazer aquele monte de loucura que se faz na comédia, com uma verdade que as pessoas acreditem. Ela está falando as maiores barbaridades, e as pessoas pensam ‘estou com ela’, porque tem uma coisa humana na frente. Não é a piada pela piada. A piada acontece porque ela é uma doida, inadequada, mas ela ir na cadeia por exemplo, pedir para o João se separar da Manu, foi a pior coisa que uma mãe poderia fazer. Às vezes acho tudo tão absurdo, mas as pessoas não acham, acreditam que ela é uma mãe que foi defender a filha. Quando se cai na empatia, pode tudo. Acho que a direção teve uma mão muito forte em nos conter e sempre trazer a humanidade, o coração da personagem na frente. A gente se manteve bem, mesmo fazendo loucuras, porque as autoras são muito boas de comédia. Tudo tem que ser crível e o público tem que acreditar em tudo o que você está fazendo. Vão vir mais lágrimas por aí, como ela se justificando para a Manu, e é bonito o movimento que elas fazem uma com a outra.”

Lidiane (Cláudia Raia) e Manu (Isabelle Drummond) em Verão 90 (Reprodução/TV Globo).

Claudia Raia sendo mãe

Você é uma mãe como a Lidiane?

Deus me livre! Eu a acho uma mãe muito estranha, controla
demais a vida da filha que é uma adulta. Ela não sabe lidar com a síndrome do
ninho vazio, o que deve ser bastante duro, e eu devo estar perto disso porque
tenho um filho de 22 e outra de 16. Fácil não é, mas você tem que ir
trabalhando para isso. Meus filhos têm a vida deles, claro que eu interfiro
quando vejo que tem algo errado, um caminho errado ou que tenho que me
pronunciar. A Lidiane invade a casa da filha, manda fazer uma obra que não
acaba nunca, é uma louca que domina tudo
.”

Na idade que a Sophia está, você temeu que ela pudesse sair
de casa, assim como você saiu bem cedo?

Eu saí de casa com 13 anos, e pensei ‘será que ela vai fazer igual’? Ela quer ir. Se ela tivesse vontade de ir com 13, eu ia tentar aguentar e fazer o que minha mãe fez. Ela viu que ela tinha parido uma doida que queria voar, e que se ela não abrisse a portinha da gaiola, eu iria arrebentar a gaiola. Acho que é a mesma coisa, eu tentaria entender, daria recursos a ela, que minha mãe não tinha na época para me dar, mas como mulher muito forte, conseguiu me manter lá, e foi uma oportunidade muito importante.”

Momento de luto

Nesse processo da novela, você teve uma perda na sua vida
pessoal. De onde você tirou força para não perder o foco desse trabalho?

Perder uma mãe não dá! Principalmente uma mãe tão forte, tão presente, que se foi com 95 anos absolutamente lúcida, com controle da família. Isso é muito duro, e sempre será. É uma dor que talvez não passe, mas sou tão grata pela vida que ela teve, e por eu ter nascido dela aos 44 anos, ou seja, há 52 anos quase ninguém nascia de mães com essa idade. A minha gratidão é maior que minha dor. Minha dor é imensa, mas tinha o meu trabalho. Um trabalho que amo fazer. Meus amigos, minhas filhas postiças, meus filhos verdadeiros, todo mundo à minha volta e ainda com uma personagem que me ajudou a levantar. Estar fazendo uma personagem de comédia é bom por isso. Aconteceu a mesma coisa em Ti-Ti-Ti (2010) quando me separei do Edson (Celulari), era uma personagem que também me ajudou, porque essas coisas te impulsionam para cima. Claro que você não deixa de viver o luto, e ainda estou vivendo, mas essa novela e essa personagem me ajudaram muito, e também o amor de todos os meus amigos e minha família.”

Administrando a rotina

Você atua, produz, agora está palestrando, e está no ar
diariamente. Queria que você falasse um pouco sobre isso, inclusive a novela
nessa semana teve recorde de audiência.

Eu acho que a novela veio num crescendo, e foi preparada
para esse momento. É um momento eu estar no ar de domingo a domingo. O Faustão
vai até 15 de julho, sai do ar antes da novela, e é algo bacana porque adoro
fazer o ‘show’, acho que a gente criou ali uma cumplicidade, uma união. É muito
delicado porque julgar é muito complicado, é uma posição difícil principalmente
por julgar pessoas com carreiras consolidadas, e pessoas importantes no meio
artísticos que estão ali se expondo num momento até frágil porque é difícil
fazer aquilo. Estamos ali para encorajar e dar ferramentas para essas pessoas
continuarem se arriscando. Amo fazer, e termino sempre tendo muito carinho com
todos os participantes porque a gente acaba convivendo.

Você é do povão né?

Eu sou do povo. Eu popular, faço minha arte para o povo.”

Show dos Famosos

Tem uma coisa que você fala muito no Show dos Famosos, que é
o filigrana. O que você dizer com isso?

Filigrana é o detalhe do detalhe. É aquela joia que se faz com fios de ouro, rendado, muito delicado e muito detalhista.”

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano.

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