Claudete Troiano chega a 100 edições do Vou te Contar e afirma: “Não sei por que não vim para a RedeTV! antes”

Apresentadora já foi atriz e repórter de rua antes de brilhar em programas de variedades em diversas emissoras

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Completando 100 edições do Vou te Contar, na RedeTV!, a apresentadora Claudete Troiano, de 67 anos, segue se reinventando dentro deste nicho de programas de variedades no qual se iniciou na década de 1980, com destaque para o Mulheres, da TV Gazeta.

A atração foi aquela que a consagrou na televisão brasileira como uma das figuras mais populares do setor, e a projetou como uma das profissionais mais respeitadas e bem vistas pelo mercado publicitário.

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Não por acaso, Troiano já passou por quase todas as emissoras do país, só não a TV Globo, emissora que também a convidou para seu casting de estrelas, mas que ouviu um “não” da apresentadora.

De infantis na TV Excelsior, passando pela dramaturgia da Band e TV Tupi, até seu ingresso nos programas de variedades da própria TV Gazeta e na Rede Manchete, Claudete Troiano deu personalidade aos projetos e virou referência quando o assunto é comunicação direta com o público feminino.

Na década passada, a apresentadora ainda conduziu atrações da Record TV, SBT e TV Aparecida, sendo este último o canal que antecedeu sua chegada à RedeTV!.

Agora, desafiada a fazer televisão em tempos de pandemia, a apresentadora reflete: “É muito estranho como é fácil fazer televisão hoje em dia, principalmente quem faz televisão há muitos anos. Olhava para aquele Skype que eu mesma colocava lá no pedestal, me distanciava, falava e estava com uma imagem linda lá na TV. Eu pensava: ‘Meu Deus. Cadê os três câmeras, a grua, tudo isso?’“.

Para este momento especial de comemoração, Claudete Troiano contou um pouco da sua história à reportagem do Observatório da TV, dos desafios como repórter de campo às experiências na teledramaturgia brasileira até as emoções de uma carreira construída com muita garra e o brilhantismo do seu talento. Confira!

CADU SAFNER – Como é possível se reinventar na televisão depois de tanto tempo de dedicação a programas de variedades e/ou femininos?

CLAUDETE TROIANO – Na verdade, eu sou o que eu sou e mostro isso para as pessoas. Assim como eu estou há muito tempo à frente deste tipo de programa, o meu público também foi envelhecendo comigo. É comum ver meninas que falam: “Aprendi a gostar de você com a minha mãe” e, de vez em quando, eu ouço até “com a minha avó”.

Fico bem preocupada! (risos). Pessoas que estão acostumadas comigo e tiveram as suas vidas mudadas, assim como a minha. Esse é o processo de amadurecimento, é se adequar a essa mudança e levar isso para a TV.

CS – Pioneira como repórter de campo na narração esportiva, como foi a sua recepção neste setor e a relação com os jogadores, técnicos e outros profissionais?

CT – Já dá para imaginar que foi tudo muito difícil. Estamos falando da década de 1970 e imagine só uma loirinha, novinha, 18 aninhos, cabelo quase pela cintura – e, modéstia a parte, bonitinha – corpinho em dia, entrando em um campo de futebol.

Até então era só uma fotógrafa de bem mais idade, do Estadão, que tirava fotos no gramado. A torcida estranhou, jogadores também, mas nos receberam muitíssimo bem.

Acho que nós, que pertencemos a essa primeira equipe, não tínhamos a ideia na época – éramos muito novas mesmo – de imaginar que estaríamos abrindo um campo de trabalho tão importante para a mulher, até mesmo para jogadoras de futebol feminino.

Acredito que abrimos portas, sim, porque nessa época só tinha um time de futebol feminino, o Esporte Clube Radar, do Rio de Janeiro, e mal se falava no assunto. O maior preconceito ou preocupação, vamos dizer assim, foi em relação aos cronistas esportivos, mais do que os jogadores e técnicos de futebol.

Uma pitada de preocupação masculina do tipo: “O que elas estão se metendo aqui?”. Mas valeu a pena! Hoje eu reconheço a importância que teve esse movimento à época. Tanto é que atualmente, no Museu do Futebol, por um convite feito pela Prefeitura de São Paulo e indicação do jornalista Marcelo Duarte, a narração que conta a história da mulher no futebol é minha.

Eu tive o prazer de narrar a parte da minha própria história. Outra questão da época é que eles falavam palavrão e olhavam para nós mulheres, constrangidos, ou colocavam a mão na boca depois.

Essa era a educação dentro e fora de campo, era tudo diferente. Tinha umas paqueras de jogadores? Tinha, lógico que sim, mas era uma coisa normal, nada abusivo, nunca sofremos com isso. As esposas e namoradas dos atletas apoiavam nosso trabalho.

CS – Na época, você tinha interesse em trabalhar neste setor, ou foi forçada a aprender sobre o assunto? Qual é a sua relação com o esporte hoje? Qual o seu time do coração?

CT – Sou são-paulina desde pequena, por influência familiar. Eu sempre morei próximo ao estádio. Os meus pais viram colocar a pedra fundamental para a construção do Estádio Cícero Pompeu de Toledo, então você deve imaginar que é uma família muito tricolor.

Estou sofrendo, como vocês estão sabendo, com o São Paulo [risos]. Sempre gostei de futebol, porque ia muito ao Morumbi com minha família. Somos cinco filhos, duas mulheres e três homens, e a diferença de idade entre minha irmã e eu é maior do que em relação aos meus irmãos.

Então, essas brincadeiras ‘mais masculinas’ estavam mais próximas de mim, jogava bolinha de gude, empinava pipa, jogava bafinho [figurinhas] ao invés de brincar de boneca ou casinha. Vivi muito isso e sempre gostei, não fui forçada.

Eu trabalhava na Rádio Bandeirantes e tinha o Salão da Criança, uma quadra poliesportiva que ficava disponível para o público e, sem que ninguém me pedisse, eu comecei a narrar os jogos de vôlei e futebol de salão.

A família Montoro, da Rádio Mulher, ficou sabendo e surgiu o convite para fazer parte da equipe que estava se formando na rádio. Fui contratada e comecei com reportagens. Foi tudo bem, porque já fazia isso há muito tempo, mas em 15 dias me colocaram para narrar de uma forma inusitada, e narração é difícil.

Tive duas semanas para aprender. Sabe o que fiz? Coloquei meus irmãos para jogarem futebol de botão, bem rápido, e eu ficava narrando. Além disso, não foi uma, nem duas vezes que fui ao Morumbi, sozinha, com um gravador na mão e ficava na arquibancada narrando os jogos para pegar o ritmo. Valeu a pena! Hoje eu vejo que foi bem mais importante do que imaginava na época. Gostei, foi divertido.

CS – Você também fez teatro e novelas com elenco formado por Laura Cardoso, Tony Ramos e Dennis Carvalho. O que a motivou seguir para outra carreira que não a de atriz? Hoje em dia você é noveleira?

CT – Adoro novela, filme, gosto muito da dramaturgia. Gozado que série, eu não gosto muito. Segundo o Antônio Abujamra [diretor de teatro] eu era ‘muito louca’ [risos]. Ele falou: “Você é boa em dramaturgia. Larga esse futebol, larga esse programa infantil”.

Na época eu já tinha dois empregos: narrava futebol na rádio e tinha um programa infantil na TV. E aí ele me convidou para fazer uma novela, ele sabia que eu já tinha trabalhado como atriz.

Mas a novela me tomava muito tempo e pagava menos, não dava. Eu ganhava mais com outros trabalhos, fiz essa opção e não me arrependo, gosto do que eu faço! Talvez tivesse sido uma boa atriz, mas como apresentadora você precisa de um pouquinho de cada coisa, então foi bom.

CS – Como é pra você, uma profissional criada na televisão, que sempre esteve cercada de colaboradores, produtores, convidados, agora ter que trabalhar, bem como todos nós, seguindo as várias restrições de cuidados contra a covid-19?

CT – Uma vez, pode parecer uma besteira o que eu vou falar, um parapsicólogo amigo falou que, sempre quando acontece alguma coisa assim, como uma pandemia, você não pode entrar muito nessa linha de pensamento de “Meu Deus do Céu!” e ficar só pensando naquilo.

Claro, que eu lamento muitíssimo tudo o que aconteceu na pandemia. No programa, mesmo com convidados, tomo cuidado e até mesmo, às vezes, o diretor fala no ponto: “Mantenha distância”. Tem que se cuidar, sim, e eu me cuido muito.

Não coloco nada para dentro de casa sem que esteja totalmente higienizado, estou sempre de máscara e com álcool em gel. Acho que você tem que ter sempre fé em Deus, ser positiva e otimista.

CS – Como você tem visto e se sentido com a readequação pela qual a TV tem passado em decorrência da pandemia?

CT – É estranho… Eu mesma trabalhei, quando estava na TV Aparecida, por quatro meses de casa, e vi a minha sala se transformar em um pequeno estúdio de televisão, com umas lâmpadas que já tinha lá.

Eu mesma tinha meu equipamento, era estranho porque com um Ipad eu fazia o programa, as minhas participações, colocava no ar os dez ‘merchans’ que tinha por dia.

Pegava o aparador do hall e colocava os produtos todos lá e na sala mesmo, em frente a um quadro, continuava vendendo o tanto que vendia antes, sem nenhum cliente ter saído. A pandemia mostrou isso.

É muito estranho como é fácil fazer televisão hoje em dia, principalmente quem faz televisão há muitos anos. Olhava para aquele Skype que eu mesma colocava lá no pedestal, me distanciava, falava e estava com uma imagem linda lá na TV. Eu pensava: “Meu Deus. Cadê os três câmeras, a grua, tudo isso?”.

Aí você fica pensando como esse mundo mudou. Aliás eu me sinto privilegiada de ter visto tantas mudanças, porque sou de uma outra geração. O mundo mudou muito, eu fiz um plano de expansão para ter um telefone na minha casa, dois anos para instalar, hoje todo mundo tem um celular na mão.

Quer dizer, me sinto privilegiada por ver todas essas mudanças. Na pandemia, o que eu sinto mais falta é desse contato. É legal você chegar, dar um abraço, sentar juntinho, comemorar, e hoje em dia é só esse murrinho [com as mãos].

CS – Durante muitos anos você foi repórter de rua, e sabemos que você ama essa profissão. Você voltaria a explorar esse seu lado?

CT – Se tem uma coisa que eu adoro é fazer reportagens para o próprio programa. É algo que eu amo. Aliás, se tem uma coisa que eu gostaria de fazer na televisão é um programa mais ou menos assim, só de matérias externas.

Gosto de extrair histórias, histórias de gente comum, mostrar coisas diferentes. Acho que se, o brasileiro não gostasse de história, novela não seria um sucesso.

CS – O Vou Te Contar está completando 100 edições. O programa está nos moldes que você quer? Como você avalia o atual momento da atração?

CT – Eu nunca tinha feito um programa de 1h15min na televisão, sempre com mais de duas horas. Estou me adequando com pautas mais curtas, dançando conforme a música. Acredito que para esse tipo de programa um tempinho a mais seria interessante, até para colocar a reportagem e mais matérias externas, como mencionei. O público está gostando, respondendo bem, tudo está caminhando aos poucos.

Mas uma coisa eu preciso dizer, não é porque estou falando para jornalista, nem nada disso. Estou me sentindo muito bem na RedeTV!, não sei por que eu não vim para cá antes. É um lugar gostoso para trabalhar, te dá liberdade e assim que é bacana, encontrei esse apoio aqui dentro.

E, claro, agradecer mais uma vez à Ultrafarma que acreditou no meu trabalho e me conhece há muitos anos. Já fiz grandes amigos em pouco tempo e isso é legal. Tenho produtores que trabalharam comigo há 30 anos e mantenho contato. Isso é o que mais vale para mim hoje.

Em relação ao programa estou contente. Estou sempre pensando em melhorar, em acrescentar isso ou aquilo. Que bom, porque mostra que estou viva. Às vezes eu tenho uma ideia, converso com a minha equipe, aí eu mudo e eles falam: “Mas você não tinha falado outra coisa?”, e eu respondo: “Mudei de ideia, estou viva. Quem está viva é para mudar de ideia” [risos].

O programa Vou te Contar vai ao ar de segunda a sexta-feira, a partir das 10h30, na RedeTV!.

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