Carol Garcia comemora sucesso de personagem prostituta em A Dona do Pedaço: “As pessoas repetem os bordões”

Publicado há um ano
Por Greicehelen Santana
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Carol Garcia está roubando a cena em A Dona do Pedaço como Sabrina. A moça é uma garota de programa superdivertida que vive um affair com o empresário Otávio (José de Abreu). Antes de iniciar o caso, ela era uma espécie de conselheira da amiga Edilene (Cynthia Senek), que morreu ao fazer um abordo clandestino do bebê que esperava do ricaço.

Em entrevista ao Observatório da Televisão, Carol Garcia confessou não acreditar em uma vingança de sua personagem contra Otávio, já que foi ele quem induziu a jovem empregada a retirar a criança. “Eu tenho a impressão de que ela tem uma pureza, quase uma ingenuidade”, disse.

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A atriz também comemorou o sucesso que Sabrina está fazendo entre o público, destacando as mensagens de carinho que recebe nas ruas e na internet. Além disso, Carol ainda revelou detalhes de sua experiência ao colher depoimentos reais de garotas de programas durante o processo de construção de sua personagem. Confira tudo a seguir:

A novela

Como está sendo interpretar a
Sabrina?

Eu estou amando porque a
Sabrina está passeando por vários núcleos, então ela se relaciona com várias
pessoas diferentes. Ela tem que se virar com cada personalidade, talvez venha
um trabalho novo agora. Eu tenho que me virar em mil para fazer a Sabrina.
Estou amando muito
!”

Como está a resposta do
público em relação a sua performance em A Dona do Pedaço?

O público quer que ela se vingue de todas as formas do Otavio pela morte da amiga. O que eu mais recebo nas mensagens das pessoas é: ‘é isso aí! Se vinga mesmo. Tira tudo dele’ (risos).”

Vingança

Esse foi o motivo principal da entrada da Sabrina na vida do Otávio? Ela quer vingar a morte da amiga Edilene?

Acho que não. Ela sempre quis
grana, se viu numa situação irrecusável. Ela não tinha muitas oportunidades,
vivia numa casa dormindo no sofá. Ela resistiu no início, mas quando ele começa
a dar tudo, ela fala: ‘bom, aqui vou conseguir viver’. Ela achou que ele fosse
pagar um curso para ela, o sonho dela era ser cabeleireira. Não sei se vai haver
alguma vingança. Eu tenho a impressão de que ela tem uma pureza, quase uma ingenuidade,
e ela se deixou levar tendo uma vida mais confortável
.”

Mesmo com o Otávio, a Sabrina
às vezes dá umas escapadinhas. Por que tem essa atitude?

Eu acho que ela se sente muito sozinha. O Otávio teve o problema com o casamento da filha e sumiu um pouco. Ela é uma danadinha, então eu acho que ela se sente sozinha. Tanto que ela fala: ‘você não vem mais aqui. Tem vindo tão pouco’. Ela é uma menina jovem, cheia de fogo, vida e saúde. Acho que ela aproveita as brechas para dar o bote.

Carol Garcia e Cynthia Senek (Foto: Divulgação/TV Globo)

Futuro na trama

Quais serão os próximos passos
de Sabrina na novela?

O Otávio vai terminar com ela. A Vivi (Paolla Oliveira) bota ele na parede, fala tudo que está passando por conta da Edilene e ele termina com ela.”

A Sabrina vai largar a profissão
de garota de programa?

Eu tenho a impressão de que é o que ela quer, não sei se ela vai conseguir. Agora ela não é mais uma garota de programa, ela é uma ‘sugar baby’, que é totalmente diferente (risos). Eu ouvi muitas meninas que são ‘sugar baby’ falando sobre isso. Elas explicam que isso não é prostituição, isso são acordos claros: eu sou acompanhante, você paga as coisas para mim e está tudo certo. Tudo mundo aceita, ninguém é enganado nessa relação. Ela deixa de se prostituir e vira uma ‘sugar baby’. Ela tem um flat, mesada, caviar e tudo.”

Sabrina (Carol Garcia) e Otávio (José de Abreu) em A Dona do Pedaço (Reprodução)

O jeito meio louco da Sabrina
tem relação com a família dela, que é bem atrapalhada também?

Completamente! Não tinha como
a Sabrina ser normalzinha no meio daquilo tudo. Todo mundo quase que se maltrata
todos os dias. Eu acho que tem afeto, mas é um afeto esquisito, demonstrado de
uma maneira estranha (riso).

Depoimentos da vida real

Como você se preparou para
viver essa prostituta? Você conversou com meninas que vivem com esse trabalho?

Quando eu conversei com as
garotas de programa em São Paulo, na Rua Augusta, percebi que existe em umas
mulheres um sofrimento, não é uma regra. Tem gente que ama fazer aquilo e faz
com a maior alegria. Duas (garotas de programa) que eu conversei, falaram que
quando se trata de prostituição de rua, como é o caso da Sabrina, elas trabalham
muito para ajudar a família. E quando a família descobre, eles não querem mais
saber, renegam e botam na rua. Elas têm muita dor nesse momento porque estão
fazendo tudo em prol da família. Eu acho que a Sabrina tem esse vazio também,
por isso ela não quer contar. Embora todo mundo saiba, ela mente até o fim. Ela
não dá brecha para ninguém, mesmo sabendo que todo mundo sabe, por causa do
medo e do preconceito
.”

Qual linha você tomou para
construir a personagem?

Eu quis construir a Sabrina com
uma certa pureza justamente por isso, para ela não ser esse estereotipo de mulher
que vai para rua e sofre. Ela não tinha muitas opções, mas escolheu fazer isso.
Está tudo bem, mas tem uma tristeza porque, na verdade, ela queria viver bem
financeiramente e acolhida
.”

Essa tristeza da Sabrina
também é motivada pela falta de afeto dentro da família?

Exatamente! E a Cornélia (Betty Faria) foi garota de programa, ela dá a entender isso o tempo inteiro. Mas mesmo a família sendo toda doida, tem muito preconceito com essa profissão.”

Sabrina em A Dona do Pedaço (Foto: Divulgação/ Globo)

Histórias marcantes

Você foi impactada com alguma história
durante a conversa com as meninas na Rua Augusta?

Com certeza! Uma das meninas
era esteticista durante o dia. Estávamos falando das unhas, uma falou que eu precisava
ter unhas enormes. A outra tinha unhas curtinhas e eu perguntei por quê. Ela respondeu
que durante o dia era esteticista, tinha feito faculdade de gastronomia, mas
não conseguia pagar as contas com o trabalho. Então à noite ela continuava se
prostituindo, mas com o desejo de sair um dia. Isso me tocou, eu falei: ‘caramba,
uma mulher que fez uma faculdade, tem um trabalho durante o dia, e ainda assim
não consegue pagar o aluguel, as contas, a escola do filho, a mãe estava doente’.
Isso tudo mexeu muito comigo
.”

Você descontruiu seus próprios
preconceitos?

Com certeza sim! Eu não tenho
preconceito nenhum com uma mulher que escolhe se prostituir, porque é uma
escolha. Quando não é uma escolha é muito perigoso, e aí a gente abomina. Quando
ela escolhe, é o corpo dela, a história dela, ela faz com o corpo o que quiser
e se quiser ganhar dinheiro com isso, por que não? Eu não faria porque tenho
outras possibilidades na minha vida. Mas eu não sei na situação de algumas
mulheres com quem conversei, que vi era uma realidade bem difícil, o que eu
poderia fazer na situação delas. Então, com certeza, é preconceito zero
.”

Carreira

Você já tem uma trajetória no
teatro e no canal Parafernalha. A sua estreia na teledramaturgia veio no
momento certo da sua carreira?

Com certeza! A novela alcança muitas pessoas. A internet também, mas é diferente. Eu digo que veio no momento certo porque irei fazer 30 anos no início do ano que vem. Então, eu ter feito tanto teatro, tanto trabalho na internet, fiz um pouquinho de cinema, me deixou muito segura. Uma segurança de que eu tenho um trabalho, que isso aqui não é um fim, faz parte do meu trabalho. Tem muita gente que começa a fazer televisão muita nova e é ludibriada com essa ideia. Para mim não, é o meu ofício. É mais um trabalho maravilhoso, mas é só mais um trabalho.”

Carol Garcia vive Sabrina em A Dona do Pedaço (Foto: Globo/João Miguel Júnior)

Mas sua visibilidade diante do
público aumenta, né? Como está a abordagem nas ruas e redes sociais?

É curioso porque esses dias me perguntaram assim: ‘você está fazendo uma garota de programa. Você recebe mensagens desrespeitosas?’. Não! Quando eu trabalhava na internet, não sei se o público é mais abusado, recebia coisas horrorosas. Inclusive, eu quase processei um cara que fez um vídeo meu horroroso. Agora, eu tenho recebi tanto carinho, é o oposto. São as pessoas elogiando o jeito da Sabrina, que aprendem com ela, acham ela muito divertida, repetem os bordões dela para mim. Às vezes eu estou andando e alguém me imita. Quando eu trabalhava na internet, recebia muitas mensagens no meu celular. Agora é na internet e na rua.”

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano.

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