Britto Jr. faz mistério sobre retorno à Record e dispara: “Meu lugar está reservado e, ao que me consta, bem cuidado”

Publicado há 3 anos
Por Renan Vieira
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Ele tem mais de 30 anos de carreira, já foi repórter de telejornal, apresentador de matinal, vespertino e reality show. Se tornou uma celebridade quando chamou atenção da Record TV e foi contratado para ser o âncora principal do Hoje em Dia, em 2005.

Aos poucos, a química entre ele, Britto Jr., e os demais apresentadores – Ana Hickmann, Edu Guedes e, mais tarde, Chris Flores -, deu força ao programa junto ao mercado publicitário e abocanhou, várias vezes, a primeira posição no ranking de audiência.

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O sucesso levou Britto ao comando do reality show A Fazenda, o principal da Record TV e, historicamente, o mais popular em termos de repercussão e audiência fora da Globo, depois de Casa dos Artistas.

Em entrevista exclusiva ao Observatório da Televisão, Britto falou sobre as experiências positivas e as dificuldades que enfrentou em A Fazenda. Antes disso, ele contou como foi a sua saída da Globo para a emissora da Barra Funda.

O apresentador explicou que, quando foi contratado pela Record TV, a emissora queria buscar a liderança no mercado, superar a Globo, mas os planos mudaram em 2010.

Questionado sobre uma suposta rivalidade com Roberto Justus, na época em que foram colegas de emissora, ele afirmou que Justus não puxou seu tapete ao substitui-lo na apresentação de A Fazenda.

Atualmente, Britto está fora do ar e aproveita o momento de descanso para avaliar a televisão brasileira. Para ele, a briga pela audiência é “neurótica” e quem perde é o público.

O apresentador não descartou um retorno à Record TV, fez mistério, mas afirmou que o lugar dele na emissora está “bem cuidado”. Entenda por que na íntegra da entrevista:

Como tem sido esse período fora do ar? Deu para avaliar com mais clareza a sua carreira?

Eu precisava descansar. Fiz muitas coisas em 35 anos na TV, de repórter a apresentador de revista eletrônica, de reality show. Quando você está produzindo a todo vapor, no meio do turbilhão, não sobra tempo para maiores avaliações. Mas, agora, neste ano sabático, tenho me dedicado a ler, refletir sobre todos os assuntos, renovar meu repertório. Está sendo boa a experiência de ser telespectador, analisar o que está sendo feito pelos colegas.

Uma das minhas conclusões é de que a TV anda muito barulhenta. Todas as pausas foram eliminadas, as emissoras não querem que o seu consumidor, que está em casa, tenha tempo para pensar porque se pensar, há o risco de ele mudar de canal. Há uma disputa neurótica pela audiência, pelo lucro, que está tornando a TV repetitiva demais.

Vejo nos jogos de futebol, o esforço para acelerar a entrada dos times em campo, nos telejornais todos querendo opinar e dando as mesmas opiniões, que se repetem todo o dia. A TV precisa recuperar o gosto pelo improviso, que é o que torna seus apresentadores mais humanos e próximos de quem está do outro lado.

Muita gente sonha em fazer carreira na televisão, quais são as dificuldades que você encontrou no começo da sua trajetória?

Tudo era muito artesanal quando eu entrei na TV. Não havia computadores, nem celulares. Os profissionais daquele tempo vinham do rádio e aprendiam fazendo. Tentativa e erro, até dar certo.

Essas dificuldades foram superadas e surgiram outras. Hoje, há mais canais e programas, mas, por outro lado, tem muito mais gente querendo aparecer na TV. O mercado está mais exigente com seus profissionais.

Ao longo desses anos todos, do que viu na televisão, o que mais te marcou?

Seria injusto apontar um fato específico. As últimas décadas foram repletas de mudanças para a humanidade e do ponto de vista de quem trabalha na área da comunicação, a maior revolução foi a tecnológica. Nada mais escapa às câmeras. Isso me impressiona.

Você trabalhou na Globo, a maior emissora do país. Quais memórias você guarda desse período?

As melhores lembranças! Ter dividido a mesma redação, convivido diariamente com grandes jornalistas me enche de orgulho. A luta pela notícia, as grandes coberturas jornalísticas das quais participei como as Diretas Já, Copas do Mundo, economia, política, comportamento, e tantos outros fatos importantes me fazem ter certeza de que, de alguma forma, também ajudei a construir um pouco da história do meu país.

Como foi o processo de sair da Globo e ir para a Record TV? Você, muitas vezes, derrotou a emissora carioca na audiência..

De fato, várias vezes senti este gosto de chegar ao primeiro lugar na audiência. Tomei muito champanhe com a direção da Record TV e meus colegas do Hoje Em Dia e do reality A Fazenda para comemorar essas vitórias. Vitórias conquistadas em equipe. Mas, confesso que a minha verdadeira satisfação sempre foi realizar um trabalho de qualidade, merecedor do bom resultado.

Ninguém supera a Globo tantas vezes e de forma consistente por acaso. Quanto a trocar Globo por Record, claro que foi difícil. De um dia para o outro, você sai de um emprego seguro e assume um risco. Mas não há progresso sem desafios, não é mesmo? Acredito muito na minha intuição. Tem dado certo.

Britto Jr. aparece ao lado de carro da Globo e questiona: “Coincidência?”

Apesar desse sucesso todo na Record TV, você se arrependeu de ter saído da Globo em algum momento? Você poderia ter tido o mesmo sucesso ou até mais na Globo?

Não me arrependo de ter saído da Globo, após 25 anos de casa, como também não me arrependo de ter dado um tempo na Record, agora. Na Globo, a fila é imensa, não faltam bons candidatos aos melhores postos. Tenho assistido muito a Globo News, que é uma verdadeira fábrica de jornalistas.

Agora, se eu permanecesse lá, sei que hoje estaria arrependido. Ninguém pode se dar ao luxo de abrir mão de uma boa oportunidade como a Record me deu. Aliás, várias. O Hoje em Dia foi, e ainda é, um programa com a minha cara.

Você sempre quis fazer entretenimento ou a oportunidade surgiu? Como foi isso?

Minha ideia sempre foi trabalhar em televisão. Ainda na Globo, disse, várias vezes, que não deveria haver disputa entre Jornalismo e Entretenimento. Poucos vão lembrar, mas eu fui o primeiro VJ de notícias do Domingão do Faustão. Pintava um fato, o Fausto interrompia o programa e me chamava para dar as notícias ao vivo. Pena isso ter acontecido num momento difícil, quando a alta direção da Globo decidiu fazer uma espécie de intervenção no programa do Faustão. Isso acabou acirrando ainda mais os ânimos entre as duas áreas. Acabou não tendo continuidade.

Só quando fui para a Record, no Hoje em Dia é que foi realmente possível unir jornalismo com diversão. E o público aprovou, tanto que o HED está aí, ainda no ar, há quase 12 anos.

Ainda hoje, as pessoas lembram do sucesso que foi o Hoje em Dia na época em que você foi âncora do programa. Qual era o segredo daqueles resultados positivos?

A união entre jornalismo e entretenimento foi um dos grandes trunfos. Eu adorava alternar o tom de apresentação do programa várias vezes no mesmo dia. Era como ser um maestro. As pautas leves e brincadeiras com o público eram interrompidas de repente para dar notícias que eu mesmo garimpava no computador.

Outra marca do programa era a liberdade para criar aberturas fora do script, bordões, interagir até com a equipe técnica, que fica por trás das câmeras. E o maior segredo: o entrosamento entre nós, apresentadores. Eu, Ana e Edu, depois também veio a Chris, fomos construindo uma relação real diante das câmeras, ao vivo, dia após dia. Isso não dá para copiar. Mas, dá para retomar. Quem sabe um dia?

Na Record, você apresentou outros programas. A Fazenda, por exemplo. Como você avalia a sua passagem por esse reality show? O que mais te marcou?

Foi uma excelente experiência. Ancorei 7 edições da Fazenda, alcançamos quase 30 pontos de audiência, vencíamos a Globo quase todos os dias e assim foi até a fórmula se esgotar, na minha opinião. A Record não teve paciência para promover as mudanças que solicitei. Eu queria ter mais liberdade na apresentação, interagir mais com os participantes, permitir que tudo fosse feito com mais leveza.

A direção do reality criava regras absurdas para não permitir que o programa ficasse em minhas mãos. Imagine que não me deixavam nem usar relógio, com “medo” de que os participantes pudessem descobrir as horas. Um dia, ordenaram que eu entregasse o crucifixo. Tive que tirar do pescoço e entregar para o assistente de palco. Me senti humilhado. Foi quando caiu a ficha e desisti de dar sugestões.

No conjunto da obra, foi ótimo, extrai tudo o que podia extrair da Fazenda, agradeço pela oportunidade. Acredito que se a TV continuar neste caminho de robotização dos apresentadores, vamos ser engolidos pela internet, onde cada youtuber faz o seu programa como quer, de acordo com suas ideias e sem ditadura do ponto eletrônico, essa desgraça da TV.

A sua imagem ficou muito ligada à Record TV devido ao sucesso na emissora. Por que você saiu do canal?

Acho engraçado quando leio em alguns sites que fui demitido. Isso nunca aconteceu, até porque partiu de mim deixar A Fazenda.

A realidade é que a Record TV de hoje é muito diferente da TV Record que me contratou em 2005. Quando cheguei, o objetivo era ser líder, superar a Globo. De 2010 para cá houve uma freada gigantesca. Grandes artistas e jornalistas saíram por falta de investimentos e objetivos.

No meu caso não foi diferente. A emissora tirou o “Programa da Tarde” do ar para pôr reprise de novelas. Andou para trás. Perdeu o sentido para quem está acostumado a grandes desafios.

Mas quero também esclarecer que a Record continua sendo uma das maiores emissoras brasileiras, tem uma brilhante história para defender. E até faria um alerta ao proprietário [Edir Marcedo]: Não permita que a sua emissora seja levada pela crise. Agora que o pior já passou, é hora de mudar, reconstruir o que foi perdido, reerguer a imagem da Record.

Você guarda mágoa de algumas pessoas na Record TV? Algo poderia ter sido diferente?

Mágoa nenhuma. Em 11 anos de Record, conquistei os melhores resultados possíveis, aprendi muito, conheci bons profissionais, tive boas oportunidades e, claro, também entreguei a minha mercadoria com qualidade. Sai após vencer todos os desafios apresentados e poderei voltar caso surjam outros que valham a pena.

Existe uma rixa entre você e o apresentador Roberto Justus ou é tudo brincadeira? Como é sua relação com ele?

Não existe nada entre nós. Aliás, o admiro como empresário. Vamos esclarecer: Quando eu comuniquei a direção artística da Record de que não apresentaria mais a Fazenda por não concordar com a forma engessada do programa, a emissora foi atrás de outras pessoas no mercado. Nenhum outro apresentador topou e, só depois de um mês de procura, surgiu a solução interna, com o Justus.

Portanto, ele não puxou meu tapete, nem nada disso que alguns sites padronizaram. O Roberto Justus é um bom apresentador e está enfrentando um desafio novo para ele, já superado por mim.

Considerando tudo o que viveu na emissora, você voltaria para a Record TV?

Voltaria é pouco. Mas só depois que passar a tormenta. O meu lugar está reservado e, ao que me consta, bem cuidado.

Por falar nisso, quando acontecerá o seu retorno para a televisão?

Estou experimentando a sensação da liberdade. Dormir tarde, acordar tarde, passear. É ótimo poder olhar para o mercado e não estar preso a nenhuma emissora neste momento. Mas essa moleza vai acabar.

Você está negociando com alguma emissora? Pode falar qual? É para fazer entretenimento ou jornalismo?

Estou convicto de que o meu retorno será breve. Já fui procurado, recebi algumas propostas, mas agradeci porque não eram programas que combinam comigo. Tenho me dedicado a escrever crônicas, direto nas redes sociais.

Vou voltar no tempo certo, no lugar certo, provavelmente para as revistas eletrônicas, que misturam jornalismo e entretenimento, fórmula que mais me agrada. Pode surgir algo novo nas próximas semanas, mas não descarto um retorno para vagas que eu mesmo criei.

Você já passou pelo jornalismo, pelo entretenimento, foi repórter, apresentador. O que gostaria de fazer na televisão que ainda não teve a oportunidade?

A televisão está em processo de renovação total. O público quer novidades, não aguenta mais repetições. Muita coisa nova está brotando, mas seja qual for a novidade, as pessoas sempre vão precisar de informação. É nessa direção que eu vou continuar minha carreira.

Na sua opinião, a televisão brasileira está bem em termos de conteúdo, estrutura, novidade? Falta algo? Por quê?

Falar em estrutura em momento de crise econômica é até covardia. As emissoras estão enxugando, retardando novos investimentos. Não se pode cobrar muito agora. No entanto, vem chegando a hora do jogo virar novamente. Em momentos como este, o lado bom é que se abre espaço para a criatividade. Há coisas bem interessantes no ar.

Só acho que a turma conservadora, precisa se reciclar ou dar mais espaço para os jovens, com sugestões diferentes. São muitos programas iguais, quadros parecidos e tudo virando reality show.

Está mais do que na hora de renovar o conteúdo da televisão, sair desta guerra por ibope, do vale-tudo pela audiência. As emissoras precisam parar de só investir em formatos de fora e acreditar mais no talento daqui. O momento é de criar, revolucionar e não apenas de lucrar.

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