Bianca Bin fala sobre as cenas de violência de sua personagem em O Outro Lado do Paraíso: “Mexem muito comigo”

Publicado há 3 anos
Por João Paulo Reis
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Bianca Bin será Clara em O Outro Lado do Paraíso. A protagonista da história de Walcyr Carrasco, é uma moça simples que passará por diversas viradas ao longo da trama. A atriz conversou com nossa reportagem, falou sobre a nova personagem, sua carreira, e crenças. Confira:

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Como está sendo interpretar a protagonista da trama? Você sente essa responsabilidade?

Não sinto essa responsabilidade. Isso é um rótulo, e eu não aceito rótulos. Ok? Isso não me ajuda em nada. Só me causa mais cobrança e pressão e eu já sou muito autocritica. Eu já me pressiono o suficiente para aceitar mais essa pressão que eles (?) impõem pra gente. Pra mim é mais um desafio. Um grande desafio pra dizer a verdade. Falar de um tema muito delicado que é a violência contra a mulher, é um assunto que me move muito, me toca profundo, e eu me sinto honrada de ter a oportunidade de falar sobre isso nessa novela, eu acho que ela tem um papel social muito importante também. A minha maior dificuldade está ai, sabe? Eu não estou em minha zona de conforto. Eu estou lidando com um tema que eu nunca lidei antes. E, que é um tema que mexe muito comigo. Me distanciar também é complicado. Distanciar a Bianca feminista, a mulher empoderada, que eu estou tendo me tornar, da Clara, uma menina ainda imatura, ingênua, frágil, romântica, sonhadora, lúdica, distanciar é difícil e, é um grande desafio para mim.”

Você se considera muito diferente da Clara?

Ah, eu acho que sim. Eu cresci muito cedo, eu sai de casa muito cedo, com 16 anos, para estudar teatro em São Paulo, uma menina do interior, Jeca, do mato. Foi para a cidade grande, morar longe dos pais, eu tive que crescer rápido, precocemente. Isso vai acontecer com a Clara também. O desenho da personagem é lindo. Ela sai dessa doçura, dessa ingenuidade, dessa emoção, para ir para uma razão, uma consciência maior das coisas.

Quais foram os obstáculos que você encontrou nesse inicio de carreira?

Quando eu vim para o Rio de Janeiro, a minha maior dificuldade foi ficar longe da família. Porque em São Paulo, eu estava próxima da casa dos meus pais. Eu ia todo final de semana, lavava as minhas roupas lá. A mãe mandava comida congelada. Então, quando eu vim para o Rio, a distância ficou muito mais chocante para mim. Eu me vi sozinha. Completamente sozinha. Eu sou uma pessoa tão dependente emocionalmente. Tão carente. Ops, eu era. Porque eu estou trabalhando isso em mim.

Como surgiu esse convite, já que você estava escalada para Novo Mundo?

Pois é! Eu ia fazer a Domitila de Castro, a amante de Dom Pedro. Eu estava animadíssima para trabalhar com o Vinicius Coimbra (o diretor da trama). Mas esses remanejamentos acontecem. Eles me tiraram de lá, e me colocaram aqui. Eu estou bem grata. A Clara é personagem incrível.

A Maria de Êta Mundo Bom, ajudou muito você a chegar até aqui?

Com toda certeza! Pergunta para o Walcyr Carrasco, que ele pode responder isso melhor do que eu (risos). Mas eu acho que trabalho, chama trabalho, né? Eu emendo um trabalho no outro. Essa profissão é uma escolha difícil. Eu me considero uma pessoa muito privilegiada. Sortuda, sabe? Por ter esse espaço aqui. Eu tenho tantos amigos talentosos ou mais, que não tem essa oportunidade. E, sou grata de emendar um trabalho no outro.

Você já fez na TV, vilãs e mocinhas? Tem vontade de fazer humor?

Eu tenho muita vontade. Mas para tudo tem o seu tempo. Eu estou acolhendo o que me é dado. É o que me é oferecido. As coisas tem o tempo certo para acontecer. A minha carreira está só no começo. Eu acho que os melhores personagens da minha vida, eu vou pegar depois dos 30 anos, Sabe? É isso. É viver o dia a dia. É o que eu estou treinando para a Clara também, já que a história dela é bem densa, difícil, é um tema que mexe comigo. Então, é escavar coisas dentro de mim, que não são fáceis de lidar. São emoções. Que sempre permeiam com a vida profissional, pessoal, etc. A gente tem que ter muito equilíbrio para separar essas coisas, e levar o trabalho com leveza. É o que eu estou treinando.

A cena da violência contra a mulher mexe muito com você?

É o que mais me pega. Essas cenas de violência, sabe? É o que eu mais estou treinando, eu, Bianca, atriz, levar essa personagem com leveza. Sem o rotulo de protagonista das 9, desse rótulo, que eu não pego para mim. Vocês podem falar, mais eu tampo o ouvido. E me recuso a abraçar isso. É muita pressão de fato, é muito trabalho, a demanda é muito grande. Desde que eu voltei de viagem, eu não parei. A gente só tem domingo para descansar, e, é um descanso entre aspas. Eu trabalho em casa, estudando, decupando, né? Então é frenético, é uma maratona, estou malhando para dar conta disso. Quero ganhar uma massa muscular. Toda vez que eu começo a trabalhar, eu vou emagrecendo.

Você já fez grandes personagens. Por que depois dos 30, você vai fazer os personagens de sua vida?

Eu acredito nisso. Dramaticamente, sabe? Personagem mais denso, mais maduro, sabe? Quanto mais o ser humano evolui, mais o ator evolui. As coisas estão interligadas. Depois que eu me tornar mãe, eu vou melhor muito como atriz. Depois que eu envelhecer mais uns 10 anos. Eu vou melhorando, é como vinho. Tem que ser.

Você acredita na lei do retorno?

Eu acredito com toda certeza! Eu sou uma pessoa muito mística. Muito espiritualizada, então, eu acredito na força maior que rege todo esse universo. Que pra mim, é uma entidade feminina. É a nossa grande mãe, é o amor, enfim. A humanidade toda veio do útero de uma mulher. Tudo o que você dar, você recebe. É uma lei natural. A gente aprende do menor, para o maior. O que a gente planta, a gente colhe. Né? Se não colhe aqui, colhe em outras vidas. Eu acredito nisso.

*Entrevista feita pela jornalista Núcia Ferreira. 

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