“Até hoje recebo mensagens de meninas que sofreram abusos”, diz Bella Piero sobre repercussão da personagem de O Outro Lado do Paraíso

Publicado há 2 anos
Por João Paulo Reis
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Em O Outro Lado do Paraíso, Bella Piero deu vida à Laura, uma moça que era abusada sexualmente pelo padrasto. A visibilidade e força da história de Walcyr Carrasco fez com que a atriz fosse indicada e vencesse o Troféu Melhores do Ano, na categoria revelação.

Durante o evento, a moça conversou com o Observatório da Televisão. Ela falou sobre a alegria de ter recebido o prêmio. Bella concorreu com as atrizes Kelzy Ecard e Claudia Di Moura, com quem fez questão de ir até o palco receber o prêmio. Confira o bate papo completo:

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Você imaginava ganhar esse prêmio de Melhores do Ano?

“Não. Não imaginava. Como eu disse lá atrás, eu estava concorrendo com atrizes que sempre assisti e admirei no teatro. Isso ao mesmo tempo me acolheu muito, e por isso fiz questão de levar as duas para o palco comigo. Esse troféu é delas, de todas as Lauras, de todo mundo que me ajudou a fazer a personagem sair do papel, buscar referências, e mostrar para o Brasil inteiro que ela não é só uma personagem. Ela existe, e esse troféu é de todas as pessoas”.

O Outro Lado do Paraíso

Você representou um assunto muito importante em O Outro Lado do Paraíso, que foi o abuso, e a pedofilia. Você atribui também essa vitória no Melhores do ano ao assunto abordado?

“Com certeza! Majoritariamente foi por causa do assunto, e foi o que o Fausto comentou. Infelizmente na nossa sociedade tão hipócrita e machista, é impossível uma mulher não ter passado por uma violência. Claro que não vou me limitar a falar uma violência sexual, mas existem vários tipos como a violência verbal, psicológica, emocional e física. Esse tema abrangeu muito mais pessoas que eu imaginaria, inclusive amigos. Amigos que nunca tinham falado sobre o assunto comigo, mas que no ápice da novela vieram me contar e foi ainda mais motivador para mim”.

Você conseguiu ajudar outras pessoas, foi convidada para eventos para fala sobre esse tema?

“Sim, eu tive o prazer de ser convidada para ser embaixadora da ONU, numa campanha chamada Ela Decide, que é justamente sobre a escolha que tem a ver com o corpo da mulher. A gente precisa lembrar que o corpo é nosso, e mesmo eu estando com uma roupa curta, isso não quer dizer nada. Eu preciso ganhar o mesmo salário que o homem, ter o meu lugar de fala e a minha vida garantida. Fui convidada para palestrar sobre isso e até hoje recebo mensagens de meninas que sofreram abusos e algumas que não conseguem relatar isso para as famílias. Ao mesmo tempo, ao final da cena do julgamento na novela, tivemos as denúncias triplicadas no Brasil inteiro, e esse é o maior troféu que eu posso receber”.

Troféu

A quem você dedica este troféu?

“A todas as Lauras que existem e que ainda não conseguiram vencer essa barreira de se liberar. Na novela conseguimos mostrar todas as fases. O fato de ser um trauma tão grande fez com que o corpo dela acionasse um mecanismo que fez com que ela não lembrasse, a regressão em que ela lembrou o que tinha vivido, a força dela em denunciar, e a liberdade em si, que foi ela conseguir se relacionar com o marido sem ser definida por esse trauma. Espero que esse troféu represente toda a coragem que essas pessoas precisam ter”.

Quais seus novos projetos?

“Estou querendo voltar para o teatro. Estou há três anos longe, e o teatro foi o lugar que comecei, e é o que mais mexe comigo. Onde me deu toda a base. Tenho vários projetos de cinema, mas ainda não posso abrir porque não é nada concreto”.

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano

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