“As pessoas tinham ranço”, diz Carol Castro sobre recepção de sua personagem em Órfãos da Terra

Publicado há um ano
Por João Paulo Reis
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Carol Castro mal se despediu de sua personagem em O Tempo Não Para, e foi imediatamente escalada para Órfãos da Terra, atual trama das 18 horas da Globo, que chega a seu final em menos de um mês. Ela encara o desafio um tanto espinhoso de dar vida à Helena, uma psicóloga que se apaixona por um refugiado casado, levando sem intenção, o sofrimento à família do homem.

Durante um evento ocorrido nos Estúdios Globo no Rio de
Janeiro, a atriz conversou com a reportagem do Observatório da Televisão e
falou sobre a recepção do público, assim como a redenção da personagem perante
a família de Elias (Marco Ricca), homem com quem ela tentou um relacionamento.

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A atriz falou ainda sobre a emoção de receber um prêmio no Festival
de Gramado como melhor atriz coadjuvante pelo filme Veneza, de Miguel Falabella,
primeiro trabalho de Carol após dar à Luz Nina, sua única filha, atualmente com
dois anos de idade. Confira o bate papo completo.  

Você
aprendeu muito com esta novela?

Com
certeza! Foi um dos papéis mais desafiadores da minha vida. A Helena é muito
controversa, mas ao mesmo tempo sempre foi do bem, apesar de muitos pensarem ao
contrário. Ela sempre foi altruísta, queria ajudar ao próximo e estava em um
momento sensível e carente depois da morte do marido e transferiu para o Elias,
alguém que a tratou bem. Agora ela passa por uma reviravolta, vai passar por
uma redenção, principalmente com relação à família do Elias. Foi uma surpresa
para mim. Eu não esperava o que aconteceria com ela. Tenho certeza que ela
também ficará feliz.

Recepção do público de Órfãos da Terra

O que
você ouvia do público enquanto ela estava com o Elias?

De tudo
um pouco: as pessoas tinham ranço, outros entendiam o lado dela e ficava bem
dividido. Sempre quis fazê-la com muita verdade, nunca concordou em ser a
outra, sempre ficava no pé do Elias para tomar uma atitude. Ela não queria um
homem pela metade, merecia ser completa, não precisava aquela relação. Tenho
muito carinho por esta personagem que me ensinou muito. É um papel muito desafiador.

Tinha
ideia desta reviravolta da Helena?

Não tinha
ideia… mesmo! Quando ela perdeu o filho, se despediu do Elias e pediu perdão
para a Missade, achei que a personagem ia embora para morar com o irmão na
Alemanha. Me avisaram que vinha surpresa por aí, li os capítulos e entendi que
finalmente ela encontraria um grande amor. Encontrou um cara que realmente
gosta dela, a trata de uma maneira que nunca foi tratada na vida e acho um
merecimento dela. Sempre foi uma boa pessoa que se confundiu.

Agora a
torcida virou a favor dela, né?

Acho que
vai mudar mais ainda, mas não posso contar (risos).

Como está
sua filha, Nina?

Ela é o
sol da minha vida, razão do meu viver. Ela está maravilhosa, acabou de fazer
dois anos, passou muito rápido e tanta coisa acontece em pouco tempo. Eu sou
muito realizada. Ela é minha vida!

Prêmio

Conte
como foi a emoção de ganhar um Kikito como melhor atriz coadjuvante?

Comecei a
fazer teatro aos 9 anos de idade, cinema aos 16 anos e televisão com 19, então
este é o primeiro momento que estou recebendo um reconhecimento por tantos anos
de carreira. Este filme foi muito importante para mim porque foi meu primeiro
trabalho depois de me tornar mãe, um desafio, o elenco inteiro já estava
fechado, substituí outra personagem. O Miguel [Falabella] me ligou em
fevereiro, disse que a personagem era incrível, teremos a Carmen Maura e já
fiquei muito curiosa e interessada. Depois que li o roteiro, fiquei apaixonada
e me avisaram que eu estaria no elenco do bordel. Disseram que tinham cenas em
que aparecem o corpo. Eu disse que não tinha frescura nenhuma, mas avisei que
tinha dado à luz há três meses. Tive um mês para me preparar psicologicamente e
fisicamente, sem poder fazer dietas absurdas porque estava amamentando naquele
momento e isso sempre foi primordial para mim. Fazia exercícios em casa para
recuperar. A personagem Madalena me ajudou a me encontrar com o feminino
novamente. Quando você se torna mãe, se deixa um pouco de lado, foca na criança
e, neste ciclo, a personagem me ajudou a encontrar um furacão que eu nunca
soube que tinha dentro de mim. Foi muito importante! Eu não esperava que fosse
indicado nem que fosse ganhar.

Rótulos

O começo
da sua carreira foi difícil por ser uma ex-modelo? Passou pelos rótulos da
‘gostosona’?

Existiu
uma fase de rótulos, sim. Nunca fui modelo de fato, me tornei depois atriz de
publicidade. Sou filha de ator, cheguei na televisão sem entender direito sobre
posicionamento de câmera porque tinha experiência do teatro, mas eu senti isso
sim. Às vezes, ser considerada bonita te limita. Eu queria fazer uma manca,
caolha, com cicatrizes no rosto. Queria ter este tipo de desafio, mas senti que
Velho Chico foi o divisor de águas da minha vida, a personagem tinha uma força
que eu nem imaginava que teria. Até hoje eu escuto as pessoas comentarem e
sinto que agora, com este prêmio, é um segundo divisor de águas.

Tenho
outro filme para lançar, guardado desde 2016, desde antes de engravidar da
Nina, que é O Juízo, do Andrucha Waddington, que deve ser lançado em dezembro.
Foi um grande desafio para mim porque é um suspense espírita, como ele gosta de
colocar. Acho que ele está adiando porque tem de ter uma data certa, não é
comum. É um roteiro da Fernanda Torres, com a Fernanda Montenegro no elenco,
além de Lima Duarte, Felipe Camargo e Criolo. Estou muito curiosa para ver o
resultado.

Divisão de tarefas

Como é
lidar com o trabalho e uma criança tão pequena em casa?

É um
malabarismo diário, eterno. Vale todo esforço. Às vezes são noites pouco
dormidas, deixo de fazer muitas coisas por mim para estar com a Nina, faço
questão. Raramente consigo ir à academia. Quando estou de folga, se é um
horário que a Nina está acordada, eu não vou à academia. Tratamentos estéticos
ficaram de lado e priorizo ela. Tenho meus momentos, claro, para dar exemplo.
Sempre digo a ela ‘trabalhar é bom’ para ela não ter a imagem que quando a
mamãe vai embora é para trabalhar.

Quem
cuida dela para você?

Minha mãe
mora em Ribeirão Preto, meu pai se preocupa bastante e o próprio pai da Nina
(Felipe Prazeres), que mora perto de mim e falo com ele se pode ficar com ela
até eu sair do trabalho. A gente se fala todos os dias, nos esquematizando quem
pode ficar com ela ou dormir, tudo numa boa. Tenho uma superbabá e uma rede de
apoio.

Existem
algumas mães que preferem esconder os filhos. Como você trabalha este limite?

Eu
procuro o equilíbrio. Não faço um Instagram para a Nina, não julgo quem faz,
mas acho que ela tem de escolher se quer ter. Mas também não escondo
completamente porque tenho uma vida pública. Às vezes estou andando de
bicicleta, não escolhi ser fotografada, mas acontece. Quanto mais se esconde, mais
curiosidade se desperta e acho que não precisa. Não é sempre que eu posso, mas
quando tenho um momento fofo, uma declaração de amor, faço até por mim mesma.
Procuro não esconder nem expor demais.

Nina

Ela já
entende sua profissão? Você a deixa ver novela?

Eu não a
deixo ver novela porque até o os dois sei que é bom privar o contato com telas
em geral, como telefone, computador, televisão, por conta da formação
neurológica, mas ela já me viu no Faustão, algumas cenas esporádicas, e já me
acompanhou no cinema, em alguns ensaios fotográficos. Ela fica encantada. Já me
viu me maquiando e entende o que é isso. E ainda quero trazê-la para andar
dentro da Globo porque eu acompanhava meu pai em set de filmagens e é bacana
para entender um pouco mais. Quem sabe até gostar! (risos)

Como é
sua relação com o Felipe (ex-marido)?

O Felipe
e eu sempre fomos amigos antes de nos relacionarmos como homem e mulher.
Tentamos até o fim para que desse certo, mas vimos que estávamos fazendo aquilo
pela Nina. Nos perguntamos ‘até que ponto isso é por ela mesmo?’ Já não
estávamos bem e o aviso da separação veio quando isso já estava acontecendo há
muito tempo. Conversávamos sobre o assunto, combinamos de sempre manter a
amizade, o diálogo, a boa comunicação para que seja o melhor possível. É para
sempre esta ligação, eu admiro o trabalho dele, ele o meu, eu o prestigio e ele
a mim e assim será sempre.

Você
pretende apresentar um namorado para a Nina?

Eu ainda
não passei por isso, muda um pouco, vou pensar muito antes de apresentar. Vou
pensar se é isso mesmo…

Namoro com Bruno Cabrerizo

Agora
você está com o Bruno, né?

[Muito
envergonhada] Fora do trabalho, a gente está se conhecendo, sabe? Sem rótulos,
deixando a vida acontecer. Dentro dos Estúdios Globo, somos grandes amigos de
trabalho e o Bruno é muito profissional, centrado e sério. Não imaginávamos que
nossos personagens fossem se envolver, mas aconteceu. Não tenho muito o que
dizer. Estamos nos conhecendo…”

Você é do
tipo de mãe que assiste Galinha Pintadinha?
Assisto de tudo: O Mundo de Bita,
Galinha Pintadinha, Palavra Cantada e até Xuxa e eu canto porque foi a minha
infância. Adoro! Faço sempre, brinco, me jogo.

Você diz
que sua filha te dá muita força e você ganhou um prêmio que você filmou após a
maternidade…

Para mim
isso foi tão simbólico… Foi uma luta para me transpor. Primeiro que eu estava
me reencontrando como ser humano, mulher e é um renascimento ter um filho.
Principalmente quando tem um parto natural, sente todas as dores, vai pelo lado
selvagem até você se reencontrar. Foi um papel tão forte, um furacão, mudei de
país com uma criança de 6 meses e foi uma saga. Levei panela elétrica para o
quarto, tirava muito leite, andava com isopor. Atravessei o oceano, fui para
Veneza e toda a saga do filme foi muito forte para mim. Sair de Gramado com um
Kikito foi o presente máximo que eu poderia ter.

*Entrevista
feita pelo jornalista André Romano

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