Aprendizado em São Paulo e os conselhos de mãe: as verdades de Neila Medeiros – Parte 1

Publicado há 3 anos
Por Gabriel Vaquer
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“A reprise de ‘Carrossel’ não deu o resultado esperado pela direção artística desta emissora. Por esta razão, deixará de ser exibida, voltando à nossa programação dentro de um ano. Esse horário terá como atração Neila Medeiros, a única jornalista capaz de apresentar sozinha o programa ‘Aqui Agora’, enfrentando Datena e Marcelo Rezende. Estreia segunda-feira, 23 de setembro”

11 de setembro de 2013. Para muitos, mais um aniversário do atentado que sacudiu os Estados Unidos. Mas para o mundo da TV, esse dia teve um fato extremamente curioso: o Brasil começou a conhecer Neila Medeiros através do SBT.

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Neila já era experimentada em Brasília, e fazia muito sucesso na hora do almoço local. Em 2013, querendo dar uma chacoalhada em sua emissora e mexer no fim de tarde, que não estava bem com o Ibope, Silvio tomou uma decisão surpreendente: voltar com o Aqui Agora, justamente com Neila, que teve pequenas participações em rede nacional até ali.

No dia 11 de setembro, o comunicado que incia a primeira parte desta matéria foi exibido à exaustão. Mas nos próximos dias, eles mudariam: o Aqui Agora virou Boletim de Ocorrências, e depois virou SBT Notícias. Entraria às 18h15. Ao vivo. E Neila, como diz o lendário comunicado, entraria sozinha contra Datena e Marcelo Rezende – este segundo em seu auge de popularidade no comando do Cidade Alerta, da Record.

Neila Medeiros conta suas verdades ao Observatório da Televisão (Imagens: Marx Walter)

Na primeira verdade que Neila revela em conversa ao Observatório da Televisão – você verá outras duas partes desta matéria nos próximos dias -, Neila diz que aceitou São Paulo porque era um projeto de vida ir para o centro de onde as coisas acontecem. Mas admite: não dominava minimamente SP.

“Se outros apresentadores vissem uma matéria no ar, eles sabiam o que iam comentar. Eu não tinha essa bagagem, apesar de ter 10 anos de jornalismo na época – hoje eu tenho 18. E tudo isso numa cidade que eu não conhecia. Eu não domino São Paulo. Isso tudo é muito novo pra mim. São Paulo é novo até para quem é Uber, taxista. Eu sou comunicadora, eu converso com todo mundo. E eles sempre me falaram: ‘Eu trabalho com isso faz 40 anos, eu não conheço São Paulo inteira’. Era por isso que eu chegava muito antes para me preparar, porque se desse alguma m**** no ar, eu tava em rede nacional, eu não podia ficar sem saber o que tava acontecendo”, conta Neila. 

Em São Paulo, se diz que cada pessoa tem sua função. Se você faz isso, você não pode fazer aquilo porque “invade” o trabalho do outro. Nas emissoras locais, para quem não sabe, a coisa não funciona bem assim: normalmente são equipes enxutas e todo mundo faz tudo. O apresentador, por exemplo, ajuda editar muitas vezes. Neila relembra: no SBT, em São Paulo, todo mundo tinha uma função, e ela, admite, ficou surpresa com isso.

“Isso tudo eu trouxe de todos os meus anos de jornalismo nas redações locais onde é assim pra todo mundo. Mas na cabeça de rede, o apresentador tem uma função, o editor tem uma função, e até você entender isso… Sabe? Isso foi o que eu aprendi em São Paulo. Eu aprendi também a receber crítica negativa. Eu sou libriana, e libriano gosta de agradar todo mundo”, relembra a jornalista. 

Crítica… Ah, a crítica… Bom, esse assunto é para a parte dois. Pra vida pessoal, São Paulo foi importante pra Neila. Em Brasília, eram sempre dois ou três empregos para tocar, muita coisa para manter um bom nível de vida. Em São Paulo, não. E com isso, ela pôde ficar mais próximo de suas duas filhas. Uma delas, a Júlia, precisou de atenção especial por dificuldades motoras que teve – e Neila a levava sempre para a AACD.

Neila Medeiros sorri ao lembrar de passagem em SP (Imagens: Marx Walter)

“São Paulo foi um aprendizado maravilhoso pra mim. Pessoal mesmo, como pessoa. Como mãe também, porque fui com minhas filhas, e era só eu e elas. Eu tinha que ser ‘pra tudo’. levava minha filha para AACD, eu levava minha filha pro hipismo. E eu ficava assistindo o treino dela, porque seu sempre tive 2 ou 3 empregos em Brasília e não tinha tempo. Foi muito enriquecedor. Mas no final da minha passagem por lá, eu já não estava fazendo o que eu fui fazer lá. Eu estava lendo texto de outras pessoas, eu estava lendo TP, o que me deixava muito triste. Hoje, aqui em Brasília, eu voltei a fazer parte de todo o processo de edição do jornal. Eu tenho controle do jornal, dos meus comentários de tudo o que diz respeito quanto a mim. Quer me deixar mais feliz? É quando o jornal cai inteiro. Na queda do viaduto em Brasília, a gente tinha um repórter na rodoviária e fomos a primeira equipe a chegar. O jornal caiu todo e fizemos tudo ao vivo. Eu saí do jornal dizendo: ‘eu quero o próximo, bora bora bora!!!’”, relembra. 

Notoriamente, Neila Medeiros ama o que faz. E ama muito. Falar de jornalismo na frente dela é uma dádiva. Mas ela, acima de tudo, é mãe. Suas duas filhas estão em fase de definirem o que querem da vida. E o maior conselho que ela dá é o seguinte: fazer por dinheiro? Sai dessa, dinheiro é bom, mas gostar do que faz e fazer o que ama é muito melhor.

“Eu falo isso para as minhas filhas: ‘cara, não adianta..’. ‘Ah, mas você vai pelo dinheiro’, elas dizem. Não adianta, você não vai pelo mercado, pelo dinheiro, você vai pelo seu coração. Não tem coisa mais chata do que você acordar de manhã cedo e lembrar: nossa, tenho que ir trabalhar. Ninguém merece, a vida ela é o agora que funciona”, diz a jornalista. 

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Na segunda parte desta reportagem, você vai relembrar as passagens marcantes de Neila pelo SBT Notícias e pelo Notícias da Manhã. E vai saber que ela tem muita coisa para falar sobre o jornalismo de entretenimento que é praticado atualmente no Brasil. Neila lembra de casos notórios que aconteceram envolvendo seu nome, e que ajudaram a minar ela como uma apresentadora que não dava audiência. Mas ela não fala só de si, e lembra casos de colegas que até hoje deixam marcas em si.

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