Angélica fala sobre o novo formato do Estrelas: “Botar a mão na massa é o que mais gosto”

Publicado há 3 anos
Por João Paulo Reis
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Angélica se prepara para viver uma nova fase profissional. A apresentadora que está há 10 anos a frente do Estrelas contou para o Observatório da Televisão em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (29) as novidades adotadas no formato deu seu programa apelidado Estrelas Solidárias. Angélica ainda terá a companhia dos artistas mas os quadros de entrevista e culinária darão lugar às histórias de 3 instituições diferentes por programa onde a apresentadora e seus convidados trabalharão como voluntários. Confira o bate papo:

Quais experiências você tirou das pessoas com quem conversou durantes as matérias do programa? 

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São várias coisinhas que a gente vai captando. Os pequenos gestos que vão te marcando por exemplo para não desperdiçar comida. Nós gravamos em um projeto em que vimos flores de casamento que são desperdiçadas, eles pegam, tratam e fazem doação para asilos. Eu passei a ter um novo olhar sobre as coisas e o Estrelas Solidárias é isso. Estar ali praticando um ato solidário como um voluntário e estar aprendendo também a viver de novo. O caminho mais bacana da gente seguir é ajudar o outro, porque o mundo está uma confusão, vemos muito desamor e incentivar as pessoas a olhar pro lado e verem que tem alguém ali que elas podem ajudar.

Como isso influenciou o seu dia a dia?

Procuro passar isso pros meus filhos. Chego em casa e conto onde eu fui, e o que aconteceu. É a minha forma de tentar viralizar em casa o meu sentimento. Dá pra perceber que as pessoas que são voluntárias hoje tiveram muito incentivo em casa, ou as vezes os pais já faziam voluntariado. Se a gente começar a formar uma geração de pessoas mais solidárias, o mundo pode daqui a algum tempo ser diferente.

Como as instituições chegam para vocês?

Temos a equipe de pesquisa que identifica a viabilidade daquele projeto ser interessante para o programa.

Como você encaixa os convidados do programa, ou seja, as estrelas nas determinadas instituições?  Vocês verificam se o convidado gosta de fazer determinada ação que tem a ver?

Na verdade não. A gente acabou descobrindo muitas celebridades e artistas que já fazem trabalho voluntário, e procuram a gente para poderem participar também. Eu não imaginava que tinha tanta gente solidária no Brasil.

Como será a dinâmica do programa?

Serão ao todo 13 programas inteiros e não quadros, e cada programa tem 3 ações de voluntariado com estrelas, onde no final de cada programa vamos sentar e conversar sobre as ações realizadas naquele dia, dividir opiniões daquilo o que vimos e vivemos ali. É muito legal ver o depois, porque fica todo mundo muito tocado.

Como surgiu a ideia de mudar o formato do Estrelas mesmo com o programa já consolidado?

O programa vai fazer 11 anos no ar e ele merecia este presente, e o público do Estrelas merecia algo novo. Era uma vontade minha, e uma vontade da nova equipe que entrou no programa, de fazer coisas novas, e eu fico muito feliz por isso porque temos que estar sempre renovando. A solidariedade é muito interessante para se despertar nas pessoas nesse momento. Já me perguntaram se isso tinha a ver com alguma coisa que eu vivi e não, isso não aconteceu dessa forma mas como eu acho que nada é por acaso, a gente acaba atraindo coisas que são importantes, e eu acabei atraindo esse projeto sem ter programado.

Existe um frio na barriga?

O frio na barriga tem que ter senão não tem mais graça. Não é um friozão como antes, apenas um friozinho.

Percebemos que a figura Angélica tem muito impacto com a terceira idade.

Isso sempre. Desde que eu trabalhava para crianças sempre atraí as avós, e eu adoro. Asilo é um negócio que me mata porque sempre gostei muito de estar com idosos. Acho loucura nesse país não existir uma atenção com o idoso. As pessoas trabalham tanto e as vezes no fim da vida ficam lá jogadas, é uma coisa que não consigo entender.

Com crianças também existe ainda essa atração?

Eu atraio idosos e crianças também. O interessante desse novo formato do Estrelas é que me possibilita ir até o público. Eu parei de fazer programa com plateia desde o fim do Vídeo Game há 4 anos, e nunca tinha ficado sem fazer programa de auditório antes, estou revivendo esse contato de estar junto com as pessoas agora. Gravamos numa instituição com 700 crianças, tive oportunidade de estar junto com elas, ouvir o que elas querem, o que elas esperam. Eu sentia falta disso.

Você tem feito muitas viagens para gravar o programa. Você costuma levar seus filhos?

Eu os carrego comigo quando dá, atualmente no período escolar não tem como. Quando fazíamos o Estrelas de férias em Janeiro e Julho eles iam comigo mas agora são viagens bem mais curtas, em que eu consigo ir e voltar no mesmo dia.

Você chegou a incluir seus filhos em algum projeto?

Não. Por enquanto eles estão só de ouvintes. Esse projeto que visitei onde haviam 700 crianças, eu me arrependi de não tê-los levado porque eles iriam adorar. Se tiver oportunidade e tempo eu vou levar porque é importante o exemplo. Espero que o programa deixe uma coisa bacana pro púbico e pros meus filhos.

Quando falamos em solidariedade lembramos logo do Luciano Huck, porque o programa dele tem muito disso. Com o Estrelas reformulado vocês vão ficar revezando quem faz o público chorar? 

Não. Tanto ele como eu não queremos fazer ninguém chorar mas acontece. Eu não gosto de ficar chorando, fico chateada quando não consigo controlar a emoção porque estou lá pra mostrar uma situação, mas as vezes a gente não consegue segurar. Que bom que o programa emociona e toca, porque mostra que as pessoas tem sensibilidade para o outro. O Caldeirão tem a questão da premiação, queremos premiar o público com gestos apenas.

Qual é a experiência de botar a mão na massa?

É o que mais estou gostando! Claro que a gente tem que mostrar o projeto, conversar, fazer entrevistas com as pessoas mas o mais legal é ser o voluntário. É legal poder fazer, carregar caixa, e sentir na pele o que as pessoas fazem. Eu me prendo muito na coisa de alguém sair de casa e doar seu tempo e seu suor pelo outro que nem conhece.

Teve algum desses projetos que te tocou mais?

Todas as instituições são muito especiais mas quando tem idosos fico mais sensibilizada. Gravamos em duas diferentes: uma mais carente e outra um pouco menos. Me chamou a atenção a solidão deles dos idosos independente da condição financeira e fiquei refletindo sobre isso. A instituição que fizemos o programa sobre o desperdício de alimentos também me tocou, porque as vezes quando você percebe que aquela maçã que você só comeu um pedaço e jogou fora pode ser a única refeição de alguém e aí você passa a olhar diferente para o que você vai jogar fora, e eu estou vivendo isso. Me sinto privilegiada, e tenho a sensação de estarmos fazendo um trabalho muito gratificante.

Você é voluntária de alguma instituição em sua vida pessoal?

Eu estive sempre envolvida com companhas, mas nunca tinha participado de algum trabalho assim colocando a mão na massa. E estar ali doando meu tempo está me motivando muito. Nas redes sociais vemos muitas campanhas, e a gente ajuda as vezes sem falar que está ajudando porque as pessoas acabam julgando, falando que estamos querendo aparecer. Sempre tem um espírito de porco pra tumultuar a campanha mas o importante é ajudar o outro sem se importar com o que as pessoas vão achar.

Você falou que ficou 4 anos longe do contato com o público. Como as pessoas te recebem?

É um barato. É muito gostoso porque todo mundo parece que já te conhece. Eu vou de crachá escrito meu nome porque as crianças não sabe quem eu sou afinal não faço programa pra criança há muito tempo, mas é muito confortante ser recebida como se fosse parte da família.

As pessoas te perguntam sobre a sua família?

Muito. As crianças adoram o Luciano, me pedem para mandar beijo, as vovózinhas também, e falam dos meus filhos “eles são tão bonitinhos”. É diferente do contato que sempre tive com a plateia, porque é uma conversa ao pé do ouvido.

Entrevista realizada pelo jornalista André Romano

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