Ângela Vieira fala sobre a virada de sua personagem em Pega Pega: “Tudo muda para a Lígia”

Publicado há 3 anos
Por Redação
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Em Pega Pega, Ângela Vieira dá vida à elegante Lígia, uma mulher já foi apaixonada pelo bon vivant Pedrinho (Marcos Caruso), e que terá uma virada após a prisão do marido. Nossa reportagem bateu um papo com a atriz que falou sobre os estereótipos, a reprise de Senhora do Destino, e sobre os exercícios físicos que pratica aos 65 anos de idade. Confira:

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Sua personagem é bem chique, né?

A Lígia é mais uma mulher chique que eu faço, mas logo vou me livrar disso e começar a interpretar mulheres mais simples. Ela é uma mulher elegante, que teve uma vida fácil, devido ao marido ser um desembargador aposentado. Eles têm uma situação financeira excelente, e vão se meter numa situação complicada, pois serão envolvidos na morte da Mirella. É isso que eu posso contar.

Todos os personagens nessa história parecem esconder algo, não é mesmo?

“Quase todos na novela têm um mistério, a trama não gira só em torno do roubo do hotel, que já se sabe quem foram os ladrões, embora ainda falta descobrir envolvimento do Malagueta (Marcelo Serrado) no crime. Existe uma história paralela envolvendo o Eric (Mateus Solano), que vai permear nosso núcleo, e ficaremos envolvidos nessa trama que irá se desenvolvendo aos poucos.”

Após o marido ser preso, o que mudará para Lígia?

Tudo muda pra Lígia, nem eu sei bem o quanto.

O que você mais escuta nas ruas em relação a ela?

O público tem um carinho muito grande pela novela, que se trata de um roubo, mas tem uma comédia paralela a esse roubo. Me perguntam: ‘Quando é que vão descobrir o Malagueta?’; E na próxima semana, o público vai saber o que vai acontecer com outros personagens. A cada semana, uma coisa nova aparece, o público fica curioso com o que está acontecendo naquele momento. O texto é muito interessante.

A Lígia tem uma inveja incrível da Sabine, né?

Ela tem inveja de todo aquele status da Sabine (Irene Ravache), afinal, ela é uma mulher poderosa financeiramente e profissionalmente. Mas existe também o problema com o Pedrinho (Marcos Caruso). A Lígia teve um caso com ele, e percebeu que não era a mulher da vida dele, e que ele sempre foi apaixonado pela Sabine, mesmo agora que ele está balançado pela Arlete (Elizabeth Savalla). Foi mais um motivo para essa rivalidade entre as duas explodir.

Você mesma disse que já interpretou muitas mulheres chiques na TV, e como você fez pra diferenciar a Lígia das outras personagens?

É difícil, a não ser que na trama dessa personagem tenha uma tônica, uma situação absolutamente grifada, absolutamente singular, que caracterize essa mulher que é elegante, bem-nascida, que se veste e que tem boas maneiras, mas fora isso, é difícil. Eu fiquei extremamente aflita com a reprise de ‘Senhora do Destino’, porque minha personagem lá, vive uma situação muito semelhante à minha personagem atual, porque ela pensa em casar a filha com um deputado, e fica muito chateada de ver a filha apaixonada por um maître, alem dela ser uma alpinista social e a Lígia, de certa forma também é, porque ela e o marido têm uma situação financeira boa, mas em troca de alguns favores que ele fez para as pessoas com poder econômico, então é difícil, sempre tem uma coisa ou outra, essa situação nova da personagem é uma situação fora da lei, já é alguma coisa diferente. Eu acho que o ator gosta de brincar nas onze, então, se você tem oportunidades de fazer personagens díspares, diferentes, pra nós é muito melhor, lhe dá um jogo de cintura maior, a gente se diverte mais trabalhando, que é mais legal. Eu espero voltar a fazer mulheres mais simples.

Isso te incomoda de alguma forma? Ser escalada sempre para fazer o mesmo tipo de papel?

Eu acabo sempre querendo personagens diferentes. Eu saí de uma personagem em ‘I Love Paraisópolis’, que era uma advogada bem nascida, super comedida, bem diferente da Lígia, que tem um tom a mais, um ponto de loucura. O fato de sempre me dizerem que sou muito elegante, quer dizer que só posso fazer mulheres elegantes? Não. O ator é o que o personagem for, e isso é o que nós atores adoramos fazer.

A Ingrid Guimarães em entrevista para a Tatá Werneck, disse que ela sempre era escalada para fazer personagens feias, até que ela deu um basta. Você acha que a sociedade acaba rotulando as pessoas?

A sociedade eu não sei, mas a televisão mostra para sociedade o que ela consome. Se você mostra o ator naquele nicho, é o que espectador vai consumir. Já me disseram que não me imaginam com roupas simples, porque nunca me viram, ou não lembram de personagens que fiz assim. Acho ótimo a Ingrid ter quebrado isso, até porque as pessoas têm conceitos de beleza diferentes. O que é feio para mim, pode não ser para você.

A sua beleza já atribui a alcunha de mulher chique. Isso te incomoda?

Não, não me incomoda, porque a vida inteira eu tive que cuidar do meu corpo. Sou bailarina clássica, e isso me acompanhou pela vida. A boa alimentação é o que vai trazer uma qualidade de vida e um aspecto bom, porque você fica com uma boa pele, sem excesso de gordura no corpo. Eu sou vaidosa, preciso parecer bonita, cuidar da minha saúde e da minha imagem. Comecei a fazer dança aos seis anos de idade.

Você ainda faz exercícios assim?

Faço alongamento, dança e também gosto de correr. Fiquei 20 anos sem fazer dança, voltei a dançar com um professor de dança clássica. Fiquei me perguntando porque fiquei tanto tempo longe da dança, que acho tão sublime.

Há quanto tempo você voltou para dança?

Há dois anos e meio.

Como você vê o abandono do Teatro Municipal, já que você saiu de lá?

Como uma artista, eu não estou só emocionada e triste com o que tá acontecendo com o Teatro Municipal, mas eu estou emocionada e muito triste com o que está acontecendo com a arte de modo geral nesse momento do país. Nunca imaginei que a gente fosse passar pelo que estamos passando. O país retrocedeu de forma rápida, e nós artistas estamos sofrendo violentamente. A arte tem poder de salvar e fazer com que saiamos de várias situações embaraçosas em nossas vidas. Eu acho uma loucura um país que está tendo essa atitude em relação às manifestações artísticas e aos artistas que vão lá defender o seu ofício. A gente está vendo aí nas redes sociais, as agressões, as ofensas. Isso só vai sumir quando tivermos uma educação séria, porque daqui 30 anos, formaremos uma nova geração. Enquanto não investirmos em educação, vamos continuar vendo esse tipo de comportamento em relação à arte.

A sua personagem agora vai ser internada, e como vai ser essa mudança?

Já fizemos essa cena. Ela foi internada lá no passado, mas só se fala agora, mas fizemos essa cena, foi dirigida pelo Marcos Figueiredo, e foi um momento de total fragilidade, total medo, e foi muito legal mostrar o quão frágil essa personagem pode ser e o quanto de medo ela realmente tem.

É bacana mostrar para o público da TV aberta, que você é muito intensa. Mostrar outra Ângela Vieira, não é?

Quem dera a gente tivesse no teatro, uma quantidade de público como a gente tem na televisão. Seria maravilhoso.

Você sabia dessa virada da personagem ou foi uma surpresa para você também?

Soube na metade do caminho. Porque quando nós começamos a fazer, cada um tinha um segredo, e eu achei que eu não tinha segredo, que era um livro aberto e aí na metade do caminho, o Luiz Henrique veio me falar o que era o meu segredo, que eu também não posso contar, porque é segredo (risos).

Tem algumas pontes com o personagem do Aníbal, padrasto da Sandra Helena?

Sim, vai ter um envolvimento ali. Ele foi motorista e já conhecia essa família, mas eu não sei exatamente como vai ser.

É bacana para você participar de uma trama que sempre tá mudando, que não tem aquela tradicional barriga?

A gente já se habituou a fazer isso em novela, que é uma obra aberta. Por N motivos você está numa estrada e depois pega um atalho. Não é por exemplo como uma série, que é um coisa fechada, que você pega aquela personagem como no teatro, e tem todo o controle sobre ela. Tem um tempo de maturar, de estudar, de fazer e já sabe onde vai chegar. Novela não, novela como diz Juca de Oliveira, é cada capítulo, olha e faz.

Como telespectadora, você tem alguma suspeita de quem possa ter sabotado esse carro?

Até tenho.

E você pode falar qual é?

Eu nem vou falar nada, porque vai que acerto? Se eu mando uma bola dentro e estrago a surpresa? Morro no capítulo seguinte (risos)!

Como foi a preparação para participar da trama?

O bom dessa novela é reunir um time de atores jovens, e outros nem tão jovens que têm bastante experiência. Outro diferencial foi a vinda de um coach, uma pessoa que ajudou a todos a ter tempo para trabalhar cada personagem. Fomos muito bem preparados. Tivemos uma série de experiências que nos uniu e deu um tom de unidade. Eu acho que essa novela foi uma novela de consistência.

Como é o trabalho com o coach?

A gente vai experimentando coisas, quando a gente chega para o diretor, a gente já vem com aquilo mais mastigado. Nem todo mundo precisa, nem todos os atores precisam. Os protagonistas geralmente precisam porque tem um milhão de cenas para decorar, e quando você vai estudar com o coach, você já estar decorando também.

Você sempre foi muito criteriosa em relação ao seu trabalho, você tá com a reprise agora em ‘Senhora do Destino’, você se assiste?

Não tenho o costume, porque o que a gente é naquele segundo é passado. Muitas vezes eu vejo cenas e penso que podia fazer alguma coisa diferente, mas não tem jeito. Tá feito, tá registrado. Mas eu sou muito crítica, e isso às vezes até me atrapalha um pouco, isso eu acho que veio da dança, essa disciplina, não tem como não ter disciplina, mas eu podia ser um pouco menos severa. Eu chego no horário, eu não tenho porquê ter problema. É aquilo que eu tenho que fazer, então vamos fazer aquilo. É óbvio que tem umas coisas que você pensa que poderia ter feito melhor, mas eu tenho muita disciplina, e isso vem realmente da dança. Eu podia ser mais complacente comigo.

Você gosta de se ver em trabalhos anteriores?

Depende, depende do trabalho. Tem uns trabalhos que eu gosto, tem outros que nem tanto. Os que eu me diverti mais, eu gosto de assistir, a gente não pode ser feliz o tempo inteiro. Nem infeliz o tempo todo, isso faz parte da vida, para o bem e para o mal, tem papéis que a gente prefere, assim como tem amigos que a gente prefere.

Você tem notado que sua experiência com o Coach tem sido mais rápida?

É diferente, no cinema é uma coisa, no teatro é uma coisa, mas o coach melhorou a vida dessas pessoas. Te dá a liberdade de trabalhar mais, pra quando chegar aqui, acertar o máximo possível. Que bom que eles vieram, porque quando você vai gravar um plano de 25 cenas, você vai escolher umas cinco pra serem ‘as cenas’.

Você tinha falado que é uma pessoa vaidosa, qual o limite da sua vaidade?

Eu já fiz intervenções cirúrgicas e o meu limite é o bom senso, não só no que eu mexo no meu rosto, então eu tenho que ter um rosto compatível, compatível com as emoções que eu preciso, e não querer ter 20 anos a menos, porque isso não rola, você pode querer uma coisa mais suave, se você tem bolsas, tirar as bolsas. O lance é não querer aparentar uma mulher de 20 anos a menos, o bom senso é o que te leva a isso. Eu uso creme para a perna, um para a noite e um para o dia. Um hidratante que eu passo também. Não tenho muita preocupação com isso não.

Você parece ser uma pessoa muito espiritualizada, isso passa muito no vídeo. Você é espiritualizada?

Mas não sou não, eu não tenho religião. Eu adoro santo, eu gosto da história dos santos, eu tenho São Miguel, que me acompanha tanto, que pus na minha cama. Meu marido se chama Miguel. Eu tenho uma fé, que não passeia por nenhuma religião. Eu acho que você tem que emanar boas energias, tem que ser uma pessoa positiva, deixar a vida dos outros pra lá, tentar ser uma pessoa tranquila para não incomodar ninguém e ninguém te incomodar, e a vida vai assim.

E como você lida com a passagem do tempo?

Não adianta brigar, né? Porque a gente vai perder. Então, a gente tem que fazer um ‘conchavo’ bom. Porque a gente tem muitas personagens pra fazer com mais idade. Eu acho que eu estou envelhecendo como eu gostaria de envelhecer. Estou com muita saúde. Estou com uma aparência agradável e a vida vai seguindo assim. Quando eu vou fazer aula por exemplo, é o momento que eu mais sinto que a vida passou. Eu fui profissional, a cabeça sabe onde o corpo tem que ir, mas ele não obedece. Eu não ponho mais a perna na cabeça, eu não dou mais quatro piruetas, não salto mais tão alto do chão.

O que você gosta mais em você?

Eu gosto mais do meu sorriso, de tanto as pessoas falarem, porque tem horas que eu tenho que parar de rir. Eu acho que eu fico com rosto iluminado.

Quais são seus planos pra 2018? Como vai ser seu Natal e ano novo?

Esse ano, eu perdi a minha mãe, e sou filha única, sou neta única, vou ficar só eu e meu marido. Eu nunca tive muitas ilusões em relação ao Natal, eu sempre tive inveja daquelas famílias grandes. Então pra mim, eu acho que esse ano a passagem do ano seja um pouco menos animada, porque vai faltar uma pessoa que esteve comigo até agora e isso vai ser uma tônica. E os meus planos são de teatro para o início de 2018.

Quanto tempo faz que você perdeu sua mãe?

Há sete meses, e foi tudo bonitinho, ela estava lúcida, e eu estou com 65 anos, tive mãe até agora, então é estranho não ter mais.

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano

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