Anderson Di Rizzi opina sobre seu personagem em O Outro Lado do Paraíso: “Devagar até demais”

Publicado há 3 anos
Por Greicehelen Santana
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Anderson Di Rizzi é Juvenal em O Outro Lado do Paraíso. O personagem da trama das 21h se encantou por Estela (Juliana Caldas), e não percebeu ainda que sente pela moça mais que amizade. Em entrevista ao Observatório da Televisão, o ator comentou sua parceria com o autor Walcyr Carrasco, os rumos de Juvenal e seu contato com o universo do nanismo. Confira:

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Vamos começar falando sobre o Juvenal. Quem é esse cara que já se encantou pela Estela, personagem da Juliana Caldas?

“Quando eu comecei a compor ele, vi que ele seria um lapidador de pedras e que ele teria que ser um artista, um cara com muita sensibilidade. Então eu fui muito por esse caminho, comecei até a fazer Tai Chi Chuan. Parece uma viagem louca, mas tem uma conexão com você mesmo, eu também já medito há mais de um ano. Então, eu acho que ele se conecta com o outro pela energia, é um cara que sente realmente aquilo que está no coração, tem a sensibilidade de sentir se a pessoa é boa ou não. Tanto que quando o português aparece, em algum momento, ele fala: ‘não gosto de você. Não sei quais são suas intenções com a Estela’. O Juvenal é um cara bom, que tem boas intenções com ela, pelo o que me parece é um cara que ama lapidar as pedras, uma pessoa de confiança, que está se aproximando da Estela sem nenhum interesse. Acho que nem ele sacou que gosta dela, não sentiu isso ainda. Ele não tem essa diferenciação de que ela tem uma estatura baixa e ele uma estatura normal. Ele olha para ela de igual para igual.”

É quase uma sina sua participar um triângulo amoroso, né? Foi assim em ‘Amor a Vida’, ‘Êta Mundo Boom’, e, agora, em ‘Do Outro Lado do Paraíso’. Já pode pedir música no ‘Fantástico’, né? 

“É quase um MMA. Eu estou com o cinturão de campeão, aí chega o Pedro (Amaro) para tentar arrancar. Nas novelas eu sempre fiquei no final com a mocinha. Em ‘Êta Mundo Bom’, eu fiquei com a Mafalda, em ‘Amor a Vida’, eu fiquei com a personagem da Tatá. Eu gosto de dar o melhor de mim, procurar ser fiel ao máximo ao que o autor escreve. Se o Walcyr Carrasco for por um caminho onde o Juvenal começa a não gostar da Estela, eu vou dar o melhor de mim para isso.”

Tem uma outra personagem dando umas investidas no Juvenal também. Será que ele vai ficar dividido?

“É a Desireé (Priscila Assun), ela trabalha no bordel. Eu sinto que não, tanto que ele fala que gosta de outra pessoa, que não consegue ficar com ela.”

O seu personagem é um romântico à moda antiga?

“Eu acho que ele é devagar até demais (risos). Mas é um cara sincero, do jeito dele.”

Você está em uma novela das 21h, e, mais uma vez, com esse casamento com o Walcyr Carrasco. Qual o balanço que você faz sobre isso?

“É a quinta novela com o Walcyr, muito louco isso. O Walcyr é um cara que trabalha muito, é uma novela por ano, e ele sempre me reserva. Eu estou muito feliz, é uma responsabilidade enorme, sempre um trabalho novo, diferente. Também é um momento diferente da minha vida com a minha filha, corrido. Eu sempre vou ficar com ela, estou sempre nessa conexão Rio e São Paulo. Eu só agradeço a Deus, todo dia levanto e agradeço pelas oportunidades e que eu consiga fazer jus ao que o universo está conspirando.”

A paternidade lhe agregou como ator? A Grazi falou que depois da maternidade, ela se tornou uma nova atriz. Com você aconteceu isso?

“Meu olhar mudou, está diferente. Inclusive, na preparação que a gente fez com o Eduardo Melevski, a galera falou isso. A gente aprende, a gente emana mais amor e a vida é assim. Tem gente que fala que o filho nasceu e a vida melhorou, mas não é que a vida melhor, é o que você emana. você não quer o melhor para o seu filho? Você não daria a sua vida pelo seu filho? Para que pessoa no mundo você já fez isso na vida? Ninguém. Talvez, para o seu pai e sua mãe, mas é o que a gente emana. É muito amor, e eu acho que isso acaba trazendo para o meu trabalho também.”

Qual o nome dela e com quantos meses ela está? Você troca fralda?

“O nome dela é Helena e está com cinco meses. Eu troco fralda, dou banho, acordo de madrugada. O que está ao meu alcance eu faço, até para a minha mulher descansar também, dormir e respirar um pouquinho.”

Você é sempre bem elogiado em todos os trabalhos que produz. Você se sente abençoado por isso?

“Muito, muito. Por isso falei que eu agradeço a Deus por tudo que tem acontecido na minha vida. Eu estava até um pouco receoso com esse papel, porque, apesar das cenas mais engraçadas, agora com a Desireé, ele é um cara mais sério. Não são situações cômicas com o personagem da Estela. Eu pensei como o pessoal ia me receber, porque as pessoas acostumaram a me ver na televisão em papéis engraçados. E eu me surpreendi, acho que nunca fui tão elogiado por um trabalho em duas semanas. Eu recebi comentários falando que nunca tinham ouvido a minha voz mesmo, que quase não me reconheceram, que gostaram do tom do personagem. Eu achei que elas aceitaram bem, porque tem ator que fez a vida toda personagens engraçados e quando vai para um personagem mais sério, as pessoas olham e ainda dão risada. E, por enquanto, não está acontecendo isso.”

Você já tinha contato com esse universo do nanismo?

“O meu primeiro contato foi com o Gigante Léo, com quem eu fiz o longa ‘O Concurso’. Então, foi o meu primeiro contato, não íntimo ao ponto de ir na casa do Léo. O Léo é casado com uma mulher de estatura normal, tem até uma filha. Quando eu vi que ia fazer par com a Ju, eu já entrei no Instagram e deixei um recado para ela. Inclusive, ela pensou que era trote, eu falei que era eu mesmo, passei meu número. Falei que queria conversar, conhecer mais esse universo. Depois a gente começou a se encontrar, quis saber como seria na cozinha essas duas pessoas, começamos a cozinhar.”

Esse encontro foi na sua casa?

“Não, foi na casa de uma amiga. Aí a gente cozinhou, andou de carro, saiu para passear na rua. Eu queria saber mais como é esse universo dela. De qual jeito ela se sentia mais confortável com a abordagem de uma pessoa mais alta, se era abaixando a cabeça ou o corpo, e ela falou que era normal. Ela começou a falar sobre as dificuldades, que não conseguia usar o caixa eletrônico, só se fosse no banco funcionando e pedisse para a gerente ajudar. Falou que quando chove muito não sai de casa ou, se está na rua, fica em algum lugar esperando. Ela falou que um dia se molhou inteira, porque as pessoas iam correndo e a água espirrava nela.”

E é um casal que deve tomar muito cuidado para não cair na caricatura, né mesmo? O encontro dos dois foi bem elogiado, né?

“Muito, receberam muito bem. Assim, o olhar da primeira cena que ele dá uma esmeralda para ela, aparentemente é uma cena muito fácil, mas qualquer olhar que eu desse ali, ia soar um olhar diferente para ela.”

Na novela você faz um lapidador de esmeraldas. Agora no final de ano, você se inspirou para dar uma esmeralda à sua esposa?

“Quem sabe. Quem sabe ela não vê a matéria e me cobra uma esmeralda (risos). Ela merece. E eu amo pedras, tenho na minha casa um monte, deixo minhas pedras carregando na árvore. Sempre usei, desde a primeira novela tem as pedrinhas que eu gosto. Na minha casa eu tenho uma ametista, um geodo de cristais que eu tenho há 15 anos. Então, é um universo para mim muito próximo.”

Tem um mistério na novela sobre a identidade do sócio do bordel. Quem você acha que pode ser esse sócio misterioso?

“Sou eu. É o Juvenal. Ele não é esse cara que vocês estão achando que é. Estou brincando (risos). Prefiro não palpitar, eu leio o capítulo e fico falando besteira.”

A gente percebe que você é um cara muito espiritualizado. E essa gravidez da sua esposa foi algo muito esperado, né? 

“Foi! Ela tem endometriose, e assim que a conheci ela falou que, talvez, precisasse fazer um tratamento para engravidar. Eu falei para ela não se preocupar e que deixasse Deus encaminhar as coisas. Daí ela parou de tomar um remédio, ia começar um tratamento, engravidou e veio a Helena. Era para ser, não fez tratamento nenhum. Claro, ela sempre se cuidou da endometriose.”

Você fez alguma promessa?

“Não, essa não. Eu estou cheio das promessas.”

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano.

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