Alejandro Claveaux, o Nicolau de O Outro Lado do Paraíso, explica dificuldade de construir um personagem do bem: “Eu tenho a cara de mau”

Publicado há 3 anos
Por Bárbara Saryne
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Sucesso na pele de Nicolau, em O Outro Lado do Paraíso, na Globo, Alejandro Claveaux termina a novela com um crescimento positivo do personagem. De uma simples ponta, ele se tornou um importante coadjuvante, que transitou bem no núcleo central. Até encontrou um romance no caminho, com o papel de Júlia Dalavia, a Adriana.

Em entrevista ao Observatório da Televisão, Claveaux também falou sobre a dificuldade de construir um personagem bonzinho, com um olhar doce. O ator considera que tem cara de mau, mas demonstrou que atingiu o objetivo. Ele tem recebido um feedback positivo do público, inclusive, de parentes de policiais.

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Questionado sobre trabalhar com grandes nomes da teledramaturgia nacional, como Glória Pires, que faz a Elizabeth, mãe da protagonista Clara (Bianca Bin), ele revelou que a atriz é uma grande parceira. Confira os detalhes na entrevista, a seguir:

O que você está achando da novela nessa reta final?

“Foi uma surpresa quando eu descobri que o Nicolau ficaria com a Adriana (Julia Dalavia). Eu fiquei muito feliz, a gente tem uma conexão muito boa. O Nicolau é um cara do bem e eu gostei disso, me chamavam muito para fazer vilões e canalhas, personagens completamente diferentes. Ele é o primeiro personagem que meu deu a oportunidade de explorar a bondade e a pureza. Ele tem a voz do público, fala o que as pessoas pensam.”

O Nicolau também representa uma classe…

“Tenho recebido várias respostas de familiares de policiais por isso. Eu acho que o Nicolau escolheu essa profissão para ajudar as outras pessoas e muitos policiais estão aí nessa batalha, mesmo ganhando pouco. Aqui no Rio de Janeiro, é um perigo ser policial e ele traz essa força. Eu estou muito feliz de saber que o público está gostando, isso me dá esperança.”

A novela teve muitas reviravoltas…

“É, até o final ainda vai ter muitas. A gente fica ansioso para saber o que vai acontecer com todos os personagens, começamos a ler tudo. Acho que o ritmo é de série, acontece muitas coisas que em uma novela comum demoraria um mês para acontecer. Por isso é um sucesso.”

Como foi contracenar com a Gloria Pires?

“Ela é carinhosa, trata todo mundo com amor, sabe o nome de todos. Ela é muito interessada, é uma grande parceira. O Emílio de Mello também é um ator que eu sempre admirei muito no teatro e a gente teve a oportunidade de trabalhar junto nessa reta final.”

Como você recebia os foras da Adriana?

“Ela é uma personagem bruta, grosseira, é complicada. Mas eu acho que quando uma pessoa recebe uma notícia ruim, de que vai morrer, é natural que o pânico aconteça e apresente reações. Ela foi muito grosseira, mas foi verdadeira com ela mesma. O Nicolau também é um cara verdadeiro e eu acho bom porque isso mostra que o relacionamento deles acontecerá na base da verdade. Isso deixa a coisa com menos conflito.”

Como foi construir esse personagem tão diferente de todos que você já fez?

“Foi complicado. Eu tenho a cara de mau, de doido (risos). Eu tentei buscar um olhar doce, de pureza. Sou do interior de Goiânia e lá as pessoas são muito cuidadosas, se preocupam com os outros. Eu busquei essas pessoas e me preocupei com o olhar porque eu queria deixar o olhar falar mais que qualquer outra coisa.”

Como foi interpretar esse cara tão ético nesse período em que as pessoas só pensam em si?

“Foi maravilhoso. Eu fui assaltado, uma vez, com metralhadora na cabeça, uma violência absurda, que me deu a sensação de impotência. Então, esse personagem me faz pensar que a morte não pode ser tão banalizada, a vida dos policiais e de todos nós é importante. Todos nós precisamos nos mobilizar para mudar isso e dizer ‘chega’.”

* Entrevista feita pelo jornalista André Romano
* Colaborou Renan Vieira

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