Agressivo em Éramos Seis, Antonio Calloni afirma que nenhum tipo de cena lhe faz sofrer: “Sinto prazer e diversão’

Publicado há um ano
Por Cadu Safner
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O ator Antonio Calloni, de 46 anos, tem colhido as glórias do seu personagem em Éramos Seis, atual cartaz das 18 horas na TV Globo. Júlio, marido de Lola, interpretada por Glória Pires, é um homem apaixonado pela família, principalmente pela mulher, porém, com os filhos a conduta é diferente. Enérgico e autoritário, Júlio tem em mente a ambição de um dia ser rico como o chefe. Em entrevista ao Observatório da Televisão, Calloni fala das emoções da nova roupagem da história de Maria José Dupré, adaptada por Ângela Chaves.

onus com seu personagem em Éramos Seis, atual cartaz das 18 horas na TV Globo. Júlio, marido de Lola, interpretada por Glória Pires, é um homem apaixonado pela família, principalmente pela mulher, porém, com os filhos a conduta é diferente. Enérgico e autoritário, Júlio tem em mente a ambição de um dia ser rico como o chefe. Em entrevista ao Observatório da Televisão, Calloni fala das emoções da nova roupagem da história de Maria José Dupré, adaptada por Ângela Chaves.

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Julio ( Antonio Calloni ), Lola ( Gloria Pires ) e Alfredo ( Pedro Sol ) (Divulgação: TVGlobo)

Está sendo uma alegria imensa fazer Éramos Seis, é um sucessos maravilhoso. Vemos as repercussões nas redes sociais e na imprensa. Receberam muito bem a novela, ela é absolutamente emocionante e ganha pela simplicidade, é um adágio elegante com gosto de bolo de chocolate, tem um cheirinho de cafezinho quentinho. Ela ganha por essa simplicidade e emoção”, conta o profissional, com mais de 60 trabalhos na televisão, entre séries, minisséries, especiais e novelas.

Movimentando mais de 200 mil seguidores no Instagram, o ator fala das relações com as crianças da novela e sua linguagem. “É maravilhoso, a gente sempre fala que ensina e aprende ao mesmo tempo. Parece que é uma frase feita, mas, é mais que isso. É uma verdade que, só quem trabalha com isso é que pode entender“, explicou.

O aprendizado, querendo você ou não, é constante. E essas crianças são de uma geração diferente da nossa, é claro, e vem com uma outra bagagem, com outro repertório, outro tipo de inteligência. E isso é sempre surpreendente para gente, é estimulante ver as crianças com este frescor e com essa vontade de trabalhar, além de estarem realizando cenas tão legais, singelas e verdadeiras“.

Gianfrancesco Guarnieri, Othon Bastos e Antonio Calloni, os intérpretes de Júlio em três versões de Éramos Seis

Questionado se já iniciou as gravações com os atores que fazem a versão adulta de seus filhos, Antonio Calloni conta que sim e brinca: “O Júlio agora terá uma dificuldade maior em bater nos filhos porque eles estão bem grandinhos e mais fortes“, disse. “Está sendo muto legal neste sentido e eles [os atores] são super bem vindos. Eles já tem uma experiência e vamos ver no que vai dar. Por enquanto tem sido uma experiência super bacana“.

Questionado se chegou assistir alguma das versões, o ator explica que não viu, mas que sabe da importância e representatividade da história para a teledramaturgia brasileira. “Soube que grandes atores fizeram, o Gianfrancesco Guarnieri (falecido em 2006) e o Othon Bastos (Padre Venâncio na atual obra). Mesmo sem eu ter visto, é um estimulo grande saber que estes atores fizeram este clássico. Espero que daqui uns 10 anos esta novela seja refeita e eu eu possa fazer uma participação“, disse ele, animado com o sucesso de mais esta versão.

Júlio e Almeida, de Éramos Seis (Reprodução)

Quando o assunto são as cenas de agressões que o pai Júlio pratica com os filhos, Calloni é enérgico na explicações. “Acho que era um costume da época, era cultural, -o que não justifica. Naquela época não era tida como uma agressão, isso é uma leitura atual. Repito que, mesmo sendo natural, está errado“.

Nenhum tipo de cena me faz sofrer. A verdade é esta“, revela ele, após ganhar enorme repercussão com a premiada série Assedio, onde interpretou Roger Sadala, um médico renomado na área de fertilização, mas que esconde uma face sombria. “Qualquer tipo de cena ou personagem eu procuro sempre, acima de tudo, o prazer e a diversão. Qualquer que seja a cena, eu sempre sinto prazer e sempre me divirto”.

Estamos fazendo um faz de conta, o meu trabalho continua sendo a extensão do faz-de-conta infantil. Acho que o ator nunca cresce direito, ele estaciona nos dez anos de idade, ele fica com dez anos de idade a vida inteira. Este complexo de Piter Pan para mim é muito saudável. Eu me divirto, eu não sofro. Já existe um sofrimento normal, as duvidas normais que o ator já tem, a insegurança, já é intrínseco isso, a ansiedade, a preocupação de fazer bem. Mas eu não procuro o sentimento, eu procuro a diversão. Bater no filho é o que o pai faz, ele não agride o filho, ele está querendo corrigir o filho. Vamos fazer da melhor maneira possível e com técnica para não machucar o ator de verdade“, explicou o veterano.

Dona Marlene ( Walderez de Barros ), Júlio ( Antonio Calloni ), Isabel ( Maju Lima ), Lola ( Gloria Pires ), Carlos ( Xande Valois ), Alfredo ( Pedro Sol ), Julinho ( Davi de Oliveira ) e o cachorro Jagunço

Sobre a abordagem das pessoas nas ruas, Antonio Calloni conta que existe uma repercussão e que ate que acha engraçado certas explicações dessas pessoas. “Eu gosto do Júlio mas não gosto de gostar do Júlio”, elas dizem. “Hoje em dia, com o mundo tão medroso, estamos com uma epidemia de burrice e de covardia, essa epidemia impede as pessoas de perceberem que não existe só o bom ou o mal e que entre o bem e o mal existe uma gama de sutilezas de vários tons de luminosidade e temperatura das quais as pessoas não percebem; este meio termo. Tudo porque as pessoas estão burras e covardes.

Covardes porque elas não querem perceber que um personagem ou uma situação estão além do bom ou do mal, e que ele tem várias nuances. A covardia e a burrice que impera no Brasil atualmente impede as pessoas de verem as nuances. O Júlio ama a família e ele quer que a família se dê bem, ele mostra que ele ama profundamente a mulher. Nada justifica ele agredir a mulher nem ele trair a mulher, mas as pessoas não conseguem juntar as coisas: ou ama ou não ama. Então ele é bom ou mal. Isso é burrice e covardia que está tomando conta da cabeça da gente no mundo todo e principalmente no Brasil. Ver as nuances do peonagens pode ser pedir muito, mas é o correto“.

Júlio, de Éramos Seis (Reprodução)

Se Júlio trouxe ou não uma nova visão de paternidade que ele ainda não tenha percebido enquanto pai, Antonio Calloni diz que pôde perceber que o homem mudou muito pouco. “Deveria ter mudado muito mais. O machismo ainda esta muito presente, acho que os homens melhoraram de uma maneira geral, mais ainda acho que está muito presente isto, infelizmente, acho que a mulher está cada vez mais se colocando e o emponderamento feminino vem se colocando. Mas o machismo ainda tem força. Isso é muito importante porque o machismo ainda está muito presente. Mas, como pai eu não posso repetir os mesmo erros. Eu tenho que fazer novos erros e que meus filhos façam os erros deles daqui pra frente. Os que já foram, já se foram“.

A morte de Júlio

Não tenho ansiedade, tenho uma equipe bacana, um diretor legal. Só vou sentir saudade do trabalho, o clima de gravação é muito bom, todo mundo se entende, é muito gostoso de vir trabalhar, tem ansiedade de despedida do trabalho. Só!

(entrevista realizada pelo jornalista André Romano)

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