“A TV Bahia estava acomodada”, diz José Eduardo sobre mudanças na televisão baiana

Publicado há 3 anos
Por Gabriel Vaquer
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Na televisão de Salvador, José Eduardo é um dos grandes gladiadores da atual guerra da audiência do meio-dia na Bahia. Essa entrevista foi realizada antes da estreia de Jéssica Senra, que já começou no Bahia Meio Dia, principal telejornal da TV Bahia, afiliada da Globo em Salvador.

Mesmo assim, o Bocão, como é conhecido, fala com muito otimismo e diz gostar da disputa pela audiência mais apertada como é. Ele reconhece que a emissora global na Bahia estava num momento acomodado e que eles estão correndo contra o tempo perdido.

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“Eu estou gostando, a TV Bahia estava acomodada, sentada num trono e observando tudo de muito longe, mas é natural que a gente se acomode, não digo nem a TV, acho que todo nós em determinado momento, dá uma acomodada porque acha que está tudo tranquilo e não está”, diz o apresentador.

José Eduardo já foi líder anos atrás, mas usava uma linguagem totalmente sensacionalista em seu programa – o clássico Se Liga Bocão. Zé admite que era exagerado, mas diz que essa fase já ficou no passado.

“Já passou essa fase, eu acho que eu dou a opinião que eu acho que o povo gosta”, confessa o apresentador.

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Leia a entrevista na íntegra:

Observatório – Você é meio que uma prova que o raio cai duas vezes no mesmo lugar, porque você foi um fenômeno absoluto com o Se Liga Bocão, ali no final da década passada e agora você é de novo um fenômeno absoluto, picos de 29 pontos de audiência aqui em Salvador. Como é que você vê isso?

José Eduardo – Eu acho que é a equipe, o trabalho de equipe e entender a hora de mudar, você ter o feeling de que a gente precisa mudar. Acho que tem tempo para tudo, eu acho que o olho da televisão brasileira, o telespectador, aquele que está do outro lado, ele está mudando constantemente, a gente que faz televisão tem que aprender a mudar justamente com ele e junto com ele. Se a gente consegue fazer essa mudança no tempo certo e aí papai do céu abençoou a gente aqui na Record, nós conseguimos fazer essa mudança, no Bocão a gente tinha um programa diferente, muito mais polêmico, um programa popularesco…

Observatório – Você mesmo admite que era sensacionalista, né?

José Eduardo – Era sensacionalismo demais, era violência demais e a gente estava para o jogo, porque o jogo era para ser jogado. Porque ninguém venha me dizer que gosta de ser vice ou do terceiro lugar. Então a gente estava brigando pelo primeiro lugar e no momento certo, ideal, a gente se reuniu e pensamos: “Chega! A gente vai fazer o jornalismo limpo, jornalismo como deve ser, com a cara da Record, com 30 equipes na rua”. Para isso a gente teve todo o aval da direção, investimentos em helicópteros, estúdios, cenários diferentes, isso nos motivou e aí fizemos o jornalismo que a gente já fazia a muito tempo, o projeto era esse e deu certo.

Observatório – Qual a grande qualidade para você aqui do Balanço Geral de Salvador, qual o grande diferencial?

José Eduardo – Eu acho que a linguagem, a forma de se fazer a matéria, passando do repórter ao editor, passando por mim o apresentador, porque eu estou ali como o motor do barco, eu estou na frente e eu acho que quando volta uma matéria, o povo está esperando o que eu vou falar dessa matéria, muitas vezes porque não concorda com aquilo, então você vai, comenta e agrada a população. Se você não tem esse respaldo com a população, se você passa essa imagem que você não é, para o telespectador que está em casa, rapidamente ele zapeia e vai procurar uma pessoa com quem ele se encaixa.

Observatório – Para quem não sabe, você, José Eduardo, é um viciado em audiência.

José Eduardo – Completamente. Inclusive a audiência ficava aqui no estúdio e não fica mais porque o Fábio tirou a audiência daqui.

Observatório – Porque você surtava?

José Eduardo – Porque eu surtava. É uma corrida, você ficar três horas em pé apresentando um programa e ao mesmo tempo se preocupando, então eu fico com a Sheron (Monalisa, editora-chefe), que é a editora executiva do programa, sempre mudando os assuntos, achando o que dá e não dá para encaixar, tem vezes que eu erro, tem vezes que ela erra, tem vezes que a gente briga porque eu achei que o assunto era aquele e ela achou que era outro, mas enfim, no final a gente está ganhando já há um bom tempo. Já faz um ano e meio, que Deus ajude que fique mais anos, porque eu acho que a gente tem que saber perder, quando a gente perdia aqui, a gente procurava lutar para vencer e sempre encaixar. Tem uma coisa de positivo nessa equipe aqui, na Record, com todos os diretores que passaram e esse principalmente que está aqui, a gente quer perder, mas lutando, empatando, indo para cima, agora perder morrendo não, então hoje a gente ganha porque não estamos parados, todo mundo se mexendo e a gente se mexe também.

Observatório – Você se considera uma figura polêmica?

José Eduardo – Não, já passou essa fase, eu acho que eu dou a opinião que eu acho que o povo gosta. Tem vezes que um percentual da população não aceita, essa semana mesmo eu tive uma polêmica muito grande em relação aos rodoviários, que pararam a cidade e que levaram sete horas, travaram a cidade nos quatro quantos e tinham milhões de pessoas querendo ir para o hospital, querendo ir para o trabalho e eles pararam a cidade porque queriam sentar com o prefeito. Quer sentar com o prefeito? Vai no palácio, invade lá e fala com o prefeito, agora parar uma cidade e aí eles fizeram um vídeo contra mim, disseram que eu sou contra o povo, eu não sou contra o povo, eu fui contra o que eles fizeram, então aí já é uma polêmica, não deixa de ser, um programa de três horas você tem que errar e acertar. Eu acho que a gente está mais acertando do que errando.

Observatório – Vamos falar um pouco sobre com quem você concorre no horário, a TV Bahia está fazendo algumas mudanças profundas também pelas suas vitórias. Como é que você tem visto a concorrência nesse sentido?

José Eduardo – Eu estou gostando, a TV Bahia estava acomodada, sentada num trono e observando tudo de muito longe, mas é natural que a gente se acomode, não digo nem a TV, acho que todo nós em determinado momento, dá uma acomodada porque acha que está tudo tranquilo e não está. Na acomodada da TV Bahia, a gente foi para cima deles e passamos, agora que eles têm que se mexer. Eu acho legal, acho bom e acho legal que copie também, copiar é bom, o objetivo deles não é ficar em segundo, o objetivo deles é ficar em primeiro, mas eles correm para cima do primeiro e eu corro sempre em busca da nossa conquista que é o primeiro lugar.

Observatório – Você acha que eles copiam você?

José Eduardo – Não, eles não copiam, eles tentam copiar, porque é difícil, a gente é muito mais original, a gente já faz um programa desse tipo a muito tempo, o Varela está aí há 30 anos batendo na mesa e tentando o primeiro lugar. Então a gente nasceu fazendo isso e eles estão ainda tentando nascer para fazer.

Observatório – A gente viu uma entrevista sua para o programa Bar Futebol Clube, aqui de Salvador, no ano passado e você falou o seguinte: Darino Sena que é um concorrente seu no horário também, ele quando está com o pessoal da TV Aratu ele não cumprimenta você, mas quando ele está sozinho ele te cumprimenta. Como é que foi essa história, você lembra dessa entrevista?

José Eduardo – Não, eu já me esqueci até. Ele concorre comigo? Nem vejo. Não vejo o programa dele…

Observatório – Para encerrar, gostaria que você falasse um pouco do que você espera para esse ano.

Olha, mais e mais audiência, que o povo abrace ainda mais esse programa, que esse programa cada vez se crie, se recrie e se reinvente, porque a audiência é boa, a concorrência é ótima, eu acho maravilhoso quando tem os três empatados e aí a gente sai na frente e eles correm atrás. Isso é o que não pode perder, sabe? Aquele tesão, esse tesão é o que não pode morrer nunca e é para cima que a gente vai o tempo todo.

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