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Aline Dias defende personagem em Salve-se Quem Puder: “Precisa de um olhar médico”

Atriz faz triângulo amoroso com Juliana Paiva e Felipe Simas

Úrsula (Aline Dias) em Salve-se Quem Puder
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Com menos de dez anos de carreira televisiva, Aline Dias encara em Salve-se Quem Puder provavelmente o maior desafio de sua trajetória em novelas. Talentosa e dedicada, ela vem dando o que falar no papel da histérica Úrsula, marcada por crises de ciúme nada sutis em relação ao namorado, Teo (Felipe Simas).

Apesar das atitudes completamente questionáveis da personagem, Aline não a considera uma vilã. “Úrsula perde o controle, dos sentimentos, das emoções – e por conta disso, sim, faz coisas que ultrapassam o caráter dela, que são consideradas vilanias. Mas é uma pessoa que precisa de tratamento, precisa de um olhar médico, precisa ser cuidada, precisa procurar uma ajuda“, acredita.

Confira nossa entrevista completa com a musa das 7.

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OBSERVATÓRIO DA TV – Você tem recebido depoimentos no Instagram de garotas que se identificam com a Úrsula? Se sim, o que elas falam?

ALINE DIAS – Eu recebi sim algumas mensagens. Foi muito legal receber de imediato esse retorno. Elas falaram que se identificaram, que é um tema muito interessante a ser abordado numa novela – porque é uma doença do século. Uma doença que muitas vezes fica inibida, porque a própria pessoa não consegue diagnosticar isso. Está sendo muito interessante mostrar os vários momentos e as várias nuances que a ansiedade provoca no ser humano.

E nas ruas, o que as pessoas falam?

Por enquanto eu ainda não tive nenhum retorno na rua. As pessoas se mostram meio tímidas, outras não tem certezas se eu sou mesmo a atriz [que interpreta Úrsula]. Nas ruas eu nunca fui parada, mas nas redes sociais já recebi mensagens e fiquei muito feliz com esse retorno.

A Úrsula é uma má pessoa? Ela pode ser considerada uma vilã?

A Úrsula não é uma pessoa. Ela está completamente vulnerável devido à doença que ela tem. Ela já teve depressão, que é outra doença superséria… Ela perde o controle, dos sentimentos, das emoções – e por conta disso, sim, faz coisas que ultrapassam o caráter dela, que são consideradas vilanias. Mas é uma pessoa que precisa de tratamento, precisa de um olhar médico, precisa ser cuidada, precisa procurar uma ajuda. E ela não tem noção de que está novamente mergulhada na ansiedade – porque ela já esteve internada, e novamente está voltando com isso. A Úrsula está sem essa noção, está completamente cega pelo namorado, e isso torna, sim, as atitudes dela muito cruéis – mas nem por isso fazem dela uma má pessoa.

O ciúme é apenas a ponta do iceberg nos problemas da Úrsula?

Eu acredito que ele seja apenas um dos gatilhos pras crises de ansiedade da Úrsula, que envolvem sentimento de medo, de perda e de muita insegurança. Ela é muito insegura com relacionamentos e isso lhe traz muito sofrimento. O ciúmes é, sim, uma das pontas do iceberg dos problemas dela.

A sua personagem está em um crescente. Ela estava bem, mas já tem dado sinais de que não está tão bem assim como aparenta. Acha que é só uma questão de tempo para que ela seja capaz de fazer algo como agredir, machucar ou até atirar na Fiona (Juliana Paiva), só para ter o Teo só para ela?

A Úrsula está doente, e ainda não se deu conta de que precisa de uma ajuda profissional. Não se dá conta de que estava novamente tendo essas crises, mesmo já tendo sido internada várias vezes… Ela quer estar a par dos sentimentos, quer ter esse controle sem nenhuma ajuda. Eu não sei qual vai ser o desfecho da Úrsula. Torço muito por uma redenção, para que ela procure uma ajuda – e que a gente [através da novela] fale muito sobre a importância dos psicólogos, dos psiquiatras, dentro dessa doença que está matando tantos jovens. Torço pra que ela busca uma ajuda antes que o pior aconteça, porque a gente nunca sabe o desfecho da história de uma pessoa que tem crises de ansiedade, que sofre de depressão, e não tem uma ajuda, não tem apoio… Então eu torço pra que a história da Úrsula termine bem.

Torce para que as pessoas entendam que ela está doente e não louca?

Com certeza! A gente não pode taxá-la como louca! Muita gente não tem essa informação do que é ansiedade, pensa que é frescura – e ansiedade não é uma frescura! Eu torço pra que as pessoas entendam que as atitudes radicais que ela tem, em relação ao relacionamento com o Teo, com os pais dela… Esse tanto de ciúmes e insegurança que ela sente são frutos de uma condição patológica que ela está vivendo. Cortar o mal pela raiz seria ela realmente procurar uma ajuda.

Como você lida com ciúmes? Tem crise, não gosta, nunca teve, já teve muito?

Hoje não me considero [ciumenta]. Bate sim, em alguns momentos, mas isso [ciúmes] não pode te corroer por dentro, não pode te tornar uma pessoa vulnerável àquela situação. Você ter uma insegurança é normal, mas você tem que saber lidar. Em algumas situações, ainda fico um pouco insegura, mas nada que eu não controle. Tenho o controle disso e me saio superbem nas situações.

Acha saudável ter ciúme em um relacionamento?

Qualquer sentimento, quando ultrapassa o seu amor próprio, não é bom. Com ciúmes é a mesma coisa. Quando você está com ciúmes, o interessante é você conversar com a pessoa, trocar essa informação, pra você se acalmar. Se você faz algo por causa do ciúmes e depois se pergunta ‘por que eu fiz isso?’, já está saindo do controle. Não é saudável. Claro que às vezes acontece – não somos robôs! Ciúmes existem em alguns relacionamentos. Não é porque você tem ciúmes que você sofre de ansiedade, ou tem depressão, é taxada como louca… Mas o que você vai fazer com aquilo que você está sentindo é o que vai te mostrar se você tem o controle daquilo ou não. A partir do momento em que você perder o controle, só traz sofrimento pra você e pro seu parceiro.

Você e o seu marido estão casados há quanto tempo? Entre vocês, quem tem mais ciúme?

Eu e o Rafael [Cupello, também ator e marido de Aline] vamos completar quatro anos juntos neste ano. Já tivemos sim momentos de ciúmes, mas nada que uma boa conversa não resolvesse. Quando se tem essa conversa, a gente se olha olho no olho, a gente pode refletir, pode pensar, ver os pontos em que se pode melhorar. Acho que a conversa é tudo num relacionamento. Não tem essa de ‘quem tem mais ciúmes’. Não é ele, nem sou eu. Quando a gente percebe que aquilo está fazendo mal, que está ultrapassando o nosso amor próprio e ultrapassando o respeito, a gente para, senta e conversa.

Você já se anulou em algum relacionamento antigo? Se sim, como foi?

A gente tem fases nas nossas vidas, né? Eu tô com 28 anos agora, sou uma mulher super madura, e a cada ano eu sinto que vai crescendo a minha maturidade em certas situações. Sou mãe, então tenho outras prioridades, outras preocupações, outra cabeça. Mas sim, já me anulei, já fui muito insegura em relacionamentos, já pensei muito mais no outro do que em mim mesma. Era uma coisa que eu demorei muito pra perceber. E, depois que percebi, eu consegui terminar de boa e tal… Mas, por um tempo, eu realmente fiquei muito vulnerável, sem saber o que fazer, com medo de perder… E estava infeliz, né? A gente acaba não percebendo o que está acontecendo no relacionamento, porque a gente está muito cega, querendo que dê certo uma coisa que não está dando mais.

Já teve medo de perder namorado?

Já tive sim. Como disse, é fase, né? Com o tempo a gente pega essa maturidade, essa segurança – e ter essa insegurança também não é um defeito. A gente às vezes precisa procurar uma ajuda, conversar, procurar um psicólogo, fazer uma terapia – e terapia é uma coisa que eu acho que vem tão pro bem do ser humano! Uma coisa que vem pra somar, justamente pra você crescer – como mulher, como ser humano, pra se posicionar em certas situações. Depois que comecei a fazer terapia, eu tenho muita segurança de algumas coisas que eu faço na minha vida, sou muito mais calma em relação a certas decisões. Graças a Deus eu não tenho os mesmos problemas que a Úrsula, em relação a ansiedade e tudo o mais… Mas no início sempre bate uma insegurança em relação a trabalho, a relacionamento, quando a gente é adolescente, jovem… E com o tempo a gente vai pegando essa maturidade e entendendo o que é que faz bem pra gente, o que a gente quer pra vida. Já tive medo perder [um namorado], de ser esquecida, mas hoje eu posiciono de uma maneira muito mais saudável em relação a isso.

É ou foi difícil para você sair para trabalhar com o filho pequeno?

Então, quando eu voltei [à TV], na novela O Tempo Não Para, ele [Bernardo, hoje com pouco mais de 2 anos] estava com cinco meses. Foi muito difícil, porque a gente estava com aquela conexão de amamentação, eu ainda o amamentava…. Então eu tive que entender que ele teria contato com outras pessoas durante o dia, começar na introdução alimentar e a gente se separar nesse momento, devido ao meu trabalho. Mas eu procurei não sofrer. Conversei com muitas mães sobre a gente não se sentir culpada – por que a vida tem disso, né? De culpar sempre a mulher, a mãe, enfim… A gente se sente assim, né? Foi um pouco difícil, mas agora está supertranquilo. Consegui organizar os horários, coloquei ele na escolinha. Agora estamos conseguindo lidar super bem com a nossa rotina.

Como hoje você lida com perdas?

Eu não tive nenhuma prova de perda no momento em que estou vivendo. Mas tenho muita fé em Deus e acredito que as perdas que a gente têm na vida é pra gente ganhar lá na frente de uma certa maneira – em termos de maturidade, ou de remover algo que estava travando a nossa vida. Eu sempre procuro olhar o lado bom das coisas. Às vezes é difícil, ainda mais quando se trata de alguma morte ou um término [de relação] – mas pode ter certeza de que lá na frente surpresas esperam pela gente. Eu tenho muito fé nisso. Lidar com perdas é doloroso no início, no momento, mas depois eu consigo entender o que aguarda por mim no futuro.

O fato da família dela não tê-la “abandonada”, pode ter agravado esse sentimento de carência, não só do amor do Teo, mas um amor de pai e mãe?

É muito possível sim que a ausência dos pais da Úrsula tenha aflorado essa carência e essa dependência emocional que ela tem com o Teo, essa necessidade de ter alguém do lado dela. Eu não sei muito dessa parte dos pais da Úrsula, mas a gente tem muito pra descobrir sobre a personagem, né? Eu espero que ela tenha um desfecho muito bonito e seja muito feliz.

O Teo vai pedir a Fiona em namoro. Como vai ficar a Úrsula nesse novo cenário?

De fato o Teo vai terminar com a Úrsula e ela vai perder totalmente o controle. Vai ficar cega, vai colocar a culpa na Fiona – haverá inclusive uma cena de briga bem intensa, onde a Úrsula vai cuspir todo o seu ódio pela Fiona. A Helena (Flávia Alessandra) afasta ela do empório por conta disso, ela descobre que a Úrsula voltou a tomar os remédios. A Úrsula então volta pra casa da avó – só que infelizmente nem a avó vai ter esse controle com a Úrsula. Ela vai realmente voltar a tomar os remédios sem ajuda profissional, vai se afundar nos remédios por conta própria, vai ficar tomando, tomando… E quando ela voltar desse recesso na casa da avó, ela vai voltar bem decepcionada e com sentimentos bem ruins no coração dela em relação à Fiona. Daí em diante eu já não sei o que vai acontecer. Mas vamos aguardar.

A Úrsula vai ficar descontrolada, tipo quebrar coisas, chegar ao fundo do poço, entrar em uma onda de paranoia ou não? Gostaria?

A Úrsula realmente perde totalmente o controle quando alguém termina com ela. Pega a muleta, joga no quadro, quebra as coisas… Na casa da avó, ela fica totalmente vulnerável aos medicamentos, procurando por eles nas gavetas, querendo tomar… Ela entra nessa onda sim, infelizmente, e vai pro fundo do poço de novo. Ah, dá uma dozinha da Úrsula! Mas eu acho legal mostrar isso, que a pessoa pode estar sim, no fundo do poço, mas ela pode se reerguer, se levantar, com ajuda e tudo o mais. Que não é o ponto final ela estar naquele lugar. A vida sempre pode mudar, e pra melhor.

Acredita que muitas das doenças é porque guardamos algum sentimento que não resolvemos?

Com certeza. Muitos casos de ansiedade e depressão às vezes vêm de traumas que a gente não conseguiu resolver ou identificar. É preciso lidar com isso e cuidar do nosso emocional, sempre. Eu faço terapia, e a minha psicóloga sempre fala: ‘a psique precisa sempre estar em ordem. Mente sã, corpo são.’ Tudo tem que estar no eixo pra gente poder ser feliz, ter paz.

O que mudou na sua vida com a maternidade?

Ah, a minha vida mudou muito com a maternidade. Ganhei maturidade, paciência, atenção, amor, empatia, aprendi a olhar o outro e não julgar. Essas foram as coisas que mais me acrescentaram como ser humano, como mulher. A gente acaba vendo o mundo com outros olhos, e percebe que o mundo não gira em torno da gente. Com a maternidade, só fica amor e coisas boas – ou pelo menos é o que a gente tenta, né? As coisas ruins a gente tenta não absorver, não pensar, jogar fora, pra não manquetar a nossa vida, o nosso relacionamento com as pessoas e com o nosso filho também.

Sonha em ter mais um filho? Talvez uma menina?

Às vezes penso sim em ter um outro filho. Não pra agora, porque estou totalmente focada na carreira, em estudar, crescer como atriz, mergulhar na personagem Úrsula – que foi um presente na minha vida. Mas eu pretendo mais pra frente – bem lá pra frente, planejadinho, quem sabe? [risos] – ter uma menininha! Mas, claro, se vier um menininho outra vez, também vai ser muito amado.

Que tipo de personagem você gostaria de fazer e ainda não teve oportunidade?

Olha, eu estou com esse papelzão [Úrsula], que eu fiquei superfeliz de poder fazer… Já pensei em fazer tantas coisas… Mas acho que você simplesmente fazer a mulher brasileira, do dia a dia, igual a Regina Casé está fazendo [como Lurdes, em Amor de Mãe], é maravilhoso! Uma mulher que trabalha, que tem filhos, que tem opiniões… Que protege, que briga, que chora, que bebe, fica bêbada… Que dança, que ri, que gargalha, se emociona… Essa mulher que tem mil facetas, e que a Regina Casé está fazendo brilhantemente. É um papel que já diz tudo, né? Ali são várias mulheres dentro daquela personagem. E, claro, algumas não enxergam, outras estão de cadeira de rodas, outras já tiveram problemas com drogas, outras têm ansiedade, outras têm depressão, outras têm problema num relacionamento, outras são homossexuais, transexuais… Mas todas elas têm histórias densas, histórias de luta, de glória, enfim… Fazer qualquer uma dessas mulheres seria um presente pra mim.

(entrevista realizada pelo jornalista André Romano)

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