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Kiko Mascarenhas revela sobre Éramos Seis: “Fiquei muito surpreso de não estar no núcleo cômico!”

Geralmente em papéis cômicos, ator celebra Virgulino

Virgulino (Kiko Mascarenhas) em Éramos Seis
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Não há como ver Kiko Mascarenhas em cena e não esperar que ele faça uma graça para nos fazer rir. Em seus anos de televisão, o ator acumulou uma série de personagens cômicos, em atrações como A Diarista, Separação?!, Tapas & Beijos e Mister Brau, entre muitos outros. Porém, agora, ele comemora a chance de emplacar um papel sério na novela Éramos Seis, da Globo, onde vive o ativista político Virgulino. “Eu estou muito feliz, porque eu fiquei exercitando humor durante muito tempo, né? De repente me vem essa surpresa, de um personagem que foge completamente do que estou acostumado”, revela.

O profissional conta que bateu insegurança quando veio o convite para Éramos Seis. Mas ele revela que o retorno tem sido bastante positivo. “Achei que não fosse conseguir. E acho que o público está gostando. Recebi uma mensagem bem engraçada de uma mulher dizendo assim: ‘eu nunca pensei que o Tavares (personagem do ator em Tapas & Beijos) pudesse me fazer chorar. O público me liga muito com Tavares ou com o Gomes, do Mister Brau. Minha ligação com a comédia é muito forte, então acho que as pessoas estão se surpreendendo tanto quanto eu”, analisa.

Com a participação em Éramos Seis, o ator é só elogios para Virgulino e aprecia muito o envolvimento do personagem com a política. “Coube a esse personagem todo o recorte político da história da novela. E não é fácil. Eu tive que estudar muito para saber sobre a política da década de 1920, de 1930… e já tô estudando a de 1940, já que novela vai dar agora o próximo salto no tempo”, revela.

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Política

Mergulhado no contexto político de Éramos Seis, Kiko Mascarenhas se assusta ao notar que muito do que foi discutido no passado ainda não está bem resolvido. “É muito curioso perceber como a gente tem similaridades com aquele momento e com o momento que a gente tá atravessando agora. Isso é muito assustador por um lado. Mas por outro lado é bom, pra minha reflexão e para quem está assistindo”, crê.

O ator também analisa a participação de Virgulino na batalha, atualmente mostrada em Éramos Seis. “Ele não foi para a guerra, né? Quem foi para a batalha foi o filho dele, Lúcio. E é como na vida real. Quem vai para o front são os jovens. Os mais velhos são os que arquitetam tudo, mas quem dá o sangue é a juventude”, lamenta.

Parceria com Kelzy Ecard

Em Éramos Seis, Virgulino é casado com Genu, vivida por Kelzy Ecard. A parceria cênica é celebrada pelo ator. “Eu não a conhecia antes da novela, e nos tornamos grandes amigos. E é um jogo sensacional! Ela me estimula e me provoca o tempo todo. E as pessoas dizem que a gente forma um belo casal”, elogia.

Apesar de não estarem no núcleo cômico, Virgulino e sua família apresentam momentos bem-humorados. Mas o ator explica que a ideia era que ele e Kelzy Ecard fugissem da comicidade acentuada. “A gente optou por não pisar no acelerador da comédia. A gente sempre dá um tempero de comédia à história deles (Genu e Virgulino), mas é só um temperinho. Porque eles são vizinhos de Lola, estão próximos à história central, que tem muito drama, muita tragédia. Então, o meu medo era a gente ir muito fundo na comédia no início, e a hora que o drama aumentasse, a gente ficasse meio deslocado. Porque a gente é uma reverberação da casa da Lola”, explica.

Encontro com Marcos Caruso

Kiko se revela completamente envolvido por Virgulino. “Eu conversei com o Marcos Caruso (que viveu Virgulino na versão do SBT, em 1994) antes de começar a gravar. Ele me falou algumas coisas. E, das coisas que ele me falou, o que me marcou muito foi: ‘Você tá com um personagem lindo nas mãos. Porque ele é um homem íntegro. Ele é um bom pai. Ele é um homem consciente politicamente, é amoroso e desprovido de qualquer tipo de preconceito’. E isso, para a época, era realmente um diferencial. É curioso olhar para novela como um todo e perceber que Caruso tinha razão. Eu tentei manter essas qualidades. Eu tenho que fazê-lo sempre muito tranquilo, mesmo com toda a pressão da revolução. Apesar de preocupado, ele não perde o controle”, observa.

Ainda sobre Virgulino, Kiko afirma que se trata de um homem sensível e à frente de seu tempo. “Ele mantém os bons valores, mas não é reacionário. Ele não é aquele pai rigoroso. É um homem que chora, que se emociona, e que não tem vergonha disso. É um cara que honra as amizades. A amizade dele com o Afonso (Cássio Gabus Mendes) é celebrada na internet de uma maneira que eu nunca imaginei. As pessoas adoram a amizade deles, e eu acho lindo que seja assim”, celebra.

Ética

O artista aproveita as qualidades de Virgulino para fazer uma análise sobre ética. “Ele é ético, e a gente acha que a ética acabou. Mas a ética sempre existiu. Parece que a gente se acostumou com a ideia de que a ética e a moral, hoje, estão muito ligada à religião ou à política. Mas tem a ver com humanidade e caráter. Virgulino é um bom caráter, e a gente pensa que não há mais pessoas de bom caráter. O mau-caratismo chama muito a atenção, mas existe muita gente de bom caráter”, analisa.

Fazendo drama na TV

Éramos Seis é uma novela com muitas qualidades, e isso encanta Kiko Mascarenhas. “Normalmente, como a gente não tem muito tempo, acaba vendo só as nossas cenas. Mas nessa novela, eu não consigo. Quando eu começo a assistir eu não paro, porque tem muitas cenas boas e muitas atuações incríveis”, elogia.

Além disso, o ator também fala sobre Virgulino dentro da história. “Ele é uma pessoa discreta. Dentre deste núcleo dele, ele é o mais discreto. E a minha tentativa foi construí-lo muito lentamente, muito lentamente. Até porque os autores também o construíram muito lentamente. Eles me davam informações com muitos espaços. Tanto que, para mim, ele era apenas membro do movimento revolucionário. Levei um susto quando eu descobri que ele era o líder do movimento. Então, ele é um personagem que vai se revelando, à medida que a novela vai acontecendo”, afirma.

A oportunidade de fazer um papel dramático na TV também é vista com bons olhos pelo ator. “Eu já trabalhei drama no teatro, mas poucas vezes numa obra audiovisual. Talvez no cinema, em Salve Geral, Meu Nome Não É Johnny… Então, quando eu fui escalado para essa novela, eu fiquei muito surpreso de não estar no núcleo cômico. Eu achei que ia morar em Itapetininga (risos)!. Não esperava estar nesta posição. Eu fiquei muito feliz”, afirma.

Trabalho no teatro

Além da novela, Kiko Mascarenhas celebra o sucesso de seu espetáculo Todas as Coisas Maravilhosas, indicado aos prêmios Cesgranrio, APTR e Shell, além de se sagrar vencedor do prêmio Botequim Cultural. “É uma produção minha, um solo que fala sobre depressão e suicídio, mas de uma maneira muito leve, por incrível que pareça. E é uma peça que tem uma dramaturgia muito curiosa, porque ela usa a plateia pra conta a história junto comigo. Então todo dia a história sofre pequenas alterações, e eu tenho que lidar com isso e me deixa muito vivo e muito presente”, conta.

Sobre fazer produção cultural no Brasil, Kiko afirma que sua resposta à falta de incentivo é seguir firme. “A ideia é não parar e não desistir. Está tudo convergindo para que a gente desista e tirar qualquer possibilidade de produção, seja incentivo, seja patrocínio, seja o que for, achando que a gente vai parar. Mas a gente não vai parar”, afirma.

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano

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