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Cássio Gabus Mendes comemora nova parceria com Glória Pires em Éramos Seis: “Admiração gigante”

Ator é sucesso na pele do doce Afonso

Afonso (Cássio Gabus Mendes) em Éramos Seis
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Não é só a família de Dona Lola (Glória Pires) que chama a atenção de quem acompanha a saga de Éramos Seis. Desde os primeiros capítulos, a figura afável Afonso vem roubando a cena, sobretudo a partir de quando o personagem vivenciou o drama de ter a filha de criação, Inês (Gabriella Saraivah / Carol Macedo), tirada de seu convívio.

Nos episódios que estão por vir, Afonso deve ganhar ainda mais destaque, através de um mais que aguardado romance com Lola. “Eu tenho um carinho e uma admiração gigante pela Glorinha, ela é uma das principais atrizes que temos no nosso país, né? Ela é de uma capacidade gigante, um carisma muito forte, uma técnica extremamente apurada. É sempre além do prazer, o que facilita o trabalho do outro é impressionante“, destacou o herdeiro do saudoso Cassiano Gabus Mendes (1929-1993).

Confira nossa entrevista completa com este grande ator!

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OBSERVATÓRIO DA TELEVISÃO – Como você criou sua interpretação do Afonso – que, aliás, está magnífica? Você se baseou nas outras versões ou foi só por si mesmo?

CÁSSIO GABUS MENDES – Não, não… Eu fiz por mim mesmo, pois acho que houve umas pequenas modificações em relação às outras versões. Esse personagem me parece que era um pouco isolado, não me lembro direito. Ele tinha uma coisa bem “geladinha”, um outro formato. Eu sabia desde o início que seria diferente agora, teria outra posição, outro envolvimento, uma coisa bem diferente. Não me baseei, não tinha nem como. Quando te passam um perfil, eu procurei, como todo ator, criar. Você recebe esse perfil, você recebe os textos, você conversa com a direção e você vai buscar criar este personagem, somos criadores também. Eu procurei criar do melhor que jeito que eu achei. Então eu fui achando, fui compondo ele, testando algumas coisinhas pra mim e fui ficando muito feliz, me dá muito prazer fazer assim. Não tinha como me basear, ter interligações com textos anteriores, com versões anteriores, porque as referências desse personagem específico são muito isoladas, muito pequenas. Acho que, quando é feito um remake, às vezes você procura até não assistir [a versão anterior] pra não ter uma influência isso pode te atrapalhar um pouco, pelo menos pra mim. Inconscientemente você pode carregar uma coisa que não é sua, não é criação sua, é complicado. Este Afonso é meu, né? Se fosse outra pessoa fazendo, seria de outro jeito, brilhantemente de outro jeito, com um caminho diferente, uma postura diferente, né? Então, é isso. Eu procurei compor assim, criei esse personagem e, graças a Deus, deu um resultado muito bom. Está agradável e muito bom de fazer. É o que eu sempre digo: você tem esse poder de criação na mão quando te apresentam um personagem – mas esse resultado, com o andar de uma obra aberta, depende muito da história, de como ela é conduzida, do texto.. Esse movimento todo é muito coletivo, um depende do outro, com certeza. Uma história bem contada, uma história bem escrita é essencial pra você dar vida para o personagem que você criou.

Como é contracenar mais uma vez com a Glória Pires, que já foi sua parceira de cena em outras novelas memoráveis?

É um prazer muito grande sempre, né? Essas coisas na vida que a gente não explica, a gente vai se esbarrando, tem uns encontros assim no trabalho, que, se gente falasse há um ano atrás isso, a gente achava bem difícil que contracenaria de novo, você não sabe o que vai acontecer. Eu tenho um carinho e uma admiração gigante pela Glorinha, ela é uma das principais atrizes que temos no nosso país, né? Ela é de uma capacidade gigante, um carisma muito forte, uma técnica extremamente apurada. É sempre além do prazer, o que facilita o trabalho do outro é impressionante. Isso também é muito importante, a gente tem uma resposta muito grande, então… Às vezes a cena anda sozinha, ela vem e anda sozinha, em função dessa capacidade. É difícil falar dela. A gente não tem convivência, eu moro em São Paulo, não temos convivências como amigos de dia, mas a gente sempre teve nos bastidores uma convivência excelente, muito bacana, muito divertida, muito parceira. Talvez isso dê essa liga. A gente não sabe de onde vem essas ligas que acontecem, as pessoas falam, pelo menos. Quando a gente tá dentro, fica difícil ter essa visão. Quando estamos assistindo, a gente vê com outros olhos. Agora o conforto que é, estar junto dela trabalhando, contracenando com ela, é uma coisa de grande eficiência. É um prazer muito grande, um grande privilégio.

Lola e Afonso são um casal que vai se apaixonar já maduro. Amar na maturidade, você acha que é mais fácil?

Não sei te dizer. Eu acho que a paixão, ela vai te confundir, vai te derrubar e vai te fazer ficar ridículo em qualquer idade. Porque quando estamos muito apaixonados, que é uma delicia, a gente fala barbaridades, não é verdade? Quando você se ouve depois de um tempo você pensa “Nossa eu falei isso?”. Coisas como “Seus olhos tão lindos”, você tá falando como novela. E isso é normal, acho que isso não tem idade, a gente se atrapalha e fala mesmo, com um prazer como se aquilo te desse uma coragem enorme. Não vejo diferença que, se você amadurecendo, você vai tratar diferente. A paixão te desarma e depois o amor vem em outra posição, eu acho. Eu acho que a paixão, na minha opinião, ela te desarma de qualquer jeito. Então, quando a gente até brincou outro dia, é uma coisa muito delicada a relação, né? É tão bonitinho, é bacana. Eu falei assim “Nós temos doze ou onze anos?”, que vem de isso que eu estou falando, que é o negócio do “sem graça”, fica uma bobagem, parece que você tem dez anos. Então a paixão é isso, por isso não vejo que, amadurecendo, você teria o privilégio de ter o controle em relação a alguma coisa nesse sentido. É mais forte que você.

Cássio, desde o início a gente percebe que o Afonso tem os olhares, um carinho a mais por Lola. E o público comprou isso total, porque o Afonso é um dos personagens favoritos, por conta de toda a trama toda com Shirley (Carol Macedo) também… Teve até a pesquisa que a Globo fez, e o público queria muito esse casal. Isso te surpreendeu? Você acha que, depois de tantos problemas, os dois merecem essa felicidade?

É evidente que isso tava um pouquinho assim… Novela, a gente nunca sabe o que vai acontecer, mas… Tem que se programar um pouco. Tinha que ter admiração, tinha que ter um conflito nessa área toda, mas nunca se pensou exatamente, ‘vamos botar essas duas pessoas pra fazer isso aqui porque isso aqui vai dar liga’. Por mais que dê liga, às vezes você não tem uma história pra contar, alguma coisa pra se fazer, aí não adianta você ter essa liga maravilhosa. Você continua tendo, mas ela fragiliza completamente. Então a gente espera expectativa sim, não é? É uma coisa cruzando na outra. Não dá pra dizer, antes de começar, que ‘isso aqui não tem erro’. Não, isso não é verdade. Por mais liga que tenha, não se seduz. Então, a sedução é diferente, é quando você pega uma linha de sedução – como foi muito bem feito na história [de Éramos Seis] -, aí você recebe isso [esse feedback], o que acontece é pensar: “vamos adiantar esse encontro um pouco? Porque estão pedindo demais!”, porque isso vai ter que ser feito. Eu, pelo menos como espectador, quero ter o prazer de ver essas pessoas juntas, quero ver essas pessoas convivendo um pouco juntos… Eu como espectador vejo assim, acho que qualquer um, não é? Agora, a gente não esperava evidentemente que fosse realmente uma coisa tão prazerosa, que desse um resultado tão grande ao ponto de dizer ‘peraí, vamos mudar um pouco o caminho aqui, vamos adiantar isso aqui…’ Isso [o romance de Lola e Afonso] ainda não chegou a acontecer no ar, nem gravamos ainda. É tudo muito delicado, suave, dentro dessa posição, dentro dessa poesia que são esses dois personagens. Eles têm uma fragilidade, um romantismo muito bonito, não é? Que é a história um pouco da novela, que é o clima da novela, que é essa atmosfera, o que deixa mais forte ainda. Quando você sente isso, você vê que o prazer é muito grande de se ver, porque deu resultado o seu trabalho, os personagens, a história. E você pensa “Poxa, que bacana!” quando tem uma reação assim. Até mesmo se a reação do público for “É, eu quero matar essa pessoa!”, também é bom pra caramba. [risos] É lógico! Mesmo que o cara [espectador] queira te estrangular, te pegar na rua, é o resultado, é isso que interessa.

Recentemente, foi divulgada uma foto sua com a sua esposa, a também atriz Lídia Brondi, que gerou muita repercussão nas redes sociais. Foram muitas mensagens de carinho, desejando felicidades, perguntando se a Lídia estava bem… Como você lida com esse carinho das pessoas por vocês?

Sem dúvida nenhuma, quando seu trabalho é exposto e você recebe o carinho das pessoas, você tem esse respeito, você tem uma história, você fala uma história, tem uma história de vida. As pessoas te acompanham de alguma maneira, né? Hoje em dia mais, inclusive, em função das facilidades que tem. Evidentemente que, de alguma forma, se você tem uma exposição maior…

Isso assusta um pouco?

Não é que assusta, não é de assustar. Eu não vou deixar de ir ao shopping, ao restaurante que eu quero, quando estou na hora da minha folga, por saber que vai ter alguém… E daí? Eu não tô fazendo nada, tô dando uma olhada, qual é o problema? É até bom isso, esse ‘oi’ [de algum fã eventual]. Não tenho problema com isso. Sobre os paparazzi, entendo até que é o trabalho das pessoas, tem uns movimentos que… É uma coisa chata, mas faz parte. Então eu não vou, vou em outro lugar. Não tem o que fazer, isso tá exposto, não vai matar ninguém por causa disso, mas que é desagradável, é. Mas eu, Cássio, não vou deixar de ir em algum lugar porque a pessoa vai me fotografar saindo do restaurante. Eu só espero um dia não sair caindo de bêbado no chão e ser fotografado no restaurante. Também é minha vida, não vou deixar de fazer determinadas coisas em função disso, isso não vai acontecer. Agora, com experiência também, com os anos, a gente sabe que tá exposto, tá ali e vai acontecer [o assédio da imprensa e do público]. Se você não estiver a fim de certas pessoas, não vai ali. Se não tô afim hoje, não tô afim, acabou.

É a coisa mais linda a relação do Afonso com a Inês, não é? Ela realmente prova que pai é quem cria.

É, tem uma força muito bacana, sempre teve desde o início, né? Principalmente na primeira fase. Essa menina saiu da barriga do lado dele! Acho que qualquer situação que alguém conheça ou que participou na vida, não tem o que discutir: ele é o pai e ela é a filha. E quando você afasta isso, isso entra numa violência extrema, é como se você perdesse um filho e perdesse um pai, numa idade dessas. Só essa situação é muito poderosa, é um conflito muito real, na verdade. Isso é muito violento, então, esse amor, esse carinho, ele tem que ser muito real, tinha que ser muito próximo, tinha que ser óbvio. O reflexo do sofrimento tem que ser óbvio. “Como assim, você vai embora com a minha filha? Vou perder minha filha. Eu entendo até que você gosta dessa pessoa, eu sou muito bom. Você vá pra essa pessoa, você ama essa pessoa, tá tudo certo, mas é minha filha… Como é que vai fazer isso?” Então, por mais que você seja bom, uma pessoa maravilhosa… Essa atitude te quebra e quebra a filha também, evidentemente. Então, a gente tem que mergulhar nisso muito forte, esse mergulho tinha que ser muito verdadeiro. O “violento” que eu falo é de força. E eu acho que a gente conseguiu isso, né? A história conseguiu contar isso e mostrar isso no tempo certo.

A Carol Macedo está arrasando no papel, né?

Maravilhosa, muito maravilhosa. Tá dando tudo certo.

(entrevista realizada pelo jornalista André Romano)

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