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Juliana Paes comenta primeira vitória no Melhores do Ano e rivalidade feminina: “Desconfortável”

A famosa comentou a premiação e a trama das 21h

Juliana Paes no Melhores do Ano, premiação do Domingão do Faustão
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Neste domingo (15), Juliana Paes levou o prêmio de melhor atriz no Melhores do Ano, do Domingão do Faustão, pelo trabalho feito como Maria da Paz em A Dona do Pedaço. Em entrevista ao Observatório da Televisão, a famosa falou sobre a conquista, fez um balanço da carreira e comentou as merecidas férias.

 Como você se sente com essa vitória?

Muito feliz. Já é uma felicidade estar aqui indicada pela turma de casa. Às vezes isso não fica muito claro, mas todas as vezes que os atores são indicados, quem vota são as pessoas da casa. É a galera que trabalha com a gente. É a produção, cabelo, maquiagem, a caracterização, a arte. Isso tem um significado. Não é só o trabalho que você faz diante das câmeras, mas a postura e a conduta por trás da câmera que te trazem até aqui também, até esse caminho. É uma lisonja muito grande. E quando você ganha, sem querer fazer nenhum trocadilho, é a cereja do bolo [risos].

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Quem você agradece por esse prêmio?

É tanta gente. Ao Walcyr [Carrasco, autor da trama] pela chance. Por todas as vezes que ele disse que não pensava em mais ninguém para fazer a Maria da Paz. A Amora [Mautner, diretora] por ter me dado coragem para ousar. Todas aquelas loucuras e ousadias de Maria da Paz nos momentos mais efusivos, foi tudo estimulado pela Amora. Ela é uma força no set que impulsiona a gente.

Eu sempre agradeço todo mundo. Não é demagogia, Maria da Paz me tomou muita energia, eu tinha muito texto e passei muitas horas da minha vida nesse um ano entregue mais a novela do que em casa. Então muitas vezes é a camareira que fala ‘vai, você vai aguentar’. Às vezes é alguém que faz o seu cabelo e fala ‘olha, que cena linda que você fez agora’. O câmera, você tá fazendo a cena e vê um olhar de aprovação, de ‘vai, tá ficando bom, a cena tá ficando emocionante, tá dando certo’. Tudo isso resulta nesse troféu.

Eu sou muito grata a todas essas pessoas e a minha família. Meu marido hoje fez um discurso lindo. Ele falou ‘nega, não importa se você vai voltar para casa com um prêmio na mão ou não. O seu prêmio é a repercussão que essa novela teve, o sucesso que a personagem foi’. E hoje eu saí de casa com esse espírito mesmo. Então isso aqui é um complemento disso tudo.

Com a Bibi também foi assim, né?

Eu me sinto prestigiada. As pessoas ainda lembro desse trabalho, daquele momento. Tudo vem se acumulando ao longo desse tempo. Eu acho que é uma mistura de tudo e eu sinto esse carinho do público e da imprensa. Eu estou muito grata. A minha sensação, se eu puder resumir, é gratidão.

A novela saiu do ar, mas as pessoas ainda falam dela. O Walcyr fala com o povão.

Ele tem essa habilidade de ir direto no coração do grande povão, do grande público. Acho que deixar saudade faz parte, é bom. Eu ainda ando nas ruas e as pessoas perguntam ‘cadê o bolo?’. E comentam da novela, do fim. Esse ‘rabo do cometa’ que fica, quanto mais tempo perdura, mais a gente sente como a novela pegou nas pessoas, como a personagem cativou. Isso é um prêmio também.

Você ainda mantém a Maria da Paz contigo? Você já chegou a declarar que quando está com dúvida de algo, pensa como ela faria.

Sempre. Acho que a Maria da Paz é a personagem mais parecida comigo. A trajetória se assemelha muito a minha. Pode parecer contraditório, mas quanto mais próximo o personagem é de você, mais difícil é de fazer. Você fica com medo, ‘será que estou fazendo eu mesma?’. Isso é perigoso também, porque a gente deita na cama e continua pensando na personagem. É um mingau na cabeça, mas isso também tem um lado bom. O que você entrega é a sua emoção mais genuína. Se você consegue dosar o fato de não levar o personagem pra cama, mas conseguir colocar sua dose mais genuína de emoção, isso tem um resultado feroz.

Você bateu na trave algumas vezes no Melhores do Ano. Como é finalmente ter o seu troféu? Você sente que tirou um peso das costas?

Eu não sinto como se tivesse tirado um peso, sinto que ganhei um presente. A gente quando vive grandes sucessos, como foram algumas personagens que eu vivi, como a Maya, a Bibi e a Maria da Paz, o nosso grande troféu é o reconhecimento do público. A novela fazer sucesso, ir bem, as pessoas falarem com você nas ruas. Quando você ganha um prêmio, é a materialização desse sucesso. Então é muito gostoso levar um prêmio pra casa, mas eu sempre me senti muito grata pelas personagens que eu fiz. Todas elas me levaram até aqui.

Passa um filme na sua cabeça? Os nãos que você recebeu, papéis pequenos, o começo na novela do Maneco [Laços de Família] e agora esse reconhecimento?

Passa um filme na cabeça. Nessa profissão a gente tem que ser muito perseverante, querer muito e lidar com frustração. Eu no começo de carreira já escutei ‘nossa, a Juliana vai ser atriz?’. Isso machuca a gente, mas é o mesmo tanto que empurra pra gente fazer melhor, vencer, se melhorar e manter a humildade de nunca estar pronto. Eu nunca me sinto pronta, eu sempre quero estudar, estou sempre preocupada em buscar coisas fora, ter um coach, uma pessoa, uma fono. Muitas vezes eu estava gravando e tinha fono vindo, procuro sempre ter pessoas a minha volta para ajudar. Eu não faço esse trabalho sozinha nunca.

Você falou no seu discurso no Melhores do Ano sobre redes sociais e comparações. Algo te machucou para você falar aquilo naquela hora? Alguma comparação ou criaram alguma rivalidade?

Não. Eu só sinto que isso acontece com outras colegas, outras mulheres. Por empatia eu sinto esse desconforto.

Você acha que criaram isso ano passado entre você e a Paolla [Oliveira]?

Acho que sim. Acho que hoje em dia, conforme as redes sociais foram entendendo que essas comparações viraram moeda de troca por curtidas, likes, engajamento, por esses logoritimos loucos que a gente nunca vai entender. De alguma maneira as pessoas aprenderam que as enquetes, competições, ‘quem é mais legal, mais bonita’, isso é pequeno. Pode ser legal para quem vê, mas é desconfortável para quem está ali. Quando eu disse aquilo, não é por mim, é por outras meninas. E quanto mais jovens as meninas são, mais frágeis. Eu já estou nessa batida há 20 anos.

O que vai fazer na virada do ano novo? Repetir algo do ano passado?

O meu réveillon no ano passado foi o mais farofa que vocês possam imaginar. Eu aluguei uma casa nos 45 minutos do segundo tempo em Búzios, chamei minha família, alguns amigos, e a gente ficou em casa. Isso me deu muita sorte, então esse ano vai ser a mesma coisa. Vou estar com a minha família, meus amigos, e de preferência perto do mar, que é onde eu me revigoro. Mas sem nenhuma superstição. No último dia faço minha meditação, mas sem nenhum ritual específico. Eu faço o que der na minha telha.

Como foi a parceria com o público da difícil tarefa de ser mãe na novela?

Foi uma parceria muito profícua. Muitas vezes, o público mais jovem, que ainda não vivenciou a maternidade, não compreende muito bem. ‘Nossa, como a Maria da Paz pode aceitar isso da filha?’. Por outro lado, vinha uma corrente de pessoas que já tiveram problemas com os filhos e falavam ‘eu entendo a Maria da Paz, eu também passei isso’. Então eu tinha esses dois tipos de feedback.

Vai tirar férias?

Sim. Engraçado, eu sempre digo que vou tirar umas férias, cheguei em casa e falei ‘agora vou ficar um ano sem trabalhar’. Depois do último capítulo da novela que eu assisti, eu falei ‘filho, agora eu tô de férias’. Ai ele ‘é agora que você vai ficar um ano pra gente?’. Olha a responsabilidade do que a gente fala. Não sei se vou conseguir ficar um ano, mas um bom tempo eu vou ficar.

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano

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