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“Me sinto honrada”, diz Virgínia Rosa sobre viver ‘criada’ dos anos 1920 em Éramos Seis

Atriz já atuou em Pega Pega e Babilônia

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Em todas as versões de Éramos Seis, tão marcante quanto a presença de Lola, Júlio e seus filhos, era a figura de Durvalina, a empregada doméstica – ou ‘criada’, como se chamava nas primeiras décadas do século passada – que auxiliava a protagonista na rotina do lar e lhe era, mais que mera funcionária, uma amiga e cúmplice.

No remake que a Globo estreia no próximo dia 30 (segunda-feira), este papel afável caberá a Virgínia Rosa. “São poucas as que suportam fazer esse trabalho na sociedade. São mulheres muito fortes. Então para mim é uma honra representá-las“, comentou a atriz e cantora, em entrevista ao Observatório da Televisão.

Em sua terceira novela na Globo, Virgínia comemora o fato de voltar a contracenar com Glória Pires – ao lado da qual fez sua estreia na telinha, em Babilônia (2015). “Ela é uma pessoa muito generosa, que traz um conforto pra gente no set, nas externas. É um grande presente estar do lado dela novamente“, derrete-se.

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Confira o bate papo completo com a atriz.

OBSERVATÓRIO DA TELEVISÃO – Como está sendo pra você a emoção de atuar nessa novela, Éramos Seis?

VIRGÍNIA ROSA – Sempre quando eu faço uma novela, é uma experiência nova, é um desafio. Mas é muito bom. Eu acho que essa novela traz uma coisa muito especial pro momento que a gente está vivendo, de um mundo tão acelerado, de valores tão invertidos. Eu acho que Éramos Seis vai trazer um certo afago, um certo alívio pras dificuldades do dia a dia. Eu estou muito feliz de estar na novela, com esse elenco maravilhoso, encontrando Glória Pires novamente. Porque a conheci e contracenei com ela em Babilônia, em 2015. Estou muito feliz e agradecida.

Como está sendo contracenar novamente com essa atriz maravilhosa que é Glória Pires?

Ela é ‘a glória’, né? [risos] É uma pessoa muito generosa, que traz um conforto pra gente no set, nas externas. Uma tranquilidade que eu conheci em Babilônia, quando contracenei com ela a primeira vez, ela era minha rival… Sempre tem uma ansiedade, um nervosismo. Até porque era minha primeira novela, eu era muito inexperiente. E a Glória me passa uma tranquilidade, uma verdade tão grande que inspira a gente a fazer coisas boas também, na performance, na atuação. Então é um grande presente estar do lado dela novamente. Como também de outros com quem vou contracenar – o Calloni, esses meninos mais novos, essas crianças tão talentosas que eu tenho conhecido. É uma graça na minha vida.

Você se preocupar em pesquisar ou mesmo assistir algo a respeito das versões anteriores da novela?

Eu preferi não pesquisar tão fundo, porque acho que, como é um grande sucesso da televisão brasileira, quando você fica bebendo dessa fonte que já existiu, às vezes pode até atrapalhar na construção do seu personagem. E aqui, ela [a autora Ângela Chaves] está reescrevendo a novela. Claro que mantendo a trama original, a saga dessa família… Mas admito que cheguei a assistir um pouco [das versões prévias]. Sei que a Chica Lopes fez a minha personagem em duas versões [em 1977 e em 1994]. Então vi algumas cenas dela, e fiquei muito emocionada. Ela é uma grande inspiração pra mim. Então acho que traz também uma incumbência de você fazer uma boa performance, uma Durvalina à altura da que ela fez e deixou marcado. Essa Durvalina amorosa, tão fiel à Lola, devota da Lola até. Tudo isso são essências do personagem que não podem se perder. Então eu vou ser fiel a ela. Claro que eu também vou criar o meu ‘jeito’, né? Porque eu, além da Durvalina, tenho as experiências, as vivências da Virgínia Rosa, que vou tentar de alguma maneira colocar na Durvalina pra trazer essa verdade que emociona quem está assistindo.

Você tem algum receio da comparação do público com a Durvalina feita pela Chica Lopes?

É inevitável a comparação, né? Mas eu procuro não ficar com essa tensão de ser comparada. O que antecede a atriz é a cantora. Eu sou cantora profissional há mais de 40 anos. Então, eu não vou cantar Elis Regina? Eu fiz um show recentemente em homenagem à Elizete Cardoso, a ‘Divina’. E eu cantei. Acho que a primeira coisa que você tem de fazer, como artista, é ter uma humildade diante dessa obra de um personagem que você vai representar. A partir daí, você vai colocando as suas ‘coisas’, de experiência, de técnicas, das orientações que você recebe aqui na Globo. Mas se você entrar nessa vibe de que ‘ai, vão me comparar’, você tem um temor e nem assume o papel. Porque a vida continua. As pessoas vão embora, as pessoas morrem, as pessoas não têm mais condição de fazer os papéis… E sucessos como Éramos Seis seguem se fazendo presentes, necessários, e as novas gerações são convocadas para fazer parte disso.

O que vai haver de diferente nessa versão em relação às já feitas e assistidas?

Sinto que a vibração dessa novela é muito amorosa. O tom da novela é muito amoroso, as pessoas envolvidas… Está todo mundo assim. Quem chega acelerado desacelera um pouco e vai entrando na mesma vibe, sabe? E não que seja uma novela lenta. Acho que a Ângela teve essa preocupação de adaptar pros tempos que nós estamos vivendo. Se for diálogos muito longos, as pessoas não vão ter paciência, nem saco! É interessante que seduza todas essas pessoas a assistirem à novela nessa versão adaptada.

Mas é bom lembrar que hoje temos Por Amor, uma novela de 1997 marcada pelos diálogos longos nas cenas, que agora está batendo recordes de audiência no Vale a Pena Ver de Novo

Que ótimo! Fico feliz em saber, porque não estou assistindo à novela. Mas acho que uma das coisas mais legais de Éramos Seis é que vai mostrar essa época em que as pessoas conversavam com os vizinhos, por exemplo. Hoje a gente entra no elevador e mal dá ‘bom dia’. Ou seja, questões básicas de convivência com o ser humano que a gente tem esquecido. Eu acho que a novela pode trazer essa reflexão.

Você também tirou inspirações do livro original, escrito pela Maria José Dupré?

Eu estou lendo o livro ainda, eu não terminei. Mas eu sei o básico da história e acho que a gente pode ir seguindo conforme os roteiristas vão escrevendo. Agora a inspiração vem sempre de pessoas com quem eu convivo e convivi. Sempre tem minha mãe presente, tem histórias de avó na minha cabeça… Inclusive, eu fui saber um pouquinho sobre como se fala em Itapetininga. Porque, quando a Olga (Maria Eduarda de Carvalho) vem de Itapetininga, a Durvalina vem junto. Mas acho que muita coisa vem dessas vivências que tive na infância. Eu sou paulistana, mas minha família é mineira. São experiências muito ricas. Por exemplo, eu adoro cozinhar! É uma coisa real na minha vida. Já cozinhei pra fora em São Paulo, já forneci pra restaurantes, cafés… E vou colocar essa vivência na Durvalina. Porque a Lola comanda o fogão, mas a Durvalina está sempre ajudando, picando alimentos…

A Durvalina tem uma pegada de humor também?

Tem. Ela tem humor, ela tem um pouco de tudo o que é o ser humano. Eu adoro personagens que têm todas essas nuances. Porque o humano é assim. O humano é mal humorado, no outro dia está dando risada. Num dia ele está bom e generoso com a humanidade, e no outro dia ele está perverso, tem inveja. A Durvalina vai ter cenas super engraçadas com a dona Genu (Kelzy Ecard), que é a vizinha da Lola. Eu adorei, porque, quando me chamaram, foi indicação do Silvio de Abreu, o que me deixou super empolgada. E eu pensei: ‘meu Deus, eu acabei de fazer a Madalena [em Pega Pega], que era uma empregada doméstica. E eu fiquei com medo. Como eu ia recriar esse universo? Mas depois relaxei e pensei: ‘vou aceitar. Eu tenho coisas a aprender com a Durvalina’.

Os seus dotes como cantora vão ser aproveitados? Você vai cantarolar em cena?

Ah, eu adoraria, né? [risos] Eu acho que cabe, cantarolar enquanto cozinha, enquanto põe os meninos pra dormir… Mas depende do roteiro. Eu adoraria, mas não sei mesmo.

Como é, para você, representar a classe dessas mulheres, simples, humildes, que trabalham de sol a sol pra garantir o pão de cada dia?

Eu me sinto muito honrada por fazer uma empregada doméstica, uma ‘criada’ dos anos 20 – quando a mulher tinha um lugar muito menor do que hoje em dia. Hoje a mulher tem uma emancipação. Nos anos 30, conseguimos o direito a votar. Então, eu tento imaginar essa situação da mulher, sobretudo a Durvalina, numa época próxima à da abolição dos escravos. Então é uma postura de servidão mesmo. Só que vai ser mais leve, porque a amizade das duas propicia um diálogo sem estar a Lola mandando. A Durvalina sabe o lugar dela, mas tem com a patroa mais uma cumplicidade do que uma relação em que uma só obedece à outra. Eu realmente me sinto honrada, porque essas mulheres, que levam na labuta o dia a dia, que estão tentando ali manter uma casa, que não falte comida, elas têm uma força muito grande. Por isso são poucas as que suportam fazer esse trabalho na sociedade. São mulheres muito fortes. Então para mim é uma honra representá-las. Até porque eu convivo com essas pessoas. Eu ando muito de ônibus. Conheço muito essas figuras que saem de lá da periferia, acordam 3 horas da manhã pra estar às 7h no trabalho. Isso me deixa muito feliz.

Como você tem feito para conciliar sua agenda musical com as gravações da novela?

Eu tenho tido alguns shows que coincidiram com a gravação da novela. É de fato um pouco cansativo. Hoje, por exemplo, eu estou indo para São Paulo, porque amanhã eu tenho Palavra de Mulher, com a Lucinha Lins e a Tânia Alves, por lá, cantando só Chico Buarque de Holanda. É um espetáculo com o qual estamos há dez anos em cartaz, viajando em turnê. Quando está acontecendo [essa conciliação entre ambas agendas], é um pouco desgastante. Tanto que já decidi que vou separar as duas coisas. Tenho mais um três compromissos de show, e depois vou ficar só por conta da novela. Acho mais tranquilo.

(entrevista realizada pelo jornalista André Romano)

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